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terça-feira, 10 de junho de 2025

 

Donald Trump dissocia os Estados Unidos da União Europeia

By estatuadesal on Junho 6, 2025

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 20/02/2025)


Contrariamente ao que havíamos imaginado, em 1991, a queda do « Império americano » não se assemelhará à da URSS. Os aliados europeus ocidentais de Washington pretendem perpetuá-lo, com ou sem o seu líder. Segue-se que o Presidente Donald Trump os irá abandonar em campo aberto.
Depois de ter dissociado os Estados Unidos dos « sionistas revisionistas » no Poder em Israel, o Presidente Trump dissocia-os da OTAN e da União Europeia : ele já não quer que o seu país tenha a ver seja o que for com o « Império americano » e os seus mercenários que são os « nacionalistas integralistas » ucranianos.


Depois de ter dissociado os Estados Unidos de Israel [1], Donald Trump começou a dissociá-los da União Europeia. Tal como com Israel, primeiro ele deu a impressão de dar carta branca aos membros da UE e ao Reino Unido, depois iniciou o corte da ligação.

Recorde-se : o Presidente Trump deixou os dirigentes ocidentais convencerem-se que podiam na Ucrânia, por si sós, combater a Rússia. Durante muitas reuniões em Paris, em Londres e em Kiev, os dirigentes da UE e do Reino Unido esforçaram-se a anunciar que iam conjuntamente garantir a segurança do continente face ao perigo de « invasão russa ». Eles imaginaram colocar os seus países sob os guarda-chuvas nucleares britânico e francês e não mais sob o dos Estados Unidos. Eles pensaram numa guerra continental contra a Rússia e uma reorganização de alianças em torno do Reino Unido, da França, da Alemanha e da Polónia.

E depois : nada de nada. Os Estados Unidos suspenderam a sua coordenação com a UE [2]. Já não se concertam mais a propósito das medidas coercivas unilaterais que tomam contra a Rússia. O 17º pacote de «sanções» da UE foi o último lançado em Bruxelas com Washington. O 18º já o será em solitário. Anuncia-se que será de uma amplitude sem precedentes, mas sem os Estados Unidos, ele está condenado ao fracasso de antemão.

Os Estados Unidos assistiram à preparação de um « tribunal penal internacional para julgar os “crimes russos” na Ucrânia », no seio do Conselho da Europa, mas eles põem-se à margem [3]. A seus olhos, esta jurisdição não tem nenhum significado. Os tribunais penais de Nuremberga e de Tóquio tinham seguido a vitória dos Aliados sobre o nazismo, mas este antecipa a vitória dos «nacionalistas integralistas » ucranianos, colaboracionistas dos nazis, sobre a Rússia. Ele não é validado pelas Nações Unidas e não tem qualquer hipótese de o ser, tendo em conta o direito de veto russo.

Hoje, o Reino Unido e a UE devem ater-se às evidências. Não dispõem dos meios militares para aplicar a sua política. Estão encerrados nas suas contradições denunciando os danos colaterais ucranianos da “operação militar especial” russa, ao mesmo tempo que se comprazem com os danos colaterais palestinianos da guerra israelita contra o Hamas, portanto muito mais severos. Foram eles próprios que se afastaram dos Estados Unidos, a quem não levaram a sério.

Resta-lhes uma arma : o confisco de activos russos que eles congelaram já. Estes permitiriam então reconstruir a Ucrânia, sem que eles mesmos tivessem que pagar. No entanto, confiscar bens por motivos políticos, é violar o direito à propriedade. Uma tal decisão seria irreversível. Ela só é possível em tempo de guerra contra um inimigo. Confiscar estes activos é, pois, declarar guerra a um inimigo muito mais poderoso do que o conjunto formado pelo Reino Unido e pela UE.

Para além do facto de que os seus exércitos não resistiriam dois dias numa guerra contra a Rússia, a UE iria inspirar medo a todos os seus parceiros no planeta : se é possível confiscar os bens russos, porque é que Bruxelas iria parar neste “excelente” caminho e não confiscaria já agora os activos de qualquer Estado que não tivesse condenado a Rússia ?

Em 14 de Fevereiro, durante a Conferência sobre Segurança de Munique, o Vice-Presidente JD Vance avisou o Reino Unido e a UE. Ele declarou : « a ameaça que mais me preocupa na Europa não é a Rússia. Não é a China. Não é um qualquer agente externo. O que mais me inquieta, é a ameaça que vem do interior - o recuo da Europa em certos dos seus valores mais fundamentais, valores que são partilhados com os Estados Unidos da América ».

Entenda-se bem aquilo que se passa. O Presidente Donald Trump anunciou que, agora, exigia que todos os aliados consagrassem 5% do seu PIB às despesas militares. Sendo este número impossível de alcançar – ele implica uma duplicação de despesas — a saída dos Estados Unidos do comando integrado da OTAN era previsível. Simultaneamente, o Presidente garantiu repetidamente que a União Europeia havia sido criada para prejudicar os Estados Unidos, quando a UE é o componente civil do «Império Americano», do qual a OTAN constitui o braço militar. Agora, depois de ter constatado que, nem o Reino Unido, nem a UE, são capazes de por em causa «o Império Americano», que os seus dirigentes são dependentes do «Império Americano» em prejuízo dos seus cidadãos, que se recusam a ser livres e independentes, Washington corta as amarras com eles.

Notem bem que Donald Trump não ataca os Europeus Ocidentais. Ele deixa-os apenas derivando em perseguição de uma quimera.

Para aqueles que, como eu, imaginavam a dissolução da OTAN e da UE depois da da União Soviética, é um passo em frente. Mas para súbditos britânicos e os cidadãos europeus, é uma catástrofe.

Nos próximos meses, assistiremos à reconciliação russo-americana. Tudo aquilo que formatou a nossa maneira de pensar será votado ao esquecimento. Chegou o momento dos Ocidentais substituírem suas elites e repensarem as suas sociedades. Mas, eles não estão preparados para isso, de todo.

Enquanto em 1991, imaginávamos a dissolução do « Império Americano » à semelhança do da URSS, constatamos que aquilo que o Presidente Donald Trump pretende concretizar é um cenário completamente diferente. Tal como Mikhaïl Gorbachev, ele deseja trazer o seu país de volta aos seus fundamentos (Make America Great Again!)-(«Tornar a América Forte Outra Vez»-ndT), mas os seus aliados europeus, esses, pensam prolongar esse Império.

Em Bruxelas, a administração da UE ainda não aceitou este cowboy. Ela espera que ele seja assassinado em breve ou que perca as eleições intercalares e seja forçado a entrar na linha. De uma certa maneira, aquilo que se joga hoje é o fim da Guerra Fria, quando os serviços de retaguarda (stay-behind) da OTAN faziam e desfaziam os governos Europeus Ocidentais. Os dirigentes da UE, a começar por Ursula von der Leyen e Kaja Kallas, têm origem directa nessas operações secretas. Eles são as crias do « Império Americano » e pretendem perpetuá-lo

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