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quarta-feira, 11 de julho de 2018

A CP sem comboios

Novo artigo em Aventar


por Autor Convidado

cp-camionetas-de-portugal

[maquinistas.org]

Em altura de greves é frequente vermos repórteres televisivos de microfone em punho a disparar perguntas frenéticas às pessoas directamente lesadas cuja resposta, sendo tão óbvia, torna o motivo da reportagem burlesco, não pretendendo defender utentes mas sim atacar quem de facto exerce um direito.
É vê-los nas urgências dos hospitais: "então, a greve dos médicos causou-lhe muito transtorno? e agora quando terá nova consulta?"...ou na estação do Cacém: "a que horas vai chegar ao emprego? esta greve traz-lhe muitas dificuldades"... como se as greves tivessem sentido prático se os efeitos não se fizessem sentir.

No último mês foram suprimidos na CP centenas de comboios não por efeitos de greves mas por falta de material circulante, por avaria, falta de mão de obra na EMEF, falta de investimento. Chegamos ao cúmulo do serviço ferroviário ser substituído por camionetas na Linha do Oeste, no Algarve, no Minho, no Alentejo, no Vouga, comboios que deviam ser feitos com Pendulares substituídos por material a cair de maduro sem que isso se reflicta no preço do bilhete, encerram-se troços por não haver comboios a circular como aconteceu na semana passada entre Caldas da Rainha e Coimbra na Linha do Oeste. Milhares de passageiros prejudicados.
Custos acrescidos com o aluguer de camionetas.
Perda de imagem e valor sem que se questionem os responsáveis.

Senhores jornalistas, considerando que o senhor Presidente da CP numa greve em Junho alegou prejuízos de 1,3 milhões de euros , que tal perguntarem-lhe quanto é que a CP já perdeu neste processo de degradação programada ?

A novela Bruno Carvalho acabou, as crianças tailandesas felizmente saíram da gruta, o Benfica ainda não começou a jogar , os incêndios tardam , o Pontal ainda vem longe.
Vamos entrar na silly season com os motivos de reportagem a escassear.

Senhores jornalistas, porque não ir por esse país fora, pelas estações ferroviárias do Algarve ao Minho fazer aquela pergunta sacramental que tanto gostam de fazer em alturas de greve :

"então, a falta de comboios está a causar-lhe muito transtorno???"

Entre as brumas da memória


Grandes lições que nos chegam da Tailândia

Posted: 10 Jul 2018 02:12 PM PDT

Da mãe de um dos rapazes tailandeses resgatados:
«Agora temos que nos preocupar em curar o coração do treinador».

Mais: «A história mais notável sobre o resgate em Tham Luang foram os pais dos meninos. Nem por uma vez eles culparam o treinador AEK pelo que aconteceu. Pelo contrário, agradeceram-lhe por cuidar dos seus filhos. Em algumas partes do mundo, ele teria sido linchado. Mas não na Tailândia!» (Richard Barrow que vive na Tailândia)

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E perdeu o Tintim...

Posted: 10 Jul 2018 12:56 PM PDT

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Marcelo na Tailândia?

Posted: 10 Jul 2018 08:42 AM PDT


Já não chegará a tempo. A não ser que vá buscar a Judite...
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Sem tempo para nervosismos

Posted: 10 Jul 2018 07:07 AM PDT

«Nos últimos tempos, depois da ascensão de Rui Rio no PSD, a atuação do PS face à maioria parlamentar alterou-se. Nas carreiras, o Governo fez tábua rasa do compromisso orçamental sobre o tempo de serviços dos professores; na lei laboral, acordou em segredo com os patrões medidas contrárias ao acordo com o Bloco; na saúde, colocou Maria de Belém no caminho da elaboração conjunta de uma lei de bases proposta por Arnaut e Semedo; no ISP ignorou o compromisso de neutralidade fiscal.


Agora, membros de topo do Governo desdobram-se em declarações, dizendo-se vítimas de ultimato por parte do Bloco. Não houve nem há ultimato. O que há é a exigência de ver cumpridos os compromissos assumidos pelo Governo, para que o último orçamento seja negociado como os anteriores - atempadamente, de forma séria e consistente. Não nos interessam os simulacros. Estamos cá para negociar, resolver problemas e terminar a legislatura. E tudo será mais fácil se o PS controlar o seu nervosismo pré-eleitoral e regressar ao espaço da maioria parlamentar que sustentou até agora o Governo. Com vontade de diálogo e de soluções que reforcem - e não que enfraqueçam, como no trabalho ou nos professores - o sentido dessa maioria.»


Mariana Mortágua
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Crónica de um relógio que deixou de dar horas

Posted: 10 Jul 2018 03:06 AM PDT

«Há mais de dois anos, precisamente em 1 de Julho de 2016, que foi publicada a Lei 18/2016, entrando imediatamente em vigor, tendo ficado estabelecido “as 35 horas como período normal de trabalho dos trabalhadores em funções públicas, procedendo à segunda alteração à Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, aprovada em anexo à Lei n.º 35/2014, de 20 de Junho”. A qual indica que “o empregador público deve planear para cada exercício orçamental as atividades de natureza permanente ou temporária, tendo em consideração a missão, as atribuições, a estratégia, os objetivos fixados, as competências das unidades orgânicas e os recursos financeiros disponíveis”. Tendo aquele regime de horário de trabalho começado a ser aplicado à totalidade dos profissionais de saúde em 1 de Julho de 2018, houve tempo suficiente, mais precisamente dois anos, para analisar os efeitos da passagem das 40 para as 35 horas e para se proceder ao planeamento do que havia para planear, no caso a contratação do equivalente à diferença entre aqueles dois regimes horários. O dinheiro não dá para tudo? Faça-se o exercício da hierarquização das prioridades. Mesmo assim, a saúde ficou a meio da tabela, numa escala, vá lá, de 0-10? Tirem-se as consequências políticas porque há responsáveis políticos.

Ficar-se à espera dois anos para responder aos défices anunciados e suficientemente conhecidos, mau grado as proclamações quase diárias de contratações, é um acto inqualificável. As primeiras páginas dos jornais e a comunicação social em geral passaram a ser o espelho da constante degradação em que os serviços públicos de saúde se encontram. As ordens profissionais e os sindicatos do sector não param de criticar e de se opor ao que se está a passar no SNS. Os partidos de esquerda exigem constantemente a presença da tutela na Assembleia da República para lhes darem explicações sobre o que se está a passar no sector. A direita exulta e esfrega as mãos na expectativa de retirar dividendos eleitorais. A síntese desta situação é uma jóia feita em estilhaços.

E no entanto isto não tinha de acontecer. Bastava que este governo tivesse vestido a camisola do Serviço Nacional de Saúde. A diferença equivale a alguns mil milhões de euros pagos pelo orçamento do SNS às empresas privadas de prestação de cuidados de saúde pela transferência de utentes para as suas unidades. Os quais deviam ser utilizados no serviço público se fosse essa a camisola que o governo tivesse decidido vestir desde que tomou posse. Porém, foi deixando que a falta de vontade política tomasse conta do sector, sempre com o argumento dos compromissos, do défice e da dívida para satisfação da teoria dos dois hemisférios, tipo pataca a mim pataca a ti, até ao dia em que as patacas fiquem todas do mesmo lado. Já não se trata de irresponsabilidade, trata-se da intencionalidade à solta, favorecendo as peças do outro lado do tabuleiro.

Aqui fica registado, por isso, o desafio ao primeiro-ministro, o mesmo que rubricou os acordos com o BE, o PCP e o PEV, e que nas suas palavras deseja ver repetida, se não o conteúdo, mas pelo menos a fórmula que na altura se conseguiu alcançar, para colocar o dossier da saúde pelo menos entre as três prioridades para as quais é necessário encontrar uma solução, e desde já uma linha de orientação.»

Cipriano Justo

Estabilidade, responsabilidade e sentido de Estado: a lição de Paulo Portas, cinco anos depois

Novo artigo em Aventar


por João Mendes

Na passada Segunda-feira, dia 2 de Julho, assinalaram-se cinco anos desde que Paulo Portas anunciou a sua famosa e irrevogável demissão, que como sabemos durou até que Passos Coelho aceitou ceder mais poder a Portas e ao CDS-PP, entregando-lhe um novo ministério e fazendo dele vice-primeiro-ministro.

Poderia alongar-me sobre o oportunismo desta decisão, que, bem vistas as coisas, nos foi apresentada como uma divergência insanável, gerada pela substituição de Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque, na sequência da demissão do primeiro, mas que na verdade não passou de um assalto ao poder.

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terça-feira, 10 de julho de 2018

A direita e a sua omnipresença nas televisões

  por estatuadesal

(Carlos Esperança, 10/07/2018)

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Que a direita não se resigna à oposição é uma evidência tautologicamente demonstrada. A organização em partidos foi a necessidade decorrente da restauração da democracia, e a sofreguidão do poder é o corolário lógico dos interesses que defende.

Contrariamente à direita europeia, a portuguesa não teve quem se opusesse ao fascismo e ao nazismo. Foi, aliás, a sua cúmplice, tal como a espanhola.

Após o 25 de Abril, vários democratas, com provas dadas na defesa da democracia, e na luta por um sistema pluripartidário, eram a garantia da adesão à democracia dos partidos da direita que integraram a Assembleia Constituinte.

Dos fundadores desses partidos, uns faleceram e outros afastaram-se ou viram-se afastados. Muitos democratas foram ostracizados e cedo tomaram as rédeas partidárias os salazaristas silenciosos e oportunistas de vários matizes.

Esta direita é mais herdeira de Cavaco Silva e Durão Barroso do que de Sá Carneiro e Magalhães Mota, de Adriano Moreira e Paulo Portas do que de Freitas do Amaral ou Amaro da Costa. São ténues os traços e raras as moléculas democráticas no seu ADN. Cada vez se acentua mais o salazarismo do seu genoma.

Marques Mendes, vuvuzela da direita, é um de muitos avençados pagos para a intriga e os ataques à esquerda, em equilíbrio difícil entre as divergências pessoais que corroem os partidos de direita e os recados de Belém.

Quando, há pouco, Rui Rio visitou Angola e foi, como era previsível, recebido ao mais alto nível, logo Marques Mendes se apressou a esclarecer que era uma bofetada no primeiro-ministro português.

Quando hoje li que António Costa recebeu de Manuel Domingos Augusto, ministro das Relações Exteriores de Angola, uma carta de João Lourenço, perante as câmaras da TV, e que o ministro fez questão de dizer publicamente que a carta do PR angolano traduz "um sinal das boas relações" entre os dois países, interroguei-me sobre a capacidade de persuasão e intriga de que os comentadores dispõem.

Passadas umas semanas, quem se lembra da «bofetada de luva branca» do PR angolano inventada por Marques Mendes contra António Costa?

‘Brexit’ pode custar mais de mil euros por ano a cada família britânica

BREXIT

HÁ 10 MINUTOS

Análise da consultora Oliver Wyman estima que a saída do mercado único pode custar entre 287 e 1087 euros por ano a cada família britânica. Tudo vai depender do acordo conseguido com a União Europeia.

ANDY RAIN/EPA

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Numa altura em que Theresa May enfrenta uma mini-rebelião dentro do seu próprio governo contra a forma como o Reino Unido abandonaria a União Europeia e a forma que tomaria a futura relação entre os dois blocos, continuam a chegar análises sobre o impacto da decisão de sair da União Europeia e todos apontam para que esta tenha custos nos bolsos dos consumidores britânicos.

De acordo com uma análise publicada nas últimas semanas pela consultora Oliver Wyman, que avaliou o impacto nos preços ao abrigo de cinco cenários diferentes, os consumidores sairiam sempre a perder. Por ano, estes custos poderiam variar entre as 245 libras (277 euros à taxa de câmbio atual) e as 961 libras (1087 euros) para cada família.

A dimensão do aumento dependerá sempre de um conjunto de fatores, que vão desde as taxas aduaneiras (ou ausência delas) que seriam impostas na sequência do abandono do mercado único, do tipo de burocracia que seria criada e no aumento dos custos do trabalho.

O cenário menos gravoso – que contabiliza apenas um aumento moderado na burocracia –, aponta para um aumento de 245 libras (277 euros) nos gastos anuais de uma família, resultado de um aumento de apenas 1% dos preços, consequência do abandono do mercado único.

No pior dos cenários, a consultora estima que os custos para as famílias possam crescer até 4%, o equivalente a 961 libras (1087 euros), em resultado da aplicação de taxas aduaneiras dentro dos limites da Organização Mundial de Comércio, um aumento significativo na burocracia e também um crescimento dos custos laborais.

O que mais pesa nestes custos é a imposição de taxas aduaneiras, sobre as importações de parte a parte, o que tornaria mais caros os produtos comprados fora do Reino Unido, uma parte do cabaz de compra das famílias difícil de evitar considerando os custos de produção no Reino Unido e os produtos que a economia britânica não produz.

Mesmo para algumas indústrias que o Reino Unido ainda mantém. Por exemplo, o segundo produto que o Reino Unido mais exporta são veículos, cuja produção exige material e componentes produzidos fora do país.

Ao longo dos últimos dois anos houve vários estudos que apontavam para que o Reino Unido sofresse perdas económicas com a decisão tomada nas urnas pelos seus cidadãos de abandonar a União Europeia, mas nem todas se concretizaram, pelo menos na dimensão do impacto previsto.

Parte da razão para a falha nas previsões (por serem previsões já acarretam em si uma margem de erro), é ainda não ser conhecido o modelo deste divórcio e como será a futura relação entre estes dois blocos.

São esses mesmos planos que estão agora a criar divisões no governo britânico. David Davis, o principal negociador do lado britânico para o Brexit, demitiu-se no domingo por estar contra a proposta aprovada pelo governo para o Brexit. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, seguiu as suas pisadas na segunda-feira.