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domingo, 17 de junho de 2018

Entre as brumas da memória


EUA-México: mundo cão é isto

Posted: 17 Jun 2018 11:45 AM PDT

This is the face of a two-year-old girl screaming as her loving mother is being handcuffed and taken from her for trying to protect her and take her away from violence and poverty and despair and give her a better life—in short, for being a good mother. This is happening in the U.S. right now and is affecting hundreds of small children who are being taken to detention centers. This evil must stop!

Les enfants migrants séparés de leurs parents choquent l'Amérique.
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Memórias

Posted: 17 Jun 2018 07:00 AM PDT

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Ministério das Finanças e o SNS, o dilema

Posted: 17 Jun 2018 02:45 AM PDT

Alexandre Lourenço, Presidente da Associação de Administradores Hospitalares, no Expresso de 16.06.2018:

«Decorria o ano de 1978. O ministro dos Assuntos Sociais, António Arnaut, solicitou ao seu secretário de Estado da Saúde, Mário Mendes, que calculasse o custo da criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A tarefa destes cálculos impossíveis sobrou para Júlio Reis, administrador hospitalar do Santa Maria e adjunto do secretário de Estado. Feitas as contas, a equipa dos Assuntos Sociais foi ao Conselho de Ministros apresentar os números. À época, o ministro das Finanças e do Plano era Vítor Constâncio. Nessa reunião, a resposta à criação do futuro SNS foi clara: não!

Como é do domínio público, o SNS é mais tarde criado em 1979. Vítor Constâncio não era ministro. António Arnaut também não. Era deputado à Assembleia da República e não tinha desistido.

O modelo de empresarialização dos hospitais portugueses inicia-se experimentalmente na década de 90 com o Hospital do Barlavento Algarvio, o Hospital de São Sebastião e a Unidade Local de Saúde de Matosinhos. Em 2002, 34 hospitais do sector público administrativo são transformados em 31 hospitais sociedades anónimas (SA). Em 2005, estes são convertidos em entidades públicas empresariais (EPE), alargando o número de hospitais empresarializados ao longo dos anos seguintes.

Este modelo de empresarialização é baseado no princípio de que um dos sócios entra com o capital (Ministério das Finanças) e o outro aporta o conhecimento (Ministério da Saúde). Entre 2002 e 2011, o “sócio do dinheiro” pouco quis saber dos hospitais, sendo na grande maioria das vezes silencioso. Por mais do que uma vez, o Tribunal de Contas alertou para este distanciamento. O facto de os resultados operacionais cronicamente negativos serem contabilizados como dívida pública e não contarem para o défice pode ajudar a compreender este comportamento ausente. Como hoje se fala no direito da família, os hospitais eram um caso claro de alienação parental.

O Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) vem alterar este desequilíbrio. Os credores assumem preocupação sobre o sector empresarial do Estado, inclusive na saúde. A autonomia dos hospitais é restringida, mas conta-se com a equipa da Saúde para gerir o sistema. Com Centeno, a restrição é ainda mais acentuada, e o controlo dos custos passa pela restrição de tesouraria e o adiamento burocrático da despesa.

Recentemente, a equipa das Finanças elevou a fasquia. Qual sócio ressabiado, resolveu chamar a si as rédeas do negócio e determinar os investimentos estratégicos. Chamou os conselhos de administração dos hospitais e já delibera sobre a Rede Hospitalar de Pediatria. Afinal, aquilo não deve ser complicado, trata-se apenas de cuidar de crianças. Nesta sequência, o verdadeiro dilema das Finanças está por acontecer. Até onde quer ir Mário Centeno? Assumir a pasta da Saúde?

Ser ministro da Saúde é com certeza dos lugares mais difíceis em qualquer Governo. Com esta equipa do Ministério das Finanças parece uma tarefa impossível. É por demais evidente que a interferência da equipa das Finanças está a aumentar o desperdício e o descontentamento dos profissionais e dos doentes, com consequências graves sobre o SNS.

Quando jogávamos à bola em miúdos, existiam sempre duas certezas. O mais gordinho ia à baliza e o dono da bola, por pior jogador que fosse, entrava sempre e até escolhia as equipas. Quando perdia, levava a bola para casa. Apenas por birra se pode compreender a insistência neste modelo de centralização da decisão. A boa gestão e os bons resultados não se atingem através do garrote em curso, conseguem-se com profissionalização e responsabilização dos gestores. A equipa das Finanças pode ser a dona da bola, mas nunca será sequer um bom jogador num jogo de equipa.

Enunciando o direito social da proteção da saúde e o dever de a defender e promover, a Constituição da República Portuguesa estabelece que o SNS tem gestão descentralizada e participada.

Como bem percebeu António Arnaut e tantos outros, o SNS é muito mais do que uma mera linha na despesa. É uma matéria de direitos sociais.»

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Irresistível!

Posted: 16 Jun 2018 04:10 PM PDT

Construção em Portugal volta a níveis de 2007, país deve crescer 4% no setor residencial e não residencial até 2020

Ruben Pires

18:39

A nível das infraestruturas a perspetiva é que esta área tenha um crescimento entre até 1%.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O setor da construção voltou em 2017 aos níveis apresentados em 2007, diz a análise da Euroconstruct. A nível europeu a perspectiva é de crescimento nesta área embora esteja ainda distante dos níveis de 2007.

A análise da Euroconstruct prevê que a nível do segmento residencial, em Portugal, se cresça acima dos 4%, entre 2018 e 2020 sendo o mesmo válido para o setor não residencial.

Nas infraestruturas o cenário é mais contido, para Portugal, mas mesmo assim, esta área deve crescer entre os 0 a 1%.

Na construção Portugal volta a níveis de 2007 e no sul da Europa foi o país que teve a recuperação mais marcante, afirma a Euroconstruct, existindo uma perspectiva muito promissora a nível do crescimento do sector nos próximos tempos, acrescenta a mesma empresa.

A área de reabilitação e renovação de específicos lidera no crescimento e a construção de infraestruturas é a área com uma melhoria mais contida.

Talibãs rejeitam extensão do cessar-fogo proposto pelo Afeganistão

Ruben Pires

21:18

Um porta-voz dos talibãs diz que o cesar-fogo termina este domingo de acordo com o Washington Post.

Os líderes talibãs rejeitaram a extensão do cessar-fogo proposta pelo presidente do Afeganistão, avança o Washington Post.

A proposta do governo do Afeganistão foi rejeitada pelo talibãs que estão a ordenar que sejam reassumidas as operações contra os invasores e os seus apoiantes, diz o Washington Post.

O porta-voz dos talibãs diz que o cessar-fogo foi anunciado para a paz das pessoas mas vai terminar neste domingo, acrescenta a mesma publicação.

Marques Mendes: “Tem de haver outra atitude perante o interior”

Ruben Pires

21:28

O comentador da SIC disse que sobre o interior "existe muito discurso e pouca ação" e apelou ainda a que se olhe para a floresta de outra forma.

Marques Mendes afirmou no seu espaço de comentário na SIC que é necessário existir outra atitude perante o interior acrescentando que ainda continua a ver muito discurso mas pouca acção.

Abordando a passagem de um ano sobre o incêndio de Pedrogão Grande Marques Mendes alertou para a necessidade de ter um “estado diferente do que tivemos até aqui”.

“A máquina do estado consome metade da riqueza do país. É importante criar condições para trazer mais valor económico à floresta”, esclareceu Marques Mendes. “Se continuar a ver a floresta como um encargo, não resolvemos as coisas. Temos que vê-la como um investimento”, acrescentou.

Marques Mendes pediu ainda que exista “outra atitude” perante o interior do país criticando que sobre este assunto “exista muito discurso mas pouca acção”.

Foi ainda elogiado o trabalho feito pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, relativamente a Pedrogão Grande e ficou ainda uma palavra sobre o estado que “falhou há um ano mas que a partir daí “portou-se razoavelmente bem”.

Relativamente a sondagens Marques Mendes realçou que o PS tem tido desgaste derivado de assuntos como Manuel Pinho, José Sócrates, com os professores, saúde. Sobre o PCP e BE disse estarem confortáveis enquanto as projecções para o CDS-PP são “muito decepcionante” rejeitando a teoria dos centristas de “dinâmica de vitória”.

A gula e a indigestão

  por estatuadesal

(Francisco Louçã, In Expresso, 16/06/2018)

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Continua a bolha bolsista, apesar da subida dos juros, e os bancos ganham pelos dois lados, pelo crédito que concedem e pelas operações financeiras que intermedeiam.


Para a grande banca, as notícias são boas. Os seis maiores bancos norte-americanos, Citigroup, Morgan Stanley, Wells Fargo, JP Morgan Chase, Bank of America, Goldman Sachs, anunciam que pouparam dois mil milhões de dólares em impostos, graças às concessões de Trump, e esperam ganhar ainda mais nos próximos anos. Com as taxas de juro mais altas, aumenta a margem bancária e, entretanto, os bancos também beneficiam da confiança nas Bolsas, realizando este ano mais 38% de lucro com vendas de ações. Tudo parece conjugar-se para uma bonança perfeita: continua a bolha bolsista, apesar da subida dos juros, e os bancos ganham pelos dois lados, pelo crédito que concedem e pelas operações financeiras que intermedeiam. Só que muita gula devia sugerir cautela: Clément Juglar, o médico que descobriu a estatística dos ciclos económicos, avisava que a razão da crise é a prosperidade, depois da festa vem a ressaca.

Miragem americana

A Reserva Federal acompanha este entusiasmo e autorizou estes seis bancos a gastarem 72 mil milhões de dólares em compras das suas próprias ações e em dividendos, financiando assim a ilusão sobre o valor da empresa e beneficiando de duas formas os capitais investidos em cada banco. Parece um milagre: a subida dos juros, que tendencialmente arrasta a queda das Bolsas, parece contrariar a lei da gravidade e as ações continuam em valores elevados (em parte pelo truque da aplicação de resultados na compra das próprias ações). É a situação em que todos enganam e todos são enganados, mas ninguém se pode queixar.

Há algum nervosismo, houve mesmo um susto em fevereiro deste ano, quando Alan Greenspan, que durante dezanove anos dirigiu a Fed e foi um dos promotores da desregulamentação e da globalização financeira, anunciou que existem duas bolhas, no mercado de ações e no mercado de obrigações, e os mercados tiveram um momento de pânico. Passou depressa, a Fed continua a subir juros e as Bolsas continuam confiantes.

Uma das razões para esta anormalidade é a certeza de que as autoridades compensarão o sistema financeiro se houver riscos e perdas. Ora, há duas formas de exercer esse apoio pelo soberano: baixar os impostos (à Trump, mas a UE não lhe fica atrás, com a maravilhosa invenção do crédito fiscal por impostos diferidos) e facilitar os esquemas. As duas estão a ser usadas.

Esquemas offshores

Um relatório recente da Oxfam sobre os bancos europeus, com dados de 2015, mostra como estes esquemas funcionam. O caminho é simples: registar os resultados em offshores. Assim, para os vinte maiores bancos europeus, um em cada quatro euros de lucro passou a ser resultado de operações declaradas em paraísos fiscais, com 12% de faturação registam-se 26% dos lucros (os bancos norte-americanos usam o mesmo processo, dois terços da sua redução de impostos é conseguida por aplicações em paraísos fiscais). O que leva a situações curiosas, como o facto de estes vinte maiores bancos terem obtido 4900 milhões de euros no Luxemburgo, mais do que no Reino Unido (o centro financeiro europeu), na Suécia e na Alemanha (a maior economia europeia). Desses lucros, 638 milhões vêm de paraísos fiscais onde estes bancos não têm sequer um porteiro. Ou, também revelador, registando o mesmo volume de negócios no Mónaco e na Indonésia, adivinhe onde conseguem dez vezes mais lucro.

A ovelha negra alemã

O problema é que, neste mundo deslumbrante, há ovelhas negras. A nossa é o Deutsche Bank, e é logo o maior banco europeu, e alemão, ainda por cima. Segundo “The Economist”, o Deutsche Bank gastou 40 mil milhões com pessoal numa década, o que lembra prémios generosos, mas só obteve um aumento de lucro de 2% no ano passado, tendo perdido substancialmente na sua operação de investimento, ou seja, na especulação financeira. É precisamente aí que está mais exposto, porque o DB gera uma carteira de 43 biliões em derivativos. É um valor nocional, aliás o seu valor real de mercado é desconhecido e as autoridades europeias de supervisão bancária evitam cuidadosamente meter-se no assunto, mas é uma montanha de dívida.

O DB é um perigo ambulante, cuja solidez depende unicamente da sustentação do Governo alemão (a garantia implícita tem um valor económico elevado e foi o que salvou o banco desde o crash financeiro da década passada). Os próprios acionistas avaliam o banco em 40% do seu valor contabilístico e está para ver se a possível fusão com o Commerzbank, que seria uma grande operação de Merkel, é suficiente para limpar e reorganizar um gigante de pés de barro.

Gula antes de tudo

“Não vejo isso a acontecer brevemente, mas um dia haverá uma nova crise e os países com dívidas públicas mais baixas têm menos hipóteses de serem atacados pelos mercados”, explicou em Lisboa Klaus Regling, o chefe do mecanismo europeu de estabilidade. É curiosa esta certeza conformista sobre a nova crise, mas é mais revelador que um político apresente os mercados financeiros como um lobo exterminista. Tudo certo, a bem dizer.

Pode então prolongar-se esta bonança que engorda os grandes bancos? Sim. Mas o preço é acumular fatores de risco. O BCE anunciou que, embora em montantes reduzidos, continuará até dezembro o seu programa de injeção de liquidez e que tentará manter os juros baixos até ao verão de 2019, mas não é certo que possa manter o segundo prazo. De facto, Draghi está a condicionar o seu sucessor e a sua escolha tem um único motivo: concluir o mandato sem que ocorra uma nova crise europeia. E para isso precisa que a banca alemã e a banca italiana não sofram abalos, ou seja, que Merkel faça pela fusão do Deutsche e do Commerzbank o que a Comissão Europeia não permitiria a nenhum outro governo, e que todos se esqueçam da Itália.


Kim e Justin

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A Justin Trudeau está reservado um círculo especial no inferno de Dante. Ele é “fraco” e “muito desonesto”, escreve Trump e reforça o seu ministro do Comércio, Wilbur Ross. Macron, tão abraçador, ficou aborrecido, e Merkel, tão contida, acha que a raiva não é boa conselheira. Do outro lado do mundo, Kim Jong-un, o rocket man, que era “baixo e gordo”, passou a ser “talentoso” e “bastante inteligente”, até porque tem umas praias magníficas, onde se podiam construir condomínios apetecíveis e atrair os turistas chineses e sul-coreanos, cheios de dinheiro. Trump está de olho no negócio. Assim, a cimeira do G7 falhou e a de Singapura resultou.

Uma e outra ficam-se por declarações de intenções, mas para os seus aliados tradicionais e muito fiéis Trump reservou a evocação de motivos de segurança para taxar as importações de aço e alumínio, enquanto para Kim reservou a promessa de visitas e entendimentos. Com uns começa a guerra, com outro suspende a guerra. Conclusão que tirarão os aliados: o mundo é imprevisível. Conclusão dos inimigos: Trump é previsível.


O eixo Roma-Viena-Berlim

Foi na quarta-feira, numa conferência de imprensa em Berlim, que o ministro do Interior, Horst Seehofer, da ala bávara do partido de Merkel, anunciou um eixo Roma-Viena-Berlim sobre a imigração. O anúncio é extravagante, surpreende que um ministro do Interior alemão dê uma conferência ao lado do primeiro-ministro da Áustria, Sebastian Kurz, mas sobretudo que anuncie uma viragem da política alemã sobre os refugiados.

Seehofer contou que tinha falado com Salvini, o líder da extrema-direita italiana, ministro do Interior, e que “é sua vontade que Roma, Viena e Berlim trabalhem juntos ao nível dos ministros do Interior nas áreas da segurança, combate ao terrorismo e na questão essencial da imigração”. O Aquarius já estava à procura de porto de abrigo, a questão política da imigração está em cima da mesa de reuniões de emergência entre Conte e Macron, e um ministro alemão toma a iniciativa de anunciar um eixo entre Berlim e dois governos com a extrema-direita.

No meio de tudo isto, Merkel e Macron encontram-se na próxima semana para tentar compor as propostas para a cimeira do fim do mês. Tudo se vai decidir, continuam a prometer, mas para Merkel tem de ser tudo em pequeno: poucos milhões para um orçamento de investimento europeu, uma força de intervenção rápida subordinada a Bruxelas e, para ter a certeza de ser recusado, um sistema europeu centralizado de acolhimento de imigrantes. O eixo Roma-Viena-Berlim encarregar-se-á de abater essa proposta. O problema é que parece que esse eixo começa a ter voz.