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sábado, 4 de agosto de 2018

Entre as brumas da memória


O tempora, o mores!

Posted: 03 Aug 2018 02:09 PM PDT

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Salazar caiu mesmo de uma cadeira? Foi em 3 de Agosto de 68?

Posted: 03 Aug 2018 08:26 AM PDT

Anda por aí uma discussão quanto à data em que Salazar terá caído de uma cadeira, no início de Agosto de 1968.

Sempre considerei que foi no dia 3, baseada em muitas e variadas fontes e, antes de mais, na minha «bíblia» neste domínio: o livro de Franco Nogueira, Salazar, o último combate, vol. VI. Na página 377 (na imagem), afirma explicitamente que foi nessa data, mas não ignora a celeuma: diz que a governanta chegou a falar de dia 5, que até 4 foi aventado, mas que o célebre calista, António Hilário, registou «pelo seu punho» que «a queda deu-se em 3 de Agosto de 1968».

Acontece que, há poucos anos, alguém terá descoberto um bilhete do mesmo calista sobre o facto, escrito em 1 de Agosto. Cereja em cima do bolo: uma empregada, que estava no Forte nesses dias, fez declarações divulgadas ontem pela tsf, nas quais afirma que só muito depois dos acontecimentos ouviu falar de uma queda e de uma cadeira de lona. Mais: recorda-se de que, por lá, só existiam cadeiras e mesas de verga...

Em suma, estamos a aproximarmo-nos de uma novela parecida com a de Tancos (terá havido cadeira? queda?). Mas, por favor, não nos roubem do nosso imaginário a cadeira de lona de 3 de Agosto de 1968!

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Itália

Posted: 03 Aug 2018 06:00 AM PDT

Bem a propósito, naquele país, nos dias que correm!
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Tempos inquietos e de poucas respostas

Posted: 03 Aug 2018 03:58 AM PDT

«Sir Walter Bagehot, o criador da revista "Economist", escreveu um dia que: "Para os ricos é difícil de entender porque é que os pobres, quando têm fome, não tocam a campainha para que lhes sirvam o jantar." No século XIX, quando Bagehot viveu, a separação entre ricos e pobres era clara. A democracia de consumo iludiu essa diferença, mas o regresso da idade da austeridade, com o descalabro das contas públicas de diferentes Estados em todo o mundo, parece estar a fazer com que estejamos a regressar aos tempos descritos por Charles Dickens. Depois de 30 anos de vitória das teorias liberais nascidas da escola austríaca e postas em prática por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, da hegemonia financeira permitida pela globalização e da colocação da classe política (mesmo à esquerda) como gestora dos interesses do mercado, todo o toque de Midas prometido parece ter começado a transformar ouro em chumbo. Não há certezas e as sociedades, após a globalização financeira, estão a fechar-se. O comércio e o dinheiro circulam, mas as pessoas voltam a ter entraves para atravessar fronteiras.

A própria situação de Portugal no quadro desta crise da União Europeia e da sociedade ocidental não surge por mero acaso. Se o capitalismo tem uma capacidade notável para se reinventar, não é menos verdade que o crescimento do desemprego e o decrescente poder de compra das classes médias parece estar a pôr em causa o contrato social sobre o qual foi erigida a democracia ocidental e o Estado social. Vivemos tempos de inquietação.

Em Portugal, claro, apenas se discute a espuma dos dias (as aventuras imobiliárias de Robles, se há comboios amanhã, porque no Algarve há médicos nos hospitais privados e não os há no SNS), sem profundidade alguma. No meio de tudo não há uma discussão séria sobre uma estratégia de transportes rodoviários em Portugal, sobre o financiamento a prazo do SNS, sobre as alterações climáticas que vão colocar este país à beira de fogos incontroláveis durante muitos períodos do ano, sobre os limites das migrações. Em Espanha, por exemplo, após a política de "braços abertos" de Pedro Sánchez, assiste-se agora a uma discussão sem paralelo sobre a capacidade espanhola de albergar dezenas de milhares de migrantes, sobretudo depois de alguns terem utilizado, para entrar, cal viva, deitando-a para cima de polícias e queimando-os. Essa discussão não faz parte do nosso dia-a-dia político, como se fosse desnecessária.

Há também um outro tema que rapidamente vai ser fulcral: o do turismo. Este ano já se assiste a um refreamento da "loucura" dos turistas para vir para Lisboa ou para o Algarve. Melhor (e mais barata) oferta em países do Mediterrâneo, a política de praticar preços obscenos em restaurantes e alojamento, qualidade deficiente, oferta cultural e divertimento muito sofrível, transportes públicos miseráveis, são questões que estão a minar a chamada galinha dos ovos de ouro há alguns anos. Se este sector entrar em declínio, para valores mais normais e estáveis, que se irá fazer? Nada disso se discute, numa sociedade em completa mutação. Mas será com esse novo mundo que a classe política se terá de defrontar daqui a pouco tempo. E terá de ter ideias para ela. De outra forma algum radicalismo as terá por eles.»

Fernando Sobral

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Salazar? Pardon my French

Posted: 02 Aug 2018 04:15 PM PDT

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