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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Entre as brumas da memória

A Europa fez o pino

Posted: 23 Jul 2018 01:40 PM PDT

Portugal envia dois aviões para combater incêndios na Suécia.

«Por duas vezes este verão, a Suécia pediu assistência a Bruxelas para fazer face às dezenas de incêndios florestais que continuam ativos no país, onde só nos últimos dias arderam mais de 20.000 hectares, tendo os primeiros aviões de combate às chamas (oriundos de Itália) começado a operar na passada quarta-feira.»

E como disse alguém no Facebook: « E é só copos e gajas lá por cima...»

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Dica (785)

Posted: 23 Jul 2018 11:00 AM PDT

Arcos, charneiras e alternativas (José Manuel Pureza)
«Há dois conceitos que marcaram a identidade do exercício do poder político em Portugal nas últimas quatro décadas. O primeiro deles é o de “arco da governação”. O segundo é do “partido charneira”.
O primeiro serviu para deslegitimar o envolvimento dos partidos de esquerda na determinação das políticas governamentais. O segundo serve para legitimar a ambivalência do Partido Socialista na escolha das políticas governamentais. Os dois critérios juntos servem para prescrever a máxima dificuldade em que haja governos de esquerda em Portugal.»
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23.07.2004 – O dia em Serge Reggiani se calou

Posted: 23 Jul 2018 07:30 AM PDT

Serge Reggiani morreu há 14 anos. Foi certamente um dos grandes cantores franceses que marcaram algumas gerações, mesmo em Portugal, antes de a língua francesa ir desaparecendo lentamente da vida dos mais novos. Pela interpretação, pelo encanto pessoal, pelo compromisso político, certamente pelos poetas que ajudou a conhecer ao divulgá-los nas letras de muitas canções.
Nasceu em Itália e ainda criança instalou-se com os pais em França para escapar ao fascismo. Começou como ajudante de barbeiro, inscreveu-se no Conservatório com 19 anos, estreou-se no teatro onde contracenou com Jean Marais, entrou em alguns filmes. Passou no entanto rapidamente à clandestinidade na Resistência francesa. Regressou ao cinema depois do fim da guerra, mas foi como cantor que se consagrou, a partir de 1964. Entre muitos outros, cantou Boris Vian, Rimbaud, Prévert e Appolinaire.

Algumas das canções a não esquecer:

E esta, acima de todas as outras:
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Turismo estatal

Posted: 23 Jul 2018 02:26 AM PDT

«Hoje já não existe a "Berlin Alexanderplatz" que Alfred Doblin descreveu na sua obra magistral. Berlim está na moda mas já não há berlinenses lá e os poucos que existem intitulam-se aborígenes. Berlim é uma criação, um fantasma e os actores já não estão lá. O que seria bom é que as pessoas que foram para lá deixassem de ser espectadores e se tornassem actores. Mas essas pessoas não têm criatividade, esperam apenas ser entretidos. Lisboa, por exemplo, arrisca-se a ser como Berlim, enquanto o turismo não rumar para climas novamente seguros mais a sul. Poderemos estar a perder uma oportunidade histórica, porque não temos infra-estruturas (comboios que não estejam decrépidos, Metro e autocarros que funcionem, aeroporto que não seja apenas um entreposto de lucro para o gestor). O efeito na luz de Lisboa esgota-se. Depois da Baixa pombalina e dos Jerónimos, que há mais para ver? Faltam grandes exposições únicas que possam atrair os visitantes e outros acontecimentos que, ciclicamente, sejam marcantes. Lisboa é apenas o símbolo maior desta atracção fatal.

No meio deste número de hipnotismo transversal que não admite uma discussão séria, deparámo-nos, há uns meses, com a criação pelo Governo de um instrumento, com um orçamento total de 25 de milhões de euros para "fixar pessoas e criar empregos no interior". A bondosa ideia causa, no entanto, alguma perplexidade: quem quiser explorar uma casa numa aldeia pode colocá-la num fundo imobiliário (o Turismo Fundos, detido pelo Turismo de Portugal e por dois bancos), que a compra, e fica depois a cobrar uma renda ao promotor. Por norma, as operações poderão durar até 15 anos e no final, o promotor pode recomprar o imóvel. Ou seja, o Estado que anda a alienar imobiliário por todo o lado, volta a ser proprietário. Faz sentido? E se, passados tantos anos, o promotor não desejar adquirir novamente a casa, porque não ganhou dinheiro para isso? O Estado faz o quê? Fica com ela, criando uma nova FNAT? Ou encontrou, apenas, uma nova vocação, a de "croupier"?»

Fernando Sobral

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