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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Venham a nós os "casos" políticos

Pedro Lima

PEDRO LIMA

EDITOR-ADJUNTO

30 de Julho de 2018

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Bom dia,
Não há nada como uma boa história política, onde se confronta a conduta de um político com as declarações que foi fazendo ao longo dos anos, para animar estes tempos em que parte significativa dos portugueses mergulha de férias. Ainda para mais quando essa história é apimentada pelo facto de incidir sobre o Bloco de Esquerda e sobre o tema tão na ordem do dia da especulação imobiliária. O Bloco é o tradicional partido da contestação em Portugal e raramente é alvo de polémicas, por isso é natural um certo frisson em alguns sectores mais à direita com este tema que marcou o fim-de-semana.
O “caso Robles”, iniciado com a notícia do Jornal Económico de sexta-feira que dava conta de que o vereador da câmara de Lisboa, Ricardo Robles, do Bloco de Esquerda, tinha a intenção de vender um prédio em Alfama, adquirido em 2014, gerando uma mais-valia de 4,7 milhões de euros, continua assim a dar que falar. Luís Marques Mendes, no seu comentário deste domingo da SIC, resumia desta forma a sua análise ao caso: compromete a carreira política de Robles e o Bloco e a sua líder, Catarina Martins, “saem muito mal desta história”.
Não está em causa qualquer ilegalidade, mas sim a incongruência do discurso contra a especulação imobiliária e a prática de Robles – é o que mais se tem ouvido por estes dias. Mas Catarina Martins reagiu, algo enervada, disparando contra a imprensa e contra o PSD, que pediu a demissão de Robles. Rui Rio reagiu, algo irónico, dizendo que achou uma “certa piada” à reação da líder do Bloco. O prédio foi vandalizado – alguém pintou na parede a frase “Aqui podia morar gente”, o slogan que o partido utiliza para colocar em edifícios devolutos. E o caso parece começar a ter consequências dentro do próprio Bloco, a julgar pela afirmação feita na edição de hoje do jornal “i” por Luís Fazenda, fundador e dirigente do partido: “O Bloco tem de fazer uma reflexão e tirar conclusões”. Aguardam-se por isso reações a esta reação.
Entretanto, o tema já envolveu a Presidência da República, que veio desmentir ter na sua posse, à espera de promulgação, qualquer lei relacionada com o direito de preferência dos inquilinos na compra dos imóveis colocados à venda pelos proprietários. Catarina Martins tinha dito que só faltava a promulgação do Presidente para que essa lei, que "põe em causa interesses mobiliários", fosse para a frente mas afinal o Bloco teve de vir esclarecer que a lei já foi aprovada no Parlamento e cabe aos serviços da Assembleia da República enviá-la ao Presidente – o que ainda não aconteceu.
E, como é tradição nestas coisas, vão surgindo novas revelações de um caso que parece ter vindo para ficar e que não vai largar o Bloco de Esquerda tão cedo. O dono de um café de Alfama conta como foi “despejado” por Ricardo Robles.

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