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sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Japão aqui tão perto

Novo artigo em Aventar


por Ana Moreno

Já está: A UE e o Japão assinaram hoje o JEFTA, o acordo comercial UE/Japão, criando uma zona de comércio livre com mais de 600 milhões de habitantes

Mais uma vez, a voz da sociedade civil ficou de fora; entre os cidadãos, quem ouviu falar deste colosso que sujeita às leis do comércio livre quase todas as áreas da nossa vida???

Eis apenas uns exemplos dos problemazinhos do JEFTA:

a água é considerada uma mercadoria; o princípio europeu da precaução não é mencionado; preconiza uma cooperação regulatória que nos rouba soberania; submete os serviços públicos às leis do mercado (excepto aqueles que cada governo tiver expressamente listado como excepção), limitando severamente a capacidade de governos os criarem, expandirem e regularem e de reverterem liberalizações ou privatizações; restringe ainda mais a capacidade da UE e dos Estados-membros controlarem as importações de alimentos e rações provenientes do Japão, apesar de já existirem casos documentados de importação ilegal de ração geneticamente modificada do Japão...

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

O ukase sobre “Os Maias”

  por estatuadesal

(José Rentes de Carvalho, in Expresso Diário, 19/07/2018)

eça

Uma notícia com mais de uma década tornou-se de repente facto aparentemente fresco: “Os Maias” deixaram de ser leitura obrigatória no secundário, escreveu a imprensa esta semana. As redes sociais viram, insurgiram-se e questionaram: como é possível tamanha afronta ao Eça, que indignidade é esta? Mas, na verdade, há mais de uma década que assim é: trata-se de facto verdadeiro em 2018 mas também em 2017 e assim anteriormente. Por isso, há aqui matéria para muitos anos de indignação, motivo que nos leva a J. Rentes de Carvalho: a pedido do Expresso, o escritor explica a falta que uns “Maias” obrigatórios fazem ao país - sobretudo aos mangas-de-alpaca.


O que vem logo ao pensamento ao receber a notícia de que “Os Maias” deixa ser leitura obrigatória no secundário é investigar a árvore genealógica dos néscios que tomaram essa decisão, porque de certeza há entre eles descendentes em linha directa do Conde Abranhos ou daqueles políticos que no fino retrato que Eça de Queirós deles fez se destacavam por terem ”uma grande cabeça” e dormirem durante as sessões parlamentares.

Por má sorte, não é a dormir que estes cavalheiros andam, antes parece que bem acordados levam a sério as suas fantasias, imaginando que a sociedade para ser moderna de verdade deve ser psicadélica, que os jovens cidadãos só encontrarão felicidade e êxito na vida se se mantiverem no rebanho dos semianalfabetos, dóceis e manipuláveis como crianças do infantário.

Na óptica dessas “grandes cabeças” a leitura de “Os Maias” e obras de igual “dificuldade” é uma inútil sobrecarga para a massa cinzenta de uma juventude que, como estímulo intelectual, não precisa mais do que os desafios do Facebook e os êxitos dos influencers no Instagram.

Pobre juventude, infelizes os pais e os educadores que inutilmente se esforçam por lutar contra a poderosa corrente da parvoíce, pois dominante como já é na sociedade, bem se dispensava vê-la também abençoada pelos que governam, e levanta sérias dúvida sobre o desenvolvimento cerebral e as capacidades intelectuais dos mesmos.

Não é porque a Eça de Queirós devo muito e sei o seu valor que me põe de avesso o ukase dos senhores da Educação, mas porque o considero um crime. Qualquer português adulto, em seu juízo e um mínimo de escolaridade, sabe que Eça de Queirós é mais que um nome, uma estátua ou uma placa de rua.

Eça de Queirós Foto D.R.

Eça de Queirós FOTO D.R.

O seu nome ficou, ficará, enquanto dos mangas-de-alpaca que depois do seu falecimento o foram achincalhando, porque o temiam e achavam venenosa a sua ironia, não sabemos o nome de nenhum, nem lhes conhecemos a cara, destino que terão estes de agora, a quem talvez incomode menos a cansaço de ler “Os Maias” do que dar à juventude a perigosa oportunidade de descobrir o terrorista social que escreveu “As Farpas”.

Fossem eles cidadãos conscientes e políticos de verdade interessados no progresso do país, não se entreteriam na busca de “facilidades” e exigências mínimas para o ensino da juventude, seria sua obrigação elevar a craveira, exigir excelência. Todavia o mais certo, porque disso dão mostra, é que eles próprios de Eça de Queirós e do pouco que leram nada aprenderam, nem se deram conta de estarem lá fiel e finamente retratados.

José Rentes de Carvalho é um dos autores de “Os Novos Maias”, o prolongamento da narrativa de “Os Maias” até aos dias da fundação do Expresso, em 1973 – texto publicado na coleção “Eça Agora”, editada em 2013 no âmbito das comemorações dos 40 anos do Expresso

Grande mal é ser a luta inglória, cansativa, de todos os tempos, e resultar sempre como Schiller (1759-1805) nos avisou, de que “Contra a ignorância até os deuses lutam em vão”.

Infelizmente, também não é item que prometa êxito se levado ao Facebook, pelo que a nós, os de boa vontade, cientes do valor da obra do “pobre homem da Póvoa de Varzim”, resta-nos fazer trabalho de missão: convencer os que o ignoram que a obra de Eça de Queirós nos dá um genial retrato do país que éramos, fomos, continuamos a ser, mas onde para mal de todos nós os mangas-de-alpaca só conhecem uma velocidade: a marcha atrás.


(J. Rentes de Carvalho escreve de acordo com a antiga ortografia)

Quem vai escrever o guião à esquerda?

  por estatuadesal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 19/07/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

Acabei o texto da edição semanal do Expresso, que dediquei às declarações de Augusto Santos Silva sobre uma possível reedição da geringonça, dizendo que não tinha razões para pensar que elas resultavam apenas de uma vontade de um ministro que nunca mostrou qualquer entusiasmo com os entendimentos à esquerda. Santos Silva não é apenas o número dois do Governo, é do núcleo duro de António Costa. E é evidente que as posições do primeiro-ministro se têm aproximado cada vez mais das suas e das de Mário Centeno. Usando os termos românticos do debate sobre o estado da Nação, quanto mais nos aproximamos das eleições menos o primeiro-ministro tem a geringonça no seu coração e na sua cabeça.

A minha tese é a de que estamos perante a velha rábula do polícia mau e do polícia bom. António Costa não veio desmentir Santos Silva, veio cumprir o seu papel. Esta minha convicção foi, aliás, confirmada pelo texto publicado aqui no Expresso, por Ângela Silva. Costa estará concentrado na aprovação do Orçamento do Estado de 2019, arrefecendo a conflitualidade na geringonça. Santos Silva, que o “Sol” dá como provável cabeça de lista às europeias (estranharia se se confirmasse), está a preparar o terreno para a estratégia eleitoral do PS pós-Orçamento: dramatização, para que se crie um ambiente em que a reedição das alianças à esquerda pareça cada vez mais improvável aos eleitores, tentando assim fazer renascer o voto útil para uma maioria absoluta.

Como escrevi no texto de sábado, não há nenhuma hipótese de PS chegar a acordo em matéria europeia com PCP e BE. E ainda bem. Se Bloco e PCP se rendessem ao euroconformismo do PS isso abriria espaço para o crescimento de forças eurocéticas à direita. Em vez da critica democrática à agenda antissocial e neoliberal que domina Bruxelas passaríamos a ter espaço para a crítica nacionalista de direita. O justificadíssimo euroceticismo da esquerda é o melhor antídoto contra o crescimento de movimentos antieuropeístas de contornos xenófobos.

Estamos perante a velha rábula do polícia mau e do polícia bom. Costa está concentrado na aprovação do Orçamento do Estado, Santos Silva está a preparar o terreno eleitoral: dramatização, para que se crie um ambiente em que a reedição das alianças à esquerda pareça cada vez mais improvável aos eleitores, tentando fazer renascer o voto útil para uma maioria absoluta.

Sendo bastante relevantes para decisões estratégicas – o PS está totalmente limitado na sua agenda social-democrata pela ortodoxia monetarista da Comissão Europeia e do BCE – não me parece que tenham sido as divergências em matérias europeias a estar no centro das recentes crises políticas à esquerda. Os quatro grandes temas de confronto foram a violação pelo Governo dos acordos com Bloco sobre precariedade (o que levou a ser o PSD a viabilizar as leis de trabalho), o fim do adicional ao imposto sobre combustíveis, o descongelamento da carreira dos professores e a entrega da Lei de Bases da Saúde a Maria de Belém Roseira, que propõe uma maior privatização do sistema. Se no primeiro caso a pressão europeia poderia ter alguma relevância, em todos os restantes não há qualquer relação com ela. Não é por causa das profundas divergências quer têm sobre a Europa que PS, BE e PCP se têm desentendido. Santos Silva não foi, por isso, empurrado pelas circunstâncias para fazer esta declaração. Elas tinham o objetivo de sublinhar a impossibilidade de repetir esta experiência.

O sucesso desta perigosa estratégia depende, acima de tudo, dos partidos mais à esquerda. Se seguirem esta coreografia do desentendimento crescente (como parece ser o caso do PCP), o PS poderá tentar capitalizar para reeditar o voto útil. Não será fácil, porque Rui Rio não é Passos Coelho, mas pode ter, em eleitorado que não quer ver o PS dependente do PSD, algum resultado. Se responder o que respondeu o Bloco, deixando sempre claro que a não reedição da geringonça terá de ser uma escolha expressa do PS, apenas dará razões aos eleitores que gostaram desta solução para garantirem que o PS não tem maioria absoluta e é de novo obrigado a conversar com os partidos mais à esquerda.

Antes das legislativas vêm as europeias e é de prever que o PS aproveite esse momento para explorar as diferenças quando elas serão mais evidentes. BE e PCP podem usá-las para refrear o excesso de autoconfiança dos socialistas. Tudo depende de quem conseguir escrever o guião.

Vêm aí comboios voadores? Conceito já existe e é revolucionário

António Freitas de Sousa

17:01

A ideia é simples, digamos assim: é somar o que faz um comboio com o que faz um avião. A empresa responsável pela ideia não acredita que ela venha a tornar-se real, mas é com estes exercícios que se fazem os grandes saltos tecnológicos.

O novo design da Akka Technologies, uma consultoria francesa de engenharia e tecnologia, parece uma proposta mais ou menos impossível, mas não para quem a desenhou: é uma aeronave que poderá aterrar, encolher as asas, transformar-se num comboio e rolar em cima de trilhos para deixar passageiros nas estações locais.

A Akka espera revolucionar o setor dos transportes com esse design, a cujo conceito chamou Link & Fly. O seu objetivo é tornar o embarque de passageiros mais rápido e fácil e aproximar o transporte aéreo da população.

“Depois dos carros elétricos e autónomos, a próxima grande inovação estará nos aviões”, disse o presidente da Akka, Maurice Ricci, em entrevista em Paris, citada pelo site do ‘El Economista’. A multinacional Boeing está entre os principais objetivos da Akka para ‘comprar’ a ideia. A consultora quer engajar o gigante norte-americano ao projeto, uma vez que a consultora quer limitar a sua dependência excessiva de empresas europeias como a Airbus e a Renault.

O sistema de transporte que a Akka planeou passará por uma rede local de estações de comboios que estariam em contacto com os aeroportos. No projeto, um modelo da aeronave sem asas Link & Fly tomaria os passageiros nessas estações e transportava-as para o aeroporto. Uma vez lá, as asas seriam colocadas e a viagem pelo ar começaria, até acabar novamente numa estação de comboios.

De tamanho semelhante a um avião Airbus A320, o Akka Link & Fly está preparado para voos comerciais de 162 passageiros, mas também pode transportar carga. Com asas incorporadas e motores fixados no topo, o avião tem uma envergadura de cerca de 49 metros, 34 metros de comprimento e 8 metros de altura.

A empresa mostrou a ideia num vídeo de simulação em 3D, reunindo o interesse de potenciais clientes na Ásia, disse Mautice Ricci, sem contudo ser mais específico.

A Akka não acredita que seja possível convencer um fabricante de aviões a construir o conceito Link & Fly na totalidade. No entanto, é provável que algumas ideias desse modelo acabem nos aviões comerciais de uma grande companhia construtora.

Alterações ao Código de Trabalho aprovadas no Parlamento

Maria Teixeira Alves

Ontem 18:49

Lei laboral do PS aprovada com a abstenção do PSD. A proposta legislativa do Governo para a revisão de algumas matérias do Código do Trabalho resultou de um acordo de Concertação Social subscrito pelas quatro confederações patronais e pela UGT. A votação na especialidade está prevista para setembro.

Cristina Bernardo

Com a abstenção do PSD e o voto a favor do PS, apesar do voto contra do Bloco de Esquerda, do PCP e dos Verdes, o Governo conseguiu ver aprovadas as suas propostas para a lei laboral.

A votação na generalidade da proposta de lei do Governo que revê algumas matérias do Código do Trabalho, ocorreu hoje, no último plenário antes do final da atividade parlamentar. A discussão do diploma na especialidade deverá ocorrer em setembro, após o período de férias parlamentares.

Recorde-se que Rui Rio alertou que poderá vir a mudar o sentido de voto se o acordo de concertação social for desrespeitado.“Temos um acordo de concertação social que respeitamos. Agora, se as alterações que vierem a ser introduzidas alterarem aquilo que é o acordo, deixa de ser um acordo, e se deixa de ser um acordo, regressamos à posição inicial, que é que não sentimos necessidade nenhuma de mexer na legislação laboral”, afirmou Rui Rio, no jantar de final de sessão legislativa do grupo parlamentar do PSD, citado pela Lusa.

A proposta legislativa do Governo para a revisão de algumas matérias do Código do Trabalho resultou de um acordo de Concertação Social subscrito pelas quatro confederações patronais e pela UGT.

Entre as principais alterações propostas pelo Governo estão a extinção do banco de horas individual, a duração dos contratos a prazo limitada a dois anos, a introdução de uma taxa adicional à Taxa Social Única (TSU) para penalizar empresas que abusem da contratação a termo e o alargamento do período experimental para 180 dias para os trabalhadores à procura do primeiro emprego e para os desempregados de longa duração.

Por outro lado o PS deu aprovação a algumas propostas do Bloco de Esquerda e do PCP que já tinham sido noticiadas pelo Jornal Eco e pelo Jornal de Negócios. Do PCP seguiu para a comissão uma proposta para alterar o regime do trabalho temporário, e do Bloco de Esquerda dois diplomas, um relacionado com o trabalho temporário e um outro que revoga a norma da presunção de aceitação do despedimento por causas objetivas quando o empregador compensa o trabalhador (essa presunção trava o acesso ao tribunal dos trabalhadores que recebem compensação, porque se presume que com esse recebimento há uma aceitação tácita do despedimento).

Do PEV, foi aprovada a proposta que revoga as normas que permitem a celebração de um contrato a termo certo só porque os trabalhadores se encontram em situação de procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração.

(actualizada)