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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Trump diz que já conseguiu reduzir dívida dos EUA. Será que é verdade?

 


 
 
© Fornecido por New adVentures, Lda.

As polémicas de Donald Trump nas redes sociais são já uma imagem de marca da nova era que se vive na Casa Branca. Praticamente todos os dias, o presidente dos Estados Unidos da América usa o Twitter para falar sobre os assuntos que interessam na sua agenda política e lança no ar suspeitas e acusações sobre os media, a política e a economia norte-americana. 
No passado sábado, Trump aproveitou para partilhar os dados sobre a dívida norte-americana, reclamando o mérito de ter reduzido o valor em falta perante os credores me apenas um mês de trabalho: "Os media não divulgaram que a dívida nacional no meu primeiro mês de governação caiu 12 mil milhões de dólares vs um aumento de 200 mil milhões de dólares no primeiro mês de Obama". 
Como salienta a Bloomberg, Trump está matematicamente correto: entre o primeiro e o 30º dia do novo presidente na Casa Branca, a dívida norte-americana caiu 12 mil milhões de dólares (11,3 mil milhões de euros), uma redução de cerca de 0,006% na dívida de 19,9 biliões de dólares (18,8 biliões de euros). 
No entanto, como lembra o MarketWatch, o argumento de Donald Trump cai pela base quando se olha para as flutuações normais da dívida. Visto que a dívida norte-americana é contabilizada diariamente, os gastos e as receitas têm influência imediata nos números: num dia de grandes gastos a dívida dispara e num dia de muitas receitas, o valor cai a pique. 
Tomando como exemplo o dia 21 de fevereiro, data em que se completou um mês desde a inauguração de Trump, os números apresentados estão corretos. Mas apenas um dia depois, as variações normais de receitas e despesas fez disparar a dívida norte-americana em cerca de mil milhões de dólares (945 milhões de euros). 
"Aplaudimos o presidente por utilizar a dívida como um medidor importante do sucesso e da riqueza, mas lembramos que qualquer melhoria neste ponto tão prematuro do seu mandato deve-se a flutuações normais dos gastos e receitas e não a novas políticas que ele tenha implemantado", garante Maya McGuineas, presidente do Comité para o Orçamento Federal Responsável. 
Segundo o professor Laurence Kotlikoff, da Universidade de Boston, "tudo o que aconteceu em relação à dívida tem estado em piloto automático desde que Obama saiu" e portanto, o anterior presidente dos Estados Unidos será ainda o responsável pelas melhorias ou agravamentos registados na dívida norte-americana. "No máximo, Trump está a tentar ter os louros de algo que Obama fez", garantiu Kotlikoff em declarações à Bloomberg. 
A agência de notícias norte-americana tentou contactar a Casa Branca para obter uma reação oficial, mas a equipa de Donald Trump preferiu não comentar o tema.
 
Ovar, 28 de fevereiro de 2017
Álvaro Teixeira