Translate

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Nosso Mal é a “Pulhítica”

Novo artigo em BLASFÉMIAS


por Cristina Miranda

E pronto! Caiu a máscara aos partidos! Ninguém daqui em diante terá mais dúvidas sobre o funcionamento real do Parlamento. Quem andava iludido pensando tratar-se de um local sério onde pessoas sérias (eu não!), eleitas para governar (eu não!), legislavam pelo interesse da Nação (ui... muito menos!) ficou a saber que afinal não passa de um antro de "pulhíticos" (salvo umas excepções) que no escurinho da noite, sem actas nem propostas assinadas,  planeiam o saque ao contribuinte, desta vez para beneficiar os seus partidos. Aqui nem sequer houve divergências. Aqui nenhuma ideologia "pulhítica" entrou em choque. Aqui até houve unanimidade pois claro. Quando se trata dos próprios bolsos, todos se apoiam.  Que coisa mais linda! Até já estou emocionada! Veja aqui os discursos fofos de rasgados elogios uns aos outros. Tão giro...

Tenho dito  que o mal deste país está na política e políticos que temos muito mais do que nos défices e dívidas. Ter contas desequilibradas é assustador e merece toda a  atenção com uma gestão responsável e eficaz. Mas a ameaça maior deste país está nas pessoas que têm assento no Parlamento. Esse é o perigo. Esse é o GRANDE mal. Essa é nossa desgraça. A qualidade das pessoas que representaram o país foi o que nos trouxe a pobreza e mendicidade da Nação. Ano após ano, geriram-se a eles, familiares e amigos. Uns de forma mais discreta, outros totalmente à descarada mas sempre a pensar neles. E por pensarem só neles, hoje somos um povo que vive com salários miseráveis, em condições miseráveis, com promessas miseráveis e futuro ainda mais miserável assente numa  "pulhítica" de propaganda que cria a ilusão de que este é o melhor país para se viver (ah! ah!ah!). Mesmo que morram centenas de pessoas por falta de assistência. Mesmo que o Estado não passe de uma figura de corpo presente apenas eficaz na hora de cobrar impostos (além de os aumentar e inventar uns quantos mais) falhando redondamente em todo o resto. A lavagem cerebral entra com a força toda da Comunicação Social que, comprada e manipulada pelo regime, vende esse bem estar a toda a hora convencendo os incautos, que depois só na hora de solver seus compromissos percebem que afinal, não vivem dos rendimentos que cresceram mas dos créditos que contraíram. Mas mesmo assim acreditam que vivem melhor (até falirem) porque a doutrinação é eficaz nos mais fracos. Coisas da "pulhítica".

Não acredito que Portugal mude de rumo sem uma limpeza parlamentar. E quando digo limpeza é mais do tipo  desinfestação total. "Matar" a velha política dos interesses e dos compadrios  com o surgimento de novos projectos com gente competente da sociedade civil completamente independente mas com profundo sentido de missão. Gente que já tenha um percurso profissional de pelo menos 10 anos a "partir pedra" todos os dias e construído  fora da política. Gente que adquiriu a pulso tudo o que possui sem ser por ocupar cargos políticos. Gente limpa de interesses, favores e vícios. Gente capaz de rasgar um caminho defendendo apenas a Nação acima de qualquer coisa de forma altruísta e desinteressada. Precisamos de um "Ciudadanos Português", feito pelo povo, liderado pelo povo com um único compromisso: defender os cidadãos acima de TUDO.

Porque estes mentirosos que agora desmascarados se desculpam como ciancinhas apanhadas a roubar no supermercado, não vão mudar. Nasceram e cresceram na "pulhítica". Não sabem fazer mais nada nem sequer tiverem de partir uma unha para terem o que têm. Nunca sofreram um desemprego, uma dificuldade económica, o desespero de ter um salário magro que mal dá para as despesas. Por isso jamais mudarão seu modos operandi nem largarão o pote de mel a menos que o povo unido e bem organizado, lho retire. Mais depressa legislarão em segredo sobre LIMITES às redes sociais que os desmascararam do que corrigirão seus caminhos erráticos. Está-lhes no ADN "pulhítico".

E nós, sem gente nova e projectos novos, estamos condenados.

1,06 milhões de euros em notas depositados por funcionários na conta do CDS no final de 2004

FINANCIAMENTO

JOSÉ AUGUSTO MOREIRA

15 de Agosto de 2012, 15:00

Montantes foram justificados como donativos recolhidos em festas e jantares do partido

Foto

Montantes foram justificados como donativos recolhidos em festas e jantares do partido RUI GAUDÊNCIO (ARQUIVO)

Foi literalmente aos molhos que os funcionários da sede nacional do CDS-PP levaram nos últimos dias de Dezembro de 2004 para o balcão do BES, na Rua do Comércio, em Lisboa, um total de 1.060.250 euros, para depositar na conta do partido. Em apenas quatro dias foram feitos 105 depósitos, todos em notas, de montantes sempre inferiores a 12.500 euros, quantia a partir da qual era obrigatória a comunicação às autoridades de combate à corrupção.

Os dados constam do relatório final da investigação da Polícia Judiciária (PJ) no caso Portucale, que, no entanto, nada conclui em relação à origem daqueles montantes.

O episódio foi ontem lembrado por Paulo Portas, a propósito do negócio da compra dos submarinos, referindo que "também se disse que havia um depósito nas contas do CDS e o doutor Abel Pinheiro foi absolvido em julgamento".

Aqueles montantes foram justificados como donativos recolhidos em festas e jantares do partido, que estavam guardados nos cofres da sede nacional. O depósito apressado naqueles dias de final de ano foi explicado com a alteração da lei de financiamento dos partidos, que entrava em vigor no início de 2005 e para cujo conteúdo os responsáveis do CDS só tinham sido alertados nessa altura.

Quanto ao negócio da compra dos submarinos pelo Estado português, este foi finalizado com o consórcio alemão GSC (German Submarine Consortium) em Abril de 2004 pelo então ministro da Defesa Paulo Portas, e tem sido alvo de investigações, tanto em Portugal como na Alemanha, por suspeitas de corrupção.

No processo alemão, os dois gestores acusados decidiram admitir a actuação criminosa para obter uma pena suspensa, tendo dito que entregaram ao cônsul honorário de Portugal em Munique o montante de 1,6 milhões de euros. Este, por sua vez, disse perante a justiça alemã que manteve encontros com o ministro Paulo Portas e o primeiro-ministro Durão Barroso, para a concretização do negócio.

Frisando que os 105 depósitos do CDS no BES foram feitos entre os dias 27 e 30 de Dezembro de 2004, "muitos deles com intervalos de minutos e a grande maioria em parcelas de 10 mil euros", os investigadores da PJ descobriram também que os recibos para justificar a entrada daquelas verbas nos cofres do partido teriam sido todos passados em datas posteriores aos depósitos. Os próprios livros com os talões de recibos teriam sido encomendados já em Janeiro de 2005.

Outros dados curiosos são os que se referem à identificação dos doadores. Os funcionários da sede nacional do CDS emitiram um total de 4216 recibos, neles anotando apenas o montante e o nome do doador, notando a PJ tratar-se provavelmente de dados fictícios, exemplificando com o "sonante e anedótico nome de doador "Jacinto Leite Capelo Rego", no valor de 300 euros".

Abel Pinheiro, então responsável pelas finanças, e mais três funcionários do CDS foram acusados por falsificação de documentos. Em Abril último foram absolvidos, mas o Ministério Público recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa.

O abominável homem João César das Neves tem três dias para mostrar o que vale.

Rodrigo Sousa Castro

3 h ·

O abominável homem João César das Neves tem três dias para mostrar o que vale.

Foto de Rodrigo Sousa Castro.

O mercado negro de armas através de Daesh

25 de dezembro de 2017 Yago Rodriguez Geopolítica, Oriente Médio e Magreb 2

Insurgentes iraquianos Tudo começou em 2003, quando havia armas disponíveis para lutar. Fonte: Wikimedia
Baixe o artigo em formato PDF
Ao falar de Daesh, muitas vezes nos dirigimos para cultura local, história ou política regional para explicar o seu surgimento; No entanto, esquecemos que, no final, nunca teriam conquistado o que conquistaram, mas a enorme disponibilidade de armas. Este artigo explicará como a organização jihadista foi fornecida desde o nascimento em 2003 para resistir a três anos de guerra no Iraque e na Síria.

tráfico-armas-Daesh

Embora as origens de Daesh possam ser rastreadas até a década de 1990, a verdade é que o seu verdadeiro surgimento ocorreu após a invasão dos EUA no Iraque em 2003, após o que o jihadista Abu Musab al Zarqawi assumiu a Al Qaeda (AQI) do Iraque. A primeira necessidade de que AQI tivesse sido adquirir quantidades consideráveis ​​de armas para fazer a jihad contra os Estados Unidos, mas comprar armas o primeiro que era necessário era dinheiro: dinheiro para pagar os lutadores e que estes eram responsáveis ​​por se armarem eles mesmos ou para fornecer grupos de guerrilha maiores durante campanhas mais longas.

tráfico-armas-mapa-1

Para expandir: "Down the Rabbit Hole e para a História do ISIS", Fawaz A. Gerges em ISIS: A History, 2016

O amanhecer
O dinheiro tinha muitas origens. Uma parte veio de atividades criminosas e muito particularmente de seqüestros; na verdade, os grupos criminosos e insurgentes que operam em Mosul foram as fontes de Daesh naquela cidade. Aqui está o triângulo que muitas vezes existe entre o mercado negro de armas, grupos criminosos e jihad. Outra parte do dinheiro veio através de doações de países do Golfo, em que a Al Qaeda foi vista com simpatia por uma parte muito importante da população e até mesmo as elites religiosas e políticas.

No mesmo ano da invasão, em 2003, a carga americana do Iraque, Paul Bremer, decidiu enterrar o aparelho estatal de Saddam Hussein, e por isso ele dissolveu a Administração e as forças de segurança. De um dia para o outro, centenas de milhares de policiais e militares foram para a rua, os armazéns de armas não eram mais guardados e um sentimento de humilhação e vingança surgiu entre uma parte da população. O que aconteceu a seguir foi previsível: homens desempregados saqueados armazéns e uma onda de rifles de assalto, metralhadoras, lançadores de foguetes e todo tipo de material foram para o mercado negro de armas.

tráfico-armas-fabricacion

Os compradores poderiam ser organizações criminosas, grupos jihadistas ou simplesmente cidadãos que consideravam essencial comprar uma arma para garantir sua segurança nos próximos tempos. Outros decidiram pegar suas armas contra aqueles que as conquistaram e se juntaram aos grupos insurgentes. Com este terreno fértil, AQI poderia armar-se aos dentes sem problemas.

Expandir: "Insurgência no Iraque: uma perspectiva histórica", Ian F. W. Beckett, 2004

O tempo passou e as intensas campanhas dos Estados Unidos e do Governo do Iraque quase fizeram Daesh desaparecer. Mas em 2012-2013 ele voltou para o local da insurgência após a retirada dos EUA com uma nova política de assalto às prisões para libertar prisioneiros e aumentar suas fileiras; não faltam armas, faltavam homens.

Assaltar uma prisão é uma empresa complicada: requer uma certa quantidade de dinheiro e material. Os soldados precisarão de rifles de assalto - geralmente cópias do famoso Kalashnikov - e granadas de mão para limpar espaços fechados. Assaltar uma posição também requer apoio de fogo, geralmente fornecido por metralhadoras e, para lidar com alvos especialmente protegidos, como veículos blindados ou caixotes de cimento, lançadores de rooteiros - geralmente um RPG-7 soviético. Equipe um pelotão de 15 soldados com um foguetão, duas metralhadoras médias, 12 rifles de assalto e 15 granadas de mão custariam cerca de US $ 14.000; Não é ruim para um país cujo salário médio é de cerca de US $ 600 por mês.

Fonte: Yago Rodríguez
Em 2011, estourou a fonte árabe, que afetou principalmente a Síria, onde o conflito só se intensificou. Em 2013, Dáesh tinha visto uma excelente oportunidade de expansão na Síria, onde infiltrou graças à situação caótica. A invasão do Iraque em 2003 tornou a Síria e o Irã muito nervosos com a perspectiva de tal destino, então os dois países incentivaram a insurgência. Em particular, da Síria, uma "rota de ratos" foi formada - como os americanos sabiam - da fronteira turca, na área de Gaziantep, até a fronteira com o Iraque após todo o curso do rio Eufrates. O regime de Assad permitiu que os grupos jihadistas, que se alimentassem de homens e armas através dessa rota.

Para expandir: forças especiais: Mas a razão é menos óbvia do que parece: a comunidade internacional ainda não está plenamente consciente da importância do contrabando de armas ou, o que seria pior, ainda não aborda o problema, apesar de ser assim.

História Insólita de Portugal: quando o Rei D. José I decidiu ir viver para uma barraca

por admin

Causa estranheza, para quem deambula desinteressadamente pelos arrabaldes de Belém, em Lisboa, o enorme palácio inacabado da Ajuda. Em primeiro lugar pela sua dimensão inesperada num ponto esquisito da cidade; Depois, porque a sua magnífica fachada neo-barroca contrasta de forma impactante com as traseiras inacabadas e em cenário de pré-ruína; e por fim, porque a alguns metros do monumental edifício, se ergue uma também ela monumental torre do relógio, com o seu galo de ferro forjado, que parece perdida no meio de um vasto e quase sempre vazio parque de estacionamento…

Palácio Nacional da AjudaPalácio Nacional da Ajuda

Mas a explicação para este estranho fenómeno monumental de Lisboa é simples e está directamente relacionada com uma série de azares e infortúnios que marcaram a vida da capital e a de todos os Portugueses.

O primeiro desses desastres foi provavelmente o maior cataclismo de sempre na História de Portugal: o grande terramoto de 1755. Na manhã do dia 1 de Novembro, quando a velha cidade medieval de Lisboa se preparava para devotamente assistir à Missa do Dia de Todos-os-Santos, a terra tremeu de forma tremenda, praticamente destruindo três quartos da área total da capital.

Como se tal não bastasse, o cataclismo foi seguido de um maremoto inimaginável, que fez as água do Rio Tejo subir até ao actual Marquês de Pombal, que foi seguido de uma devastação brutal imposta por sucessivos incêndios.

palácios mais bonitos de PortugalPalácio Nacional da Ajuda

Num cenário apocalíptico de destruição e ruína, Lisboa viveu muitos dias de medo. Os habitantes temiam a possibilidade de novas réplicas e, não só a instabilidade ao nível dos elementos, como a interpretação do fenómeno como tradutor da cólera divina perante os seus habitantes, pareciam combinar-se para gerar uma onda generalizada de refugiados que procuravam afastar-se o mais possível da cidade.

Palácio da Ajuda - Fernando Vicente

O Rei Dom José I e a Família Real, por um acaso que foi essencial na determinação daquilo que viria a ser o rumo da própria História de Portugal, tinha passado essa noite em idílico refúgio em Belém, local menos afectado pela onda sísmica, razão pela qual todos escaparam incólumes ao desastre.

Mas, se escaparam sem ferimentos físicos à devastação trazida pela fúria da natureza, não conseguiram livrar-se da angústia perante o acontecido e, sobretudo, do medo que era comum a todos os súbditos que fugiam da cidade.

Temente a Deus e cheio de medo de que tal cenário de catástrofe pudesse vir a repetir-se, terá o Rei indicado ao seu braço-direito, o Primeiro-ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, que jamais voltaria a dormir numa casa de alvenaria!

Palácio Nacional da Ajuda

E assim foi. Cumprindo as ordens reais, foi a Família real instalada num palácio construído precariamente em madeira numa velha quinta comparada por Dom João V na zona da Ajuda, que popularmente passou a ser conhecido como a “Real Barraca da Ajuda”, para onde se transferiram grande parte dos bens de outros palácios reais e nomeadamente aqueles que haviam escapado aos escombros do velho Paço da Ribeira.

Palácio Nacional da AjudaPalácio Nacional da Ajuda

A Real Barraca, plena de sumptuosidade e ocupando uma área maior do que aquela que ocupa o actual palácio, foi imaginada pelos melhores arquitectos de então, e decorada com o luxo que estava associado à importância e à riqueza da Casa Real Portuguesa. Petrone, Mazone e Veríssimo Jorge, foram apenas três dos personagens ilustres que ajudaram Dom José a transformar a estrutura precária num dos mais ilustrados palácios da Europa de então.

À sua volta, por ordem do Marquês de Pombal, foi construído o primeiro Jardim Botânico de Lisboa, enquadrado na soberba paisagem fronteira ao Tejo e encabeçada pela construção também ela monumental de uma imensa Capela Real em madeira, cujo perfil marcou em definitivo o cenário régio da cidade.

Tendo ali vivido até à sua morte em 1777 o Rei Dom José, a real Barraca da Ajuda depressa alcançou o prestígio social de centro da Corte, dali se definindo toda a política que haveria de recriar a moderna Lisboa que hoje temos.

Palácio Nacional da AjudaFuturo aspecto do Palácio Nacional da Ajuda

A perenidade da construção e a passagem do tempo, condicionaram então a Família Real a repensar o modelo precário da estrutura onde habitavam e começaram a surgir os primeiros planos para a construção de um imenso palácio barroco em pedra no mesmo local.

Subsiste até hoje, por ter sido a única estrutura efectivamente construída em pedra nesse tempo, a velha torre sineira do galo, que durante essa época áurea, estava completamente envolvida pelo abarracamento da velha patriarcal de madeira e pelo vetusto palácio.

Palácio Nacional da AjudaFuturo aspecto do Palácio Nacional da Ajuda

Depois da morte do Rei e mercê do facto de a sua filha e sucessora viver correntemente no recém adaptado Palácio de Queluz, onde encontrava acomodações e conforto substancialmente superior àquele que exista na Ajuda, ficou a velha barraca numa situação de cada vez mais precário abandono, tendo sido completamente destruída, mercê do infortúnio de um incêndio que acidentalmente a destruiu por completo, no ano de 1794.

Tendo sobrado unicamente a velha torre do relógio, o Príncipe-Regente D. João ordenou o início da construção de um novo palácio, seguindo os traços e os projectos que desde há muito tempo se estavam a preparar para o local.

Torre do Galo: o único vestígio da Real Barraca da Ajuda

Agregado ao palácio abarracado, na denominada Quinta da Ajuda de Cima, foi também construída uma Capela Real, que tinha como principal função substituir a Igreja Patriarcal que tinha sido bastante abalada pelo terramoto.

Também elaborada em madeira, com traço de Elias Sebastião Pope, a Capela Real integrava o único apontamento em alvenaria existente no conjunto original. A sua torre sineira, projectada pelo Arquitecto Manuel Caetano de Sousa, começou a ser construída em 1792, funcionando como Patriarcal de Lisboa até 1833, quando regressou à Sé de Lisboa.

Tendo perdido a sua funcionalidade, foi a antiga patriarcal de madeira mandada demolir no Século XIX, tendo restando unicamente a velha torre sineira.

Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda)Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda)

Sendo hoje uma imagem de marca do Bairro da Ajuda, que conta com o galo em ferro forjado que encima a torre como seu símbolo heráldico, a Torre da Ajuda causa estranheza a quem dela se acerca sem conhecer a sua história.

A sua monumentalidade, assente numa altura de muitos metros que a faz sobranceira ao próprio Palácio Nacional, a torre integra oito sinos que dão corpo à sua estrutura principal. Na cúpula, é o cata-vento em forma de galo, feito em ferro forjado, que lhe dá o cunho de estranheza que a torna tão imponente…

Em termos formais, a denominada Torre do Galo apresenta uma morfologia muito semelhante àquela que foi utilizada no Palácio das Necessidades e no Palácio de Mafra, sendo porventura um decalque do mesmo modelo que foi aproveitado para este efeito.

Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda)Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda)

Com a destruição da antiga Real Barraca por um incêndio e com a demolição da Capela Real, a velha torre ficou perdida no meio de um terreiro transformado em parque de estacionamento. Pelo que representa em termos da historiografia de Lisboa, pelo impacto que tem na paisagem da cidade e na definição do imaginário colectivo da Ajuda e de Belém, merecia que ali se concretizasse um projecto de valorização qualquer.

Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda)Torre sineira da Capela Real da Ajuda (Torre do Galo ou Torre da Ajuda)

Os escassos metros que a separam do palácio actual, com um murete de separação que regula o desnível produzido pelo terreno, não faz nenhum sentido, representando um verdadeiro atentado patrimonial à memória dos Portugueses.