sábado, 18 de fevereiro de 2017

A propósito de mentiras

 

(In Blog O Jumento, 17/02/2017)
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A mentira está na ordem do dia. A direita vê petas em todas as esquinas. Mas esquece que o record do mundo da modalidade ainda não foi batido e vai continuar de pé, acredito que por largas décadas ainda. Pertence ao atleta Passos Coelho que o conquistou com grande gabarito e mérito. Aqui deixo alguns exemplos do alto nível que este português distinto conseguiu alcançar medalhas, levando o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo.
Estátua de Sal, 17/02/2017

Compreende-se que Passos Coelho evite expor-se neste debate da CGD, não só está promovendo uma guerra suja e quer poupar a sua imagem, como sabe que em matéria de mentiras é um campeão na história da democracia portuguesa. Enganou tudo e todos, mentiu ao parlamento, enganou os portugueses, mentiu aos militantes do seu próprio partido. Passos tentou impor uma revolução económica digna de Pinochet sem que nenhuma das suas medidas constasse de qualquer proposta eleitoral.
Mas o grande campeão da mentira foi Passos Coelho. Aqui ficam apenas algumas das suas muitas mentiras, uma recolha que se refere apenas aos s«primeiros meses do seu governo, não consta aqui a promessa feita na campanha eleitoral de que as receitas fiscais estavam a correr tão bem que os idiotas iam receber um reembolso de uma parte significativa da sobretaxa do IRS.
1. "A haver algum ajustamento fiscal será nos impostos sobre o consumo" (Bruxelas, 24-03-2011) [Expresso]
2. "Em Miranda do Corvo, Pedro Passos Coelho admitiu que a população local «ficou a ver comboios» e prometeu que o «comboio vai voltar», muito embora tenha lembrado que «não há condições para nos comprometermos nesta fase com esta obra»."(Miranda do Corvo 31-05-2011) [TSF] O pessoal de Miranda do Corvo já anda de comboio?
3. "O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento." [Twitter] [DN]
4. Perguntou a estudante: "Vai tirar os subsídios de férias aos nossos pais?", respondeu Passos Coelho: "Eu nunca ouvi falar disso no PSD. Eu já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate" e acrescentou: "isso é um disparate" (Vila Franca de Xira81-04-2011) [TVI24]
5. "Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate." [Twitter][DN]
6. "Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro" (30-04-2011) [JN]
7. "Quando digo que estou preparado para construir um Governo com não mais do que 10 ministros, falo evidentemente da possibilidade do PSD ter uma maioria absoluta e poder responder por esse resultado" [CM]
8. "Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos." Promessa feita no Facebook. Cumpriu?
9. "Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas.".  [Twitter][DN]. Cortou?
10. "Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português.". Quantos mandou para a mobilidade com vista ao despedimento?
11. "Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas." [Twitter][DN]
12. "Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado." [Twitter][DN]
13. ""Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Se as coisas não estiverem bem temos que dizer que os que têm mais terão que ajudar os que têm menos em Portugal" (Oliveira de Azeméis 1-07-2011) [Público]
14. «Passos Coelho prometeu até final deste mês apresentar “um programa ambicioso” que passará por “acabar com institutos públicos fundações”, aquilo a que se chama a “gordura do Estado”. O plano de acção, garantiu, “até final de Outubro estará em grande medida concretizado”.» (Festa do pontal, 15-08-2011) [Público]. Alguém viu o famoso plano ambicioso?
15. A cereja em cima do bolo das mentiras de Passos Coelho foi a famosa fraude eleitoralista conhecida por reembolso da sobretaxa. Recordemos o que o traste de Massamá dizia:
"Reiterando que não se trata de um “anúncio” sobre a devolução da sobretaxa, Passos Coelho lembrou que todos os meses as pessoas podem fazer uma simulação de quanto vão receber no próximo ano. “O mês passado apontava para 25%, este mês para 35,7%, mas não é um valor fechado. Não é uma promessa, não é um anúncio para as eleições. A minha expectativa dada a evolução é ter fechado até ao final do ano um valor de devolução muito significativo”, afirmou." [Público]
Pois, não só se limitou a reembolsar um corno e a ponta do outro como foi o Centeno que teve que suportar os custos das fraudes na contabilização das receitas fiscais promovidas por Passos. Aliás, umas das razões que levavam Passos a ter esperança num segundo resgate estava nas vigarices fiscais que fez.
Nenhuma destas mentiras justificariam a demissão, isso apesar de o próprio ter em tempos escrito no Twitter que "Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?". Mas o mentiroso Passos Coelho nunca mentiu aos deputados de uma Comissão parlamentar e, como se sabe, uma coisa é mentir aos idiotas dos portugueses e outra, bem mais grave, é mentir a essas sumidades "parlamentícias".
Só é pena que Lobo Xavier não tenha tido acesso aos SMS trocados entre Portas e Durão a propósito dos submarinos, entre Portas e Passos acerca da irrevogabilidade da sua demissão, entre Maria Luís e Carlos Costa sobre a contratação de Sérgio Monteiro para caixeiro-viajante, ou entre a Maria Luís e Passos Coelho a propósito dos seus negócios com swaps.
Já que estamos em tempos de voyeurismo tenho de confessar que tenho gostos bem diferentes dos de Lobo Xavier, não aprecio os SMS entre gajos com barba. Mas , enfim, cada um tem as suas preferências em matéria de curiosidade mórbida.
 
Ovar, 18 de fevereiro de 2017
Álvaro Teixeira