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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Marques Mendes sobre a saída de Santana Lopes: “Ninguém vai ganhar nesta decisão, vão todos perder”

6/8/2018, 1:40

O comentador criticou a decisão do ex-militante do PSD dizendo que o seu abandono irá prejudicar todos. A saída reforça a ideia de cisão interna e "nenhum partido ganha eleições dividido".

Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

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O estado atual do PSD foi o tema dominante na intervenção televisiva de Luís Marques Mendes este domingo. Realçando o aparente estado de desunião interna do partido, Marques Mendes aflorou a saída de Pedro Santana Lopes e a intenção de criar um novo partido político — que o Observador anunciou em primeira mão — tratando-a como sendo um acontecimento prejudicial a todos: o PSD, o próprio Santana Lopes e até o CDS.

“Ninguém vai ganhar nesta decisão, vão todos perder: PSD, centro direita e Santana Lopes”, começou o comentador por explicar, justificando que no caso específico do Partido Social Democrata, por exemplo, esta saída transmite uma “ideia de cisão” que pode levar a uma perda de votos. Ora se de facto for criada uma nova força política — Marques Mendes diz que se essa ideia for em frente, Santa Lopes irá apostar forte já nas eleições europeias, passando uma mensagem “mais nacionalista, mais populista” –, isso poderá roubar “uns 2%” de votos ao PSD, o que poderá ser determinante, já que o partido se encontra em baixa nas sondagens, e até alguns ao CDS.

Este possível resultado menos positivo para as ambições da centro-direita poderá ser causado, então, por um suposto novo partido que, para Marques Mendes, não terá grande sucesso. Suscitará alguma “curiosidade mediática” mas não terá tração política significativa. Então porque é que Santana Lopes tomou esta decisão? Luís Marques Mendes defende que tal aconteceu porque o ex-presidente da CML pretende “fazer parte de uma solução de poder” e que pensa numa possível “solução a três.” Estas noticias acabam por ser mais uma dor de cabeça para Rui Rio, outro dos visados no comentário semanal da SIC.

A propósito da entrevista de Pedro Duarte ao jornal Expresso, Marques Mendes diz que “há um certo mal estar por causa das sondagens e da excessiva colagem ao PS” e que isso ajuda a formar a ideia de que “as eleições de 2019 já estão perdidas”. Rui Rio irá “desvalorizar esta entrevista” e as suas alegações assim como o pedido de eleições antecipadas, o que Marques Mendes considera ser correto. Rio “deve continuar o seu mandato” mas não deve perder a hipótese de “aproveitar o período de reflexão” das férias para cuidar da unidade do PSD — “nenhum partido ganha eleições dividido” — e tentar ser um líder mais incisivo, fazendo uma oposição mais aguerrida ao executivo de António Costa (“parece que o PSD tem um pacto de não agressão com Costa! Não há oposição!”, exclamou).

Outro ponto destacado pelo comentador foi o do caso Ricardo Robles e a forma como o seu partido, o Bloco de Esquerda, foi negligente a lidar com o sucedido. Na visão de Marques Mendes, o Robles tem “muita qualidade política” e podia até “vir a disputar a liderança” do Bloco, contudo, o caso do prédio em Alfama “pôs tudo isso em causa”. Quem mais perdeu com isto, tudo, porem, foi mesmo Catarina Martins, que devia “ter-se desmarcado logo no início”, mas não o fez. Ora esta aparente má gestão da crise (e o problema em si) podem vir a afetar do partido: “A grande vantagem do Bloco era mostrar que era um partido diferente, mas com este caso mostra que é igual”. Quem ganha com isto? “O PCP”, em primeiro plano, mas “acima de tudo”, o PS, já que Luís Marques Mendes perspetiva que no futuro, o PS possa conseguir roubar alguns votos ao BE.

domingo, 5 de agosto de 2018

Legislar contra a greve e contra a Educação

Novo artigo em Aventar


por António Fernando Nabais

O ministério da Educação, independentemente dos governos, tem como único objectivo reduzir a despesa. Graças a essa obsessão, o edifício educativo público do país tem vindo a ser sistematicamente destruído desde 2005, devido a uma colaboração frutuosa entre gente de ideologias aparentemente diferentes.

Os professores têm sido roubados por todos os governos e, na minha opinião, protestam pouco e mal, permitindo que se lhes veja o cu. O governo prepara-se para manter o roubo de tempo de serviço, mesmo após uma greve gigantesca.

Nada preocupado com os professores, o governo procurou sempre encontrar meios de limitar o exercício da greve, tendo chegado ao ponto de transformar provisoriamente os conselhos de turma em órgãos administrativos, quando eram aquilo que deveriam ser: reuniões de natureza pedagógica.

No querido mês de Agosto, mês da predilecção do ministério da educação, saiu, então, uma portaria que torna definitiva essa alteração. Desta maneira, consegue-se retirar aos professores a possibilidade de voltarem a recorrer à greve às avaliações e desvaloriza-se um órgão pedagógico. Faz sentido: democracia e Educação não são prioridades do ministério.

Entretanto, no futuro, os professores só poderão fazer greve prolongada às aulas. No dia em que isso acontecer, os alunos serão verdadeiramente prejudicados, ao contrário do que aconteceu até agora. São opções.

A transumância e a silly season

  por estatuadesal

(Pacheco Pereira, in Sábado, 05/08/2018)

JPP

Pacheco Pereira

Eu devia ter cuidado em não me repetir, mas a verdade é que todos os anos por esta altura fico como o António Barreto e os jacarandás. Lá repito a cena da transumância para os Algarves e o suspiro acomodado com a inauguração oficial da silly season. Na verdade, neste último caso, nem um suspiro devia dar (por falar nisso, o que é um suspiro, que é prática que não uso?) visto que a silly season não é uma estação, mas uma constante anual. Reconheço que recrudesce no Verão com as tolices do costume. Este ano foi precedida pela discussão dos mortos a levar para o Panteão, e pelas miudezas da ida de Ronaldo para Itália. Depois, ele é os "políticos em férias", "os notáveis em férias", as famílias entrevistadas nas portagens quando vão de carro para o Algarve, as festas brancas, as festas pretas, as meninas do jet set e os seus meninos que "assumem", ou que já têm "barriguinha", os conselhos para o sol, os conselhos de livros para misturar com a areia, os melhores restaurantes de marisco, o Algarve "desconhecido" que espera por si, o senhor Presidente tira mais selfies, cuidado com as arribas, etc., etc.

E mesmo com a há coisas que eu gostava de saber
Por exemplo, porque é que há cada vez mais Budas nos restaurantes do Algarve?

Táxis, Uber e tuk-tuks
Os taxistas dizem que já há em Lisboa mais carros da Uber do que táxis. Não sei se é verdade, mas cada vez mais se vê um carro normal parar para receber uns turistas de mala. Na verdade, já vi mais do que uma vez que nem sequer os ajudam a colocar as malas no porta-bagagem, mas podem ser excepções. Mas esta mudança drástica no transporte urbano de Lisboa e do Porto, a que se somam os tuk-tuks por todo o lado, devia merecer mais atenção e mais regulamentação. Ao caos evidente na época turística soma-se a pressão, sobre ruas estreitas e superpovoadas, de um incremento de entregas e recolhas associadas ao boom de hotéis e hostels, de mantimentos, bebidas, roupa de e para lavandarias.

A cidade não cresce, encolhe. E por muito que haja gente a ganhar dinheiro a muito curto prazo, é mais um exemplo da imprevidência irresponsável a que somos muito atreitos. Já lhes passou pela cabeça que uma cidade onde não se pode andar, passear, viver, não é boa para o turismo?

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O caso Robles
Acabou para já. É muito simples de resumir. Robles, como muita gente no Bloco de Esquerda, confunde política com arrogância moralista. É a escola que Louçã deixou. Tinha que dar torto e deu. E vai dar mais vezes. Os seus críticos, principalmente os discípulos do PAF, são hipócritas na sua indignação. Na verdade, eles acham que são os únicos que podem ganhar dinheiro sem problemas com a especulação imobiliária. É engraçado ver como estão contentes com a queda de Robles os homens e as mulheres do Jacinto Leite Capelo Rego. Estão bem uns para os outros.

Um país que tem o e o ...
….é um grande país. Tem lá o Trump e muita coisa sinistra, mas deste lado das coisas ninguém lhe tira o mérito. Há por lá uma liberdade profunda, que tem resistido ao MAGA e que vem da sua génese como país independente. Tinha de conhecer vicissitudes, como é natural neste tipo irreverente e iconoclasta da liberdade, mas até agora tem resistido a Trump e, neste caso, pior ainda, a Pence.

Nós também queremos o balão do Trump
Na colecção do Ephemera sempre pretendemos o balão do Trump como bebé que flutuou em Londres, até antes de ele ascender aos céus de fraldas. Estamos a mover alguns cordelinhos, como se diz, mas a competição é muita. Como o Reino Unido é o país que é, o British Museum quer o balão para expor e outros museus querem-no para entrar nas suas colecções. Os activistas, que o fizeram usando financiamento de crowdfunding, querem levá-lo para todo o lado onde esteja Trump, o que é compreensível. Vai para junto dos campos de golfe onde o Presidente gasta aquilo que chama em linguagem orwelliana, o seu "executive time", jogar golfe, ver a Fox News e espumar com as outras estações televisivas. Até estou disposto a fazer um movimento a convidar o Trump a vir a Portugal, deixá-lo dormir numa igreja barroca entre as colunas douradas, já que o Elefante Branco fechou, para ter o prazer de hastear o balão na Praça do Comércio ou no Castelo de S. Jorge. Bom, há réplicas à venda. Vamos ver.

Cerca de 800 pessoas disseram “não ao furo” de petróleo em Almada

5/8/2018, 0:05

A manifestação contra a prospeção de petróleo em Portugal aconteceu na praia da Cova do Vapor, em Almada. Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, esteve presente e falou em "crime ambiental".

RODRIGO ANTUNES/LUSA

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  • Agência Lusa
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Com o lema “não ao furo por um futuro”, reuniram-se este sábado cerca de 800 pessoas, na praia da Cova do Vapor, em Almada, distrito de Setúbal, num protesto pacífico contra a exploração de petróleo e gás em Portugal.

Com vista à criação de uma arte aérea, o protesto iniciou-se com o termómetro a marcar 42 graus, ao som de tambores que chamavam a atenção dos banhistas, seguido da canção “não ao furo por um futuro”.

Naquele que prometia ser um dos dias mais quentes do ano, cerca de “800 participantes, com tendência a subir”, reuniram-se para formar uma imagem contra a prospeção de petróleo no nosso país, disse à agência Lusa um dos membros da Tamera – Centro de Educação e Pesquisa para a Paz, Isabel Rosa.

Segundo a responsável, o protesto é “um acordar” para a população, para que “as pessoas saibam o que pode acontecer e muito provavelmente vai acontecer no dia 15 de setembro: a primeira prospeção de petróleo na nossa costa”.

Além de sensibilizar e protestar contra as explorações de petróleo no nosso país, a iniciativa da Tamera pretende também mostrar que o caminho a seguir são as energias alternativas.

“Temos um país riquíssimo não só em sol, mas em vento e em ondas. Se nós conseguirmos cooperar e sermos inteligentes em relação à natureza que temos à nossa volta, temos tudo o que precisamos”, indicou.

Para tornar esta ideia mais evidente, outra das iniciativas foi trazer para a praia fornos solares onde cozinharam alguns alimentos durante toda a tarde, como pão e batatas.

Isabel Rosa aproveitou o momento para deixar uma mensagem ao Governo, que em 2017 tinha cancelado 10 dos 15 contratos para a prospeção de petróleo e gás, mas em janeiro deste ano deu permissão para a exploração de combustíveis fósseis na costa do Algarve e Alentejo.

“Gostaria que os nossos governantes percebessem que é uma oportunidade histórica de reverter uma decisão que perpetua um sistema que, neste momento requer uma decisão, e não o perpetuar de energia fóssil. Requer que haja uma transição para as novas tecnologias que já existem e precisam que sejam integradas na nossa vida”, referiu.

A deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, esteve presente para apoiar este movimento e apontou que a aposta na exploração de petróleo pode ser um erro para as gerações futuras.

“É uma decisão que o país tem que tomar se quer ou não fazer uma aposta que pode significar um erro, um crime ambiental, que pode significar um erro de gerações. Não é muito justo para as gerações futuras sabendo nós aquilo que sabemos do potencial de desastres ambientais, sabendo aquilo que sabemos sobre o futuro de exploração de petróleo e a necessidade de alterar os nossos padrões de produção energética, que se faça essa aposta agora”, avançou a deputada.

Joana Mortágua referiu ainda que “o que interessa é que o Governo perceba que há muita gente a juntar-se contra o furo”.

Para a responsável, o calor que se tem feito sentir “é um sinal de que se nós não apostarmos em energias limpas e começarmos a refletir mais sobre estas questões, os problemas só vão agravar-se nas gerações que vêm a seguir”.

Já a fundadora da associação internacional Standing Rock, La Donna, apontou os riscos deste tipo de atividade.

“O risco é que se poluímos a água, poluímos as praias, matamos os animais, matamos o ambiente e o futuro das nossas crianças”, frisou.

“Ouvi rumores de que Portugal está pronto para ser totalmente verde, que Portugal pode ser o primeiro em todo o mundo com energia verde em todo o país e isso seria maravilhoso”, indicou a responsável.

Ao som de tambores, uma banhista, Regina Pacheco, com 53 anos, mostrou-se interessada e sabia que o movimento estava a acontecer “por causa do furo em Aljezur”.

Quando questionada se iria participar na criação da imagem aérea, garantiu: “vou sim senhora”.

Já outro banhista, Pedro, também com 53 anos, veio hoje à praia porque já tinha conhecimento da iniciativa.

“Sim sabia, porque tenho amigos ligados a estas áreas da conservação da natureza”, afirmou.

O participante referiu ainda que este protesto “é uma organização que traduz uma expressão natural do ser humano, que é conviver e proteger o meio ambiente. Entre tantos animais que existem no planeta, o ser humano parecer ser o único que destrói o seu habitat, a sua própria casa”.

Quando concluída, a arte aérea transmitiu a mensagem “Parar o furo, a água é vida”, juntamente com um sol, que representava as energias alternativas e dois golfinhos, que mostram a necessidade de proteção da água.

Em 2017, a Tamera realizou uma ação semelhante na praia de Odeceixe, em Aljezur, no distrito de Faro, mas este ano, segundo Isabel Rosa, a escolha recaiu sobre a praia da Cova do Vapor pela proximidade com Lisboa e tendo em vista a participação de um maior número de pessoas.

Pelas 19:00 continuavam a juntar-se pessoas a este movimento, o que não admira tendo em conta que o termómetro marcava 40 graus e o trânsito, em vez de ser para sair, era para chegar.

Marina Silva anuncia terceira tentativa para chegar à Presidência no Brasil

4/8/2018, 21:20

Ambientalista Mariana Silva anunciou a sua terceira tentativa de chegar à Presidência do Brasil. Na apresentação, defendeu o realinhamento político no país.

Joédson Alves/EPA

Autor
  • Agência Lusa
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A ambientalista Mariana Silva defendeu este sábado, em Brasília, o realinhamento político no Brasil, país polarizado ideologicamente entre direita e esquerda, no anúncio da sua terceira tentativa de chegar à Presidência da República.

“Desde 2010 tenho dito que nós vamos fazer um realinhamento político, acabar com a oposição cega que só vê defeitos mesmo quando há acertos evidentes”, disse Marina Silva, que intervinha na convenção do partido Rede Sustentabilidade.

“Se houver virtudes [vamos reconhecer] mesmo quando existem erros inaceitáveis. Não queremos abolir a inteligência e o ato de pensar na política. O ato de ter um pensamento firme e independente quando necessário”, acrescentou.

Em defesa do seu passado, Marina Silva disse que trilhou o caminho da política, mas nunca deixou de percorrer o caminho dos estudos de psicanalise e psicopedagogia, e exaltou a sua espiritualidade, frisando que se move pela fé e pela determinação.

“Tenho a fé para remover as montanhas que eu não tenho como escalar”, afirmou.

Sobre a aliança da Rede Sustentabilidade com o Partido Verde (PV), a candidata afirmou que “é um encontro programático”, que se deu por afinidade no tema ambiental e não para aumentar o tempo de “televisão, nem para ter dinheiro para pagar ‘marqueteiro’ [relações públicas] milionário como vimos na eleição passada. É uma aliança para ajudar a transformar o Brasil”.

O partido Rede Sustentabilidade confirmou por aclamação o nome de Marina Silva, que terá ao seu lado para o cargo de vice-presidente o ex-deputado Eduardo Jorge, do PV, numa candidatura batizada de “Unidos para Transformar o Brasil”.

Aos 60 anos, Marina Silva ficou conhecida no Brasil por defender a agenda ambiental.

Foi deputada estadual no Acre (1991-1994) e senadora pelo mesmo Estado brasileiro em duas ocasiões (1995 a 2010).

A sua passagem mais marcante na política foi no cargo de ministra do Meio Ambiente, entre 2003 e 2008, no governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Disputou a Presidência do Brasil em duas eleições, em 2010 e 2014, não tendo chegado na segunda volta em nenhuma das ocasiões.

As eleições presidenciais brasileiras realizam-se em outubro.