Publicado por António Fernando Nabais

Jovem, pá, não te entendo, man! Tu mais os teus amigos não querem ser profs? Mas tu não vês, jovem, que os professores portugueses, segundo a OCDE, são os únicos trabalhadores do mundo que chegam a milionários apenas com o ordenado? Diz a OCDE que os profs tugas ganham quase 30000 paus por ano, logo no início da carreira, man!
Os outros licenciados, jovem, ganham muito menos que os professores, é o que diz o pipol da OCDE. Tu, porque és jovem e, portanto, ingénuo, podias pensar uma cena tipo “Mas, se calhar, os outros é que estão mal e deviam lutar para melhorar a vida!” És mesmo jovem, jovem! Em Portugal, a coisa é ao contrário: quem está melhor é que está mal e o mundo só está certo se fizermos com que os que estão melhor fiquem tão mal como os que estão pior, tás a ver? Portanto, os professores é que ganham mais, não são os outros que ganham menos, topas?
Outra cena que tu, jovem, ainda podes tipo pensar é “Se calhar, o professoredo trabalha pouco e dá aulas de merda e, portanto, não merece ganhar tanto.” Aqui, és capaz de, se calhar, ter alguma razão. É verdade que os resultados de vários testes internacionais feitos ao longo dos últimos anos falam das melhorias dos resultados dos alunos, mas há outra cena que tipo tens de perceber: em Portugal, quando as coisas melhoram, foram os ministros e os governos e assim; quando fodeu, foram os professores. Seja lá como for, os profs, como ganham bués, estão-se um bocado a cagar, porque os ricos são mesmo assim.
Há aí profs a mostrar recibos de vencimento, naquela de mostrar que ganham menos, mas, ó jovem, por favor! Tá-se mesmo a ver que é tudo falso! Já viste algum rico reconhecer que é rico?!
Ainda por cima, jovem, os profs, que já ganham bués pastel a fazer merda, ainda fazem greves e manifestações e queixinhas, mesmo tendo mais do que merecem e ainda mais do que é preciso. Até por isso, vale a pena ser prof, jovem. Parece que és otário, ‘da-se! Não fazes nenhum, quando fazes, fazes merda, fazes greves, para fazer menos e para fazer mais merda, e ainda te pagam pra cima de bué!
E como são queixinhas, andaram a escrever para os jornais. O Público, por exemplo, acrescentou uma actualização no fim da notícia sobre as cenas lá da OCDE, em que reconhecia que, afinal, não era bem assim. Os queixinhas vieram dizer que, ah e tal, deviam era ter feito outra notícia com outro título, mas é malta que é queixinhas, é pipol muito fraco, como se os jornais não soubessem tipo.
É ridículo não quereres ser prof, jovem! É tão ridículo como acreditar que há cotas que sabem falar ou escrever como os jovens!
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