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domingo, 28 de outubro de 2018

Entre as brumas da memória


Isto aquece a alma!

Posted: 28 Oct 2018 10:45 AM PDT

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Chico Buarque, Fernanda Montenegro, etc.

Posted: 28 Oct 2018 07:53 AM PDT

Dia para voltar a ouvir isto.

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Palmas para o «Expresso»

Posted: 28 Oct 2018 07:45 AM PDT

Editorial: Votamos contra


«A matriz identitária do Expresso radica nos seus princípios fundadores, na defesa permanente da liberdade e da democracia, na prática de um jornalismo obediente à deontologia e desobediente às manipulações do poder. Como escrevemos no nosso Estatuto Editorial, “atribuímos prioridade absoluta à coerência que historicamente nos tem permitido sermos nós próprios, além de quem sobe e de quem desce do poder. Se e quando, um dia, se tornar impossível manter essa coerência, o Expresso acabará, porque preferimos, nessas circunstâncias, morrer de pé”. Até lá, vivemos de pé. Até lá, tomamos todos os dias decisões editoriais orientadas pelos nossos princípios, os de uma sociedade livre, aberta, democrática, que porfia a justiça social, o equilíbrio de poderes, a prosperidade de todos e não de alguns nem contra alguns.


Este domingo, com elevada probabilidade, Jair Bolsonaro será democraticamente eleito Presidente da República Federativa do Brasil. Bolsonaro é um radical da direita radical, com um discurso que anuncia práticas políticas sectárias e autoritárias, que divide pela raça, pela nacionalidade, pela classe social, pela ideologia, pelo sexo e pela orientação sexual, que põe em causa a autonomia das instituições, a separação de poderes, a liberdade de imprensa, que fomenta o ódio, que promove a violência. O contrário do que a Constituição do Brasil estabelece como lei. O contrário do que a Constituição da República Portuguesa define como princípios fundamentais.


A onda de populismos e radicalismos que neste início do século XXI ameaça as democracias liberais, tal como foram constituídas nas últimas sete décadas, escala sobre os muros que a (e nos) defendem. Se as sondagens se converterem em votos, Bolsonaro presidirá ao maior país de língua portuguesa, um aliado privilegiado de Portugal, a que estamos indelevelmente unidos pela cultura, pelo passado e pelo futuro.


O Brasil somar-se-á à história sombria que, com matizes diferentes, está a ser construída nos últimos anos, com o endurecimento de regimes como o da Turquia e o das Filipinas, a eleição de populistas nos Estados Unidos, as subidas eleitorais de candidatos nacionalistas na Europa em países como França e Alemanha, o radicalismo na Polónia ou o antieuropeísmo em Itália. A eleição no Brasil ameaça os democratas, os que defendem sociedades abertas, inclusivas, fraternas, justas. A rejeição clara do que defende e propõe Bolsonaro é, pois, uma questão de decência.


O Expresso é “independente do poder político” e concebe os jornais como “instituições autónomas, através das quais os cidadãos possam, em liberdade e no pluralismo, procurar o esclarecimento de que necessitam para o exercício das suas opções.” O Expresso não toma posições eleitorais, mas sabe que imparcialidade não é neutralidade e assume que está de um lado, o lado dos valores essenciais da democracia, da liberdade, dos direitos individuais e do Estado de direito. Em tempos excecionais, votamos. A favor da preservação desses valores e contra o fascismo. Estes são tempos excecionais.»

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Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos

Posted: 28 Oct 2018 03:49 AM PDT

Eleonora de Lucena, ex-editora-executiva da Folha de S. Paulo.

«Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.

As palavras são ditas de forma crua, sem tergiversação --com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas. Não há um mísero traço de civilidade. É tacape, é esgoto, é fuzil.

Para o candidato-nojo, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.

Envolta em ódios e mentiras, a eleição encontra o país à beira do abismo. Estratégico para o poder dos Estados Unidos, o Brasil está sendo golpeado. As primeiras evidências apareceram com a descoberta do pré-sal e a espionagem escancarada dos EUA. Veio a Quarta Frota, 2013. O impeachment, o processo contra Lula e sua prisão são fases do mesmo processo demolidor das instituições nacionais.

Agora que removeram das urnas a maior liderança popular da história do país, emporcalham o processo democrático com ameaças, violências, assassinatos, lixo internético. Estratégias já usadas à larga em outros países. O objetivo é fraturar a sociedade, criar fantasmas, espalhar medo, criar caos, abrir espaço para uma ditadura subserviente aos mercados pirados, às forças antipovo, antinação, anticivilização.

O momento dramático não permite omissão, neutralidade. O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo.

É urgente que todos os democratas estejam na trincheira contra Jair Bolsonaro. Todos. No passado, o país conseguiu fazer o comício das Diretas. Precisamos de um novo comício das Diretas.

O antipetismo não pode servir de biombo para mergulhar o país nas trevas.

Por isso, vejo com assombro intelectuais e empresários se aliarem à extrema direita, ao que há de mais abjeto. Perderam a razão? Pensam que a vida seguirá da mesma forma no dia 29 de outubro caso o pior aconteça? Esperam estar livres da onda destrutiva que tomará conta do país? Imaginam que essa vaga será contida pelas ditas instituições --que estão esfarrapadas?

Os arrivistas do mercado financeiro festejam uma futura orgia com os fundos públicos. Para eles, pouco importam o país e seu povo. Têm a ilusão de que seus lucros estarão assegurados com Bolsonaro. Eles e ele são a verdadeira escória de nossos dias.

A eles se submete a mídia brasileira, infelizmente. Aturdida pelo terremoto que os grandes cartéis norte-americanos promovem no seu mercado, embarcou numa cruzada antibrasileira e antipopular. Perdeu mercado, credibilidade, relevância. Neste momento, acovardada, alega isenção para esconder seu apoio envergonhado ao terror que se avizinha.

Este jornal escreveu história na campanha das Diretas. Depois, colocou-se claramente contra os descalabros de Collor. Agora, titubeia --para dizer o mínimo. A defesa da democracia, dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo.

Não adianta pedir desculpas 50 anos depois.»

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Brasil: dia para voltar a ver isto

Posted: 28 Oct 2018 03:15 AM PDT

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