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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

25 mais ricos de Portugal detêm 18 mil milhões da riqueza

Catarina Melo

  • 31 Julho 2018

Os Amorim são os mais ricos, seguidos pela família de Alexandre Soares dos Santos. Herdeiros de Belmiro de Azevedo reconquistam o terceiro posto.

17,9 mil milhões de euros, o equivalente a 10% da riqueza nacional. Este é o balanço da fortuna das 25 famílias mais ricas do país elaborado pela revista Exame e que é publicado nesta terça-feira. A família Amorim mantém a liderança do ranking, logo seguida pela família de Alexandre Soares dos Santos, e pelos herdeiros de Belmiro de Azevedo, que regressam ao pódio destronando a família Guimarães de Mello que passa para quarto lugar.

De acordo com a 15.ª edição do estudo da Exame, a fortuna das 25 famílias mais ricas do país está avaliada em 17,9 mil milhões de euros. Valor que representa um decréscimo ligeiro face aos 18,9 mil milhões apurados na análise anterior, equivalente a perto de 10% do Produto Interno Bruto português. Parte da responsabilidade por essa redução estará na diminuição da fortuna da família Alexandre Soares dos Santos.

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O valor foi apurado a partir da análise de centenas de relatórios, comunicados registos e notícias que permitiu identificar as 25 maiores fortunas do país.

Desta análise, a família Amorim volta a sobressair na liderança do ranking, com uma fortuna avaliada em 3.849 milhões de euros. A maior fatia desta fortuna que é gerida por Paula, Marta e Luísa, viúva de Américo Amorim falecido há cerca de um ano, resulta das ações detidas no capital da Galp Energia e na Corticeira Amorim. A petrolífera tem um valor de mercado de 13 mil milhões de euros, enquanto a corticeira tem uma capitalização bolsista de cerca de 1.500 milhões de euros.

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Mas o grupo também mantém posições em alguns bancos como o Banco Carregosa, o Banco Único de Moçambique e o Banco Luso-Brasileiro, isto apesar de estar a levar a cabo algum desinvestimento no setor financeiro. A área florestal, um vasto imobiliário e várias marcas de luxo compõem ainda a fortuna dessa família.

A família de Alexandre Soares dos Santos é a que se segue, ocupando o segundo lugar do pódio. Isto apesar de a respetiva fortuna até ter sofrido um decréscimo no último ano, para os 1.818 milhões de euros. A quebra na fortuna desta família deveu-se sobretudo à desvalorização das ações da Jerónimo Martins. O património inclui, na área da distribuição, 3.677 supermercados em todo o mundo, das marcas Pingo Doce e Recheio, em Portugal, Biedronka, na Polónia, e Ara, na Colômbia. Na área industrial, destaca-se uma parceria com a Unilever, detendo ainda a marca Azeite Gallo. A faturação do grupo ascende a cerca de 16,2 mil milhões de euros.

Já os herdeiros de Belmiro de Azevedo saltaram do quarto posto para o terceiro lugar do ranking elaborado pela Exame. A fortuna dos negócios geridos por Cláudia, Nuno e Paulo Azevedo ascende a 1.463 milhões de euros. A recuperação deste lugar, que na edição do ano passado era ocupado pela família Guimarães de Mello, deveu-se a uma ligeira valorização das ações das cotadas do universo Sonae.

Entre os mais ricos estão, em quarto lugar, a família Guimarães de Mello, cujos negócios são geridos por Vasco de Mello, com um total de 1.456 milhões de euros. Segue-se António da Silva Rodrigues do grupo Simoldes na quinta posição, com uma fortuna avaliada em 1.050 milhões de euros.

Governo negoceia Web Summit em Lisboa por mais dez anos

António Costa e Mariana de Araújo Barbosa

  • 27 Julho 2018

Negociação com Governo e câmara de Lisboa continua. Em cima da mesa, acordo de 5 mais 5 anos, o que faria a maior conferência de tecnologia e empreendedorismo do mundo ficar por Lisboa até 2028.

Paddy Cosgrave e António Costa, entre Manuel Caldeira Cabral e Fernando Medina.JOSÉ SENA GOULÃO / EPA

O Governo está a negociar a continuidade do Web Summit em Lisboa por um período de cinco mais cinco anos, apurou o ECO junto de fontes que acompanham este processo. O Ministério de Caldeira Cabral estará na liderança das negociações, acompanhado do ministro Pedro Siza Vieira, ministro-adjunto, e de Fernando Medina, em representação da câmara Municipal de Lisboa, além do envolvimento direto do primeiro-ministro, António Costa. Esta negociação estará já na fase final de discussão jurídica mas, como avançava outra fonte ao ECO, só estará fechada quando for assinada: “Em qualquer momento, poderá haver um ‘deal break’ neste processo, até porque o líder do Web Summit, Paddy Cosgrave, tem outras ofertas a correr em paralelo, designadamente de Espanha”, afirma.

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A ideia de manter o maior evento de tecnologia e empreendedorismo do mundo em Lisboa por, pelo menos, mais cinco anos (com opção de outros cinco, o que deixaria o evento em Portugal até 2028), está alinhada com os planos do Governo de continuar a apostar na dinamização e apoio ao ecossistema empreendedor, materializado recentemente, por exemplo, pelo anunciado Startup Portugal +, um reforço à estratégia nacional para o empreendedorismo lançada há dois anos. E estará relacionada também com outras propostas igualmente ambiciosas a ser apresentadas. Costa quer colar a imagem do país ao Web Summit e, para isso, além de um contrato de longo prazo, quer também realizar eventos internacionais com a marca da conferência e com a marca Portugal.  Mas, para conseguir fechar este dossiê, vai ter de pagar mais do que os 1,3 milhões de euros por ano que são atribuídos hoje, entre as verbas do Turismo de Portugal e da Câmara de Lisboa.

As negociações para a localização do Web Summit, já a partir de 2019, continuam a decorrer. E Portugal, garantia o ministro da Economia a 9 de julho, tem uma “oferta competitiva” em cima da mesa para o evento que, em 2017, gerou um impacto de mais de 300 milhões de euros para a economia portuguesa em áreas como a hotelaria e os transportes.

“Penso que os responsáveis pelo Web Summit, que mudaram para Portugal a sede da organização, querem cá continuar. E penso que vamos conseguir um bom resultado”, dizia na altura Manuel Caldeira Cabral. Uma das questões em cima da mesa é a existência de espaço físico para a conferência continuar a crescer.

“Há negociações sobre onde vamos estar no próximo ano e o que eu posso dizer é que essas negociações estão a decorrer. Estamos em negociações com muitas cidades”, dizia Mike Harvey, diretor de comunicação e estratégia do Web Summit à Lusa, acrescentando que a organização conseguia ainda, na edição de 2018, acrescentar assistentes ao número do ano passado. “Sim, conseguimos trabalhar com o espaço que temos: a Altice Arena, a FIL, que são ambos locais fantásticos. Podemos trabalhar, de forma criativa, para garantir que todos cabem e que todos têm uma experiência ótima“.

Em 2017, a conferência recebeu mais de 59 mil pessoas de 170 países mas a organização, aquando do anúncio de que o evento viria para Portugal, antecipava a possibilidade de o Web Summit crescer até aos 80 mil assistentes nos três anos contratualizados.

Podemos trabalhar, de forma criativa, para garantir que todos cabem e que todos têm uma experiência ótima.

Mike Harvey

Diretor de comunicação e estratégia do Web Summit a 15 de maio

Este ano, de acordo com a organização, o número de participantes deverá chegar às 70 mil pessoas mas a estratégia da empresa irlandesa passa por continuar a crescer.

Foi a antecipação desse crescimento, de resto, uma das razões que levou a organização a deslocalizar a Collision, evento-irmão do Web Summit, de Nova Orleães para Toronto, no Canadá. E, também, com uma enorme projeção política: o anúncio foi feito pelo próprio primeiro-ministro canadiano, num vídeo veiculado nas redes sociais.

A conferência, o evento que mais tem crescido na América do norte atualmente, é, em dimensão, mais pequeno do que o Web Summit. Na quinta e última edição, este ano, a conferência passará dos iniciais 5.000 participantes para as 25.000 pessoas, de acordo com as previsões da organização. Segundo as estimativas do Web Summit, a conferência que agrega 12 palcos em simultâneo deverá atrair para Toronto, nos próximos três anos, mais de 90.000 participantes e ter um impacto económico de 147 milhões de dólares.

De acordo com Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, a mudança para a região de Toronto esteve relacionada com a “dimensão do setor de tecnologia e a diversidade e inclusão do Canadá”. A Collision 2019 vai realizar-se no Enercare Centre, em Toronto.

Quem quer ficar com o Web Summit?

A 5 de junho, Valência anunciou que estava também a negociar que o evento se mudasse para a região já na edição do próximo ano. À Lusa, o governo regional e a câmara municipal de Valência adiantavam a oferta em cima da mesa: cinco milhões de euros (2,5 milhões por entidade). O ECO sabe que, neste momento, a negociação com a empresa irlandesa já superou o governo regional e é, atualmente, o Governo espanhol que lidera as negociações para levar o evento para Valência ou para outra cidade espanhola. A estratégia seguida vai ao encontro da protagonizada por Portugal que, desde o primeiro momento, tem tido representantes do Governo nacional e da autarquia lisboeta a liderar o processo.

Esta quinta-feira, Espanha anunciava também que Bilbau, Madrid e Valência competem, em bloco, para ser sedes do Web Summit a partir do próximo ano, segundo comunicado de imprensa do Ministério da Indústria, Turismo e Comércio espanhol. De acordo com a Lusa, as cidades espanholas competem com Londres, Paris, Berlim, Dubai, Hamburgo e Munique, além de Lisboa.

Contactado pelo ECO, o Web Summit não quis comentar os termos do acordo, adiantando apenas que “as negociações continuam”. Contactado pelo ECO, o Ministério da Economia não respondeu às questões colocadas até à publicação desta notícia.

O Homem nunca foi à Lua

João Barros, Economista

31 Jul 2018

As pseudo-notícias que apelam ao lado emocional e às preferências sociológicas dos eleitores ganham maior atenção do que a informação factual, verificada e publicada pelos meios de comunicação tradicionais.

A Wikipedia define fake news como “a distribuição deliberada de desinformação ou boatos (…) com a intenção de enganar e, com isso, danificar uma agência, entidade ou pessoa, e/ou obter ganhos financeiros ou políticos”.

Na era do Pós-Verdade, em que assessores de imprensa defendem factos refutáveis por mera observação, conselheiros políticos se referem a “factos alternativos” e líderes de campanhas se demarcam das suas promessas horas após ganharem uma eleição, pseudo-notícias apelando ao lado emocional e preferências sociológicas dos eleitores ganham maior atenção e, por conseguinte, geram mais lucro a quem as publica do que informação factual, verificada e publicada pelos meios de comunicação tradicionais, ao conseguir mais clicks e visualizações.

Isto poderá surgir do facto de, hoje em dia, o consumo de notícias se apresentar mais como uma forma de lazer do que um exercício de responsabilidade democrática, dada a percepção de que cada voto, individualmente, tem um valor residual no resultado da eleição, aliada à quantidade de meios de comunicação e da sua distribuição mais ou menos evidente ao longo do espectro político.

No entanto, um fenómeno conexo a este apareceu: a completa descredibilização e suspeita constante dos chamados “media tradicionais”. Basta observar o ataque à CNN, a quem o Presidente dos EUA se recusa a responder, apelidando-o de notícias falsas, no que me parece constituir um claro ataque à liberdade de imprensa.

E, se por um lado não pretendo de todo retratar como infalíveis ou inquestionáveis as peças e posições desta cadeia noticiosa, por outro é insultuoso classificar uma das mais antigas estações televisivas americanas com o mesmo rótulo que sites anónimos com uma agenda de propaganda bem definida. Mas a verdade é que o rótulo pegou e, talvez numa atitude de mímica acefálica que tanto nos caracteriza, já chegou a Portugal.

A boa informação é precisa (nos dois significados da palavra); mas saber comunicá-la também. Vejamos, por exemplo, a investigação do Correio da Manhã sobre o prédio de Ricardo Robles: ao comunicar mais um dado relevante e, à altura, novo relativamente ao valor patrimonial e consequente IMI a pagar pelo imóvel de Alfama, o matutino escolheu como manchete “Fisco faz saldo a casa de Ricardo Robles”.

Ora, se o core da notícia não me oferece razões para a questionar, a expressão “faz saldo” sugere uma premeditação, insinua um papel activo do fisco numa falha para a qual não existem indícios de fraude. E, se eu, enquanto indivíduo, posso, em conversa de amigos num qualquer bar, fazer tal insinuação (a clássica conversa do “só mudam as moscas”), um jornal com responsabilidade social e dever de informar (esqueçamos por momentos de que jornal falo) não o pode fazer.

Porque estas são as situações que descredibilizam a comunicação tradicional – não mentiras óbvias, como muitos dos leitores da National Review pensarão, pois, já dizia o povo, “mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo” – e levam à adesão a correntes de “factos alternativos” e manchetes sensacionalistas de como o Homem nunca foi à Lua. Curioso que, sem me perguntassem, diria que a massa cinzenta de muita gente lá foi – e se perdeu na viagem.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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Universidade no Japão manipulou exames para admitir menos mulheres

HÁ 21 MINUTOS

Uma universidade privada de medicina em Tóquio manipulou, supostamente durante vários anos, os resultados dos exames de acesso à instituição com o objetivo de admitir menos mulheres.

KIMIMASA MAYAMA/EPA

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  • Agência Lusa
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Uma universidade privada de medicina em Tóquio manipulou, supostamente durante vários anos, os resultados dos exames de acesso à instituição com o objetivo de admitir menos mulheres, noticiaram esta quinta-feira os jornais japoneses.

O caso está a ser investigado por um escritório jurídico contratado pela própria universidade, que aguarda nas próximas semanas por conclusões que esclareçam melhor a situação, disse um porta-voz daquele estabelecimento do ensino superior à agência de notícias Efe.

O caso foi tornado público no momento em que o Ministério Público de Tóquio investiga a mesma universidade pela suposta pressão exercida por um alto funcionário do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia para que esta admitisse o seu filho, sob a ameaça de retirar a ajuda pública.

A Universidade de Medicina de Tóquio começou a manipular os resultados obtidos pelos candidatos para estudar medicina em 2011, depois de ter registado um aumento no número de alunas no ano anterior. Nesse ano, 40% dos novos alunos da universidade privada eram mulheres, o dobro do registado em 2009.

Desde então, o conselho de administração da universidade aplicou critérios mais restritivos na avaliação de mulheres nos exames de admissão de forma a manter a percentagem de estudantes do sexo feminino em cerca de 30% do total de novos alunos, segundo o jornal Yomiuri, que cita fontes ligadas ao processo, mas sem as identificar. Na base da manipulação estaria a ideia de que os homens são mais adequados à profissão médica, porque as mulheres japonesas frequentemente param de trabalhar depois de se casarem e de terem filhos, segundo o jornal japonês.

No Japão, aproximadamente metade das mulheres deixa definitivamente os seus empregos depois de se tornarem mães, devido a fatores socioculturais e dificuldades em conciliar vida a familiar e profissional neste país asiático. O Governo lançou a estratégia “Womenomics” para promover uma maior participação feminina no trabalho, mas o país continua a registar uma diferença salarial entre homens e mulheres, bem como uma diminuta presença do género feminino nas grandes empresas e na classe política.