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domingo, 5 de agosto de 2018

Novo partido de Santana Lopes poderá desviar votos do CDS, do PSD e do Bloco de Esquerda

4/8/2018, 23:18

Sondagem da Aximage para o Negócios - feita ainda antes da saída oficial de Pedro Santana Lopes do PSD - indica que um em quatro eleitores do Bloco não rejeita votar num novo partido liberal.

HUGO DELGADO/LUSA

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O novo partido anunciado por Pedro Santana Lopes, de cariz liberal – como confirmou o próprio ao Observador – poderá “tirar eleitores ao PSD, mas também ao CDS e ao Bloco de Esquerda”, indica uma sondagem da Aximage para o económico Jornal de Negócios.

De acordo com o trabalho da Aximage, conduzido em meados do mês de julho e divulgada hoje na edição online do Negócios, um em cada quatro inquiridos (24,4%) não rejeita a possibilidade de votar na nova formação de Santana Lopes se este se apresentar a votos nas legislativas de 2019.

Numa análise mais fina, e como seria de esperar, o novo projeto político do ex-primeiro-ministro parece seduzir, principalmente, o eleitorado de direita: 37,5% dos votantes do CDS inquiridos pela Aximage admitem apoiar o novo partido de Santana Lopes (que ainda não tem nome definido).

É certo que a sondagem foi feita ainda antes de Santana Lopes ter anunciado oficialmente a sua saída do PSD (através de uma carta aberta aos militantes que o Observador divulgou), mas o trabalho foi conduzido já (duas semanas) depois de o antigo provedor da Santa Casa ter dito – numa entrevista à Visão – que “a sua intervenção política” no PSD tinha chegado ao fim.

Mesmo assim, 27,8% dos eleitores “laranja” mostraram-se disponíveis para acompanhar Santana Lopes na nova formação.

Mais surpreendente é a capacidade de captação num dos partidos à esquerda do PS: o Bloco de Esquerda. A fazer fé nos números da Aximage, um quarto dos eleitores do Bloco (25,1%) admite mudar o sentido de voto para o ex-primeiro-ministro social-democrata. Já no outro “braço” que apoia a “geringonça” – o PCP – Santana Lopes não convence: apenas 3,8% dos comunistas (CDU, que engloba PCP e PEV) inquiridos pela Aximage admitem dar-lhe o voto.

Por último, entre os eleitores do PS só 13,8% admitem a possibilidade de votar na nova formação de Pedro Santana Lopes.

Uma sondagem recente para a SIC/Expresso revelou que há 4,8% de portugueses que votariam no novo partido de Santana Lopes e outros 15,2% que não excluem determinantemente essa hipótese. Mas a sondagem da Aximage faz outro tipo de pergunta, no sentido de aferir quantos inquiridos disseram que votariam de certeza no partido de Pedro Santana Lopes. E a resposta é 1,9%, o suficiente para que o ex-presidente da Câmara de Lisboa (e da Figueira da Foz) se elegesse, pelo menos a si, para o parlamento, como nota o Negócios.

A sondagem da Aximage foi feita a partir de uma amostra de 600 entrevistas telefónicas, feitas entre 13 e 16 de julho. A taxa de resposta foi de 75,6%. A “margem de erro” (a 95%) é de 4,00%.

Hipermercados usam menos plástico, têm pratos e copos recicláveis e apostam no granel

HÁ UMA HORA

Os hipermercados estão a utilizar menos plástico e juntam ao corte nos sacos a substituição de pratos e copos naquele material por recicláveis e a aposta na venda a granel.

JOAO ABREU MIRANDA/LUSA

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  • Agência Lusa
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Os super e hipermercados estão a utilizar menos plástico e juntam ao corte nos sacos a substituição de pratos e copos naquele material por recicláveis e a aposta na venda a granel, enquanto estudam novas soluções para o futuro.

As opções seguidas para lutar contra o plástico, cada vez mais presente na natureza e que aí permanece centenas de anos, são semelhantes no que respeita aos sacos, que, aliás, foram objeto de uma lei, ou à redução daquele material nas embalagens.

Mas encontram-se algumas diferenças entre as marcas nos objetivos marcados – chegando à intenção de acabar com os plásticos de utilização única -, nas alternativas disponibilizadas – uma delas o reenchimento de garrafas de água na loja, outra a venda de descartáveis ecológicos, feitos de materiais naturais -, ou na forma de sensibilizar os consumidores.

A agência Lusa colocou algumas questões acerca das estratégias e medidas sobre o plástico a cinco empresas das cadeias de super e hipermercados mais representativos no país: Sonae MC, Jerónimo Martins, Auchan Retail Portugal, Lidl Portugal e Grupo DIA.

A Auchan, que detém a marca de hipermercados Jumbo, fixou o objetivo de “acabar com os plásticos de utilização única” e procura alternativas para cumpri-lo, como a introdução de um saco em papel ‘kraft’, a utilização de embalagens reutilizáveis para encher na loja ou a aposta nas vendas a granel, refere fonte oficial do grupo.

Um exemplo das novas opções, disponível deste março, é a linha de descartáveis de pratos, tigelas, copos e talheres, mais ecológicos já que os primeiros são feitos de bagaço de cana de açúcar, um recurso renovável e natural, um material biodegradável após a utilização e compostável, e os talheres são de madeira com a certificação FSC, de produção sustentável.

O Lidl quantificou a sua meta: compromete-se a reduzir em 20% a utilização de plástico até 2025. A primeira medida, para concretizar a partir deste mês, é descontinuar o sortido dos artigos de plástico descartável, como copos e pratos, nas mais de 250 lojas que o grupo tem em Portugal, explica o administrador de compras do grupo em Portugal, Bruno Pereira.

Com base nas previsões da empresa, aquela medida vai evitar a entrada no circuito de 12,5 milhões de copos e de cinco milhões de pratos de plástico descartável por ano.

Estes artigos serão substituídos por produtos em material alternativo e reciclável, ainda alvo do trabalho em conjunto com os seus fornecedores. Numa segunda fase, o objetivo é substituir as palhinhas e talheres.

À pergunta sobre a procura de alternativas aos produtos descartáveis, a Jerónimo Martins, refere que, no Pingo Doce, estão atentos a este tema e “estão a ser estudadas todas as alternativas (materiais biodegradáveis, papel e outros) pelo que é prematuro identificar nesta fase qual a melhor solução face às necessidades e preferências dos consumidores”.

O departamento do Relações Exteriores do grupo DIA limita-se a dizer que “está a avaliar diferentes opções que possam satisfazer os seus clientes, preservando a segurança dos produtos, minimizando o seu desperdício, e que sejam sustentáveis do ponto de vista do ambiente”.

Fonte da Sonae MC, dos hipermercados Continente, aponta a existência de um grupo de trabalho multidisciplinar e transversal a todas as áreas de atuação da empresa para o desenvolvimento e implementação de medidas visando um uso mais responsável do plástico, desde a marca própria, logística, fornecedores, até ao nível interno e também da sensibilização do consumidor, a que acresce o trabalho já feito para a redução da espessura de plástico dos diferentes produtos.

Algumas das lojas destes grupos têm cafetarias ou restaurantes, espaços em que o princípio da redução do plástico também é seguido, como é o caso da Jerónimo Martins, onde “já há muitos anos” que se aposta em loiças e talheres reutilizáveis, “estando a ser corrigidas todas as situações em que pontualmente isto possa não acontecer”.

“Até ao final deste ano, podemos adiantar que, por exemplo, vamos acabar com a loiça de plástico nas nossas cafetarias e vamos substituí-la por loiça de cerâmica, talheres de inox e copos de vidro”, avança a Sonae MC.

A Jerónimo Martins aponta também o projeto ECO de reenchimento de garrafas de água, já em curso em 14 lojas, mas que será alargado a mais.

Todos os grupos referem a substituição de sacos de plástico por outros reutilizáveis e a aposta nas vendas a granel, adotada pela maior parte dos hipermercados e que tem vindo a ser desenvolvida de modo a abranger mais produtos.

A Auchan explica que hortofrutícolas que eram comercializados em cuvetes ou sacos de plástico passaram a ser vendidos a granel, havendo a possibilidade de o cliente juntar vários tipos de alface num só saco – permitindo uma diminuição de cinco toneladas de plástico por ano -, o que irá alargar-se ao tomate.

“Os nossos clientes têm aderido bem a este projeto desde o seu lançamento, são muito recetivos aos novos produtos que vamos lançando e frequentemente deixam sugestões de artigos que gostariam de encontrar neste espaço”, o que levou a que fosse alargada a oferta, salienta a Auchan Retail Portugal.

No Lidl, “50% das unidades de frutas e legumes são vendidas a granel” e podem ser pesadas sem necessidade de estar em saco de plástico, além de os clientes poderem optar por sacos reutilizáveis, de pano, ou por usar caixas vazias para transportar as compras para casa.

Com as medidas já desenvolvidas, o Pingo Doce conseguiu uma redução de mais de 23 mil toneladas de sacos depositados em aterro, e o Continente, em 2017, garantiu a reciclagem de 2.800 toneladas de plástico.

Entre as brumas da memória


Algum dos Pedros precisará de mim?

Posted: 04 Aug 2018 11:30 AM PDT

O Santana ou o Duarte?
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Dica (792)

Posted: 04 Aug 2018 09:46 AM PDT

Slavery memorial highlights Portugal's racism taboo. (James Badcock)

«Portugal's first attempt to commemorate its long history of slavery with a monument has inflamed passions over how the country should confront its colonial past and face up to its multiracial present.»

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Marcelo e o PPD/PSD

Posted: 04 Aug 2018 06:48 AM PDT

Marcelo avisa PSD: que não se deixe fragmentar.

O presidente da República de todos os portugueses a propósito da saída de Santana Lopes do PSD. «"Foi uma opção que ele fez, uma opção drástica, uma mudança de vida drástica, tendo sido uma figura importante do partido", disse Marcelo sobre Santana, acrescentando a sua opinião sobre o ato de desfiliação. "Tenho a filiação suspensa, mas para mim o partido é uma família e não se muda de família. Mas tenho grandes amigos que pensam o contrário e mudam de partido".»

Eles que tratem destes assuntos lá nas famílias deles.

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O CDS, a Europa e os “outros povos”

Posted: 04 Aug 2018 01:50 PM PDT

«O CDS decidiu antecipar-se e anunciar, a quase um ano de distância, a sua candidatura ao Parlamento Europeu. E o que escolheram aqueles que se dizem democratas-cristãos como tema preferencial? Os migrantes: “O espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos mas exigimos respeito pelas nossas leis, valores, costumes. A segurança dos cidadãos é uma prioridade”, lê-se no flyer do CDS (PÚBLICO, 19.7.2018). A propósito desses “outros povos”, o repetente cabeça de lista, Nuno Melo, que, por um lado, gosta de falar do “humanismo” com que a Europa tem o dever de acolher “aqueles que procuram o nosso espaço comum porque fogem a essas guerras, porque fogem à fome, porque querem salvaguardar a sua vida e a vida dos seus familiares”, é o mesmo que, sempre que de refugiados se fala, vai direitinho ao discurso do medo. Melo repete há anos que “as migrações têm implicações na segurança”, que a questão “não pode ser vista numa perspetiva romântica” porque há muitos migrantes que, “sob pretexto” da procura de asilo, “se querem infiltrar na dita Europa fortaleza para cometer atentados” (Observador, 4.9.2015). É que, lembra ele, “a Europa está em guerra” - o CDS, pelo menos, está! - e “a mim preocupa-me bastante que neste momento haja mais de 50 mil pessoas que circulam livremente pela Europa, sem sabermos quem são, de onde vêm e ao que vêm”. Em Penafiel, há dois anos, Melo dizia que “o problema só se resolve na origem” e “não [acreditava] que isto se possa resolver sem uma intervenção militar da qual a Europa e os Estados Unidos façam parte” (Verdadeiro olhar, 3.4.2016).

É curioso que, de tão banal esta linguagem, já nem se dê importância a estes delírios belicistas! Para quem gosta de sublinhar que Portugal é uma exceção no quadro europeu de consolidação de uma extrema-direita xenófoba e neofascista, as tiradas de Nuno Melo sobre os refugiados deviam ensinar-nos a perceber onde estão os Salvinis e as Le Pens portuguesas - personagens que, lembremo-nos, preocupadas com a “segurança da Europa” e a “preservação do modo de vida europeu”, sempre rejeitaram ser racistas. O CDS (e o PSD) faz parte do Partido Popular Europeu (PPE) juntamente com a CDU alemã, por exemplo, mas também com os partidos de Viktor Orbán e de Berlusconi (o primeiro a trazer a extrema-direita para o governo italiano há 24 anos). Dominando a presidência da UE (Tusk), da Comissão (Juncker) e do Parlamento (Tajani) europeus, bem como a maioria dos governos da UE, o PPE preparou há meses um rascunho do seu programa eleitoral para 2019 no qual sobressaem algumas das teses tradicionais da extrema-direita: “o sucesso da Europa dependerá da nossa capacidade para (...) preservar o modo de vida europeu”, o que passa por “proteger as nossas fronteiras para travar as migrações ilegais” pelo que “precisamos de equipar as nossas fronteiras com a última tecnologia (…) e pelo menos dez mil novos guardas” para “assegurar o nosso direito sistemático a mandar equipas militares ou construir muros onde for necessário” (“EPP Group Priorities, draft programme”, 2018).

Estes muros e estes guardas fronteiriços são os mesmos de Trump ou Orbán. Desengane-se quem acha que tudo isto não passa de uma estratégia eleitoral para impedir que mais eleitores se passem de armas e bagagens para o campo da extrema-direita assumida – como se imitar Salvini fosse a melhor forma de evitar que se vote Salvini. Há quase 30 anos que as elites ocidentais, uma vez libertas do bipolarismo da guerra fria, apostaram nessa nova visão colonial do mundo que o “choque de civilizações” destilou, e, a partir dela, forçaram um reordenamento político dos Balcãs, da Ásia Central pós-soviética, do Norte de África e do Médio Oriente, que propiciou as al Qaedas e os Estados Islâmicos. De amálgama em amálgama, o mesmo terrorismo (dito) islâmico que foi (ou é) aliado militar do Ocidente em tantos cenários de guerra passou a ser tido como representação de um só e único “Islão”; dezenas de milhões de muçulmanos que há gerações (e, em muitos casos, há séculos) são europeus, viram-se percecionados como potenciais terroristas; e, por último, milhões de migrantes, de todas as origens, passaram a ser parte da categoria de “outros povos” com os quais, afinal, “a Europa está em guerra”, e entre os quais se escondem “terroristas” que querem ameaçar “o modo de vida europeu”.

Na Europa do desemprego juvenil, da precarização do trabalho e da exploração dos imigrantes, é de “invasores” e “guerra” que o CDS quer falar. Está percebido.»

Manuel Loff

sábado, 4 de agosto de 2018

PSD volta a mobilizar-se pela vitória do PS nas Legislativas de 2019

Novo artigo em Aventar

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por João Mendes

Seis meses depois de ser eleito, período de tempo durante o qual foi mais atacado dentro do que fora do seu partido, para não falar de uma bancada parlamentar totalmente hostil á sua liderança, que odeia a social-democracia e que quer completar a transformação do PSD num partido conservador e neoliberal, a oposição a Rui Rio tem agora um nome: Pedro Duarte. Duarte, que não se chegou à frente há 6 meses, porque estava muito ocupado a apoiar a barriga de aluguer que o passismo arranjou para tentar abater Rui Rio, está agora "disponível" e afirma que o PSD deve mudar de estratégia, caso contrário Rio não poderá aspirar a mais do que ser vice de Costa. E já não era nada mau, A julgar pelas sondagens antes de Rio chegar ao poder, o PSD arriscava-se a não aspirar a uma representação parlamentar muito superior à do Bloco de Esquerda. Com a entrada em cena de Pedro Duarte, a um ano das Legislativas, pode ser que o partido se fracture ainda mais e acabe a disputar a liderança da direita com o CDS-PP. António Costa agradece.

Os EUA arriscam perder a guerra comercial com a China

  por estatuadesal

(Joseph Stiglitz, in Expresso, 04/08/2018)

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Os EUA têm, na verdade, um problema, mas não é a China. É interno. A América tem poupado pouco. Trump e muitos americanos têm uma visão tremendamente míope


NOVA IORQUE — O que começou por ser uma escaramuça comercial, com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a impor taxas aduaneiras sobre o aço e o alumínio, parece estar rapidamente a transformar-se numa guerra comercial generalizada com a China. Se as tréguas aprovadas entre a Europa e os EUA se mantiverem, Washington enfrentará quase exclusivamente Pequim, em vez de enfrentar o mundo (e, evidentemente, o conflito comercial com o Canadá e o México continuará em lume brando, dadas as exigências dos EUA que não podem nem devem ser aceites por qualquer um desses países).

Além da afirmação verdadeira, mas agora já óbvia, de que todos perderão, o que podemos dizer das consequências possíveis da guerra comercial de Trump?

Em primeiro lugar, a macroeconomia triunfa sempre: se o investimento nacional dos EUA continuar a exceder as suas poupanças, o país terá de importar capital e de manter um défice comercial assinalável. Pior que isso, devido aos cortes fiscais promulgados no fim do ano passado, o défice orçamental dos EUA está a atingir novos máximos — recentemente, foi previsto que ultrapassasse 1 bilião de dólares até 2020. O que significa que, quase certamente, o défice comercial aumentará, independentemente das consequências da guerra comercial. O único cenário em que isso não acontecerá é se Trump levar os EUA para uma recessão, fazendo os rendimentos diminuir tanto que o investimento e as importações caiam a pique.

A “melhor” consequência da obtusa insistência de Trump no défice comercial com a China seria a melhoria do saldo bilateral, contrabalançada por um aumento correspondente no défice com um qualquer outro país (ou países). Os EUA poderiam vender mais gás natural à China e comprar menos máquinas de lavar; mas venderiam menos gás natural a outros países e comprariam máquinas de lavar, ou quaisquer outros bens, à Tailândia ou a outro país que tenha evitado a colérica ira de Trump. Mas, como os EUA interferiram com o mercado, pagariam mais pelas suas importações e conseguiriam menos pelas suas exportações do que em caso contrário. Em resumo, a ‘melhor’ consequência significa que os EUA ficarão pior do que estão hoje.

Os EUA têm um problema, mas não com a China. O seu problema é interno: a América tem poupado demasiado pouco. Trump, como muitos dos seus compatriotas, tem uma visão imensamente míope. Se tivesse um mínimo de entendimento da economia e uma visão de longo prazo, teria feito o que pudesse para aumentar a poupança nacional. Isso teria reduzido o défice comercial multilateral.

A ‘MELHOR’ CONSEQUÊNCIA SIGNIFICA QUE OS EUA FICARÃO PIOR DO QUE ESTÃO HOJE

Existem soluções rápidas e óbvias: a China poderia, de facto, comprar mais petróleo americano, e vendê-lo, de seguida, a outros países. Isto não faria qualquer diferença, a não ser talvez um ligeiro aumento dos custos de transação. Mas Trump poderia anunciar, então, que teria eliminado o défice comercial bilateral. Mas, na verdade, será difícil reduzir significativamente o défice comercial bilateral de um modo relevante. À medida que diminuir a procura de bens chineses, a taxa de câmbio do renminbi depreciará, mesmo sem qualquer intervenção governamental. Isto compensará, em parte, o efeito das taxas aduaneiras dos EUA; mas, ao mesmo tempo, aumentará a competitividade da China relativamente a outros países. E isso acontecerá mesmo se a China não usar outros instrumentos que detém, como os controlos sobre os salários e os preços, ou se incentivar fortemente aumentos de produtividade. A balança comercial global da China, tal como a dos EUA, é determinada pela sua macroeconomia.

Se a China intervier de forma mais ativa, e retaliar mais agressivamente, a alteração na balança comercial entre os EUA e a China pode ser ainda mais reduzida. A dor relativa que cada um provocará ao outro é de difícil determinação. A China tem um maior controlo sobre a sua economia, e tem procurado orientar-se para um modelo de crescimento baseado na procura interna, em vez de no investimento e nas exportações. Os EUA estão simplesmente a ajudar a China a fazer o que tem estado a tentar fazer. Por outro lado, as ações dos EUA surgem numa altura em que a China tenta gerir uma alavancagem excessiva e uma capacidade excessiva; em alguns sectores, pelo menos, os EUA dificultarão estas tarefas.

Se um país entra numa guerra, comercial ou não, deve certificar-se de que tem bons generais — com objetivos claramente definidos, uma estratégia viável, e apoio popular — no comando. É aqui que as diferenças entre a China e os EUA são importantes. Nenhum país poderia ter uma equipa económica menos qualificada que a de Trump, e a maioria dos americanos não apoia a guerra comercial.

O apoio do público esmorecerá ainda mais à medida que os americanos compreenderem que perderão duplamente com esta guerra: por um lado, os empregos desaparecerão, não apenas devido às medidas retaliatórias da China, mas também porque as taxas aduaneiras dos EUA aumentam o preço das exportações dos EUA e as tornam menos competitivas; e, por outro lado, aumentarão os preços dos bens que compram. Isto pode forçar a descida da taxa de câmbio do dólar, aumentando ainda mais a inflação nos EUA — e promovendo uma oposição ainda maior. A Reserva Federal terá então de aumentar as taxas de juro, originando um enfraquecimento do investimento e do crescimento, e mais desemprego.

Trump já demonstrou como responde quando as suas mentiras são expostas ou quando as suas políticas falham: dobra a aposta. A China disponibilizou repetidamente saídas airosas para que Trump abandonasse o campo de batalha e declarasse vitória. Mas ele recusa aceitá-las. Talvez possamos encontrar esperança em três outras características suas: a sua ênfase na aparência em vez da substância, a sua imprevisibilidade, e o seu carinho pela política de “homem forte”. Talvez, numa reunião grandiosa com o Presidente Xi Jinping, venha a declarar que o problema foi resolvido, com alguns pequenos ajustes de taxas aqui e ali, e alguma nova iniciativa no sentido da liberalização do mercado que a China já tenha planeado anunciar, e todos poderão regressar felizes a casa.

Nesse cenário, Trump terá “resolvido”, de forma imperfeita, um problema criado por si. Mas o mundo que se seguir à sua disparatada guerra comercial continuaria a ser diferente: mais incerto, menos confiante nas normas do direito internacional, e com fronteiras mais rígidas. Trump mudou o mundo, permanentemente, para pior. Mesmo nos melhores cenários possíveis, o único vencedor é Trump — com o seu ego desmedido um pouco mais inflado.


Prémio Nobel da Economia, professor universitário na Universidade de Columbia.© Project Syndicate 1995-2018