Translate

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lagoa Azul de Sintra: um pequeno paraíso perto de Lisboa

por admin

Morar em Lisboa e nunca ter ido passar um dia na Lagoa Azul é quase um crime. A poucos minutos da capital, este pequeno paraíso oferece aos seus visitantes óptimos momentos para relaxar, contemplar a Natureza e até existe a possibilidade de praticar vários desportos. A Lagoa Azul é procurada quer por veraneantes solitários em busca de sossego, quer por grupos desportivos que dali arrancam para passeios de BTT, quer por caminhantes que fazem observação de espécies, e por famílias que aproveitam o espaço para se deliciarem com piqueniques e brincadeiras ao ar livre.

Lagoa AzulLagoa Azul

A zona é de fácil acesso pedestre e de carro, e tem algum espaço para estacionamento, mas fica facilmente congestionada, por isso, para quem quiser desfrutar da área em pleno, o melhor é evitar alturas de pico de frequência, como os fins-de-semana à tarde, sobretudo se estiver bom tempo. Leve sapatos e roupa confortável (agasalhe-se de Inverno, pois a zona fica bastante fresca) e entregue-se às actividades na natureza. Pode entreter-se a apanhar pinhas com crianças, a caminhar, a apanhar sol, a aproveitar a sombra e o ar fresco, ou a observar a rica fauna da Lagoa.

Lagoa AzulLagoa Azul

Dentro de água, encontra, por exemplo, patos, cágados, tartarugas, mexilhões de água doce, carpas e percas. Já existiram também alforrecas de água doce, lagostins e camarões, mas há alguns anos que nenhuma destas espécies é avistada. Fora de água, as espécies mais características são o chapim-rabilongo, o chapim-carvoeiro, o pombo-torcaz, e por vezes até o gavião dá um ar de sua graça, para além de outras aves mais comuns que podem ser encontradas.

Lagoa AzulLagoa Azul

O movimento acentuado de visitantes da Lagoa Azul nem sempre tem sido positivo, pois é comum encontrar lixo e detritos deixados por grupos, fato que tem contribuído para a alteração e redução da fauna da Lagoa. A água e a envolvente têm sido sujeitas a acções de limpeza por parte das entidades municipais e de voluntários, no sentido de proteger o local e reduzir a probabilidade de incêndios. Ainda assim, os banhos na lagoa não são recomendáveis actualmente devido à poluição e contaminação da água.

Formação da Lagoa Azul

A existência da Lagoa Azul deve-se à alteração dos granitos do maciço de Sintra que, por acção dos diversos agentes erosivos, originam areias e argilas que vão revestir e impermeabilizar o fundo da lagoa evitando que a água que aí se acumula não escoe, sendo aqui o papel das argilas fundamental graças à reduzida dimensão das suas partículas.

Fauna e Flora

A represa tem vários animais como os peixes gambusia (Gambusia holbrooki) que é uma espécie não indígena, introduzida, a perca-sol (Lepomis gibbosus) e a boga portuguesa (Chondrostoma lusitanicum), e é um local com muitas rãs, sendo fácil ver girinos na época de reprodução. Na albufeira, existe o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis), espécie em regressão. A ocorrência neste local é justificada pela possível reintrodução a partir de exemplares de cativeiro. Na Lagoa Azul foi detectada a presença da espécie Trachemys scripta elegans (tartaruga americana).

Lagoa AzulLagoa Azul

Entre as espécies de aves características deste local, podem referir-se o pombo torcaz (Coplumba palumbus), o chapim-carvoeiro (Parus ater) e o chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus), bem como diversos passeriformes mais comuns. Na Albufeira, existem também patos selvagens da espécie pato-real (Anas platyhynchos). Observam-se várias plantas aquáticas e outras espécies como o Pinheiro manso (Pinus pinea); Carvalho-negral (Quercus pyreneica); Carvalho-alvarinho (Quercus robur); Carvalho cerquinho (Quercus faginea); Cravo-romano (Armenia pseudarmeria); Tojos (Ulex sp.); Estevas (Cistus sp.); Urze (Calluna vulgaris); Carqueja (Genista tridentata); Cravo de Sintra (Dianthus Cintra).

Coordenadas da Lagoa Azul:

Estrada da Lagoa Azul, Sintra

38° 46' 5.0333'' N

9° 23' 59.3387'' W

A geração delapidada

por estatuadesal

(António Guerreiro, in Público, 12/01/2018)

Guerreiro

António Guerreiro

Há uma geração jovem que não tem direito a existir, que não pode ter esperanças e ideais como tiveram aqueles que de vez em quando lhe passam certificados de inexistência, com umas alíneas a nomear as excepções.


Anunciando a intenção de perscrutar o futuro, de “saber o que aí vem e quem serão os grandes protagonistas das mudanças que se seguem”, e evocando a seguir uma sabedoria antiga segundo a qual “os velhos dão invariavelmente lugar aos novos”, publicou o Expresso, na sua última edição, o resultado de um desafio lançado “aos nossos consagrados” para identificarem uma figura que seja uma promessa que no futuro se irá cumprir. Este exercício é um entretenimento, um jogo que só não é tão inocente como parece porque sabemos bem que esta corrida para não falhar a nova época é uma forma de nos roubar o tempo, transformando-o imediatamente em história.

No jogo, notei que dois dos “nossos consagrados”, António Lobo Antunes e António Barreto, apostaram respectivamente no poeta João Luís Barreto Guimarães, que nasceu em 1967 (tem 50 anos), e no historiador, ex-deputado europeu e fundador do Livre, Rui Tavares, que nasceu em 1972 (tem 45 anos); notei ainda que o artista Igor Jesus, que ainda não tem 30 anos, apostou no consagrado Rui Chafes, que nasceu em 1966, invertendo assim os papéis; notei que Jorge Silva Melo levou o jogo a sério e apostou em três jovens (“gente decidida, tenaz, inventiva”, isto é, com qualidades próprias de um espírito juvenil) que “estão a começar, claro, não têm casa, não têm dinheiro, não têm nada” (são eles João Pedro Mamede, Nuno Gonçalo Rodrigues e Catarina Salgueiro); notei ainda que o professor Carlos Fiolhais escolheu uma bióloga de 44 anos, Mónica Bettencourt Dias, que já é directora do Instituto Gulbenkian de Ciência.

A julgar pelos resultados deste “jogo”, que tem a eloquência dos sintomas, a não ser no teatro o futuro não pertence aos jovens. Há uma geração inteira de espoliados e obrigados ao silêncio que, em dia de festa (o Expresso fazia 45 anos), pode ter direito a ser nomeada por um patriarca que selecciona algum dos seus elementos para ilustração dos filisteus. E quando os patriarcas escolhidos para a missão envergam a máscara da “experiência”, da maturidade, da razão e da boa vontade (poderosa ideologia!), então não aparece sequer um exemplar jovem no horizonte e todo o filistinismo surge encarnado na personagem de um velho (a velhice que não tem idade), para o qual o futuro só pode pertencer a um “realista sensato” (é assim que António Barreto define Rui Tavares, que já não é jovem e envelhece bastante neste retrato) ou a um poeta que, pelo que nos diz António Lobo Antunes, é um homem com qualidades, adorável, modesto e quente (foi esta a impressão que deixou ao Grande Escritor, quando o visitou em Lisboa, acompanhado pela mulher e pela filha).

Eis como de um jogo inocente se chega a um assunto sério: há uma geração jovem que não tem direito a existir, que não pode ter esperanças e ideais como tiveram aqueles que de vez em quando lhe passam certificados de inexistência, com umas alíneas a nomear as excepções. É uma geração privada de época, de sonhos, de projecções de um futuro possível.

Apetece evocar as palavras que serviram ao linguista russo Roman Jakobson para definir o que aconteceu aos poetas russos dos anos 1920, Maiakovski, Blok, Essenine e outros. Eles pertenceram a uma “geração que delapidou os seus poetas” — aqueles que, tendo participado na revolução, foram capazes de compreender, com uma consciência trágica, o rumo que esta tinha seguido. Morreram todos entre os trinta e os quarenta anos. A esta juventude de hoje, delapidada, rasurada, silenciada, já não é concedido o sentido do trágico, nem sequer a vontade de gritar que “a pátria da criação é o futuro, de onde sopra o vento dos deuses do verbo” (Maiakovski).

Provavelmente, a cidade mais charmosa de Portugal

Novo artigo em VortexMag


por admin

Coimbra dos estudantes, Coimbra do Mondego, Coimbra dos amores de Pedro e Inês. Esta cidade, situada no centro de Portugal, é por muitos considerada como a mais charmosa e carismática cidade de Portugal. Dizem que quem passa por Coimbra nunca mais a esquece e que as suas ruas e vielas se entranham na nossa alma. Prova disso, talvez seja aquilo que os estudantes de todo o país sentem quando vão estudar para a Universidade de Coimbra e aqui vivem durante a duração da sua licenciatura. Se ouvir qualquer um destes estudantes irá constatar que o seu amor pela cidade é realmente especial, de uma forma que nem eles próprios conseguem explicar. Coimbra chegou a ser capital de Portugal e pela sua Universidade passaram grandes figuras da história do nosso país.

CoimbraCoimbra

Curiosidades sobre Coimbra

Foi capital de Portugal entre 1131 e 1255. Aliás, para todos os efeitos, dado que não existem documentos legais a considerar Lisboa como a capital oficial do país, há mesmo quem diga que Coimbra continua a ser a verdadeira capital da nação. "A decisão foi estratégica, pois esta mudança da capital para os campos do Mondego revelou-se vital para viabilizar a independência do novo país, a todos os níveis: económico, político e social. Coimbra foi capital até 1255".

A primeira dinastia portuguesa residiu em Coimbra, sendo por isso natural que seis dos nossos monarcas tenham nascido em Coimbra (como por exemplo D. Sancho II, D. Afonso IV ou D. Pedro I).

Sé Nova de CoimbraSé Nova de Coimbra

A universidade mais antiga do país (e uma das mais velhas da Europa) situa-se em Coimbra. Foi fundada em 1290 pelo Rei D. Dinis, em Lisboa. Após várias mudanças para Coimbra e Lisboa, a Universidade acaba por ser instalada definitivamente em Coimbra, por ordem do Rei D. João III, em 1537.

Durante séculos, foi a única universidade existente no império português, não sendo por isso de estranhar que muitas figuras de relevo tenham ali estudado. Coimbra foi transformada num relevante posto comercial com a chegada dos mouros à Península Ibérica. Santo António estudou no Mosteiro de Santa Cruz e na Igreja de Santo de António dos Olivais.

CoimbraCoimbra - Alfredo Mateus

Durante a Idade Média, de acordo com o site Center of Portugal, "havia uma Coimbra cristã, uma Coimbra judaica e uma Coimbra árabe que se perfilavam como vértices de um triângulo ecuménico de miscigenação cultural". Ao que tudo indica, era um raríssimo caso de uma região de Portugal onde, durante muito tempo, existiu paz entre todas as comunidades.

A Praça do Comércio foi um local importante na vida comercial da cidade. Aproveitando essa fama, na época da Inquisição este local foi o escolhido para praticar os Autos de Fé. O Padre António Vieira, uma das grandes figuras da História de Portugal, viveu três anos na Sé Nova de Coimbra.

Universidade de Coimbra

Segundo o site da Direcção Geral do Património Cultural, o Mosteiro de Santa Cruz, local onde se encontram hoje em dia os túmulos dos dois primeiros Reis de Portugal, D. Afonso Henriques e D. Sancho I, "foi a mais importante casa monástica nos primeiros tempos da monarquia portuguesa. A sua escola foi fundamental nestes tempos medievais e ponto de passagem obrigatória para as elites do poder e da intelectualidade"

O que visitar em Coimbra?

Nas margens do rio Mondego, Coimbra é conhecida pela sua Universidade, a mais antiga em Portugal e uma das mais antigas da Europa, que ao longo do tempo lhe moldou a imagem tornando-a “a cidade dos estudantes”.

Portugal dos PequenitosPortugal dos Pequenitos

Iniciamos esta visita, precisamente na Universidade fundada no século XIII que a UNESCO integrou na lista do Património mundial, numa classificação que engloba também a Rua da Sofia e a alta da cidade. Vale a pena subir à sua torre, onde estão os sinos que marcavam o ritmo das aulas, para apreciar a soberba vista de 360º sobre Coimbra. Mas no piso térreo há muito para visitar: o Pátio das Escolas, a Sala dos Capelos onde têm lugar as cerimónias mais importantes, a Capela de São Miguel com um imponente órgão barroco e a Biblioteca Joanina, que possui mais de 300 mil obras datadas entre os séculos XVI e XVIII dispostas em belíssimas estantes ornamentadas com talha dourada. O conjunto de edifícios ocupa o lugar do Paço onde viveram os primeiros Reis de Portugal, que aqui chegaram a fixar a capital do reino.

CoimbraCoimbra

São desses tempos vários monumentos que apresentam o esplendor da arte românica. Localizados na Baixa, zona de compras e de cafés históricos, merecem visita obrigatória o Mosteiro de Santa Cruz que alberga o túmulo do primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques, e na outra margem, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, recuperado e resgatado das águas do rio que o invadiram ao longo dos séculos.

cidades mais antigas de PortugalSé Velha de Coimbra

Ou ainda a Sé Velha, em cujas escadas tem lugar a serenata monumental em que os estudantes trajando capas negras cantam com muito sentimento o Fado de Coimbra. Este é um dos eventos da Queima das Fitas onde todos os anos em Maio os finalistas celebram a conclusão do curso, numa festa cheia de cor. Essa animação, no entanto, sente-se ao longo de todo o ano nas muitas tasquinhas e nas Repúblicas, as residências dos estudantes, exemplos de vida em comunidade.

Universidade de Coimbra

Mas há muito mais para ver. O Museu Nacional Machado de Castro conserva o Criptopórtico romano, entre um acervo de grande valor e dá a conhecer a história da cidade. Aliás, vale a pena entrar neste museu e deslumbrar-se com a antiga cidade romana de Aeminium. Também são muitos os jardins a não perder como o do Choupal, o da Quinta das Lágrimas, cenário do romance de D. Pedro e Inês de Castro ou o Jardim Botânico. As crianças (e não só) vão adorar o Portugal dos Pequenitos, um Parque que reproduz à escala dos mais pequenos, os principais monumentos portugueses.

AeminiumAeminium

Coimbra não é só tradição; possui estruturas modernas que vale a pena conhecer como o Pólo II da Universidade, a Ponte Pedonal Pedro e Inês, o Pavilhão Centro de Portugal no Parque Verde do Mondego. E para ter uma perspectiva diferente de toda a cidade aconselhamos um passeio de barco no Rio Mondego.

Biblioteca Joanina

Segundo um fado cantado pelos estudantes, “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida”, mas talvez não seja preciso chegar a esse momento para o descobrir...

História de Coimbra

Em tempos longínquos o local foi ocupado pelos Celtas mas foi a romanização que transformou esta região culturalmente. A sua presença permanece nos vários vestígios arqueológicos guardados no Museu Nacional Machado de Castro, construído sobre o criptopórtico da Civita Aeminium, o forum da cidade romana. Depois vieram os visigodos entre 586 e 640, alterando o nome da localidade para Emínio. Em 711, passa a ser uma cidade mourisca e moçarabe. Em 1064 é conquistada pelo cristão Fernando Magno e governada pelo moçarabe Sesnando.

Jardim Botânico CoimbraJardim Botânico de Coimbra

A cidade mais importante ao Sul do Rio Douro, é durante algum tempo residência do Conde D. Henrique e D. Teresa, pais do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que aqui nasceu. Por sua mão é integrada em território português em 1131. Datam desse tempo, em que Coimbra foi capital do reino, alguns dos monumentos mais importantes da cidade: a Sé Velha e as igrejas de São Tiago, São Salvador e Santa Cruz, em representação da autoridade religiosa e das várias ordens que aqui se estabeleceram.

Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra

Foi em Coimbra que aconteceu o amor proibido de D. Pedro I (1357-67) e da dama de corte D. Inês, executada por ordem do rei D. Afonso IV, que viu nesse romance o perigo de uma subjugação a Castela. Inspirando poetas e escritores, a sua história continua a fazer parte do património da cidade.

Durante o Renascimento, Coimbra transformou-se num lugar de conhecimento, quando D. João III (1521-57) decidiu mudar definitivamente a Universidade para a cidade, ao mesmo tempo que se criavam inúmeros colégios em alternativa ao ensino oficial.

Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra

No séc. XVII os jesuítas chegaram à cidade, marcando a sua presença com a construção da Sé Nova. No século seguinte, a obra régia de D. João V (1706-50) enriquecerá alguns dos monumentos de Coimbra e sobretudo a Universidade e o reinado de D. José I (1750-77) fará algumas transformações pela mão do Marquês de Pombal, sobretudo no ensino.

No início do séc. XIX as Invasões Francesas e as guerras liberais portuguesas iniciarão um período conturbado, sem grandes desenvolvimentos para a cidade. Desde então foram os estudantes que a recuperaram e transformaram na cidade universitária por excelência em Portugal.

Quinta das LágrimasQuinta das Lágrimas

Vários percursos são possíveis para conhecer todo o património existente em Coimbra. Seguindo o plano da cidade até ao séc. XIX, sugerimos que comece com dois passeios, um pela Alta e outro pela Baixa de Coimbra.

PPD-PSD

por João Mendes

Imagem via Daily Cristina

A forma como ele o entoa, como nunca ousa deixar o PSD órfão do PPD, é algo que me fascina. Isso e a insistência em esbarrar-se eleitoralmente. Mas ainda há esperança, caso Rui Rio ganhe as próximas Legislativas e seja chamado para servir em Bruxelas a meio do mandato. E poucas coisas seriam tão belas como ver Marcelo dissolver a Assembleia da República. Karma can be a bitch. O problema é se sai dali outro Sócrates. E outro Passos a seguir.

Tem quase 350 anos e é o sinal de trânsito mais antigo de Lisboa

por admin

A sinalização de trânsito surgiu com o objectivo de ordenar a circulação de viaturas e evitar conflitos nas vias públicas. É frequente assistir-se a conflitos de trânsito devido a situações provocadas por condutores descuidados ou por falta de respeito para com os restantes condutores ou, ainda, por situações provocadas por mau planeamento das dimensões das vias ou ordenamento deficiente do trânsito. Mas não se pense que esta situação é um exclusivo da era moderna do automóvel. Se recuarmos ao tempo das carroças puxadas por cavalos é possível atestar a existência de conflitos entre condutores.

Sinal de Trânsito mais antigo de LisboaSinal de Trânsito mais antigo de Lisboa

Precisamente na rua do Salvador em Alfama já existia um "ponto negro" onde era frequente assistir a "escaramuças" entre condutores de carroças que se cruzavam. Como a via constitui uma rampa estreita os cocheiros que desciam e os que subiam procuravam disputar de forma acesa entre si a prioridade, uma vez que era difícil o cruzamento de duas carroças. Os conflitos muitas vezes conduziam a duelos e lutas. Para colocar uma certa ordem nesta estreita rua o rei D. Pedro II mandou colocar em 1686 uma placa que estabelece a prioridade para as viaturas que sobem em detrimento das que descem. E ainda hoje é possível observar este raro sinal de trânsito escrito em pedra calcária na fachada da parede de um edifício próximo.

Rua do SalvadorSinal de Trânsito (canto inferior esquerdo)

Trata-se do testemunho mais antigo de um sinal de trânsito na cidade de Lisboa. Escusado será dizer que o seu formato é rudimentar e pouco prático uma vez que recorre ao texto escrito para estabelecer uma regra. Uma situação que obriga à paragem do condutor para poder ler e interpretar a mensagem antes de poder avançar. Hoje os sinais de trânsito evoluíram e recorrem a imagens, códigos e formas geométricas para uma rápida e fácil interpretação da mensagem sem necessidade de paragem.

Rua do SalvadorRua do Salvador

Lisboa, séc. XVII. O grande sismo ainda não veio obrigar à "requalificação" forçada da cidade. Pelo emaranhado de ruelas medievais circulam cada vez mais veículos, nesta cidade fervilhante de actividade comercial. Os frente-a-frente entre coches e liteiras são frequentes, e dá muito trabalho ter que recuar - lacaios e até mesmo os amos tentam resolver o assunto de forma diplomática: insultos e pancadaria!!

D. Pedro IID. Pedro II

D. Pedro II reinava, quem manda pode, ordenou que os juízes prendessem todos quantos “disputassem sobre avanço ou recuo de carruagens”. É neste contexto que surge a placa, que hoje se encontra na parede de um prédio na Rua do Salvador e que reza assim:

“ANO DE 1686. SUA MAJESTADE ORDENA QUE OS COCHES, SEGES E LITEIRAS, QUE VIEREM DA PORTARIA DE SÃO SALVADOR, RECUEM PARA A MESMA PARTE”.

Ou seja, que viesse de cima perdia a prioridade em relação a quem subisse. Outras houve, similares, na Calçada de São Vicente, São Tomé, Largo de Sta Luzia... Só esta inscrição em pedra chegou aos nossos dias, mas chegaram a existir vinte e quatro sinais deste tipo, em Lisboa. Mas o Rei não ficou por aqui e completou o seu Código da Estrada com a proibição de os cocheiros, lacaios ou liteiros usarem adagas, bordões ou quaisquer outras armas - e se desobedecessem eram contemplados com cinco anos de degredo na Baía, Pernambuco ou Rio de Janeiro ou, em alternativa, 2000 cruzados de multa.

Rua do SalvadorRua do Salvador

Esta rua, que foi muito importante há quatro séculos, quando ligava as portas do Castelo de São Jorge à Baixa, hoje em dia é uma pequena travessa cheia de prédios arruinados entre a Rua das Escolas Gerais e a Rua de São Tomé. A meio da pequena subida há um edifício fora do alinhamento dos restantes que a estrangula. No tempo de D. Pedro II este estreitamento era causa de muitas discórdias entre quem subia ou descia a rua. Se dois se encontrassem a meio, nenhum queria ceder a passagem uma vez que era tarefa difícil fazer recuar os animais.

Rua do SalvadorRua do Salvador

Foram imensos os trabalhos urbanísticos desenvolvidos no período do reinado de D. Pedro II, tendo o monarca promovido  importantes intervenções em diversas áreas da cidade de Lisboa, como o alargamento e regularização de ruas e largos. Algumas dessas obras de alargamento, de regularização e de calcetamento das principais artérias da Corte, foram iniciadas no último quartel do século XVII, as quais se explicam pela necessidade de melhorar o tráfego urbano e de contribuir para a beleza da capital.

Rua do SalvadorRua do Salvador

As dificuldades de circulação de pessoas e de bens na Corte foram-se agravando com o tempo, provocando mesmo atropelamentos e  motivando frequentes discussões entre os condutores de coches e liteiras, sobretudo nas ruas mais concorridas. A fim de resolver ou minorar alguns desses problemas, a Coroa e o Senado criaram regras de trânsito e afixaram sinais ou placas de sinalização nas ruas mais problemáticas da altura.