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domingo, 25 de março de 2018

Ladrões de Bicicletas


Impasse

Posted: 24 Mar 2018 11:22 AM PDT

Uma vista de olhos à página em inglês da revista Spiegel permite observar a grande precariedade da actual situação política na Alemanha e na UE.
De um lado, a ascensão da extrema-direita condiciona as relações entre a CDU e a CSU da Baviera. Este partido procura travar a perda de eleitorado para a AfD acentuando o discurso anti-islamismo. Merkel já respondeu em plenário, assumindo publicamente que discorda do seu ministro do interior, o líder do partido-irmão que integra a coligação. Há eleições em Outubro na Baviera e a CSU está sob pressão do seu concorrente à direita. O declínio dos sociais-democratas e a progressão da extrema-direita são a outra face do sucesso do modelo exportador na economia alemã. Enriquecimento do capital que lucra com as exportações e os paraísos fiscais (também dentro da Europa), um elevado nível de vida para os dirigentes e os quadros especializados e intermédios dessas empresas, enquanto os trabalhadores do fundo da hierarquia e toda a população que vive da procura interna tem os seus rendimentos estagnados, ou precisa de trabalhar em mais que um emprego, vive a insegurança da precariedade e deprime, ou acumula raiva, face à desigualdade gritante, à ausência de perspectivas saudáveis e à pobreza que alastra. A falta de futuro nos estados orientais da Alemanha garantiu uma fortíssima votação à AfD. A imigração é o bode expiatório de uma imensa frustração que atravessa o mundo do trabalho menos qualificado.
De outro lado, o Primeiro-Ministro da Holanda, Mark Rutte, faz mais um aviso ao eixo franco-alemão. Quaisquer que sejam as reformas da Zona Euro (ZE) que aí venham, não contem com mais dinheiro nem com avanços no caminho de uma UE supra-nacional; os Estados-nação são a base da UE. O que significa que as transferências de recursos entre o centro e a periferia da ZE - um amortecedor do mecanismo estrutural de sucção das periferias pelo centro - não podem ser concretizadas, por muito que os europeístas falem delas. Quando muito, alguma cosmética. A Itália, a Grécia, a Espanha e António Costa não podem contar com mais do que já recebem. E a austeridade (para além da que já está instituída), em contrapartida de um eventual resgate pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade, também está assegurada. Uma nova crise, acompanhada de mais compressão orçamental, afundará a exígua e deficiente recuperação que ocorreu com o apoio do BCE.
Portanto, em termos globais, o marasmo continuará até que o voto da raiva tome o poder. Tal e qual como na larga maioria dos países na Europa dos anos trinta. E, como bem sabemos, a raiva não produz coisa boa. Infelizmente, ainda há demasiada esquerda à espera de uma UE reformável por dentro e por unanimidade. Assim, é mesmo provável que seja a direita demagógica e violenta a tomar o poder. A memória histórica é mesmo muito precária.

sábado, 24 de março de 2018

Entre as brumas da memória


Ilha Jeju

Posted: 24 Mar 2018 01:32 AM PDT

É a maior ilha da Coreia do Sul, situada no Estreito da Coreia, tem um estatuto de «província especial autónoma» e uma população de cerca de 600.000 habitantes. É em Jeju que se encontra o ponto mais alto do país: o Hallasan, um vulcão inactivo a 1.950 metros de altitude. Vive-se sobretudo do turismo e do cultivo de fruta (a laranja é rainha), o salário mínimo é 1.100 US $, mas dizem-me que é pouco para o nível geral dos preços.

Há muito para ver (e eu não vi as praias paradisíacas, embora acredite que existem...), mas destaco um excelente Museu de Folclore e História Natural, a célebre pedra Yong Du-am em forma de cabeça de dragão (na imagem deste «post»), de visita obrigatória; e, inevitavelmente como em cidade asiática que se preze, um belo mercado.

Amanhã… será Seul.

FACEBOOK - Nem Orwell conseguiu ir tão longe

João Cândido da Silva

23/3/2018, 6:54

No ambiente irrespirável das redes sociais, não admira que surja gente sem escrúpulos disposta a manipular. É o terreno ideal para espalhar as brasas que ameaçam consumir as democracias.

A imaginação de George Orwell criou o “Big Brother”, a entidade que controlava, sem piedade, nem descanso, a vida de toda a gente. Mas nem o autor de “1984” conseguiu antecipar uma situação como aquela que nasceu com a era digital, sobretudo após o aparecimento das redes sociais.

A informação que permite a terceiros espiolhar o que fazemos, onde estamos e a que hora, com quem interagimos e que produtos e serviços preferimos consumir, é fornecida de forma voluntária e dispensa qualquer coacção com a finalidade de ser extorquida. É o Mundo perfeito para quem pretenda satisfazer o sonho de controlar, literalmente, tudo que o que se passa em seu redor.

Empresas como as que são responsáveis pelo Facebook ou pelo Google não têm o objectivo, pelo menos confessado, de erguer uma qualquer ditadura assente numa repressão feroz e implacável como aquela que Orwell descreveu. Todos os pedaços de informação a que conseguem deitar a mão são o alicerce de um negócio que gera rendibilidades de fazer inveja, a contrapartida lucrativa pelo fornecimento de dados que permitem a quem faz publicidade dar tiros certeiros nos alvos que pretende atingir.

O modelo tem um pequeno senão. Despejada sobre as mãos erradas, a informação transforma-se numa ameaça sinistra ao funcionamento transparente e saudável de um regime democrático, como sucedeu durante a campanha eleitoral de 2016 nos Estados Unidos.

A empresa co-fundada por Mark Zuckerberg, que agora está no centro do preocupante caso da cedência de informação sobre 50 milhões de contas do Facebook, registou um crescimento dos lucros superior a 50% em 2017, cerca de 13 mil milhões de euros. Para que se tenha uma ideia, é um valor que supera o dinheiro que o Estado português prevê gastar em saúde durante os 12 meses de 2018. Em conjunto com a Google, a empresa de Zuckerberg domina 20% do mercado global de publicidade, o que ilustra o poder que ambas alcançaram no curto período de tempo que decorreu desde o seu nascimento, quando não passavam de mais duas “startups” a tentar sobreviver num ambiente de competição intensa.

Quando estão em causa gigantes com esta dimensão, a tentação imediata é a de criticar, condenar e começar a afiar as lâminas da proibição. Há muitos aspectos em que o comportamento de quem gere o Facebook tem de melhorar de forma drástica. Por exemplo, pode começar-se pela exigência de um escrutínio mais criterioso sobre quem são e o que fazem as entidades a quem a empresa abre as vastas bases de dados relativas a milhões de cidadãos de todo o Mundo. Ou tornar mais claras e acessíveis as regras de privacidade que os utilizadores podem activar, matéria talhada para baralhar os espíritos mais lúcidos e originar decisões erradas, ainda que quem arranje paciência para as ler de fio a pavio seja um perito na gíria jurídica que regula estas questões.

Mas tudo isto jamais terá qualquer possibilidade de ser suficiente se outros tantos milhões de utilizadores, por ignorância, ausência de algum vestígio de capacidade crítica ou simples má fé, estiverem disponíveis para serem manipulados e, pior, ajudar a manipular. Já não se trata de constatar, como sucedeu nos primórdios das redes sociais, que partilhar uma informação em meios como o Facebook é a mesmíssima coisa que pegar num megafone e ir para a rua anunciar, a quem queira ouvir, aquilo que se almoçou ou onde se passou o cobiçado fim-de-semana. Nestes campos, cada um expõe aquilo que quer e sujeita-se aos abusos.

Em temas menos frívolos, como sucede quando o assunto são decisões, actos, declarações ou opiniões políticas, uma curta visita ao Facebook permite perceber que milhares de utilizadores estão entrincheirados, agrupados em tribos, apenas lêem aquilo que lhes parece ser favorável às suas preferências, consomem e partilham “notícias falsas” e comentam, com agressividade, insultos e a ausência de argumentação que costuma andar de mão dada com a indigência intelectual, tudo o que lhes soe, mesmo que apenas vagamente, como uma posição contrária às suas crenças.

Neste ambiente irrespirável, não admira que empresas desprovidas de quaisquer escrúpulos, especializadas em manipulação e truques baixos, como a Cambridge Analytica, explorem um terreno que tem as condições ideais para espalhar brasas e provocar os incêndios que consomem as democracias.

A culpa é das redes sociais? Não parece. Para além das óbvias responsabilidades nas decisões que toma sobre o arsenal de informação de que é detentor, o Facebook limita-se a colocar à vista a grave doença do radicalismo e do populismo que contraria quem alguma vez se tenha atrevido a acreditar que as democracias liberais, tal como foram construídas no Ocidente, eram edifícios sólidos e indestrutíveis. A má notícia é que podem ser valiosas como um diamante que custou a descobrir e a lapidar, mas nada garante que serão eternas.

Nem de propósito, um relatório da Fundação Bertelsmann acaba de constatar que nunca, nos 12 últimos anos, uma fatia tão grande da população mundial viveu sob regimes autocráticos como sucede agora. E, no interior da União Europeia, fenómenos como o Brexit, a ascensão do extremismo e do populismo em actos eleitorais recentes e os golpes no Estado de Direito em países como a Polónia demonstram que não existe qualquer muralha inexpugnável, nem esta teria qualquer efeito quando o mal cresce no interior das respectivas fronteiras.

Mark Zuckerberg e os restantes “tycoons” das redes sociais podem ser interrogados no Parlamento Europeu e as empresas que dirigem ser alvo de um cerco regulatório, tarefas que deixarão políticos e eurocratas de consciência tranquila. Estarão a atacar o tumor com analgésicos.

Mais de 50 mortos na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, desde setembro

RIO DE JANEIRO

HÁ 19 MINUTOS

Cinquenta e uma pessoas, entre as quais suspeitos de crimes, polícias e uma turista, morreram na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, desde setembro passado até hoje.

Marcelo Sayão/EPA

Autor

Agência Lusa

Cinquenta e uma pessoas, entre as quais suspeitos de crimes, polícias e uma turista, morreram na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, desde setembro passado até hoje, segundo um balanço feito pela Polícia Militar daquele estado brasileiro este sábado.

Pelo menos sete pessoas morreram este sábado em confrontos entre polícias e alegados traficantes de droga na Rocinha, localizada junto aos bairros turísticos de Ipanema e do Leblon.

Num comunicado oficial publicado no seu ‘site’ após os desacatos, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro indica que as mortes deste sábado se enquadram num total de 51 desde o arranque da ação desta força de segurança no local, 48 das quais de suspeitos de crimes, duas de polícias e uma de uma turista espanhola.

Esta atuação da Polícia Militar começou em 18 de setembro passado e, até às 11h20 deste sábado (hora do Rio de Janeiro, 14h20 em Lisboa), registou também um total de 19 feridos, dos quais 11 são moradores e oito polícias. Houve ainda 105 presos, 22 detenções de menores e várias apreensões, entre as quais de artefactos explosivos (69), pistolas (66), espingardas (38) e de duas toneladas de droga. O incidente deste sábado começou quando um grupo de agentes, que patrulhava a zona, foi atacado a tiro por presumíveis traficantes de droga.

Após o fim dos disparos, sete criminosos feridos foram socorridos no hospital municipal Miguel Couto, onde vieram a falecer”, informa aquela força de segurança no comunicado.

Após os confrontos, o cerco policial voltou a ser reforçado, nomeadamente via área, adianta a Polícia Militar.

Desde o final dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro tem sofrido um agravamento da violência, situação que piorou devido à crise económica. Por essa razão, as autoridades também ficaram com dificuldades em manter equipamentos de segurança e em pagar os salários dos agentes.

Mais recentemente, no final de fevereiro deste ano, o Presidente brasileiro, Michel Temer, assinou um decreto que passou a segurança pública do Estado para as mãos do Exército, dando origem a uma intervenção federal no Rio de Janeiro.

Causas nacionais de Marcelo

Novo artigo em BLASFÉMIAS


  por Telmo Azevedo Fernandes

JC07

Numa pesquisa rápida pelas notícias dos últimos 12 meses verifico que Marcelo Rebelo de Sousa já deu instruções ao povo de que os seguintes temas são "Causas Nacionais":

  • Limpeza das matas (24.03.2018)
  • Dádivas de sangue (16.02.2018)
  • Combate ao fogo de Oleiros (26.08.2017)
  • Projecto da Mota Engil no México (17.07.2017)
  • Tejo (17.06.2017)
  • Agricultura (07.05.2017)

Sobre as questões de "interesse nacional" (diferente de "causas"), perdi a conta às identificadas pelo nosso Presidente da República. Os leitores desculparão por isso que nem sequer dê destas exemplos.