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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Entre as brumas da memória


Aquele em quem confiávamos

Posted: 17 Jul 2018 01:41 PM PDT

José Manuel Pureza no Expresso diário de 17.07.2018;

«Há essa coisa meio misteriosa de, dos nossos mortos, recordarmos o sorriso. O João morreu-me. E o que eu mais recordo dele é o sorriso. Aquele sorriso de olhos semicerrados que exibia um gosto imenso pela vida. “Tive a vida que escolhi – disse ele - a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante. Sim, fui muito feliz (…)”. É isso: lembro o sorriso do João porque esse era o sorriso de um homem feliz.

Conheci o João Semedo pela mão do Miguel Portas (tinha que ser…). E rapidamente ele se tornou num camarada, depois num amigo, e depois no meu irmão mais velho. Fiz todos os diálogos com o João, pedi-lhe todos os conselhos, todas as opiniões. O João esteve sempre lá, nunca me faltou.

O meu vazio com a morte do João é, pois, pessoal antes de ser político. Um irmão não se substitui. Mas é também um imenso vazio político. Falta-me o camarada com quem fiz tantos e tão cúmplices anos de caminho. O João ensinou-me que um partido não se faz de frações que se fecham em ser frações. E que as mudanças que contam não se fazem de partidos que se fecham em ser partidos. O João tinha essa qualidade sábia de ser um homem de partido como conheci poucos e de, sem nunca perder essa lealdade sem sombra, ser um artífice de maiorias para mudar o que tinha que ser mudado. Foi como homem de partido, totalmente livre e totalmente comprometido, que o João construiu plataformas, conversas, redes, movimentos, maiorias. E foi isso que fez do João um nome certo de tantas mudanças essenciais.

Os homens e as mulheres das diversas esquerdas confiavam no João. Sabiam que ele não amolecia na defesa da firmeza de princípios e que ele não se escusava a nenhum esforço para juntar gente, vontades e saberes para dar força às causas da democracia avançada em Portugal. Foi por isso que foi com ele que António Arnaut quis trabalhar uma proposta para salvar o Serviço Nacional de Saúde.

Foi por isso que Laura Ferreira dos Santos e João Ribeiro Santos contaram com ele para a consagração em lei do direito a morrer com dignidade.

Mas havia uma outra razão para o João ser um tipo de toda a confiança. É que o João conhecia a realidade, estudava-a meticulosamente. Por isso as suas propostas de mudança nunca eram panfletárias e tinham sempre uma autoridade irrecusável. O João foi sempre um ativista da mudança das estruturas e das vidas. Sempre pelos de baixo. Juntando conhecimento, elegância e ambição de radicalidade da transformação.

Quando se fizer a História das conquistas de uma democracia avançada em Portugal, o nome do João Semedo estará lá, como referência maior. Sei disso. Mas a mim fica o vazio de ter perdido o meu maior amigo.»

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Que a herança que nos deixaram não seja desbaratada

Posted: 17 Jul 2018 10:00 AM PDT

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Prós e Contras

Posted: 17 Jul 2018 07:35 AM PDT

Quanto ao programa de ontem, sobre Descoberta(s), Descobrimento(s), ou seja lá o que podia ter sido, muito haveria a dizer, mas fico pelo seguinte: se eu fosse funcionária da RTP, nunca organizaria um debate sobre Física Quântica, pela simples razão de que pouco ou nada sei sobre o tema. Era só.

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Sim à morte assistida

Posted: 17 Jul 2018 03:27 AM PDT

Em jeito de homenagem a João Semedo, que hoje nos deixou, repesco um texto seu publicado no Expresso de 20.02.2016. Grande lutador por esta causa, entre tantas outras, não teve tempo para a ver vitoriosa. Mas ficámos nós cá para continuar a lutar – em nome dele, também.

ANA e José Luís Arnaut: a arte da privatização e a gestão privada de excelência

Novo artigo em Aventar


por João Mendes

Fotografia via Diário de Notícias

Dezembro de 2012. Em pleno Inverno Austero de Pedro Passos Coelho, o herói contemporâneo da direita que exilou a social-democracia numa gaveta, a agenda neoliberal em funções avançava, triunfante, e dava início a uma das maiores épocas de saldos de sempre, ou, nas palavras do próprio, ao processo de "alienar participações como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro". E enquanto os portugueses enchiam o bucho de bacalhau e bolo-rei, já com os olhos postos na festança do final do ano, o ministro Marques Guedes anunciava a venda da ANA - Aeroportos de Portugal aos franceses da Vinci.

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terça-feira, 17 de julho de 2018

JOÃO SEMEDO

  por estatuadesal

(In Blog O Jumento, 17/07/2018)

semedo

(Contrariamente ao Jumento, eu gostava especialmente de João Semedo. Publico este texto porque não há maior elogio a um falecido do que as palavras de reconhecimento das suas qualidades, feito por alguém que dele "não gostava especialmente".)

João Semedo, que descanse em paz.

Estátua de Sal, 17/07/2018)


Não gostava especialmente dele mas admirava a sua coerência, sempre defendeu as suas ideias de forma tenaz e austera, sem espetáculo, sem se aproveitar dos momentos de cada agenda. Não trabalhava para likes ou selfies, defendia o seu programa e em especial o seu SNS, fê-lo até ao fim, mesmo quando sabia que seria a última coisa para a qual tinha forças.

Não sou dado a funerais e obituários, não costumo evocar falecidos, deixando a tarefa a amigos e companheiros. Mas, neste caso, abro uma exceção, porque o homem que morreu merece a homenagem que os honestos merecem, dedicou-se às suas causas, algumas delas eram nossas, outras não, mas fê-lo a pensar no bem público.

No mesmo jornal onde onde dou de caras com a notícia da sua morte, ficou a saber-se que os que ajudaram Oliveira e Costa a empurrar o país para o primeiro buraco que foi o lodaçal da nossa crise financeira, ganham mais do que um Presidente da República, (aqui),  e para ganharem mais de 12.000€ apenas têm que fazer nada. Isto é, são pagos para gozar com os portugueses e, em especial, com os mais pobres, aqueles de quem Passos Coelho dizia que tinham cometido o pecado da gula, algo a que pessoas, como o Vítor Bento, se apressaram a dar forma de teoria económica.

São dois países diferentes, o país onde se debatem ideias e se luta pelo bem comum, independentemente de se ser da direita ou da esquerda, e o país da fussanguice, do enriquecimento fácil, do Porshe Cayenne para mostrar à vizinhança da casa na Quinta do Lago, do fato do Rosa & Teixeira ou das festas nas praias algarvias.

Hoje, mais uma vez como sucede quase sempre neste país, ganharam os segundos.

O Roubo de Tancos

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 17/07/2018)

falta_tancos

Questionado sobre o que terá levado ao roubo naqueles paióis, Rovisco Duarte (CEME), respondeu que ficou “surpreendido”:

“Entre 20 paióis, que existem naquela área de 34 hectares, com perímetros de cerca de 3.000 metros, com duas vedações, eles vão escolher dois paióis que têm o material que consideramos o mais sensível , o que significa que temos de tirar algumas conclusões".

Palavras do Chefe de Estado Maior do Exército pouco depois do roubo de Tancos. A seguir Rovisco Pais suspendeu cinco comandantes das suas função e que tinham material de guerra armazenado nos 20 paióis do exército.

Neste momento, o atual CEME fez uma inaceitável PROVOCAÇÃO POLÍTICA ao integrar dois dos principais comandantes das unidades de Tancos que tinham os paióis, no curso de promoção a Generais.

O Presidente da República pode ter feito um ERRO, ao colocar na sua página o protesto pelo facto de não se ter apurado nada e dizer, primeiro que no material encontrado falta algo, e depois que se encontrou a mais. Pode não ter havido um inventário correto, o qual é da responsabilidade dos comandantes, ou pode ter sido restituído material proveniente de outros roubos em unidades ou paióis a que os comandantes não quiseram ligar.

Marcelo, teria sido mais avisado se, na sua qualidade de Comandante em Chefe das Forças Armadas chamasse o CEME, os comandantes das unidades de Tancos e o Ministro da Defesa para, em segredo, ver bem o que se passa.

O PR devia perceber que estes assuntos de material de guerra e, principalmente, de 400 kg de explosivos não devem ser tratados em público. Não se deve avisar os autores dos roubos do que se está a fazer.

Rui Rio mostrou uma incapacidade total para tratar assuntos de Estado ao chamar o Ministro da Defesa para depor numa Comissão da AR, provavelmente em público. Não se lembrou do assunto, antes de Marcelo escrever na página da PR o seu protesto. Rio mostrou-se um oportunista sem moral,  a julgar que as pessoas não o vão avaliar dessa maneira, o que não aconteceria se ele tivesse essa ideia umas semanas antes.

Não devemos esquecer que, os comandantes que vão ser promovidos a generais, no início proibiram a Polícia Judiciária de entrar em Tancos e, aparentemente, não fizeram ou mandaram fazer uma investigação detalhada. Basearam-se certamente no facto de que aquilo que se passou dentro de perímetro militar seria da competência deles e da Polícia Judiciária Militar. Claro que não é, de todo. A PJ deve começar a investigar no interior do exército em conjunto com a PJM. Há dezenas de paióis, pelo que aquele que foi assaltado é o que continha material mais sensível, explosivos, e mais suscetível de ser utilizado em atentados com explosivos, em Portugal ou nos países da União Europeia.

O Ministro da Defesa não pode vir a público dar qualquer informação porque esta iria parar aos autores do roubo. Não pode informar que, eventualmente, não há mais investigações e também não pode informar que há investigações em curso e quais as pistas que são seguidas. Na melhor das hipóteses, o MD deverá mentir para enganar os ladrões, dizendo que não há mais investigações de modo a deixar que façam qualquer coisa que os denuncie ou dar uma pista falsa. Qualquer verdade seria contrária aos interesses da PÁTRIA.

Não é da responsabilidade do Ministro da Defesa manter as portas dos paióis e quartéis devidamente fechadas, como não é da responsabilidade do Ministro do Interior vir fechar a porta da minha casa.

O Ministro da Defesa devia ir à Comissão acompanhado pelo CEME e pelos comandantes das unidades de Tancos responsáveis pela segurança dos paióis.

Claro que, compete ao Ministro da Defesa demitir o CEME, e não permitir que os comandantes de Tancos venham a ser generais. Não parecem ser pessoas de confiança se nada for descoberto em breve.

Eu faço parte das pessoas que admitem como possível que os 16450 incêndios do ano passado estejam ligados ao roubo de Tancos. Os fogos foram ateados no âmbito de uma operação estratégica, aparentemente proveniente de uma mente militar, e os 400 kg de explosivos, mais outro material, seria um complemento para os 500 mil hectares ardidos e mais de 100 vítimas mortais.

Provavelmente, a célula terrorista instalada no seio do exército, achou que os incêndios seriam suficientes para abater o governo de António Costa, e continuam a ser um perigo: o PS tem 42% de intenções de voto, a conspiração dos magistrados contra Sócrates não está a resultar, e será um fiasco se o ex-PM for a tribunal e a defesa exigir a prova daquilo que acusam o eng. J. Sócrates.

Obrigado, João Semedo

Novo artigo em Aventar


por João Mendes

O João Semedo era, para mim, um farol e uma inspiração. Um dos poucos que, nesse charco de mediocridade em que se transformou a política portuguesa, mantinha acesa a minha esperança de um futuro melhor. Lutou contra o fascismo, foi preso pelo fascismo, lutou pelo Estado Social e terminou os seus dias a lutar por mais e melhor SNS e pelo direito à escolha de morrer com dignidade. Lutou por quem precisava, apesar de não precisar. Sim, João Semedo não precisava da política. João Semedo era um excelente médico, com provas dadas, mas cedo abdicou do conforto do seu estatuto para se dedicar às suas causas e convicções. Foi um parlamentar de excelência, como poucos se podem orgulhar, e combateu com elevação, sem nunca perder a objectividade, sem nunca se vergar, sem nunca se render. Ler mais deste artigo