Novo artigo em Aventar
por Sotero
Quando pego ônibus para faculdade fico ouvindo os relatos das mulheres (geralmente negras) sobre suas patroas e patrões. Penso até em começar a sistematizar esses relatos em alguma forma artística ou jornalistica.
É impressionante como essa elite, essa classe média brasileira, acha que pobre é burro e preguiçoso.
Essa narrativa é perpetuada desde o Brasil colonia mesmo quando a tal princesa assinou o papel enquanto as sinhás e sinhôs mandavam escravizados às ruas para vender a produção de suas propriedades.
Um dos grandes erros dessa classe escravocrata e preconceituosa que utiliza a vida de tantos para manter os privilégios é os tratar assim e ainda de forma brutal.
E é por isso que o voto do patrão ou da patroa diverge do voto daqueles que os “servem”.
Os 40% de Lula são um tapa na cara e que deveria muito ensinar algo essa elite.
Esse percentual não crê na total inocência do Lula, como querem fazer muitos integrantes dessa direita reacionária. Apesar grande imprensa publicar diariamente sobre triplex e etc, a população mais pobre do Brasil entendem que os mesmo que o perseguem não gostam de pobres, pretos, indígenas, nordestinos e etc.
Eles tem plena consciência que aquelas pessoas fazendo dancinha nas ruas usando camisa verde e amarela não fizeram absolutamente nada para melhorar a vida na favela, nos ônibus lotados, no SUS e etc. Fizeram apenas por si mesmas. Por suas famílias corruptas (algumas no poder desde as capitanias hereditárias).
Pobre não é burro. Os avanços sociais do lulismo, como a dignidade mínima de um prato de comida, energia elétrica, possibilidade de entrar na universidade, não são, necessariamente, marcas de um governo de esquerda. São apenas o básico para começar a conversa em um país que está entre os mais ricos do mundo e, simultaneamente, entre os campeões mundiais de desigualdade, com milhões de notas na mão de um e milhões de outros sem nem uma nota na mão. Os 40% de Lula não são uma guinada do país ou do eleitorado para a radicalidade ou o “bolivarianismo”. São apenas a resposta aos manifestantes brancos da Avenida Paulista, que deram o golpe em 2016, dizendo que as faxineiras também existem, que os porteiros e serventes de pedreiro existem, que as cozinheiras e garçonetes existem, que as mães da periferia, os lavadores de carro, garis, todos existem e são a grande maioria. A meia dúzia de sempre deu um golpe, tirou Dilma à força, prendeu Lula com pressa em um processo judicial contestado hoje ao redor do mundo. Bastaria depois eleger um candidato deles. Faltou combinar com os pobres.
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