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domingo, 27 de agosto de 2017

O povo está com o MPLA?

ANGOLA
Posted: 26 Aug 2017 01:13 PM PDT
De acordo com os dados finais provisórios das eleições angolanas, o MPLA obteve 150 lugares na Assembleia Nacional de 220 membros, o que lhe permite obter à risca uma maioria parlamentar qualificada de 2/3. Com isto fica em condições de tomar decisões estratégicas - incluindo alterar a Constituição - sem negociar com a oposição. Esta era a vitória mínima que o partido no poder em Angola necessitava para poder continuar a governar o país como tem feito até aqui - ou seja, num regime político que é multipartidário na forma, mas de partido único na prática.
A julgar pelo tom da imprensa portuguesa, agora só resta desejar ao novo parlamento e, em particular, ao putativo presidente João Lourenço, toda a inspiração e sucesso para a nova legislatura, esperando que dela resulte um país mais próspero, mais justo e mais estável. Acontece que está longe de ser claro que a extensão da vitória do MPLA anunciada pela Comissão Nacional Eleitoral corresponda aos resultados efectivamente obtidos nas urnas. Vários observadores internacionais (incluindo os deputados portugueses lá presentes) deram conta do bom funcionamento das mesas de voto), mas não se pronunciaram acerca do processo de contagem desses votos. Sobre isto, há vários sinais que suscitam inquietação.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

UNITA acusa Governo angolano de "chantagem e ingerência nos assuntos de Portugal"

 

/LUSA
© LUSA / /LUSA
Luanda, 28 fev (Lusa)
A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) classificou hoje como "chantagem e ingerência nos assuntos de Portugal" a reação do Governo angolano à divulgação da investigação do Ministério Público português ao vice-Presidente, Manuel Vicente.
A posição do maior partido da oposição em Angola foi expressa hoje, em declarações à agência Lusa, pelo porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, que pediu igualmente "responsabilização" para que Portugal deixe de ser um "santuário financeiro" dos dirigentes angolanos.
"Consideramos excessivas as palavras usadas no comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Angola, que configuram chantagem e ingerência nos assuntos internos de um país independente que é Portugal, por sinal amigo de Angola e dos angolanos", disse o deputado Alcides Sakala.
O Governo angolano classificou na sexta-feira como "inamistosa e despropositada" a forma como as autoridades portuguesas divulgaram a acusação do Ministério Público de Portugal ao vice-Presidente de Angola e alertou que essa acusação ameaça as relações bilaterais.
O Ministério Público português acusou formalmente, há pouco mais de uma semana, entre outros, o vice-Presidente de Angola (e ex-presidente da Sonangol) Manuel Vicente, no âmbito da "Operação Fizz", relacionada com corrupção e branqueamento de capitais, quando ainda estava na petrolífera estatal.
De acordo ainda com o político da UNITA, para o bem das relações entre os dois estados e dos angolanos, Angola devia permitir que estes processos decorressem para apurar as verdades dos factos.
"Significa que os dinheiros desviados são investidos em Portugal e nós achamos que tem de haver transparência nesse processo", assinalou, encorajando às investigações em Portugal.
"De forma a que os dirigentes angolanos deixem de fazer de Portugal uma espécie de santuários financeiro", acusou.
A UNITA, segundo Alcides Sakala, defende a manutenção de boas relações entre Portugal e Angola, considerando que o Governo angolano, liderado desde 1975 pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), "tem dificuldades de entender" que a separação de poderes em Portugal "é evidente".
"Os órgãos judiciais têm a sua independência e é isto em que o Governo angolano tem muita dificuldade em entender. Portanto, Angola quer projetar a sua imagem em função daquilo que é a situação interna do país e não pode ser", rematou.
 
Ovar, 28 de fevereiro de 2017
Álvaro Teixeira