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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Entre as brumas da memória

Madonna dixit

Posted: 01 Aug 2018 09:34 AM PDT

Madonna diz que Portugal é "governado por três Fs: Fado, Futebol e Fátima".

«É um país católico, o que é muito bom para mim. Lisboa lembra-me Cuba porque as pessoas não têm muito, mas têm sempre a porta de casa aberta, podes ir a qualquer canto e haverá sempre música.»

Ela que experimente deixar a porta da casa dela aberta! E como disse alguém no Facebook: «O Salazar está a dançar o Like a Virgin lá no outro mundo!»

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Catarina Martins

Posted: 01 Aug 2018 06:51 AM PDT

Entrevista à RTP3 (31.07.2018) sobre a questão Robles e não só.

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O populismo mata

Posted: 01 Aug 2018 03:18 AM PDT

«O que está a matar os refugiados no Mediterrâneo é o populismo e o crime. Do lado africano, os maiores culpados são os criminosos que traficam corpos como se fossem mercadoria sem valor. Do lado europeu, é o discurso populista dos líderes de esquerda e de direita que buscam ganhos de curto prazo agitando o medo face aos estrangeiros.

Em Itália, um navio devolveu à Líbia mais de cem imigrantes recolhidos em águas internacionais, num claro desvio à lei internacional. E isto ao mesmo tempo em que os líderes protofascistas do novo Governo de Roma facilitam uma vaga de ataques racistas um pouco por todo o país.

Já em Espanha, Pablo Casado, o novo líder do Partido Popular espanhol, fez questão de começar o seu mandato alinhando com o discurso vulgar e populista de Órban, primeiro-ministro húngaro, e seus amigos. É pena que o tenha feito. Ao agitar o fantasma da chegada de “milhões de imigrantes” e a “defesa das fronteiras”, pode ter ganho notoriedade, mas teve um discurso ao nível de um líder de uma sociedade feudal dos idos de 1300.

Com a investigação do Parlamento britânico descobriu-se que já na campanha do “Brexit” um dos argumentos mais populares a favor da saída da União Europeia foi a iminente “entrega de vistos aos 75 milhões de turcos”, algo que revela uma reacção própria do tempo das cruzadas.

E nem sequer interessa que uma das vítimas dos ataques racistas em Itália tenha sido uma atleta italiana. Ou que os pedidos de asilo em Espanha se reduzam a menos de 20 mil por ano. Ou que Bruxelas nunca tenha sequer considerado a hipótese de abrir as fronteiras à Turquia. Os factos valem pouco, quando o que interessa é agitar emoções. E estamos em tempos de indignação – em que se empunham facilmente as forquilhas virtuais para discutir nas redes sociais, ampliando o discurso de ódio e propagando ainda mais a ignorância.

Estes discursos revelam mais do que as necessidades de ganhos de curto prazo. Revelam o desprezo pelo espaço público e pela comunidade que estes políticos devem servir. Quando à verdade se sobrepõe a demagogia, a democracia está em risco e a política morre mais um bocadinho.

Se estes políticos querem reforçar as fronteiras, que se preocupem em construir uma União Europeia mais forte – porque é garantido que não será a fronteira em Melilla ou a costa escarpada da Sardenha que vão, por si só, impedir de existir o problema dos imigrantes. Se o querem resolver, ajudem a criar uma política verdadeiramente continental e parem de bloquear os esforços para o conseguir. Mas isso exigiria postura de Estado, algo que neste momento não abunda na Europa.»

Diogo Queiroz de Andrade

Quadros sociais da ignorância: a questão escolar

  por estatuadesal

Joseph Praetorius, 01/08/2018)

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Joseph Praetorius

(Excelente texto para começar o mês de Agosto. A refletir sobre o ensino, a Universidade, a vida política, as elites, ou melhor a ausência delas, que sejam esclarecidas.

Comentário da Estátua, 02/08/2018)


Na sequência do medonho conflito de 14/18 do século anterior, os jovens regressados da frente de combate alteraram radicalmente o panorama político das suas terras. Fizeram-no com base na mais intensa experiência organizacional que tinham conhecido. A militar.

Foi assim à esquerda e à direita. Visavam o regime censitário e o estado que lhes remetia a maioridade para os vinte e cinco anos (e ainda assim admitia protestos quanto à imaturidade da idade em que a maioridade era concedida). Venceram esse estado. Generalizadamente. À esquerda e à direita. De Lisboa a Moscovo.

Isto é evidentemente assim, embora os historiadores tenham nisto sido menos claros que as testemunhas e protagonistas desta era. Eu tive isto esclarecido num texto de Rolão Preto, que mo explicou muito melhor do que qualquer historiador.

Hoje porém o serviço militar obrigatório foi afastado. O exército tem menos atiradores do que qualquer polícia tem agentes. Não há pois lugar para a primeira experiência do comando e obediência. Acabou a longa era em que um homem maduro olhava como uma maravilha a juventude "que se doira com as primeiras armas e dá as primeiras ordens", como a Yourcenar fez pensar ao seu Adriano.

A experiência organizacional marcante é portanto a escola superior, uma escola que perdeu as características da Universidade e se remete à formação profissinal, sobretudo,

As pessoas frequentam-na para aprenderem a fazer alguma coisa.

Não já propriamente para responderem à curiosidade intelectual, que arrastava a passo de mula os medievos tocados pelas ânsias da vocação nas estradas de meia Europa.

Não já para imporem ao corpo docente que lhes responda, imposição que se fez em revolta e exigiu, em Paris, as respostas às questões "quod libet", questões a cujas respostas, com liberdade a partir de então admitida, os estudantes podiam submeter os mestres e que o Estatuto Manuelino da Universidade ampliou e a um tempo restringiu. Restringiu porque tirou tais questões da aula, ordenando ao lente que permanecesse meia hora à porta da cátedra para responder às dúvidas dos que passassem. Ampliou, parece, porque não fez exigências de estatuto a quem passava. Não era preciso ser estudante para ir a Coímbra matar dúvidas.

Na Universidade que resta perdeu-se até a livre disposição de si próprio quanto às matérias a estudar. O mestrando ou doutorando pode estar, por exemplo, interessado no Direito Internacional dos Direitos do Homem, mas ser remetido para o Estudo comparado da regionalização administrativa, porque isso dá mais jeito ao orientador, que ,aliás, estaria mesmo a precisar que alguém lhe organizasse o último material saído sobre tal tema...

É um pouco o prolongamento dos efeitos disparatados do menosprezo pela orientação vocacional no acesso ao ensino superior. O miúdo queria ir para Biologia mas ia para Germânicas porque veio da África do Sul e sabia bem Inglês. (Vi um caso assim, salvo por um casamento norueguês que devolveu a viabilidade à vocação). O miúdo queria ir para História mas foi para Comunicação Social ter aulas com a Judite (e equivalentes), experiência pela certa inolvidável, e, por tudo, encontramos engenheiros informáticos e enfermeiros como agentes imobiliários. Há uns vinte por cento (talvez um pouco mais) de pessoas a trabalharem nas suas áreas de formação superior.

Um desperdício , em síntese. E um desprezo pelas gerações mais novas que não deve esquercer-se e deveria estudar-se.

Ora sendo isto a grande experiência organizacional que se tem até aos vinte e cinco anos, receio que comecemos a notar as influências respectivas.

A primeira - e talvez não a mais infeliz - vem dada pela batota nos curricula. Um qualquer homem apresenta um grau que não tem, em universidade onde ninguém ouviu falar dele, ou plagiou a tese, ou comprou a tese, ou deram-lhe equivalências, ou qualquer desgraça dessas. São coisas do domínio do anedotário. Não parecem ter grande relevância em plano geral, a não ser como sintoma.

A outra influência vem dada pelos directórios políticos. Quando examinam uma posição, uma candidatura, ou um projecto, organizam um júri de exame escolar. Onde as pessoas são aprovadas ou chumbam, nas propostas que apresentam. É caricatural. E deve provocar rombos assinaláveis nas motivações militantes.

A terceira influência é ilustrável por esta notícia: uma pascácia judicante brasileira, mas igualzinha a várias (e vários) que aqui tenho visto, armada de uma estupidez assassina, mas, pensa ela, teoricamente ilustrada, - como se parece pretender no CEJ a piorar todos os anos - impede o Presidente Lula de dar entrevistas no cárcere, porque a lei "não embasa" (sic) essa pretensão.

As deficiências de preparação técnica vêm dadas pelo completo desconhecimento das obrigações internacionais do Estado Federal em matéria de Direitos Humanos, decorrentes da ratificação do texto e protocolos da Convenção Americana dos Direitos do Homem (Ver aqui). A triste criatura não tem sequer a noção da natureza da pena (que é a privação da liberdade ambulatória, mas de mais nenhuma, a menos que sanções assessórias tenham estabelecido outras privações).

A estupidez vem dada pela insensibilidade grotesca perante a injustiça (até os animais revelam sentido de justiça, limitado embora, e reagem mal à frustração de expectativas geradas no cumprimento de tarefas). A estupidez é o embotamento da sensibilidade daquele a quem a injustiça não faz reagir, como ensinou S. Isidoro de Sevilha. E é sempre tendencialmente assassina, o que está claro desde a Alegoria da Caverna. (Estamos portanto longe de quaisquer "modernices").

Daqui decorre que a assunção pessoal deste modelo referencial de organização traz a consequência de cada funcionário entender a sebenta, o compêndio, ou manual, como horizonte máximo do conhecimento possível.

Recordo o sarcasmo de Rolão Preto diante de Salazar - “um professor entre professores”. Ele notava-o como uma anomalia, um desajuste, quase um disparate. De resto, deixou escrito noutro lado que “o catedrático não pensa, adopta”. Os homens de laboratório terão dificuldade em perceber isto, mas, aos mais velhos, pelo menos, aponto como exemplo os livros de Filosofia do Saraiva, no liceu, e a sua batidíssima “posição adoptada”. Aquilo era um livro de instruções para matar perguntas fundamentais. Um culturicídio. E o inteiro salazarismo, sendo coisa nenhuma, traduz-se simplesmente num conjunto de sucessivas posições adoptadas, em quadro de exigido vazio de convicções gerais, a suprir, quando conveniente, pela “doutrina social da igreja” (coisa infinitamente mais sinistra do que qualquer vacuidade).

É preciso começar a combater o desvirtuamento da Escola como fonte de gravíssimo desvirtuamento da vida pública, em todos os quadrantes. Trata-se, portanto, de um quadro social de ignorância nefastíssima e assim deve ser combatido. Pelo menos em Direito isso é gritante. Mas em todo o campo das Ciências Sociais e Humanas não se andará longe (e não o digo com alegria).

Em Medicina - cuja orgânica universitária não conheço do interior - intuo que a autoridade do mestre, assente na experiência clínica própria e na técnica que ali maturou, possa também conhecer desvirtuamentos nefastos. Tenho encontrado (embora tenha visto médicos de outro recorte) gente de quase cretina aplicação escolar nas enfermarias hospitalares. Agarradinha aos protocolos e sem nada de pessoal a acrescentar-lhes. Nem a habilidade de mãos sensíveis e treinadas. Nem a atenção centrada no que se faz e não na figura que se está a fazer. Estão no mesmo estado do polícia de trânsito que agrava o engarrafamento por querer moralizar os automobilistas, de acordo com o que lhe ensinaram na escola. Tímidos e portanto vaidosos e violentos. Ineptos, também, o que agrava tudo. (Não tiveram professores, instrutores e formadores decentes, portanto).

Pareceram-me circunstâncias todas similares.

E há coisas que não podem consentir-se.

Robles, hienas e abutres

Novo artigo em Aventar

Robles, hienas e abutres

por João Mendes

Foram de árduo trabalho, estes últimos dias em que as hienas e os abutres saíram à rua para tentar convencer os portugueses que o caso Robles coloca o Bloco de Esquerda no mesmo patamar dos antros de contradições, desonestidade, tráfico de influência e corrupção em que se transformaram, há décadas, os partidos do chamado “arco da governação”, apesar de ainda lá resistirem algumas pessoas de bem.

Foi hercúleo, o esforço empregue pela imprensa arregimentada à direita – que é quase toda, apesar da trampa lusitana que se esforça por aldrabar as ovelhas do contrário – pelos painéis de comentadores televisivos, onde o CDS-PP parece ter a dimensão do PSD e do PS, e pelos opinadores virtuais independentes com cartão de militante, que alternam, quais alternadeiras, entre contas pessoais e perfis falsos de patifaria eleitoral.

Durante os dias quentes da polémica, Ricardo Robles disputou espaço mediático com Cristiano Ronaldo. Sim, chegamos a esse ponto. O sistema não podia perder a oportunidade de tentar destruir o Bloco de Esquerda. Foi o que foi. E só foi porque Robles assim o quis. O agora ex-vereador bloquista, que fez campanha com o foco na oposição à especulação imobiliária, era afinal um especulador imobiliário. Uma vergonha. Uma facada no partido que representa. Um dos piores momentos de sempre do Bloco de Esquerda, talvez o pior. Mas, ainda assim, a anos-luz da canalhice a que nos habituou a fina-flor da elite que vem comandando o bloco central, táxi incluído. Ler mais deste artigo

Da hipocrisia…

  por estatuadesal

(Dinis Jesus, 01/08/2018)

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(Mais uma opinião, diz a Estátua...)


Nos últimos dias temos assistido a um desfiar de críticas à atuação de Robles, críticas vindas das mais diversas bandas e sensibilidades políticas.

A esses só tenho uma coisa para dizer:

O que é importante é combater legislativamente a especulação desenfreada e a gentrificação das cidades com forte procura turística. É pouco importante, é mediocridade intelectual mesmo, acusar de incoerência ou hipocrisia quem numa determinada altura da sua vida fez uma escolha pelo comprar e valorizar um imóvel, com ou sem a intenção de o vender depois, para incrementar o seu património, vivendo, esse alguém, num mundo que se rege pelas leis do mercado praticamente livre.

A maioria dos que atacam Robles… sim é de um ataque que se trata, o que gostariam era de estar no seu lugar e o que os move é essencialmente a inveja de não estarem.

Sobre coerência e purismo ideológico deixo uma só frase:

Bom é ser “filho da puta” defendendo o ser “filho da puta”, já o ser “filho da puta” condenando o ser “filho da puta” é uma coisa altamente censurável. Sim porque, para a direita nojenta e trauliteira, haverá talvez outra direita, ser hipócrita ou incoerente é muito pior do que ser “filho da puta”. Já sobre a esquerda que alinhou nesse discurso, pequeno, do ataque pessoal, pela incoerência da atuação do Robles, resta-me sentir pena deles…servem a direita e acrescentam zero ao que defendem.

Não me incomoda que no mundo existam um ou mil “filhos da puta”, incomoda-me sim que o mundo se reja por leis “filhas da puta”. Contra essas sempre esteve, muito provavelmente ainda está, o Ricardo Robles. Já o achar que só os “filhos da puta”, por serem e defenderem ser “filho da puta” têm direito a fazer crescer o seu património me incomoda de sobremaneira. Incomodam-me também os que mentem descaradamente para prejudicar outros com base em coisas que podiam acontecer…é que o homem até hoje não vendeu nem lucrou nada e o ter à venda por aquele preço não quer dizer que alguma vez o venda por um preço próximo sequer.

NOTA: O termo “filho da puta” prende-se apenas com comportamentos dos próprios e nada tem a ver com a mamã seja lá de quem for. Prende-se também com a ideia de ser provocador, até violento, para chamar a atenção para o que pretendo dizer. Não vá a malta alinhadinha e bem-comportada, na língua, ficar perturbada com a minha linguagem.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

PORQUE NÃO QUERES SER POBREZINHO, PÁ?

  por estatuadesal

(José Gabriel, 01/08/2018)

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Canais de televisão, exercendo aquilo a que chamam jornalismo de investigação, parece que resolveram fazer uma pornográfica incursão por tudo o que é propriedade ou rendimento de tudo quanto é figura de relevo na esquerda.

Querem fazer render o caso Robles, que está encerrado e não "dá mais". Sejamos claros: este foi um caso de incoerência entre o que se proclama e o que se faz, com consequências políticas que feriram, sobretudo, o seu partido. Só isso, e já não é pouco. Quanto ao resto, que use dos seus direitos e cumpra os seus deveres é o que dele esperamos - o mesmo que, afinal, exigimos a nós próprios.

Mas a corja mediática não descansa. E agora, descobriram que a líder do BE é sócia de uma empresa familiar que se dedica a restaurar casas para turismo rural. E que temos nós a ver com isso, ó jornalistas da treta? Qual é o problema, se nem uma suja insinuação vos vale? E, deixem-me dizer-lhes, aquilo que quisestes que fosse um ataque, acabou por ser um elogio: as reconstruções daqueles modesto palheiros ficou um mimo e é digna de elogios.

O que se segue agora? Saber quanto custou o carro de um qualquer perigoso revolucionário? Descobrir as obscenas quantias que alguns figurões de esquerda gastam em livros ( e quadros! Eles chegam a ter quadros e outros luxos! )? E quantas divisões tem a casa de um qualquer comunista? Esta é a perspectiva da direita: os militantes da esquerda mais consequente deveriam ser Franciscanos, fazer voto de pobreza, viverem em total despojamento.

Ó gente da direita analfabeta, a luta de classes não é entre bons e maus, entre pobrezinhos e ricos, mas o antagonismo entre as classes matriciais de um dado modo de produção que dela decorre tem reflexo económicos, políticos, ideológicos que em muito determinam as opções dos cidadãos.

É aqui que ganha sentido a tendência dominante das vossas chafaricas jornalísticas. Fazem o seu papel. Mas a prova que o fazem com os pés é, de quando em quando, um dos vossos bonzos sentir necessidade de declarar que "a comunicação social tem tendência de esquerda".