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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Entre as brumas da memória

06.08.1945 – Hiroshima

Posted: 06 Aug 2018 01:30 PM PDT

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06.08.1966. Chamaram-lhe «Salazar»

Posted: 06 Aug 2018 10:09 AM PDT

E, no entanto, com a sagacidade que o caracterizava, o presidente do Conselho de Ministros previu o que viria a acontecer alguns anos mais tarde. Antes do início das cerimónias da inauguração, ao ver o seu nome num dos pilares, terá perguntado: «As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.» Deram algum trabalho, sim, mas aconteceu:

No dia na inauguração, claro não se escapou a mais um discurso do inefável Américo Tomás:

Atravessei a Ponte alguns dias depois de ter sido inaugurada, no velho carocha de um amigo, com um bote em cima, a caminho da Arrábida. Começava uma nova vida, chegava-se muito mais rapidamente ao paraíso das nossas férias, sem cacilheiros dependentes de nevoeiros, nem longas filas de espera quando era preciso embarcar também um automóvel. Para quem vivia «do lado de lá», foi a facilidade quase inimaginável de alcançar Lisboa mais facilmente para chegar ao trabalho, ao liceu ou à faculdade ou simplesmente para passear.

Não deve ser fácil para quem nasceu mais tarde imaginar Lisboa sem «a Ponte». Mas nós, os seus antepassados, sobrevivemos.

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Refugiados em Portugal

Posted: 06 Aug 2018 06:21 AM PDT

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A vaga de calor

Posted: 06 Aug 2018 03:03 AM PDT

«Nem os super-heróis nos salvam do calor. Telefonaram a Iceman, mas este estava no chuveiro. Enquanto Portugal tem um olho de prevenção nos incêndios e outro no abano que usa para fazer aparecer alguma brisa refrescante, a Europa torra. Calores extremos na Suécia, incêndios devastadores na Grécia, sol escaldante no Japão. Nas esquinas, olhando para a forma como temos maltratado um planeta vivo como é a Terra, desde a Revolução Industrial, há quem tenha um taco de basebol para acertar na cabeça dos políticos de serviço ao Governo do momento.

Mas a questão é que, ao contrário do que Donald Trump pensa, as alterações climáticas não são "fake news". São uma questão séria. Com severas implicações sociais, ambientais, económicas e políticas. A água vai ser o petróleo deste século e muita da migração que vem de África em busca da Europa vai aumentar ainda mais por causa disso. A fúria social vai caminhar de mão dada com o calor.

O aquecimento global é real. Sente-se. E o problema é que não podemos fugir dele. Nem nos podemos esconder, fingindo que não é nada connosco. Vai trazer alterações radicais às sociedades. Mais calor, mais fogos, menos água, vão ser a norma e não a excepção. O ritmo das estações, como as conhecemos há 20 ou 30 anos, alterou-se.

A Terra deixou de ser um relógio. Os habitantes daquilo a que se chamou o terceiro pedregulho a contar do Sol vão ter de se confrontar com fenómenos extremos com cada vez maior frequência.

Mas como irão os políticos e os eleitorados lidar com estas questões? As boas (ou más) decisões já não vão afectar apenas o dia seguinte: vão determinar o curto prazo. Em Portugal, a classe política dedicou-se a procurar os culpados dos incêndios do ano passado, mas não se viu que ela estivesse interessada em que a sociedade debatesse e se inteirasse do problema mais vasto. São precisas boas políticas e bons políticos para enfrentar esta vaga de calor. Que derrete muitas certezas políticas, económicas e sociais.»

Fernando Sobral

Earth Overshoot Day

Novo artigo em Aventar

por Ana Moreno

Queira ou não queira, uma pessoa é obrigada a constatar a exiguidade do espírito humano. Temos os media cheios de conversa fiada sobre nomes sonantes de personalidades da actual corte política, vereadores, presidente, blá, blá, blá. Para não falar em futebóis.

Já uma notícia verdadeiramente dramática, à escala planetária, como a de se terem oficialmente esgotado, no passado dia 1 de Agosto, os recursos naturais da Terra disponíveis para 2018, não interessa nada, não interessa a ninguém.

Os cidadãos sempre prontos a consumir, os políticos a promover o comércio livre, as multis a enfunar-se de oportunidades, o espírito do negócio a modelar as relações, uma orgia alienada e indiferente às gerações futuras.

A WWF afirma que “hoje, precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as nossas necessidades”. Mais do que necessidades, precisamos de mais Terra por egoísmo, falta de amor e de responsabilidade. Sobre os crimes dos nazis, muitos alemães contemporâneos diziam que de nada sabiam. Saberiam ou não. Nós, hoje, é que não podemos dizer que não sabíamos, pois a informação está disponível - só não sabe quem não quer. E nós até sabemos, não temos justificação. Somos uma reles espécie.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Motivar os Incendiários

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 05/08/2018)

marcelo_nada

(Já tivemos de tudo. Um Presidente fixe, um presidente múmia, agora temos um empedernido presidente nadador-salvador. Enquanto o país arde a sul ele toma banhos a norte para que os portugueses - e a comunicação social, sobretudo -, não deixem esquecer os fogos já apagados do ano passado. Quando se apagarem os fogos actuais lá irá ele rumar a sul para dar mais umas braçadas salvíficas. 

Em suma, o rei do reality show: leva sempre a toalha, os calções azul turquesa, e claro, as televisões...

Comentário da Estátua, 06/08/2018)


Marcelo anda a visitar as zonas ardidas no ano passado e a elogiar as populações sem nada dizer sobre os esforços dos bombeiros hoje e no ano passado. As populações foram vítimas dos INCENDIÁRIOS, mas nada puderam fazer de concreto para apagar os 16450 incêndios de 2017. Marcelo, apesar de jurista e conhecedor do crime, nada disse sobre os incendiários nem os quis desmotivar para este ano.

Marcelo anda a motivar as pessoas para queimarem a Pátria e os esforços dele estão a dar resultados: um empreiteiro atirou pedras a um helicóptero e tentou esvaziar o local perto do incêndio em que deveria abastecer-se de água; outro ou outros incendiários quiseram resolver o problema da direita antes de tempo e tentaram incendiar um quartel de bombeiros e queimaram três viaturas especializadas que foram bem caras para os contribuintes..

A comunicação social e, em particular, um comentador da SIC criticou o Governo por terem vindo viaturas para os sapadores florestais em que as bombas de água não tinham potência suficiente. Mas, os cobardes da SIC e dos restantes órgãos da comunicação social não tiveram a CORAGEM de dizer quais as marcas dos carros defeituosos e quem fez a venda. O comentador da SIC deu a entender que as viaturas e bombas não foram inspecionadas quando esse tipo de material não sofre uma inspeção por parte do gabinete do ministro, mas sim pelos utilizadores que devem inteirar-se do respetivo funcionamento e verificar se está tudo bem e foi nessa inspeção que detetaram que algumas bombas não eram suficientes.

Todos sabemos que a maior parte do material de combate a incêndios é representado por uma empresa do "filho" do Marta Soares, nomeadamente as únicas empresas alemãs que fabricam e exportam em grande quantidade, pelo que são quase as únicas no Mundo que podem fornecer muito material com a celeridade necessária.

Marta Soares, através do filho, convenceu os fabricantes alemães e outros que era o único a dominar o mercado e a conhecer as condições em que o material seria utilizado em Portugal. De qualquer modo o fabricante deverá substituir rapidamente as bombas por outras mais potentes, o que parece que foi feito em parte e está em vias de ser completado

Se não o fizesse deveria pagar uma multa.

De resto, quando o Estado faz aquisições vultuosas paga um sinal de compromisso de compra a quem ganhar o concurso, geralmente da ordem dos 10 a 20% e paga o restante contra entrega ou a prazo se for isso combinado.

Se o pagamento foi feito contra entrega, fica sempre uma garantia 10 a 20% por pagar para ver se o material vem sem defeitos.
Assim o fornecedor ou substitui as bombas ou não lhe é paga a referida garantia.

Só os patrões da Comunicação Social é que fingem que desconhecem estes procedimentos que devem praticar quando compram material para as suas televisões.

Traquinices sexuais do padre Humberto Gama

  por estatuadesal

(Carlos Esperança, 06/08/2018)

padre

O padre católico Humberto Gama não tem uma pós-graduação em exorcismos, mas tem mais experiência do que o padre O. D., Sousa Lara que, para se dedicar ao sacerdócio, rejeitou um lugar no conselho de administração de uma empresa pública, que o pai lhe ofereceu (há pais que podem dar aos filhos a administração de empresas públicas).

O p.e Humberto nasceu pobre em Trás-os-Montes, e fez o longo caminho do seminário para se habilitar a transubstanciar a sagrada partícula, a perdoar os pecados alheios, sem abdicar dos próprios, e purificar crentes infetados por demónios, tornando-se experiente nessa atividade exotérica, cujo alvará era inerente ao sacramento da ordem.

De 1965 a 1972 exerceu funções designadas pelos bispos, mas os seus excessos lascivos levaram-no a que dos paços episcopais não tivesse mais solicitações e passou a atuar por conta própria, sobretudo no ramo dos exorcismos, com vestes talares e cabeção romano, em consultórios onde atendia a clientela, tendo feito exorcismos, em direto, na TVI.

No fim da década de 90 foi expulso pela Igreja católica, por dar mau nome à instituição, mas não perdeu o jeito e a competência para expulsar espíritos malignos, às vezes por reentrâncias que enfureceram maridos e motivaram queixas. Defendeu-se, alegando que demónios muito grandes, têm de sair por algum lado, mas arriscou a integridade física e em 2011, ano da expulsão confirmada pelo Vaticano, o vigário-geral da diocese de Leiria/Fátima, Jorge Guarda, advertia os crentes de que ele não tinha legitimidade “para as atividades religiosas ou de exorcismo” e até lhe negava o direito a divulgar a foto com o papa João Paulo II, sendo tão verdadeira como as selfies do Prof. Marcelo.

No dia 1 deste mês, uma devota queixou-se à PJ de ter sido violada pelo padre, depois de ter recebido tratamento hospitalar. Com 79 anos, após reiteradas queixas de clientes, foi detido pela primeira vez, durante dois dias, estando já em liberdade e em funções.

O padre concorreu à câmara de Mirandela, pelo PS, contra o irmão, que a ganhou pelo PSD, e à de Murça pelo CDS. O autarca falhado é o mais conhecido exorcista do País.

Estando a última averiguação em segredo de justiça, e ignorando o alegado crime, em concreto, não me pronuncio sobre as traquinices sexuais que vêm de longa data. O que me surpreende é a possível acusação de burla pelos honorários que cobra.

Gostava de ver um acórdão a negar a validade dos exorcismos, inerentes à profissão de padre, tendo como instrumentos a cruz, hóstias, água benta e os Evangelhos, utensílios que o padre Humberto Gama maneja há 53 anos.

Ainda vão perseguir o p.e Sousa Lara e negar dois milénios de terapêutica pia, quando a Ordem dos Médicos se mantém em silêncio sobre os milagres e acossa outros exercícios ilegais da medicina.

(Ver notícia sobre caso, aqui)

Apostila – Permitam-me, caros leitores uma sugestão de leitura, “Um Mundo Infestado de Demónios”, de Carl Sagan.

Marques Mendes: Novo partido de Santana tem o objetivo de participar numa solução futura de Governo

Maria Teixeira Alves

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O comentador vaticinou que no futuro o Partido de Santana Lopes pretende fazer parte de uma aliança governativa com PSD e CDS. Comentou ainda o caso Robles, dizendo que o Bloco "mostrou ser um partido com os mesmos defeitos dos outros", e prevê grandes revoluções no espectro partidário do Parlamento Europeu nas próximas eleições com a subida de outros partidos.

Luís Marques Mendes no seu habitual comentário semanal na SIC, comentou hoje a turbulência no PSD, com a saída de Santana Lopes do partido e a entrevista ao semanário Expresso, do antigo líder da JSD, Pedro Duarte, diz que avança contra Rui Rio por considerar que o atual presidente do partido perdeu legitimidade política. O social-democrata acusa o líder do PSD de estar a lutar para ser vice de António Costa, em vez de primeiro-ministro do país.

“Julgo que esta entrevista tem muito a ver com duas situações. Primeiro por existir um certo mau estar que existe no PSD, por causa das sondagens por um lado, porque há uma excessiva colagem do PSD ao PS, por outro lado, e porque está a criada a ideia que as eleições de 2019 estão perdidas”, disse Marques Mendes, comentador que já foi presidente do PSD.

“Já há muita gente no PSD a pensar no pós Rui Rio”, disse ainda. “A um ano de eleições tudo é possível, mas as sondagens não ajudam”, refere.

Recorde-se que Pedro Duarte não é deputado, tem estado fora da política e não tem manifestado interesse em cargos políticos.

Rui Rio vai, com toda a certeza, “desvalorizar esta entrevista e não vai responder ao desafio de Pedro Duarte de fazer eleições antecipadas. Isto é, Rui Rio não vai convocar eleições antecipadas dentro do partido”, ao contrário do que pede Pedro Duarte, e segundo Marques Mendes o presidente do PSD faz bem porque deve cumprir o mandato até ao fim.

Rui Rio deve continuar o seu percurso, mas deve aproveita este período de férias para fazer uma reflexão, defende o comentador que apela a que o líder do PSD se concentre em cuidar da unidade do partido. “O partido precisa de tréguas. Ninguém ganha eleições com um partido dividido. Quem mais é prejudicado com a divisão do partido, porque não se afirma, não é levado a sério. Se não consegue unir o partido como é que há-de mandar no país?”, defendeu.

Marques Mendes defende que Rui Rio deve procurar ser um agregador dentro do PSD. Rui Rio devia ser pró-activo na promoção da unidade do partido.

O presidente do PSD deve também pensar numa  nova forma de fazer oposição, no sentido de ser mais assertiva. “Hoje tem-se a sensação que o PSD tem um pacto de não agressão com António Costa. Basta ver que a Saúde está um caos; o serviço público de comboios altamente degradado; a Educação está cheia de problemas; Tancos é uma vergonha; vários exemplos e ninguém faz oposição”.

Sobre o facto de Pedro Santana Lopes sair do PSD e de ir formar um novo partido de direita, Marques Mendes diz que é uma decisão “que não é boa nem para o PSD nem para Santana Lopes, nem para o centro direita. Todos vão perder”.
No imediato, perde o PSD, porque uma cisão é sempre uma cisão; depois, porque vai perder alguns votos e por pouco que seja (por exemplo 2%, 3% ou 4%), é mau para um partido que já tem um resultado baixo, só tem 27% nas sondagens.

“É mau para o centro direita porque pode tirar alguns votos ao PSD, mas  também ao CDS.

“No médio prazo Santana Lopes também vai perder. Não acredito que o seu partido tenha grande sucesso. Acho que o seu novo partido vai suscitar mais curiosidade mediática do que apoio popular”, disse ainda.

Mas está tomada a decisão, reconheceu. “O grande objectivo de Santana Lopes é que o seu partido faça parte de uma solução de poder. O grande objectivo é tentar que o seu novo partido venha a fazer parte da futura coligação de centro-direita que há-de, um dia, chegar ao poder. Em vez de ser uma coligação PSD/CDS, o que Santana quer é que seja PSD/CDS/Partido de Santana Lopes. Este é o seu grande objectivo. É por isso que sai do PSD e forma um novo partido”, realçou o comentador. Isto é, o partido de Santana Lopes poder fazer parte de um governo de geringonça à direita.

Marques Mendes salientou ainda que a prioridade de Santana Lopes vai ser as eleições europeias que vão decorrer entre 23 e 26 de maio de 2019. É aí que Santana se vai atentar afirmar. “Por isso, vai apresentar-se como líder de um partido mais anti-europeu; mais nacionalista; um pouco mais populista; tentando capitalizar algum descontentamento, interno e externo.
O que vai obrigar o CDS a radicalizar um pouco o seu discurso”.

O PSD vai manter com Paulo Rangel as suas convições europeístas, disse ainda o comentador.

“Muita coisa vai mudar na Europa e no Parlamento Europeu, com os dois principais partidos a levar um rombo”.

“Perspectiva-se um grande enfraquecimento dos dois grandes partidos do Parlamento Europeu – o Partido Popular Europeu, onde se encontra o PSD; e o Partido Socialista Europeu, onde se filia o PS, defendeu Marques Mendes. Ambos vão levar um rombo, sobretudo nos grandes países – em Itália, França e Alemanha”, explicou.

“O PSE é o que vai levar o maior rombo. Vai perder muitos deputados. Será uma grande razia e o PPE não terá um rombo tão grande, mas também vai perder muito. Vai perder deputados e influência. E pode haver ainda cisão entre os mais moderados e os mais radicais”, disse.

“Vamos ter uma nova família política no Parlamento Europeu, o Grupo Macron, com os deputados franceses ligados ao Presidente de França, mas também com deputados espanhóis do Ciduadanos e deputados socialistas italianos, ou mesmo alguns dos mais moderados do PPE, por exemplo do PSD português”.  Será um grupo moderado, disse.

“Vamos ter a subida dos nacionalistas, da extrema direita e extrema esquerda e quebra das forças europeístas. Isto vai-se acentuar nos países de Leste (Hungria, Polónia, República Checa, Eslováquia), mas também na antiga Europa, nomeadamente na Áustria e na Itália”.

Assim o Parlamento Europeu poderá vir a ter sete a oito grupos com grande força partidária, disse acrescentando que isso vai prejudicar a escolha do presidente da Comissão Europeia, defendeu Marques Mendes que antevê muita dificuldade em escolher o sucessor de Juncker. “Negociar a oito é mais difícil”, lembrou.

Folhetim Robles e o impacto no Bloco

Ricardo Robles é quem sai mais a perder, defendeu Marques Mendes. “Este episódio foi péssimo para o próprio Ricardo Robles que é um jovem com muitas qualidades políticas”, disse o comentador que considera que com tudo o que se passou, o seu futuro político ficou seriamente comprometido.

“Foi mau para o BE e para Catarina Martins, porque mais do que o caso Robles, foi o comportamento que o Bloco teve perante o caso Robles”, defendeu o comentador que acha que se o Bloco se tem demarcado desde o princípio “não tinha sido afectado”.

“Como Catarina Martins andou aqui aos bonés e aos ziguezagues. A dizer uma coisa e o seu contrário, sai profundamente chamuscada”.

“O Bloco mostrou ser um partido com os mesmos defeitos dos outros”, lembrou.

“Isto é bom para o PCP e sobretudo o PS, porque estamos em vésperas de discussão do Orçamento de Estado”, disse Marques Mendes que considera que com este episódio saiu a sorte grande ao PS.

“Primeiro, porque este episódio fragiliza o BE em vésperas de discussão do Orçamento. No momento mais difícil para o Governo, o Bloco, em vez de estar mais forte, está mais fraco”, disse ainda.

Para Marques Mendes este episódio pode ainda ter reflexos eleitorais, porque pode levar muitos eleitores que oscilam entre o PS e o BE a preferirem o PS, defendeu.

O Bloco não vai mudar de mensagem, “mas nunca mais terá a força e a credibilidade que tinham antes”.

Siresp: Governo prometeu ficar com a maioria do capital, mas não ficou

No ano passado o Governo prometeu que iria ficar com 54% do capital do Siresp. O problema é que os Governantes (Eduardo Cabrita e depois António Costa) não sabiam que “para poderem ter a maioria do capital era preciso que a PT, hoje detida pela Altice, não exercesse um direito de preferência a que tem estatutariamente direito, e que se estava a ver que ia exercer”.

Siresp é uma operadora da Rede Nacional de Emergência e Segurança resultante da parceria público-privada promovida pelo Ministério da Administração Interna.

Esta promessa marca o modus operandi deste Governo que é “primeiro promete, e só depois estuda e logo se vê, depois falha e quando falha não dá nenhuma explicação”.

Depois, disse, “quando vier dar uma explicação já o assunto estará esquecido e vai encontrar um culpado qualquer”.

“A verdade é tão simples quanto isto: o Governo falhou porque não foi competente. O Governo falhou porque, quando fez a promessa, há um ano, não tinha estudado o assunto, não tinha lido os estatutos do Siresp, não previram esta hipótese de a PT exercer o direito de preferência e falharam redondamente”, disse Marques Mendes.

António Costa tem muita sorte. Porque com este problema mais, continua a não ter uma oposição forte, afirmou ainda.

Mário Soares e Francisco Sá Carneiro no Panteão Nacional? Marques Mendes concorda

“Quer Mário Soares, quer Francisco Sá Carneiro merecem estar no Panteão Nacional”, disse o comentador que mais uma vez concorda com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo veio dizer que “são os pais da democracia portuguesa” e que cabe ao parlamento definir regras estáveis nesta matéria.

“Mário Soares é, provavelmente, o político do pós 25 de Abril que mais merece esta homenagem; e Sá Carneiro teve uma carreira política bem mais curta mas uma carreira de grande coragem, coerência e sentido patriótico”, disse Marques Mendes.

Mas não concorda quanto à forma como as coisas estão a ser feitas no Parlamento. “Estes deputados há cerca de dois anos fizeram a lei a dizer que ninguém pode ir para o Panteão Nacional antes de decorridos 20 anos sobre a sua morte. Agora já querem fazer uma lei para alterar a lei que fizeram há dois anos para, relativamente a Presidentes da República, não se aplicar 20 anos, mas dois anos”. Ou seja querem uma lei feita à medida de Mário Soares. O PS e PSD querem agora abrir uma excepção para ex-Presidentes da República. “Mas porquê ex-Presidentes da República? Porque não ex-primeiros ministros, ou altas personalidades que se destacaram no estrangeiro, ou cidadãos que se destacaram nas artes e na cultura com grande impacto no país?”, questiona Marques Mendes. “Não devem ser os cargos, mas os feitos que devem determinar a trasladação dos restos mortais de uma determinada personalidade para o Panteão”, conclui.

O distanciamento histórico é importante e daí a importância dos 20 anos decorridos da sua morte, defendeu. “Nestas matérias, não se pode decidir com paixão e com emoção. Muito menos por impulso político ou partidário. É preciso tempo. É preciso distanciamento histórico. Doutra forma, corremos os risco de estar a banalizar uma homenagem que deve ser especialmente nobre e decidida com grande independência.