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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

PSDiabo

por António Fernando Nabais

Apesar da minha inclinação esquerdista, não vivo entusiasmado com um governo ainda demasiado inclinado para uma direita austeritária, pouco amiga dos direitos laborais e nada defensora dos desprotegidos. O PS, na realidade, tem aplicado alguma cosmética de cedências ao BE e ao PCP, que, por sua vez, cedem ao PS em nome do mal ainda maior representado pela aliança Passos e Portas, que se limitaram, por sua vez, a aproveitar servilmente a oportunidade concedida pela troika bancos/agências de notação/multinacionais, que se babam por salários baixos e pela extinção de políticas sociais.

O engraçado, no entanto, está no facto de que Passos Coelho, que se julga demasiado bom para ser deputado, andou, nos últimos dois anos, a dizer que vinha aí o diabo e que isto iria de mal a pior, de cavalo para burro, do paraíso para as caldeiras infernais. O problema é que, com base nos mesmos indicadores endeusados pela PAF, o país melhorou, causando mossa nas bancadas de direita, que, depois de garantirem Satanás, chegaram a declarar que a Boa Nova de Costa era mérito absoluto de Coelho.

Agora, com a vitória de Rui Rio, o diabo deixou de ser a possibilidade de os indicadores económicos piorarem e passou a ser uma entidade virtuosa que poderá retirar o PS das garras da esquerda. Efectivamente, Manuela Ferreira Leite declarou, em concordância com o novo presidente do PSD, que o partido deverá “vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua”. Depreende-se, até, que o próprio PS poderá ser o demónio e conclui-se que a esquerda é ainda mais diabólica que Lúcifer, o que, teologicamente, não deixa de ser interessante: quem é de Esquerda não pode ser filho de Deus.

Emprego da retoma em debate amanhã


Emprego da retoma em debate amanhã

Posted: 15 Jan 2018 02:29 PM PST

Foi também convidada a deputada comunista Rita Rato, mas por dificuldades de agendamento parlamentar não vai ser possível contar com a sua presença, o que muito se lamenta.
Este vai ser o Barómetro que vai estar em debate. E este também sobre a estagnação da produtividade. E que teve já uma reacção do próprio primeiro-ministro no último debate quinzenal de 2017. Disse António Costa, em resposta a uma pergunta do Bloco de Esquerda:

"Os números do INE não consentem duas interpretações. 70% dos novos contratos de trabalho são contrato sem termo, não são contratos precários, são contratos de trabalho definitivos. O estudo que cita é um estudo que deve ser analisado, primeiro porque não se refere apenas ao período destes dois anos, mas mais extenso; e segundo pela metodologia própria com que trabalha que é uma metodologia onde não identifica contratos de trabalho, mas trabalhadores e em que por isso há porventura uma empolação daquilo que são os contratos precários por via da multiplicação de contratos na mesma pessoa. Agora os dados oficiais, formais, do INE dizem que, nestes dois anos, são 76%. E mais: tem vindo a melhorar porque os dados de 2017 já dizem que 78% do emprego existente em Portugal é sem ser contrato a termo e portanto emprego com maior qualidade. Não está tudo acabado, claro que não. E é por isso que disse que o desígnio para este ano tem de ser o melhor emprego. Porque além de ter mais emprego, temos de ter melhor emprego. Um emprego mais digno, com salário mais justo e de maior qualidade. É esse emprego para que vamos trabalhar."

Como se vê, há muito para debater. Apareçam!

VENDER A ALMA AO DIABO.

VENDER A ALMA AO DIABO

por estatuadesal

(In Blog O Jumento, 15/01/2018)

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Vendeu a alma ao diabo e rejuvenesceu. Agora propõe a mesma receita ao PSD

O espetáculo foi deprimente, uma sala vazia, gente a ajeitar cadeiras, a espera pelo fim do jogo do Benfica-Braga para compor a sala, uma quase total ausência dos apoiantes da véspera, um Santana quase em lágrimas a parafrasear Mário Soares, uma resposta atabalhoada ao jornalista que o questionava sobre a perda do tacho na Santa Casa. Tudo isto poucas horas depois das imagens da última sessão de campanha.

Onde estavam o s apoiantes de Passos Coelho que se acotovelavam atrás de Santana Lopes quando ainda imaginavam que este iria ser a sua marioneta durante os próximos dois anos? Na sala estava apenas um Rui Machete que não se podia escapar, o autarca de Viseu e a deputada Teresa Morais. Tudo o resto tinha ar de ter sido arregimentado à pressa para emprestar um mínimo de dignidade ao derrotado.

Não foram precisas muitas horas para que o discurso da unidade fosse esquecido; pouco depois das 9 horas já Ferreira Leite, a ideóloga e grande apoiante de Rui Rio, pedia a cabeça de Hugo Soares, o ainda recentemente eleito líder parlamentar do PSD; ao que parece a maioria parlamentar não podia escolher Ferro Rodrigues para Presidente da Assembleia da República, mas uma minoria de um grupo parlamentar já vai poder escolher o seu líder.

É a mesma Ferreira Leite que fala em reposicionamento do PSD, assegura que o PSD nunca foi um partido de direita, mas considera que a sua aliança natural é com  a direita mais conservadora do CDS e que uma qualquer negociação com o PS consiste em vender a alma ao diabo para “correr com a esquerda”. Perante a incoerência e questionada pelo jornalista da TSF lá corrige a declaração a lembrar os tempos das presidências do Soares Carneiro e do Freitas do Amaral: afinal só quer correr com a extrema esquerda.

Em poucas horas, o discurso dos ruirianos torna-se confuso; se já era incoerente em relação ao que os separava das políticas de Passos Coelho, é agora quanto a ideias, já que Rui Rio se limitou a propor banalidades, limitou-se a propor um modelo mais ou menos autocrático de liderança partidária, de mistura com ameaças pouco veladas à diversidade de opiniões.

Veremos agora o que faz Rui Rio, se renova o PSD trazendo caras novas ou se aposta nos cotas do cavaquismo e nos extremistas que tomaram o poder no partido com Passos Coelho, se defende um excedente orçamental alimentado por austeridade, se promove a prometida redução de impostos sobre os rendimentos do capital com aumentos de impostos sobre os rendimentos do trabalho e sobre o consumo ou com cortes na despesa do Estado, designadamente com cortes de rendimentos a que nunca se opôs, antes pelo contrário: não só apoiou na figura de Maria Luís Albuquerque, como sugeriu que ia mais longe.

Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Morais Sarmento e outros conseguiram acabar com Santana Lopes, veremos agora se Rui Rio é melhor do que Santana e mesmo melhor do que o Rui Rio já conhecíamos.

Depois de vender a alma ao diabo tantas vezes, este PSD de esquerda  da treta já tem dificuldades  em arranjar um líder de quem se possa dizer "benza-te deus", é um partido já desalmado, se alma para vender ainda tem a quem quer que seja, mesmo com a Dra. Manuela a fazer de caixeiro-viajante.

Cristas a aprender a Constituição

por j. manuel cordeiro

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A propósito da vitória de Rio, Cristas deixou cair a tese da usurpação, defendendo agora que o que importa é ter uma maioria de deputados a suportar o governo.

Este facto tem dois aspectos notáveis. O primeiro é que, por fim, Cristas descobriu a letra da Constituição, deitando por terra um argumento que alimentou a PAF desde 2015. Importa agora, segundo a líder do CDS, chegar ao poder, ganhando ou não a eleição. Há que fazer pela vida.

A segunda curiosidade deste golpe de costas é que apenas foi noticiado pela Rádio Renascença - ou então o Google anda distraído. Os outros órgãos de comunicação social limitaram-se a citar a parte insonsa da declaração, nomeadamente a importância de os dois partidos terem uma maioria de deputados - de preferência graças ao CDS, subentende-se. Eis o estado da tal comunicação social supostamente dominada pela Esquerda.

D. Pedro I: o Rei que serrou um padre ao meio por este ter violado uma mulher

Novo artigo em VortexMag


por admin

Já alguma vez se indagou porque razão o Rei D. Pedro era conhecido como "o justiceiro" ou como "o cruel"? Este Rei, que ficou famoso na História de Portugal por ter mandado arrancar o coração dos homens que assassinaram a sua amante Inês de Castro e por ter exigido que beijassem o seu cadáver estando ela sentada no trono, costumava fazer justiça pelas próprias mãos, um pouco por todo o país. D. Pedro I deslocava-se frequentemente por Portugal e gostava de ouvir as histórias e as queixas de quem tinha sido injustiçado e, em vez de recorrer aos tribunais, era ele próprio quem proferia as sentenças  e, muitas vezes, praticava as mesmas. São várias as histórias de justiça pelas próprias mãos a ele atribuídas.

Pedro ID. Pedro I

É conhecido o episódio bíblico em que o rei Salomão ordena que um bebé seja cortado ao meio e repartido pelas duas mulheres que reclamam a sua maternidade, sentença que uma delas aprova e a outra rejeita horrorizada, mostrando assim ser a verdadeira progenitora. Também Portugal teve um Salomão, embora não tão sagaz. Foi D. Pedro I, o dos amores com Inês de Castro, que, nos dez anos em que reinou, andou a percorrer o País fazendo justiça pelas suas próprias mãos.

Pedro e a sua amante, Inês de CastroPedro e a sua amante, Inês de Castro

Em Santarém habitava um lavrador rico com quem o rei se dava. Um dia, estando nessa cidade e como não visse o homem, perguntou por ele e apurou que o filho o atacara à facada, deixando-lhe uma cicatriz na cara. O rei ordenou então que o chamassem e pediu-lhe que contasse como as coisas se tinham passado. O lavrador narrou a discussão que tivera com o filho e a agressão de que fora vítima, na presença da mulher. “Ora, manda-me cá a tua mulher e o teu filho”, ordenou o monarca. Quando a mulher chegou, perguntou-lhe: “Ouve lá, de quem é o filho?” Ela gaguejou: “Meu e do meu marido, senhor.” O rei cofiou a barba. “Hum!, não acredito. Se o teu marido fosse o verdadeiro pai, ele não o teria acutilado daquela forma.”

Pedro e Inês de Castro

A lavradora acabou por admitir que o rapaz era filho de um frade confessor que a teria violado. No dia seguinte, D. Pedro foi ouvir missa na igreja onde em tempos ocorrera a violação. Concluída a cerimónia, mandou chamar o religioso. Após curta troca de palavras, o rei mandou meter o violador num caixote e serrá-lo ao meio. Como o rei não era um ilusionista daqueles que serram mulheres sem que estas sofram beliscadura, o desgraçado teve uma morte horrorosa. Esta é apenas uma das muitas histórias que se contam acerca da actuação de Pedro I como juiz.

Túmulo de D. Pedro I

O episódio do bispo do Porto ainda é bastante recordado. Constou a D. Pedro, sem ter provas, que o prelado mantinha relações íntimas com uma mulher casada. Tanto bastou para que entrasse pelo paço episcopal e, pegando no chicote, o punisse. De outra vez, ao saber que uma mulher enganava o marido, condenou-a à morte. E de nada valeu ao enganado implorar de joelhos o perdão da esposa, que decerto amava.

Inês de CastroInês de Castro

Mas há um aspecto da vida de D. Pedro I menos conhecido. Narra o cronista Fernão Lopes que o arrebatado soberano teve uma assolapada paixão… pelo escudeiro Afonso Madeira, ao qual “amava mais do que se deve aqui dizer”. Como este tivesse um caso com uma tal Catarina Tosse, o rei, furioso, “mandou-lhe cortar aqueles membros que os homens em maior apreço têm, de modo que não ficou carne até aos ossos que tudo não fosse cortado”. O pobre Afonso, segundo Lopes, foi tratado, “curou-se, engrossou nas pernas e no corpo e viveu alguns anos engelhado de rosto e sem barba e morreu depois de sua natural morte”.

Inês de CastroInês de Castro

Conta a tradição que D. Pedro mandou desenterrar o cadáver da sua amada Inês de Castro e a coroou (ou o que dela fisicamente restava) rainha de Portugal. Mas será verdade que Inês de Castro foi rainha depois de morta? Não existe prova documental de que o seu amor louco chegado a esse ponto, mas o episódio entrou no imaginário. A sugestão, tremendamente romântica, foi mesmo glosada por autores estrangeiros. Do que não há dúvida é de que D. Pedro fez transladar com pompa os restos de Inês do Convento de Santa Clara, em Coimbra, para o belo túmulo gótico do Mosteiro de Alcobaça, ao lado do que destinara a si próprio, que ainda hoje podemos admirar.