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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Se soubéssemos ainda era pior

Opinião

Manuel Molinos

Hoje às 00:02

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Quando Rui Rio chegou à presidência do PSD todos esperavam que dali viesse um guerrilheiro capaz de "incendiar" Lisboa. Porque sendo um homem do Norte e tendo em conta o seu histórico de intransigência, a nova liderança social-democrata afigurava-se um barril de pólvora pronto a explodir. Mas não. O que Rui Rio tem feito, e que poucos esperariam, é esforçar-se a passar a mensagem de que é um político diferente. Há quem não goste! Especialmente no PSD. Umas vezes discreto e aberto a consensos. Outras implacável. Convida os críticos a sair e quer que o partido seja indemnizado por candidatos que gastaram mais do que deviam. E se havia dúvidas, o empenho em afirmar-se como um político diferente foi aclarado pelo próprio no Conselho Estratégico Nacional. Na Maia, afirmou o que o cidadão comum diz há muito tempo: "Os partidos estão descredibilizados." Mais, "a opinião pública tem razão e não sabe muito bem como as coisas se passam, se soubesse ainda seria pior". Se Rui Rio não tem ganho em popularidade, tenta ganhar pontos por ser, apesar tudo, bem mais verdadeiro que os seus pares. Defende uma nova forma de militância sob o risco de o descrédito da opinião pública ser ainda maior e perante a oposição interna ironiza estar "cheiinho de medo". A simpatia expressa pelas medidas propostas pelo BE para taxar a especulação imobiliária e aumentar a receita fiscal - já agora uma taxa sobre uma taxa porque as mais-valias já são taxadas - deixaram-no a falar sozinho. Mesmo assim, defende que o partido possa apresentar uma proposta para que a taxa do IRS sobre mais-valias seja diferenciada em função do número de anos entre a compra e a venda de imóveis.

Para os críticos, "liderar não é nada isto". Resta saber se, para quem olha com desconfiança para os políticos e partidos, já é alguma coisa.

*SUBDIRETOR

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