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quarta-feira, 25 de julho de 2018

AGRO é morte no Brasil

Novo artigo em Aventar


por Sotero

Reza uma lenda no Brasil que se você gritar Reforma Agrária, três vezes no espelho,  aparece um fazendeiros ou político ruralista para matar-te. A brincadeira é para falar algo sério: a morte das arvores, biomas,  bichos e ativistas que os defendem aumentaram assustadoramente após o golpe.

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravidão e reforma agrária no Brasil, defende que a abolição foi criada para suplantar a ideia de reforma agrária no país no século 18. "O debate sobre a repartição das terras nacionais havia sido proposto pelo abolicionista André Rebouças, engenheiro negro de grande prestígio. Sua ideia era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para ex-escravos. O político Joaquim Nabuco, também abolicionista, apoiou a ideia. Já fazendeiros, republicanos e mesmo abolicionistas mais moderados ficaram em polvorosa".

Aqui após o golpe articulado também por políticos ruralistas (que representam os interesses dos grandes proprietários de terra) o números dos desmatamentos e assassinatos de ambientalistas, justamente os que denunciam os crimes, dispararam.

A divulgação de dados duvidosos por parte dos ministérios do governo Temer me faz dar mais créditos às organizações que monitoram a violência ao meio ambiente brasileiro. Há uma série de dados disponíveis. Apenas destaco estes:

  • menos de 1% de fazendeiros no Brasil possuem quase 50% do total de terras do país. (Oxfam Brasil)
  • O Brasil é onde mais ambientalistas são assassinados. Maioria dos casos na Amazônia justamente região que ainda abriga povos indígenas e espécies endêmicas. (Global Whitness)

  • A bancada ruralista no Brasil representa 40% dos políticos e já impuseram uma série de retrocessos ao meio ambiente (como liberar licenças para desmatamento na Amazônia e sucatear a fiscalização) além de enfraquecerem medidas que visam acabar com o trabalho escravo no campo. Chegamos ao cúmulo do presidente Temer tentar aprovar lei que permite mineração na floresta amazônica ou de candidatos apoiados pelos ruralistas defenderem a caça de animais já ameaçados de extinção. (Fontes: El País, Greenpeace, Agência Envolverde etc)

(Não citei aqui a recente campanha para aprovar mais agrotóxicos na lavoura brasileira. Tema para outro post.)

É por esses e outros motivos que a bandeira Reforma Agrária é tão perseguida no Brasil e seus defensores criminalizados enquanto grandes fazendeiros se associam a políticos e mídias para promover o "Agrocrime" e a meritocracia de suas terras herdadas (griladas).

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