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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Merkel diz que a Europa já não pode “contar com os Estados Unidos”

A chanceler alemã acredita que a União Europeia não deve esperar pelos Estados Unidos para repor a ordem mundial.

AFP


  • “Não podemos contar com os Estados Unidos como superpotência”, disse Angela Merkel reforçando que este é o momento para a União Europeia assumir o comando dos assuntos que lhe são próximos, como a imigração ilegal.

    As recentes declarações de Donald Trump sobre a Europa e a NATO têm arrepiado as relações entre o velho continente e os Estados Unidos, incluindo as declarações do presidente norte-americano de que a Alemanha estava dependente da Rússia.

    Sobre o encontro entre Trump e Vladimir Putin, presidente russo, Merkel considera positivo que as reuniões entre os dois países tenham sido retomadas. “Alegro-me com cada encontro (…) em que exista diálogo e, em particular entre esses dois países. É bom para todo o mundo. O facto de nenhum presidente russo ter visitado os Estados Unidos da América desde 2005 penso que não deve ser a normalidade”, afirmou a chanceler alemã.

    Depois da cimeira entre a Rússia e os Estados Unidos realizada em Helsínquia, Donald Trump sugeriu via Twitter uma nova cimeira, desta vez nos EUA. Também Putin considerou o encontro entre os dois com um “sucesso”.

    Pedrógão. Presidente da Câmara diz que denúncias são “inveja” e “má-fé”

    Valdemar Alves defende que os seus inimigos encomendaram o trabalho jornalístico porque perderam as eleições


    O Presidente da Câmara de Pedrógão Grande reagiu à denúncia da Revista Visão sobre a utilização de cerca de meio milhão de euros para a reconstrução de casas não prioritárias dizendo que “é uma afronta” e “uma perseguição” que lhe estão a fazer e que a investigação “é uma encomenda”.

    “Os meus inimigos não conseguem digerir a situação de terem perdido as eleições e isto, portanto, é tudo denúncias de má-fé. Foi efetivamente uma peça de trabalho jornalístico encomendada, porque quem lê a parte final, em que se referem à minha pessoa e a outras pessoas, vê-se exatamente que é uma encomenda”, disse o presidente em declarações à SIC.

    Para Valdemar Alves, as denúncias são fruto da “inveja também daquelas pessoas que falam, mas que não dão a cara, que gostariam que as suas casas tivessem ardido para terem agora uma casa nova e também de outras pessoas que, efetivamente, estão invejosas do trabalho que foi feito pelo governo, pela Câmara Municipal e pelo [Fundo] Revita”.

    Depois da reportagem da Revista Visão, o Fundo Revita anunciou que vai rever todos os processos, mesmo não tendo recebido nenhuma denúncia das situações relatadas. Foi também aberto um inquérito pelo Ministério Público para investigar as alegadas irregularidades na reconstrução da casas de primeira habitação depois do incêndio de Pedrógão.

    Lobos disfarçados de cordeiros

    Filipe Alves

    00:20

    No romance histórico que deu origem ao célebre filme de Stanley Kubrick, Howard Fast descreve o gladiador Spartacus como o líder de uma gloriosa revolta contra o brutal sistema de escravidão em que assentava a economia da Roma Antiga.

    Na vida real, porém, Spartacus e os seus companheiros lutavam apenas pela sua própria liberdade. Pois, durante séculos, o que os escravos revoltosos realmente queriam não era abolir a escravatura, mas sim tornarem-se livres e, um dia, poderem também eles ter os seus próprios escravos. Era a ordem natural das coisas.

    Passaram-se 1900 anos desde a revolta de Spartacus até que a escravatura fosse finalmente abolida. E não foram os escravos que conseguiram essa vitória histórica, mas antes o parlamento britânico, através de duas leis aprovadas em 1807 e 1833, após décadas de pressão por parte de grupos abolicionistas compostos por pessoas como John Newton, o autor de “Amazing Grace”, ele próprio um antigo traficante de escravos que se convertera ao anglicanismo. Estes movimentos de pessoas simples enfrentaram com sucesso o poderoso lobby esclavagista, que na altura controlava uma parcela significativa do PIB britânico e detinha uma enorme influência política. Venceram porque a sua causa era justa e porque, numa democracia parlamentar, o sistema não é perfeito mas as causas justas têm uma chance.

    No entanto, nos dias de hoje, pessoas como Newton não teriam a vida fácil. Se falasse em defesa dos escravos, logo apareceria quem o acusasse de perpetuar o sistema de opressão, por alegadamente não ter legitimidade para falar em nome dos oprimidos. Homem, branco, pastor anglicano e, ainda por cima, ex-traficante de escravos? Está claro que não tem “lugar de fala” para se pronunciar sobre a escravatura, diriam alguns.

    O certo é que caminhamos a passos largos para uma sociedade cada vez mais dividida, em que alguns lobos disfarçados de cordeiros procuram virar grupos contra grupos, de forma a destruir por dentro a aborrecida civilização burguesa que tanto detestam. Mas não nos esqueçamos de que antes de sermos homens ou mulheres, brancos ou negros, heterossexuais ou gays, crentes ou ateus, somos seres humanos.

    A injustiça, quando existe, afeta-nos a todos, de uma forma ou outra. E a  igualdade é para todos e não apenas para um grupo em particular, ao contrário do que foi defendido na recente tomada de posição de várias organizações feministas contra a petição pública em defesa da guarda partilhada das crianças pelos dois progenitores. Como podem organizações que se dizem defensoras da igualdade de género tomar uma posição destas, que promove a desigualdade entre homens e mulheres? Defendem a igualdade ou apenas um grupo específico de pessoas?

    Trump e a forma norte-americana de ver o mundo

    José Filipe Pinto, Professor Catedrático

    00:16

    Para o Presidente da Terra do Tio Sam, a palavra “reciprocidade” não consta do respetivo vocabulário e não integra o normativo que regula as relações internacionais.

    Antes de se reunir com Putin na cimeira de Helsínquia de 16 de julho, Donald Trump, numa entrevista à CBS News, identificou os inimigos dos EUA. Uma lista que incluía a União Europeia e a China, identificados como inimigos económicos, e a Rússia, um inimigo em vários aspetos.

    Como se percebe, o critério valorizado por Trump foi económico e, como tal, os países ou blocos que desafiam a sua política económica passam a fazer parte da versão revisitada do eixo do mal. Nada de novo se for tida em conta a prestação de Trump na cimeira da NATO. Uma reunião em que ameaçou bater com a porta e sair da organização se os restantes membros não aceitassem pagar mais e com mais rapidez. Leia-se: cada país passar a contribuir para a NATO, desde já, com 4% do PIB e não com os 2% previstos até 2024.

    As declarações de Trump em Londres deixaram claro que os parceiros tinham aceitado as suas imposições. Algo que o comunicado final não confirmou. Situação que não implicou a saída dos EUA da NATO, nem qualquer desmentido ou esclarecimento por parte de Trump. Um líder que personifica a maneira norte-americana de estar no mundo.

    Várias décadas atrás, aquando das negociações para a utilização pelos EUA da base das Lajes, Salazar, na sequência da receção ao embaixador dos EUA em Portugal, escreveu que “tudo é oportunismo e interesse; tudo deve ser disposto à satisfação destes”. Uma frase que completaria ao frisar que o embaixador “nunca chegará a compreender que os Estados Unidos não têm título para pedir a Portugal favores ou serviços contrários à neutralidade”.

    A forma como Trump conduz a política externa exemplifica na perfeição a conceção estadunidense das relações internacionais. A sua personalidade só torna mais vincada uma caraterística pré-existente. Algo que os europeus, sobretudo aqueles que não têm proveniência anglo-saxónica, manifestam dificuldade em compreender.

    Trump reforça no presente o pensamento do britânico Lord Palmerston quando afirmou que a Inglaterra não tinha amigos eternos nem inimigos perpétuos. Os interesses ingleses é que eram eternos e perpétuos e ao Governo cabia defendê-los.

    Por isso, Trump julga-se no direito de anunciar 22 medidas comerciais contra a China ou uma taxa alfandegária de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio provenientes da EU, e espera que Pequim e Bruxelas aceitem essas imposições sem protestos e, muito menos, retaliações contra empresas e produtos norte-americanos.

    Para o Presidente da Terra do Tio Sam, a palavra “reciprocidade” não consta do respetivo vocabulário e não integra o normativo que regula as relações internacionais.

    Felizmente, o fim do unilateralismo estadunidense traduziu-se na criação de vários centros de decisão e no consequente multilateralismo. Uma forma de limitar a dependência da UE relativamente à superpotência norte-americana. Sobretudo se a União quiser fazer jus ao nome.

    Só graças a isso é que poderá deixar de vigorar o receio expresso por Salazar quando disse: “podemos mesmo chegar a ponto de lhes dar todas as facilidades…”.

    PS vai ouvir parceiros sociais antes de formalizar propostas sobre leis laborais

    19/7/2018, 18:03

    Carlos César disse esta quinta-feira que o PS vai realizar uma série de audições com os parceiros sociais antes de formalizar as suas propostas de alteração ao diploma do Governo sobre leis laborais.

    LUSA

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    • Agência Lusa
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    O líder da bancada socialista, Carlos César, afirmou esta quinta-feira que o PS vai realizar uma série de audições com os parceiros sociais antes de formalizar as suas propostas de alteração ao diploma do Governo sobre leis laborais. A proposta do Governo para a revisão das leis laborais, que resultou de um acordo de concertação social celebrado em junho com as confederações patronais e a UGT, foi aprovado na quarta-feira, na generalidade, na Assembleia da República, com os votos favoráveis do PS, a abstenção do PSD, CDS-PP e PAN, e a rejeição do Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

    Este diploma do Governo, bem como projetos do Bloco de Esquerda, PCP e PEV também aprovados na generalidade, serão debatidos em sede de especialidade, no parlamento, em setembro próximo, antes da abertura do processo de discussão do Orçamento do Estado para 2019. Carlos César adiantou à agência Lusa que essa série de audições do PS com os parceiros sociais vai decorrer entre o final de agosto e o início de setembro, antes do debate na especialidade das leis laborais.

    “Trata-se de concretizar o objetivo do PS de promover agora uma concertação parlamentar. Vamos ouvir também quem não subscreveu o acordo de concertação social”, indicou o presidente do Grupo Parlamentar socialista, numa alusão à CGTP-IN. Carlos César referiu ainda que estas audições, pela parte do PS, destinam-se a auscultar a “sensibilidade” de cada um dos parceiros sociais sobre eventuais alterações ao acordo de concertação social, ou sobre a tradução em lei desse mesmo acordo celebrado pelo Governo.

    O primeiro-ministro, António Costa, em sucessivas declarações públicas, tem defendido que o acordo de concertação social representou “um avanço” no combate à precariedade laboral com uma limitação dos contratos a prazo, estímulos à entrada de jovens no mercado de trabalho (uma referência ao novo período experimental), mas também um reforço da negociação coletiva e a eliminação do banco de horas individual.

    Bloco de Esquerda, PCP e PEV, no entanto, em relação ao acordo celebrado pelo Governo, insurgem-se sobretudo contra o alargamento do período experimental nas contratações e a manutenção do banco de horas grupal, entre outros aspetos. Apesar desta contestação por parte do Bloco e PCP, na quarta-feira, ao início da noite, em conferência de imprensa, o presidente do Grupo Parlamentar do PS afirmou que continua empenhado numa convergência à esquerda e que, durante fase de especialidade da revisão do Código de Trabalho, em setembro, não terá o PSD como parceiro preferencial nas negociações.

    “O PS não tem uma política de aproximação preferencial ao PSD e à direita”, reagiu Carlos César, depois de confrontado com o facto de a revisão do Código de Trabalho ter sido viabilizada pelos sociais-democratas, CDS-PP e PAN, com a oposição do Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

    O líder parlamentar do PS deixou então uma mensagem aos parceiros que suportam a atual solução de Governo. “Sentimo-nos bem com a colaboração que temos vindo a manter com o Bloco de Esquerda, PCP e PEV, desejamos aprofundá-la e entendemos que há inúmeras áreas essenciais à governação que podem ser objeto de aprofundamento das declarações conjuntas subscritas pelo PS” com esses partidos, frisou.

    No caso da discussão na especialidade da revisão ao Código de Trabalho, Carlos César disse que, pela parte do PS, “haverá o maior cuidado para, respeitando o espírito do acordo, introduzir melhorias”. “A propósito da legislação laboral, o PS não vai ter nenhuma negociação preferencial à direita. Vamos apresentar propostas que são resultado da nossa reflexão”, afirmou.