quinta-feira, 13 de abril de 2017

Administração Trump apressa-se a criar força de deportação

Carlos Santos Neves - RTP 13 Abr, 2017, 12:01 / atualizado em 13 Abr, 2017, 12:09 | Mundo

Administração Trump apressa-se a criar força de deportação
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, revela o Washington Post, planeia contratar centenas de novos operacionais para as patrulhas fronteiriças e alfândegas | Mike Blake - Reuters

O gabinete de Donald Trump está a caminhar a passos céleres para a formação de uma força nacional de deportação de imigrantes considerados ilegais, noticia esta quinta-feira o jornal norte-americano The Washington Post. No quadro destes esforços, que correspondem a uma das mais sonoras promessas de campanha do agora Presidente, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos reuniu já 33 mil camas adicionais em centros de detenção para indocumentados.

O escopo do plano da Administração Trump consta de um documento de avaliação com a marca do Departamento de Segurança Interna, ou Homeland Security, que foi obtido pelo Washington Post.
Além das 33 mil camas adicionais para imigrantes ilegais, em centros de detenção nos Estados Unidos, estão em curso “discussões com dezenas de forças policiais locais”, que podem ver a sua esfera de jurisdição alargada. Ouvida pelo Post, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Gillian Christensen, escusou-se a comentar “documentos pré-decisão”.
O mesmo braço do Governo Federal identificou também os pontos na fronteira com o México onde pode ter início a construção do muro repetidamente prometido por Donald Trump.
Escreve o Washington Post que o Departamento de Segurança Interna está, ao mesmo tempo, a tentar divisar enquadramentos legais para a contratação de “centenas de novos efetivos” para as Alfândegas e Patrulha de Fronteira (CBP, na sigla em inglês). Parte destes candidatos foi já submetida a testes de polígrafo e de capacidade física.
Os planos, ressalva o jornal, podem encontrar obstáculos em “custos proibitivos” elencados no próprio relatório de avaliação, a que se somam previsíveis anticorpos no Congresso, onde se têm erguido vozes contra as despesas de milhares de milhões de dólares associadas à política de uma América-fortaleza.
“Infraestrutura de deportação”
Aos previsíveis obstáculos no Capitólio adiciona-se a expectável contestação das organizações de defesa dos imigrantes e refugiados, para as quais, assinala o Washington Post, o que está em causa não é mais do que um gasto desnecessário de verbas e outros recursos somente para “assustar 11 milhões de imigrantes indocumentados” que vivem nos Estados Unidos. Muitos há mais de dez anos.
O secretário de Segurança Interna, John F. Kelly, tem vindo a tentar mitigar a ideia de deportações em massa. Mas o facto é que as sucessivas ordens executivas com a assinatura de Donald J.Trump – sucessivamente travadas na justiça - visaram, muito concretamente, expandir os grupos de imigrantes cuja expulsão é considerada prioritária.
“Esta é uma Administração que está muito interessada em montar uma infraestrutura de deportação em massa e criar as alavancas de uma polícia de Estado. Nestes documentos, há mais provas e indícios de que eles estão a planear levar isso por diante”, reagiu a diretora do Centro Nacional de Legislação de Imigração, Marielena Hincapié, citada pelo Washington Post.

Ainda segundo os documentos obtidos pelo jornal, se o Congresso aprovar a alocação de fundos extraordinários para os planos da Administração, os serviços das CBP começarão a trabalhar com a Engenharia do Exército para desencadear a construção de aproximadamente 54 quilómetros de um muro ou barreira no sector do Vale do Rio Grande, que o Departamento de Segurança Interna descreve como a “área de maior prioridade”.
“Até agora, eles têm vindo a usar táticas de medo para montar um espetáculo, para demonstrar aos apoiantes que são duros com a imigração. Eventualmente terão mesmo de mostrar resultados. Sem a aprovação do Congresso, não vão atingir os números de deportações de Obama. Vai ser este o teste. Se no primeiro ano não tiverem um número significativo de deportados, em que é que vão distinguir-se da anterior Administração?”, pergunta J. Kevin Appleby, diretor no Centro de Estudos de Migração, com sede em Nova Iorque.

Ovar, 13 de abril de 2017
Álvaro Teixeira