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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Menos direito a transparência???

Novo artigo em Aventar


por Ana Moreno

Mark Zuckerberg pretende que a sua audição no Parlamento Europeu, marcada para a próxima terça-feira, tenha lugar à porta fechada. Na conferência de líderes dos grupos políticos, a maioria dos democratas-cristãos e populistas de direita decidiram apoiar Zuckerberg, aceitando que a audição seja realizada em segredo. É sabido que nos EUA a audição foi pública. Temos menos direito a transparência do que os cidadãos americanos???

P.S.- Pode dirigir um email ao presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani, requerendo uma audição pública (antonio.tajani@europarl.europa.eu )

Jesus terá provas de que Bruno de Carvalho deu luz verde à Juve Leo para apertarem com a equipa

Jesus terá na sua posse provas de contactos entre Bruno de Carvalho e líderes da Juve Leo em que o presidente dava luz verde aos radicais para “apertarem” com jogadores e equipa técnica.

AFP/Getty Images

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO HÁ 11M

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Momentos-chave

Atualizações em direto

  • Há 11m10:56Bruno Roseiro

    O impacto da saída de um patrocinador

    A comunicação de Bruno de Carvalho, partilhada com um membro da Comissão Executiva da SAD (Carlos Vieira), um membro do Conselho Diretivo do clube (Rui Caeiro, que também é da SAD) e o único membro que não se demitiu do Conselho Fiscal e Disciplinar (Fernando de Carvalho), está a provocar inúmeras reações e uma delas foi a saída do Grupovarius da lista de patrocinadores do clube, conforme foi anunciado em comunicado.

    Agarrando neste exemplo, qual é o impacto de uma tomada de posição destas? O Grupovarius tem sido nos últimos anos o grande apoio do judo do Sporting que, com Pedro Soares no comando da secção, não só tem dominado em termos nacionais (fora as prestações lá fora, em representação de Portugal) como anda há dois/três anos em busca da primeira vitória de sempre na Liga dos Campeões (conseguiu apenas chegar por duas ocasiões ao terceiro lugar). Com esta saída, e tendo em conta que, por exemplo, existem dois reforços estrangeiros especificamente contratados para a maior prova internacional de clubes, ou essa ambição europeia cai ou terá de sair do orçamento do clube esse esforço financeiro para manter a bitola (o que, acompanhando o aumento exponencial dos orçamentos das principais modalidades de pavilhão, é um cenário altamente improvável porque a manta não chegará para tudo…)

  • Há 1h10:20Rafael Afonso

    Sporting perde patrocinador do judo: "Não existem condições para continuar ligados a uma imagem de violência, escândalos e incongruências"

    O Grupovarius anunciou esta sexta-feira que “irá desencadear os mecanismos legais de forma a desvincular-se como principal sponsor do Judo do Sporting clube de Portugal”. Num comunicado publicado no Facebook, o patrocinador diz que “a comissão executiva do Sporting clube de Portugal deveria ter-se demitido” e refere que “não existem condições para continuar ligados a uma imagem de violência, escândalos e incongruências”.

    O Grupovarius considera que, durante a intervenção na Sporting TV, Bruno de Carvalho se referiu aos acontecimentos de “forma ligeira”. Sobre o comunicado de quinta-feira feito pelo Conselho Diretivo, o patrocinador afirma que “o discurso foi completamente inapropriado para o atual momento”. “É uma vergonha continuarem a prejudicar o clube, envergonhar os patrocinadores, apoiantes, sócios e adeptos, e não perceberem que a possibilidade da falência da SAD é uma realidade muito próxima”, acrescenta.

    O comunicado é assinado pelo Presidente executivo do Grupovarius, Alexandre Cavalleri, — que fez parte da Comissão de Honra de Bruno de Carvalho –, e que pede “humildemente desculpa a todos os Sportinguistas, por não ter tido a visão nem o discernimento de perceber que a minoria tinha razão em relação ao atual Presidente”.

    Leia aqui o comunicado na íntegra:

    Após as declarações desta noite e face ao discurso transmitido pela comissão executiva da SAD do Sporting clube de Portugal e membros dos órgãos sociais, o Grupovarius informa que irá desencadear os mecanismos legais de forma a desvincular-se como principal sponsor do Judo do Sporting clube de Portugal, bem como de qualquer outros compromissos e relações entre as partes. A comissão executiva do Sporting clube de Portugal deveria ter-se demitido, elevando assim os superiores interesses do clube e dos sócios. Uma vez que isso não sucedeu e a arrogância e prepotência falaram mais alto, não existem condições para continuar ligados a uma imagem de violência, escândalos e incongruências.

    Após o violento acto criminoso de violência, agressões e incidentes dramáticos que aconteceram esta semana na Academia de Alcochete, e após as demissões em catapulta dos vários membros pertencentes aos órgãos sociais e direcção, a verdade é que nas declarações de hoje o Presidente em momento algum se referiu a tudo o que se passou. As declarações e a forma ligeira como se referiu ao anteriormente, “Foi chato, mas amanhã é um novo dia e temos de perceber que o crime faz parte do dia-a-dia e tem de ser punido no local certo”

    Agora o Vice Presidente diz: “Esperamos conhecer muito brevemente os responsáveis pelo ato hediondo e de TERRORISMO, repito TERRORISMO, que manchou o nome da SAD e do presidente” Ou seja ou é chato e faz parte do dia a dia ou mancha o nome da SAD ou do Presidente! Como é possível pactuar com isto? Então e os jogadores que foram agredidos? Então a equipa técnica que foi agredida? E a dignidade da instituição Sporting clube de Portugal e os seus sócios?

    Falam sobre atenuantes que existiram sobre potenciais expulsões de sócios? Com que objectivo? O discurso foi completamente inapropriado para o actual momento, relevando assim todos os acontecimentos gravísimos, em prol da incoerência absurda nas palavras e conteúdo, e que jamais acreditei ser possível alguém proferir. É uma vergonha continuarem a prejudicar o clube, envergonhar os patrocinadores, apoiantes, sócios e adeptos, e não perceberem que a possibilidade da falência da SAD é uma realidade muito próxima. Pessoalmente e uma vez que pessoalmente e em meu nome pessoal, fiz parte da comissão de honra da candidatura.

    Por esse motivo peço humildemente desculpa a todos os Sportinguistas, por não ter tido a visão nem o discernimento de perceber que a minoria tinha razão, em razão ao actual Presidente, que a única coisa que sabe fazer é ofender desde o Presidente da República ao anónimo e desconhecido. Quero deixar um enorme abraço ao Mestre de Judo, à sua equipa técnica e a todos os atletas com que tivemos o prazer de conhecer e apoiar, e dizer que lamentamos, no entanto tenho a certeza que compreendem a nossa decisão. Como sócio com o número 10.384 tenho uma enorme vergonha do actual momento e vejo um futuro muito negro. Como Presidente executivo do Grupovarius crítico e repúdio veementemente as declarações proferidas hoje bem como os actos que aconteceram recentemente.

    Lisboa 17 de Maio de 2018

  • Há 1h9:44Rafael Afonso

    Bruno Fernandes, Coentrão e Rúben Ribeiro treinam no Norte

    O jornal Record noticia esta sexta-feira que há jogadores do plantel do Sporting a treinar longe de Lisboa, numa altura em que faltam dois dias para a final da Taça de Portugal.

  • Há 2h9:28Miguel Santos Carrapatoso

    Rogério Alves e Couceiro apontados à sucessão de Bruno de Carvalho

    Rogério Alves e José Couceiro estão a ser apontados com insistência à sucessão de Bruno de Carvalho, cada vez mais isolado na presidência do Sporting. Esta sexta-feira, o jornal Record traz uma novidade: há quem, entre os notáveis sportinguistas, que defenda uma lista de salvação encabeçada pelos dois.

    Segundo o mesmo jornal, neste cenário, Rogério Alves ficaria à frente do clube e José Couceiro à frente da SAD.

    Se José Couceiro ainda não assumiu qualquer vontade de se candidatar à presidência do Sporting, Rogério Alves já assumiu abertamente essa possibilidade. O ex-bastonário da Ordem dos Advogados deu uma entrevista à RTP (aqui analisada ao detalhe pelo Observador) e deixou claro que “o Sporting terá sempre quem se candidate”.

  • Há 2h9:09Miguel Santos Carrapatoso

    Empresários terão tentado subornar jogador do Estoril em nome do Sporting

    É outra notícia avançada pelo Correio da Manhã. De acordo com aquele jornal, Paulo Silva, o empresário que denunciou todo o suposto esquema de corrupção, foi contactado por João Gonçalves, empresário ligado a André Geraldes, para subornar um defesa do Estoril por 3 mil euros.

    O plano acabou por não se concretizar. O jogador, o defesa Luís Miguel Mendes, conhecido por Mano, recusou a proposta de forma taxativa: “Ó amigo, vá catar pulgas”.

    De acordo com as mensagens trocadas entre os dois empresários, citadas pelo Correio da Manhã, Paulo Silva contou a João Gonçalves que ia ter com o defesa do Estoril à noite, às Festas do Mar, em Cascais, para o tentar aliciar. Gonçalves terá então perguntado como correu, e Silva respondeu: “O gajo não aceitou, mas quis saber o valor e quando lhe falei em 3 mil virou-se para mim e disse: ‘Ó amigo, vá catar pulgas.’ E bazou.”

    João Gonçalves não estranhou. “Foi? Pois. O Benfica ofereceu 95 mil € ao plantel do Estoril para não perder com o Sporting, sabemos de fonte segura”. Na resposta, Paulo Silva apontou o dedo aos rivais: “Estão a apostar forte, estes vão com os putos à missa e dá nisto.”

    O mesmo jornal dá ainda conta dos avisos de João Gonçalves a Paulo Silva. “Não digas que é o Sporting, és tu pessoalmente que queres ajudar por saberes o que outros fazem”, aconselhava o empresário ao alegado agente corruptor.

    O Sporting acabaria por ganhar 2-1. O jogo contra o Estoril é um dos oito encontros que estão a ser investigados. Os outros são os duelos com Vitória de Guimarães, Desportivo das Aves, Feirense, Tondela, Vitória de Setúbal e Moreirense, em 2017/18; e ainda Desportivo de Chaves, em 2016/17.

    A capa do Correio da Manhã é, aliás, reveladora da violência a que foi sujeito Jorge Jesus. Na fotografia que ilustra a manchete vê-se bem o “olho negro” do treinador do Sporting.

  • Há 2h8:48Miguel Santos Carrapatoso

    Chefe de operações de Alcochete avisado 14 minutos antes da invasão

    O mesmo Ricardo Gonçalves terá sido avisado 14 minutos antes que o grupo de radicais ia a caminho da Academia.

    Segundo o Correio da Manhã, o alerta foi dado por Bruno Jacinto, fundador do Diretivo XXI e membro da Juve Leo, oficial de ligação aos adeptos do Sporting, cargo que chegou a ser ocupado por André Geraldes, braço-direito de Bruno de Carvalho.

    No depoimento prestado, o chefe de operações da Academia garante que que alertou a GNR, mas decidiu não fechar os portões. Gonçalves assegura que foi ao encontro do grupo e reconheceu vários membros da Juve. Terá sido incapaz de os travar.

Sem tino e sem destino*

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

  • Eduardo Louro
  • 18.05.18

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O país está ainda em choque com a violência de que foi palco a Academia do Sporting, em Alcochete que, em boa verdade, chocou muita gente mas terá surpreendido muito pouca.

E não, não me refiro apenas ao universo do futebol, aí não há sequer razão nenhuma para surpresas. Refiro-me a todos os que se preocupam com o país, e que se apercebem da degradação das instituições e, de uma forma geral, da nossa vida colectiva.

Um país que assiste de braços cruzados a uma dolorosa e humilhante intervenção externa, a pelo menos uma década de escândalos na banca e nas elites políticas e empresariais, incluindo um antigo primeiro-ministro e vários ministros de vários governos, a revelações praticamente diárias de mais e mais corrupção, mas que reage sistematicamente com violência a um mau resultado do seu clube de futebol, mais que sem tino, é um país sem destino.

Repare-se como, aqui ao lado, em Espanha, com múltiplos escândalos de corrupção, mas ainda longe do que se tem passado por cá, se está a assistir à acelerada dissolução da estrutura de poder das últimas décadas. As sondagens desta semana revelam que o PP e o PSOE, que sempre asseguraram o poder nos 40 e poucos anos da democracia espanhola, já não representam, cada um, mais de 19% das intenções de voto. Abaixo do Podemos, e já muito longe do Ciudadanos, à beira dos 30%.

E como, por cá, os partidos que nos têm governado, passam incólumes por entre os pingos da chuva, mantendo intacto o seu fiel eleitorado, como adeptos de futebol, o que lhes permite protegerem-se transversalmente uns aos outros. E se alguma vez assim não acontece, o prevaricador é acusado de falta de lealdade. Como aconteceu no debate parlamentar da semana passada, sem que ninguém ousasse sequer achar estranho!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Entre as brumas da memória


Israel: atirar a matar porque nem todos cabem nas prisões

Posted: 17 May 2018 11:40 AM PDT

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Sigilo bancário

Posted: 17 May 2018 09:44 AM PDT

Sigilo bancário: “O único direito ameaçado é o que beneficia quem mente sobre a situação fiscal”.

«O Bloco levou ao parlamento a iniciativa vetada por Marcelo em 2016 para haver acesso automático do fisco aos saldos bancários acima de 50 mil euros. Recuo do Presidente garantiu apoio do PS. O PSD votou contra e o CDS absteve-se.

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O futebol e a guerra

Posted: 17 May 2018 02:15 AM PDT

«Jules Rimet, o criador do Campeonato do Mundo de Futebol, acreditava que esta competição era "um excelente meio para dissipar entre os países as antipatias e as incompreensões". O futebol era a paz. A acreditar no que se viu em Alcochete, em Portugal o futebol é a guerra. Ou antes, em Alcochete assistiu-se, até ver, à "blitzkrieg" do futebol nacional contra o mais improvável dos inimigos: ele próprio.

Já se tinha visto que o pontapé na bola indígena tinha entrado numa fase de autofagia: o ódio destilado pelos directores de "comunicação" dos clubes e pelos papagaios que quase todos os dias da semana se insultam na televisão em nome dos seus clubes haveria de conduzir a uma qualquer tragédia. Tudo em nome de um tribalismo sem ética ou moral. E de um populismo radical que Bruno de Carvalho transformou num discurso aparentemente normal, porque todos o aceitavam. Porque fazia de "maluco" nas suas próprias palavras. Isto perante a passividade da FPF, da Liga de Clubes e do Estado. Foi assim que foi chocando o ovo da serpente: o ódio pelo ódio, a guerra gratuita, sem razão e sem causa. Não é uma questão de um clube, é de uma cultura futebolística que se semeou em Portugal. Os espinhos dessas flores arranham. E fazem sangrar.

Quando se tem um presidente de um clube, depois de uma barbárie que foi alimentada dia após dia por irresponsáveis, a dizer que "temos de nos habituar. Isto faz parte do dia-a-dia. O crime faz parte do dia-a-dia", o que se espera para actuar sem clemência? A começar pelos órgãos sociais que sustentam um presidente assim, e que por certo não se vêem ao espelho e não têm insónias.

A pirotecnia radical é simplista. Mas foi ela que, aparentemente, permitiu um "perdão bancário" de 90 milhões de euros. Deveria haver mais do que uma bola de futebol na cabeça de quem tem poder no futebol português. De deputados a dirigentes profissionais que dizem que esta é uma indústria e a deixam comportar-se como uma mercearia reles. Há quem queira matar o futebol em Portugal. Está a consegui-lo.»

Fernando Sobral

Parlamento aprova divulgação dos grandes devedores dos bancos que receberam ajudas do Estado

17/5/2018, 17:44

Projetos de lei que obrigam o Banco de Portugal a divulgar lista dos maiores devedores aos bancos que receberam ajudas públicas receberam luz verde. Só proposta do PSD foi chumbada pela esquerda.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

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É o início do fim do sigilo bancário. Mas com pinças. Depois de um primeiro veto do Presidente da República em 2016, Marcelo deu, há uma semana, o primeiro sinal quando escreveu uma nota no site da Presidência a recordar que, quando chumbou o diploma, as circunstâncias da banca eram outras. Ou seja, se o Governo e o Parlamento insistissem, desta vez passaria. Assim foi. Aproveitando uma marcação potestativa do Bloco de Esquerda sobre o fim do segredo bancário, o Governo “tirou da gaveta” a velha proposta de lei que acaba com o sigilo bancário para depósitos superiores a 50 mil euros, e todos os partidos, à exceção do PS, avançaram com iniciativas semelhantes. Todas foram aprovadas…menos a do PSD, que propunha facilitar o acesso das comissões parlamentares de inquérito a informação bancária, mas limitava esse acesso às “instituições de crédito que recebam do Estado um apoio direto ou indireto à sua capitalização”. Ou seja, limitava o leque à Caixa Geral de Depósitos. O projeto foi rejeitado com os votos contra de toda a esquerda.

As restantes propostas, do Governo, BE, PCP e CDS, foram aprovadas na generalidade, com o Parlamento a dar um sinal, não só de que as comissões parlamentares de inquérito passem a ter acesso a informação protegida pelo sigilo bancário, como também de que todos os bancos que receberam ajudas públicas (do BPN ao Novo Banco, passando pela CGD) vão ser obrigados a divulgar os grandes credores que falharam os seus compromissos. BE, PCP, CDS e PSD tinham todos propostas neste sentido, embora definissem de forma distinta que tipo de dívidas devem ou não ser divulgadas, em que circunstâncias concretas e junto de quem é que se deve fazer essa divulgação (há quem defenda que só junto do Parlamento, há partidos que querem divulgação pública). O debate segue na especialidade, onde, segundo o deputado socialista Fernando Rocha Andrade, há espaço para “se encontrar uma solução equilibrada”.

Estas eram as duas matérias em causa no debate desta tarde: primeiro, que as comissões parlamentares de inquérito passem a ter acesso a informação protegida pelo sigilo bancário, para que se evitem situações como as que ocorreram por exemplo no caso da CGD, onde foram recusados documentos ao Parlamento; e, depois, que, em circunstâncias específicas, o Banco de Portugal possa divulgar os maiores credores dos bancos intervencionados pelo Estado. É aqui que os vários partidos têm entendimentos diferentes, mas é sobretudo neste campo que o PS se mostra disponível para encontrar um “equilíbrio” em sede de especialidade.

O PS está perfeitamente disponível para, na especialidade, trabalhar nos projetos em discussão, em primeiro lugar no acesso pelas comissões parlamentares de inquérito dados em sigilo bancário e também – o que é mais complexo dada a legislação – na divulgação pública dos créditos em incumprimento de grande valor de bancos que receberam apoios públicos”, disse o socialista Rocha Andrade.

Entre as “teias” do PS e do PSD

Logo na abertura do debate, a deputada bloquista Mariana Mortágua defendeu que se as propostas fossem aprovadas, o “Parlamento daria um passo importante no combate ao crime económico”. “Sempre que este Parlamento escolheu proteger o segredo bancário, dificultou o combate ao crime económico e os infratores agradeceram”, começou por criticar a bloquista.

De acordo com Mortágua, “foi esse o caso quando o Banco de Portugal não utilizou toda a informação de que dispunha para retirar a idoneidade a Ricardo Salgado [ex-presidente do Grupo Espírito Santo]”. E quando confrontado com esta acusação o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, explicou que “os factos sobre os rendimentos de Salgado lhe tinham sido confidenciados ao abrigo de uma amnistia fiscal decidida pelo Governo em 2012”. Ou seja, disse, houve sempre encobrimento da parte do legislador. Passou depois ao ataque ao PSD, acusou o partido de se estar a aproveitar politicamente da questão para criticar o atual governo no processo de capitalização da Caixa Geral de Depósitos. “O PSD viveu sempre bem com esta cultura de silêncio e ocultação até ao dia em que viu nela uma oportunidade. Na sua agenda de vingança política, o PSD não hesitou em colocar a Caixa Geral de Depósitos em risco”, disse, criticando os sociais-democratas de “só quererem acabar com o sigilo bancário no caso da CGD e em mais nenhum banco”.

Também o deputado do PS Paulo Trigo Pereira fez pontaria à proposta dos sociais-democratas, considerando que penalizava a Caixa Geral de Depósitos, uma vez que, sendo o Estado o único acionista, é este que, quando necessário, capitaliza a CGD. Também o bloquista Pedro Filipe Soares considerou que o PSD tem “preconceito contra o banco público” e questionou: “Por que raio quis o PSD vir a este debate fazer frete à banca privada?”. Um frete que o PSD já tinha acusado o BE de fazer, mas ao PS — numa alusão ao facto de os bloquistas se terem oposto à divulgação dos maiores devedores à Caixa durante a comissão parlamentar de inquérito.

“Os portugueses têm o direito a saber qual a teia socialista que causou o descalabro num banco público e que a seguir foi fazer o mesmo para um banco privado. Pelo menos uma vez, deixe de ser a muleta do PS e faça aquilo que se exige: vamos em conjunto tentar encontrar a melhor solução para tentar obter a lista de credores da CGD”, desafiou o deputado social-democrata Duarte Pacheco. Mas à teia socialista, a bloquista Mariana Mortágua respondeu com a teia social-democrata: “Queremos saber a teia socialista que minou a CGD, como queremos conhecer a teia social-democrata que minou o BPN”, disse, apontando mais uma vez o dedo ao PSD por cingir a discussão ao banco público e não aos bancos privados que também receberam ajudas públicas.

Do lado do PCP, os comunistas avançaram com uma proposta para a criação de uma unidade técnica para a recuperação dos créditos em incumprimento, considerando que só deste modo será possível “identificar os destinatários e beneficiários finais, dentro ou fora de Portugal, de cada um dos fluxos de crédito que lesaram o BES, o BPN e o Banif e que mais tarde se traduziram em perdas públicas”. Os comunistas querem ainda que o Banco de Portugal divulgue anualmente ao parlamento créditos em incumprimento acima de dois milhões de euros que já não sejam recuperáveis. Também esta proposta teve luz verde do Parlamento, contando apenas com a abstenção do PSD (e os votos a favor de todas as restantes bancadas).

O CDS, por sua vez, defendeu uma alteração à lei para que, quando haja intervenção pública em bancos, sejam conhecidos os “maiores processos cujos prejuízos levam à necessidade de ajuda pública”, considerando essa “uma questão de salutar responsabilização”. Esta foi a única proposta aprovada por unanimidade.