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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Pornoriquismo

ladroes de bicicletas

Posted: 15 Jul 2018 04:15 PM PDT

Há um novo estilo emergente de reportagens dedicadas ao pornoriquismo dos novos donos estrangeiros, ou como se o fossem, disto tudo. O pornoriquismo é a nova fase do consumo conspícuo num tempo de capitalismo com desigualdades pornográficas.
Atente-se na capa da última revista do Expresso: “Jantares de 550 euros por pessoa, relógios que custam mais de 20 mil euros, casas alugadas por 1750 euros ao dia. Este é o mapa de um país que está a aprender com os estrangeiros a amar o luxo”.
Um país, realmente. E não se esqueçam de repetir com o Primeiro-Ministro: não há dinheiro.
A reportagem – Portugal, império do luxo –, da autoria de Catarina Nunes, termina com uma pergunta que é todo um programa: “Será que entre a sofisticação de Lisboa e a autenticidade da província, Portugal é o barómetro mundial do novo luxo?”. Será?
E pelo meio temos pérolas de classe como esta:
“Esta cidade da vida de muitos estrangeiros, fervilha alheia à gentrificação, ao desalojamento dos lisboetas e aos preços exorbitantes do imobiliário. Miguel Guedes de Sousa concorda que a capital não pode perder a vivência genuína que cativa os estrangeiros, mas ‘não podemos ter pessoas de classe média ou média baixa a morar em prédios classificados’. A Solução para o CEO da Amorim Luxury passa por a Câmara Municipal de Lisboa arranjar alternativas.”
Nesta altura, lembrei-me de Warren Buffet – “a luta de classes existe e a minha classe está a ganhá-la”.
Guedes de Sousa, como nos informa a reportagem, é casado com Paula Amorim. E daí a Amorim Luxury. Paula Amorim é uma das herdeiras da maior fortuna nacional. Como todas as grandes fortunas, esta foi construída com recursos a expedientes duvidosos. Não é só a fase de acumulação original que os tem. Duvidoso é também, como indica o insuspeito Thomas Piketty, este capitalismo cada vez mais de herdeiros. Guedes de Sousa tem o mérito de resumir numa frase, para a questão da habitação, a que condensa todas as contradições de classe, a arrogância do dinheiro quando está concentrado em poucas mãos, quando não tem qualquer medo, nem freios e contrapesos políticos à altura.
Eu bem sei que é fácil uma pessoa deixar-se dominar pelo desespero perante este império do capital. Mas é preciso nunca perder a esperança. As coisas já foram diferentes e podem voltar a sê-lo. Não estamos condenados ao pornoriquismo e ao capitalismo que lhe subjaz. Não podemos estar.

Da política-espectáculo

  por estatuadesal

(Joseph Praetorius, 14/07/2018)

prae2

Joseph Praetorius

A mimetização da política-espectáculo pelo descerebrado funcionalismo, resulta nisto - entre outras grotescas desgraças - de haver uma polícia-espectáculo, uma procuradoria-espectáculo e tribunais-espectáculo.

Relembro o confinamento de 200 manifestantes perto das Amoreiras em Lisboa (improviso de campo de concentração, digno da Grécia dos coronéis), bem apoiado pelo falido Expresso - outro boletim da polícia - a noticiar, em grande excitação, o "desenrolar" da "operação" contra um bloqueio da ponte que nunca houve (ninguém consegue bloquear a ponte de Lisboa diante das Amoreiras, evidentemente).

Deixo-vos o link, para recordarem a coisa ( Ver)

A isto, se bem se lembram, respondeu a "Ordem dos Advogados-espectáculo" onde o candidato anti-Elina Fraga se exibiu na assistência às vítimas da arbitrariedade (como se a arbitrariedade alguma vez o tivesse incomodado, ou tivesse voltado a incomodá-lo depois disso).

Fica o link, também. ( Ver )

Tais incómodos foram pura diversão malsã da polícia. Aquilo foi tudo arquivado. Sem excepções.

E agora são os Hell Angels. "Longa maratona para identificar(...)". Tudo maluco, evidentemente. Como é possível uma "longa maratona para identificar"? Só aqui, realmente. Até parece que "identificar" é tarefa complicada. "Especializada". Um "grande esforço administrativo". Os documentos estão em alfabeto georgiano? Vieram com documentos redigidos em Mandarim? Os detidos só falam Urdu? E os boletins da polícia mimetizam o "frisson". Grande excitação. "Grande maratona". Bandos sem fim de imbecis sem conto.

Mas muitíssimo perigosos. Não apenas pelos poderes funcionais de que dispõem. Não só porque as suas confabulações ecoam sem limites. Mas também porque, justamente, se trata da exibição muito colorida de bandos de imbecis. Convém não esquecer o bom velho Platão. A estupidez é homicida. (Nada há mais pacificamente demonstrado). Nenhum delinquente é risco maior do que uma tal polícia.

Admito sem dificuldade que os hell angels possam ter feito alguma asneira. Só que a polícia, pela imagem que de si própria faz difundir, só faz asneiras, por ser isso quanto resulta (sem apelo ou agravo possível) das imagens difundidas.

Uma vez perguntei por escrito ao director nacional da PSP se dirigia um serviço nacional de segurança, ou aprendizas de cabeleireiro sobre-excitadas. Os disparates ali em causa pararam. Está na altura de alguém repetir a pergunta, dir-se-ia. (Ver)

Ver

domingo, 15 de julho de 2018

A NATO, em expansão e cada vez mais cara, alastra-se pela Europa

  por estatuadesal

(Manlio Dinucci, in Rede Voltaire,  12/07/2018)

NATO and EU leaders sign joint declaration

A Comissão Europeia e o Secretariado-Geral da NATO fizeram preceder a Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Aliança, pela assinatura de uma Declaração Conjunta. Para essas Administrações tratava-se de impossibilitar o sistema que gerem de maneira a impedir que as (autoridades) eleitas o contestassem.

Agindo como orgãos programados desde a sua criação, as Administrações da NATO e da União Europeia, prosseguem o seu projecto afastadas de qualquer controlo político.As burocracias militares e civis resultantes da ocupação norte-americana da Europa Ocidental, pretendem defender os interesses da elite transnacional sem se preocupar com a vontade dos povos.


Em 11 e 12 de Julho de 2018, desenvolve-se em Bruxelas a CIMEIRA NATO ao nível de Chefes de Estado e de Governo, dos 29 países membros. Confirma ao mais alto nível o fortalecimento da estrutura de comando, principalmente, na função anti-Rússia. Serão estabelecidos:

- um novo Comando Conjunto para o Atlântico, em Norfolk, nos EUA, contra os “submarinos russos que ameaçam as linhas de comunicação marítima entre os Estados Unidos e a Europa”

- um novo Comando Logístico, em Ulm, na Alemanha, como “dissuasor” contra a Rússia, com a tarefa de “mobilizar mais rapidamente as tropas em toda a Europa em qualquer conflito”.

Em 2020, a NATO terá, na Europa, 30 batalhões mecanizados, 30 esquadrilhas aéreas e 30 navios de combate, apetrechados em 30 dias ou menos, contra a Rússia. O Presidente Trump terá, portanto, cartas mais fortes na Cimeira bilateral, que terá a 16 de Julho, em Helsínquia, com o Presidente Putin, da Rússia. Daquilo que o Presidente dos EUA estabelecer na mesa de negociações, dependerá, fundamentalmente, a situação na Europa.

O raio de expansão da NATO vai muito além da Europa e dos próprios membros da Aliança. Ela tem vários parceiros ligados à Aliança por vários programas de cooperação militar. Entre os vinte incluídos na Parceria Euro-Atlântica, figuram a Áustria, a Finlândia e a Suécia. A parceria mediterrânica inclui Israel e a Jordânia, que têm missões oficiais permanentes na sede da NATO, em Bruxelas, e Egipto, Tunísia, Argélia, Marrocos e Mauritânia. A parceria do Golfo inclui o Kuwait, o Qatar e os Emirados, com missões permanentes a Bruxelas, além do Bahrein. A NATO também tem nove “Parceiros globais” na Ásia, na Oceania e na América Latina - Iraque, Afeganistão, Paquistão, Mongólia, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Colômbia - alguns dos quais “contribuem, activamente, para as operações militares da NATO”.

A NATO - criada em 1949, seis anos antes do Pacto de Varsóvia, baseada formalmente no princípio defensivo estabelecido pelo Artigo 5 - foi transformada numa aliança que, de acordo com o “novo conceito estratégico”, compromete os países membros a “liderar operações de resposta a situações de crise não previstas no artigo 5.º, fora do território da Aliança”. Segundo o novo conceito geoestratégico, a Organização do Tratado do Atlântico Norte estendeu-se às montanhas afegãs, onde a NATO está em guerra há 15 anos.

O que não mudou, na mutação da NATO, foi a hierarquia dentro da Aliança. É sempre o Presidente dos Estados Unidos que nomeia o Comandante Supremo Aliado na Europa, que é sempre um general dos EUA, enquanto os Aliados se limitam a ratificar a sua escolha. O mesmo aplica-se aos outros comandos chave. A supremacia dos EUA fortaleceu-se com a ampliação da NATO, pois que os países do Leste europeu estão mais vinculados a Washington do que a Bruxelas.

O próprio Tratado de Maastricht, de 1992, estabelece a subordinação da União Europeia à NATO, da qual fazem parte 22 dos 28 países da UE (com a Grã-Bretanha de saída da União). O mesmo estabelece no artigo 42.º, que “a União respeita as obrigações de alguns Estados Membros, que consideram que a sua defesa comum se efectue através da NATO, no âmbito do Tratado do Atlântico Norte”. E o protocolo n. 10 sobre a cooperação estabelecida pelo art. 42 salienta que a NATO “continua a ser a base da defesa” da União Europeia. A Declaração Conjunta sobre a Cooperação NATO/UE, assinada em 10 de Julho em Bruxelas, na véspera da Cimeira, confirma esta subordinação: “A NATO continuará a desempenhar a sua função única e essencial como pedra angular da defesa colectiva para todos os aliados, e os esforços da UE também fortalecerão a NATO” [1]. A PESCO e o Fundo Europeu para a Defesa, sublinhou o Secretário-Geral Stoltenberg, “são complementares e não alternativas à NATO”. A “mobilidade militar” está no centro da cooperação NATO/UE, consagrada na Declaração Conjunta. Igualmente importante é a “cooperação marítima NATO/UE no Mediterrâneo, para combater o tráfico de migrantes e, assim, aliviar o sofrimento humano”.

Sob pressão dos EUA e neste contexto, os aliados europeus e o Canadá aumentaram a sua despesa militar em 87 biliões de dólares, desde 2014. Apesar disso, o Presidente Trump vai bater com os punhos na mesa da Cimeira, acusando os aliados porque, todos juntos, gastam menos do que os Estados Unidos. “Todos os aliados estão a aumentar as despesas militares", afirma o Secretário Geral da NATO, Stoltenberg.

Os países que destinam à despesa militar, pelo menos 2% do seu PIB, aumentaram para 3%, em 2014, e para 8%, em 2018. Prevê-se que, desde agora até 2024, os aliados europeus e o Canadá aumentarão a sua despesa militar em 266 biliões de dólares, expandindo a despesa militar da NATO para mais de 1 trilião de dólares por ano. A Alemanha, em 2019, ampliará para uma média de 114 milhões de euros por dia e planeia aumentá-la em 80% até 2024. A Itália comprometeu-se a alargá-la dos actuais 70 milhões de euros por dia, para cerca de 100 milhões de euros/dia. Como exige aquele que, no programa do governo, é definido como “o aliado privilegiado da Itália”.

CPLP devia evoluir além da cultura e língua, defende primeiro-ministro da Guiné-Bissau

15/7/2018, 9:50

Aristides Gomes defende que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa "devia evoluir para além" do aspeto que dominou a criação da organização, que é a promoção da cultura e língua.

Inácio Rosa/LUSA

Autor
  • Agência Lusa
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O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, defendeu hoje que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa “devia evoluir para além” do aspeto que dominou a criação da organização, que é a promoção da cultura e língua.

Em entrevista à agência Lusa e à RTP África, o chefe do Governo analisou o que foi a presidência brasileira e antecipou o que poderá vir a ser o desempenho de Cabo Verde à frente da organização que congrega nove países.

Para Aristides Gomes, a CPLP “deve evoluir tendo em conta os problemas económicos dos países”, criando facilidades nas trocas comerciais, para buscar proveito económico e distribuição de riquezas entre os povos lusófonos.

“Em termos de perspetiva, acho que devíamos evoluir para além do aspeto dominante no momento da criação, a cultura, o desenvolvimento da nossa língua comum, que é o português”, sublinhou Aristides Gomes.

Tomando esse caminho, a CPLP estaria a seguir aquilo que é a tendência mundial atualmente, notou o primeiro-ministro, para frisar ser impossível deixar de lado a questão económica na “rentabilização da cooperação internacional”.

“Todas as organizações internacionais estão condenadas a ter em conta o atual ritmo da mundialização das economias”, salientou o chefe do Governo guineense, que considerou positiva a presidência rotativa brasileira, iniciada em 2016 e que agora vai ser assumida por Cabo Verde.

Em relação ao futuro, Aristides Gomes disse ser “preciso e desejável” que o desenvolvimento da cooperação entre os países lusófonos seja perspetivado em termos de trocas comerciais, por ser, defendeu, “o único caminho que permite o estreitamento cada vez mais da cooperação”.

Gomes adiantou que a Guiné-Bissau “está a trabalhar” no sentido de apresentar um nome para a direção executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), na XII cimeira de chefes de Estado e de Governo, que vai ter lugar na terça e na quarta-feira, na ilha do Sal, em Cabo Verde.

“Estamos a trabalhar para apresentarmos um candidato que tenha uma competência no domínio da linguística”, disse o chefe do executivo guineense.

Aristides Gomes defendeu ainda, por uma questão de princípio, que a CPLP deveria ter uma representação em todos os países que integram a organização, como, disse, acontece com outros espaços de concertação.

Essas representações “seriam espaços de estruturação, de reflexão de propostas comuns” não só no domínio da promoção da língua portuguesa, “mas também de estreitamento de cooperação económica”, destacou o líder do Governo guineense.

Aristides Gomes respondia desta forma à pergunta sobre se a Guiné-Bissau vai solicitar, na cimeira de Cabo Verde, um representante da organização em Bissau.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Rainha de Inglaterra vê saída da UE como “problema muito complexo”, diz Trump

HÁ 2 HORAS

Donald Trump, que esteve reunido na sexta-feira com a rainha Isabel II, revelou que abordou o 'Brexit' e que a monarca britânica afirmou que este é um "problema muito complexo".

SGT RUPERT FRERE HANDOUT/EPA

Autor
  • Agência Lusa
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O Presidente norte-americano, Donald Trump, que esteve reunido na sexta-feira com a rainha Isabel II, divulgou que abordou o ‘Brexit’ e que a monarca britânica afirmou que este é um “problema muito complexo”.

“Eu falei [com ela sobre a saída do Reino Unido da União Europeia]. Ela disse que é – e tem razão – um problema muito complexo. Julgo que ninguém tinha ideia de quão complexo seria”, afirmou o responsável, em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, hoje publicada.

De acordo com o Presidente dos Estados Unidos, “toda a gente pensava que [o ‘Brexit’] seria simples” e que, independentemente do resultado do referendo, “depois se veria o que aconteceria”.

Questionado sobre se a rainha precisou o que pensa sobre o ‘Brexit’, Donald Trump escusou-se a responder.

“Bem, eu não posso dizer […]. Uma pessoa simplesmente não revela as conversações com a rainha, certo? Você quereria fazer isso”, acrescentou.

Já falando “sobre o que podia falar”, Trump vincou que a monarca britânica “é uma mulher incrível, tão inteligente, tão bonita”.

“E quando digo bonita, digo por dentro e por fora”, reforçou, adiantando que a rainha Isabel II o fez recordar a sua mãe, que faleceu recentemente, e que era uma grande fã da monarca.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, foram recebidos na sexta-feira pela rainha Isabel II no Castelo de Windsor.

O encontro incluiu um lanche com chá e não foi muito longo, após o qual o chefe de Estado norte-americano viajou para a Escócia, onde está a passar o fim de semana.

A visita à monarca britânica foi a última etapa de uma visita de trabalho de dois dias que começou na quinta-feira com um jantar no palácio de Blenheim, onde participaram empresários e personalidades de vários setores.

Trump foi recebido com protestos em várias cidades do Reino Unido, sobretudo em Londres, onde milhares de pessoas desfilaram nas ruas.

A contestação foi depois replicada na Escócia.

O Reino Unido vai deixar a União Europeia em 29 de março de 2019, dois anos após o lançamento oficial do processo de saída, e quase três anos após o referendo de 23 de junho de 2016 que viu 52% dos britânicos votarem a favor do ‘Brexit’.

Depois de, em dezembro do ano passado, ter sido aprovado um documento de entendimento sobre os termos da saída, em março foram aprovadas as linhas para um período de transição que vai prolongar-se até ao final de 2020.

Bruxelas e Londres têm até ao final deste ano para traduzirem estes acordos em textos jurídicos e assimilá-los nas respetivas legislações, ao mesmo tempo que negoceiam um futuro acordo comercial.