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terça-feira, 7 de agosto de 2018

O teatro do absurdo

Luís Menezes Leitão07/08/2018

Luís Menezes Leitão


opiniao@newsplex.pt

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Enquanto a geringonça começa a colapsar, o país assiste ao que parece ser uma peça de teatro do absurdo no maior partido da oposição. Enquanto Santana Lopes anuncia que vai formar um partido para combater o próprio PSD, Rui Rio está a pecar por excesso de calculismo

O principal problema nos políticos portugueses é o calculismo. A maior parte das vezes, os nossos políticos abdicam do combate em defesa das suas posições, à espera da melhor oportunidade para alcançar uma vitória fácil. E assim deixam o país adiado, mais parecendo a peça “À Espera de Godot”, em que todos esperam que Godot chegue, mas só se ouve dizer que ele não virá, talvez amanhã.

É graças a isto que o PSD parece neste momento uma peça de teatro do absurdo. Em primeiro lugar, o partido teve há seis meses um congresso electivo onde os vários candidatos que agora se declaram disponíveis para liderar o partido se podiam ter apresentado e demonstrado aos militantes ao que vinham. Nenhum, porém, o fez, deixando que a disputa se fizesse apenas entre Rui Rio e Santana Lopes. Tendo perdido por falta de comparência, talvez devessem neste momento abster-se de pretender substituir um líder que decidiram não enfrentar.

Já Santana Lopes, pelo contrário, apresentou-se como alternativa a Rui Rio e conseguiu congregar os votos de todos os que se lhe opunham. Fê-lo, porém, depois de ter deixado o partido completamente à deriva nas eleições autárquicas, adiando sucessivamente uma decisão sobre a sua candidatura a Lisboa, para depois não avançar, invocando o compromisso com a Santa Casa, compromisso que logo desapareceu quando passou a estar antes em causa disputar a liderança do PSD. Perdidas as eleições, abdicou imediatamente de ser oposição a Rui Rio, apresentando no congresso uma lista conjunta com o mesmo, mas logo a seguir renunciou ao cargo para que foi eleito. Agora, seis meses depois de ter disputado a liderança do PSD, anuncia que vai formar um novo partido para combater o próprio PSD, com o argumento extraordinário de que o partido gostava de o ouvir mas não seguia as suas ideias. Com tantos avanços, recuos e mudanças de estratégia, é de facto difícil alguém seguir o que quer que seja.

Mas a estratégia de Rui Rio também está a pecar por calculismo excessivo. Rui Rio anunciou logo no congresso que estava preocupado era com as autárquicas de 2021, parecendo assim já dar como perdidas todas as eleições de 2019, muito mais importantes para qualquer partido político. E desde então ensaiou uma estratégia de entente cordiale com António Costa, com quem tem uma grande proximidade desde que ambos lideraram as duas maiores autarquias do país. Neste âmbito, recusou mesmo dizer que rejeitará o Orçamento para 2019, ao contrário do que fez com clareza Assunção Cristas. Se esse Orçamento vier a ser aprovado pelo PSD, acontecerá o insólito de a política essencial do governo vir a ser apoiada pelo maior partido da oposição. Ao mesmo tempo, António Costa ficará com uma posição privilegiada nas legislativas, tanto podendo reeditar a geringonça como fazer um governo de bloco central.

A política a sério deve ser feita com combate e assunção de riscos, não com calculismos, adiamentos, desistências ou faltas de comparência. Assim, enquanto a geringonça começa a colapsar, aquilo a que o país assiste é a um teatro do absurdo no maior partido da oposição.

Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Escreve à terça-feira, sem adopção das regras do acordo ortográfico de 1990

#MeToo PSD: assumo a minha disponibilidade para liderar o PSD

João Lemos Esteves07/08/2018

João Lemos Esteves


opiniao@newsplex.pt

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Pedro Duarte quer mudar o partido, acha que Rui Rio não tem um projeto de futuro para o país. Mas ele também ainda não pensou nisso. Há de pensar um dia

1. Foi a notícia que mais jus fez ao qualificativo silly da season que ora vivemos: Pedro Duarte – o ex-líder da JSD – veio manifestar a sua disponibilidade para assumir a liderança do PSD. E o “Expresso” deu-lhe honras de capa, sem que se perceba o critério jornalístico subjacente a tal decisão. Mais: não se percebe sequer qual o interesse que tal poderia suscitar entre os portugueses potenciais leitores daquele semanário. Nós sabemos qual é o critério: desgastar (ainda mais, como se Rui Rio não o fizesse por si próprio!) o PSD, reforçando ainda mais o PS. Não por acaso, na mesma capa do referido jornal surge em destaque um outro título: “Grande Crise no BE”. Isso mesmo: grande crise no BE! Referências a António Costa? Referências ao PS? Referências à grande crise da geringonça? Nem vê-las!

2. Ora, como é possível discorrer-se sobre uma “grande crise no BE” sem se falar de uma “grande crise na geringonça”? O BE não é uma parte fundamental da geringonça? Caríssimas leitoras e caríssimos leitores, podem registar: nos próximos meses vamos assistir a uma campanha intensa de certos órgãos de comunicação social de promoção das virtudes de António Costa e do PS – e de como a maioria absoluta está a uma pequeníssima distância. Tudo com um objetivo, claro e linear, em vista: entregar a António Costa o poder absoluto. Já se esqueceram de como António Costa conseguiu destruir o acordo de aquisição da Media Capital (dona da TVI) pela Altice? E a quem agradou especialmente o insucesso desta aquisição? Pois… Voltemos então a Pedro Duarte: já que estamos em silly season e o “Expresso” resolveu elevar o grau de silliness (estupidez) desta época a um nível totalmente original, nós próprios assumimos o desafio de dedicar a nossa atenção a esta (insólita) declaração de disponibilidade do ex-líder da JSD.

3. Em primeiro lugar, há que reconhecer a injustiça relativa da cobertura dos média portugueses a potenciais candidatos à liderança dos partidos: Pedro Duarte está no presente momento como Castanheira Barros esteve durante anos na oposição a sucessivos líderes sociais--democratas. Contudo, Castanheira Barros (exceto quando vilipendiava Passos Coelho) nunca mereceu honras de capa do “Expresso” – o que significa que o referido jornal trata de forma diferente situações iguais ou cujas semelhanças ditam tratamento equitativo. O “Expresso” viola, pois, o princípio da igualdade. Saudamos, no entanto, a coragem e o voluntarismo manifestados por Pedro Duarte: faz falta, em cada ciclo eleitoral do PSD, um Castanheira Barros. Oxalá Pedro Duarte esteja à altura do desafio.

3.1 Em segundo lugar, convém notar a coincidência do momento escolhido por Pedro Duarte para manifestar a sua disponibilidade para substituir Rui Rio: nas últimas duas semanas, Luís Marques Mendes (finalmente!) acordou para a vida e já reconhece que a geringonça não passa de uma mentira, não se coibindo de criticar Rui Rio pelo seu romance político com António Costa. Ora, as críticas que Pedro Duarte dirige quer ao governo quer a Rui Rio, na famigerada entrevista da febre do último sábado de manhã, são uma (boa!) súmula das últimas edições dos comentários de Luís Marques Mendes. Não retira uma vírgula; não acrescenta um ponto.

3.1.1 Do que ficou dito nas linhas anteriores resulta um outro corolário importante: Marcelo Rebelo de Sousa está muito ativo na vida interna do PSD. Como já é público e notório, Pedro Duarte foi o homem escolhido por Miguel Relvas para figurar oficialmente como diretor de campanha de Marcelo, embora tenha sido o próprio Miguel Relvas quem dirigiu, de facto, a estratégia e as operações eleitorais. Ora, a mudança estratégica do porta-voz de Marcelo nos média (Marques Mendes) e os avanços discretos, mas mais efetivos, de Luís Montenegro, conjugados com a “disponibilidade” de Pedro Duarte, provam à exaustão que Marcelo Rebelo de Sousa está a divertir--se imenso manobrando os bastidores da intriga política social-democrata.

3.1.2 Perguntar-nos-ão: então, se Marcelo Rebelo de Sousa tem uma paixão política assumida por Luís Montenegro, por que razão espicaçou Pedro Duarte a sinalizar a sua disponibilidade para substituir Rui Rio? Fácil: é um clássico da dupla Marcelo/Relvas. Marcelo Rebelo de Sousa entende que Luís Montenegro só revela o seu potencial político quando é desafiado, em momentos de confronto. Donde importava criar um adversário para Luís Montenegro, para que este não concentrasse o ónus da oposição a Rui Rio. Ora, este adversário para Montenegro teria de ser alguém proveniente da mesma “esfera de influência”, que o mesmo é dizer controlável pela dupla Marcelo Rebelo de Sousa/Miguel Relvas. Ninguém melhor do que Pedro Duarte encaixa neste perfil. E daqui esta pequena, mas assaz curiosa, ironia do destino: Pedro Duarte critica (com razão!) Rui Rio por querer ser vice-primeiro de António Costa; porém, Pedro Duarte simula uma candidatura à liderança do PSD para… ser número dois de Luís Montenegro.

3.2 Em terceiro lugar, pergunta-se: o que motiva Pedro Duarte a assumir a disponibilidade para liderar o PSD? O próprio autoqualifica-se como um político “diferente dos outros”, motivado “apenas por convicções”. E qual a sua prioridade estratégica? Forçar a discussão sobre o futuro da Europa e a futura composição do Parlamento Europeu (por acaso, só assim por acaso, Luís Marques Mendes disse o mesmo na SIC, no domingo). E soluções? E propostas? Pedro Duarte, para manifestar a sua disponibilidade para liderar o PSD, já as deve ter, com toda a certeza… Mas não: o próprio confessa que, no que respeita a propostas e soluções, ainda não “pensou nisso”. Elucidativo… Pedro Duarte quer mudar, acha que Rui Rio não tem um projeto de futuro para o país – mas ele, Pedro Duarte, também ainda não pensou nisso. Há de pensar um dia. Para já, esteve muito ocupado a pensar se manifestava ou não a sua disponibilidade para liderar o PSD…

4. Nós confessamos que já andávamos preocupados pela ausência de algo trendy este verão. Faltava aquela tendência que permite sentir o quão silly é a silly season. Está encontrada: é a moda do #MeToo PSD – eu também manifesto a minha disponibilidade para liderar o PSD. Após cuidada e longa ponderação, cheguei à conclusão de que sou o líder ideal para o PSD neste momento histórico. Pelo menos, ao contrário de Pedro Duarte, não precisei de quatro anos para ver que a geringonça é uma fraude política, a maior da nossa democracia; nem precisei de um ano para chegar à conclusão de que o PSD não ganha coisa alguma com Rui Rio.

5. E – acreditem! – se fosse líder do PSD, António Costa não descansaria um minuto – há até quem diga que seria a oportunidade ideal para o primeiro-ministro se reformar e emigrar, voluntária e definitivamente, para Palma de Maiorca… Por falar em António Costa, onde é que ele anda? Alguém o viu nas últimas semanas? Veio o calor, temeu-se o pior, Monchique é uma situação complexa… logo, António Costa fugiu!

6. E você, cara leitora e caro leitor, tem disponibilidade para ser candidata/o à liderança do PSD? Então manifeste-a! #MeToo PSD!

Donald Trump garante que quem fizer negócios com o Irão “não fará negócios com os Estados Unidos”

ShutterstockJORNAL I07/08/2018 14:13

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Presidente norte-americano mantém assim as más relações com Hassan Rohani, presidente do Irão.

Donald Trump garantiu, esta terça-feira, na sua conta oficial da rede social Twitter, que quem negociar com o Irão “não fará negócios com os Estados Unidos”. O presidente norte-americano voltou assim a enaltecer a vontade em cortar todas as ligações com o país liderado por Hassan Rohani.

Trump anunciou que “as sanções ao Irão foram oficialmente lançadas”, garantindo que estas são “as mais severas alguma vez impostas”. Na publicação, Trump diz que as sanções “aumentarão ainda mais” a partir do mês de novembro.

O presidente norte-americano rematou apelando à “paz mundial”.

Recorde-se que as relações entre Donald Trump e Hassan Rohani têm-se deteriorado nos últimos tempos – o corte de relações atingiu o pico em maio, quando o presidente dos EUA decidiu rasgar o acordo nuclear com o Irão. Este acordo tinha sido estabelecido no início de 2016, ainda durante o governo de Obama.

A geringonça brasileira

Carta de S. Paulo

Sérgio Dávila

Hoje às 00:16

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ÚLTIMAS EM CONVIDADOS/OPINIAO
  • A geringonça brasileira

Os principais partidos políticos brasileiros acabam de definir os seus candidatos à corrida pela Presidência da República. Como os nomes dos postulantes mais importantes já eram conhecidos, foi a vez de os "vice-presidenciáveis" ganharem rosto. O destaque dado a eles, as especulações e expectativas em relação a cada personagem que foi aventado nos últimos dias podem soar estranhos ao estrangeiro. Não aos locais. Os brasileiros sabemos muito bem a importância do vice-presidente. Afinal, desde a redemocratização, nos anos 80, três deles assumiram o posto de seus titulares, às vezes com resultado traumático.

Em 1985, com a doença e morte de Tancredo Neves entre a eleição indireta e a posse, o vice José Sarney virou presidente já no primeiro dia de governo. Seu legado foi a hiperinflação e a eleição de Fernando Collor de Mello, que o sucedeu. Não por muito tempo. Dois anos e meio depois, após um processo de impeachment que culminou em sua renúncia, o próprio Collor cedeu lugar a seu vice, Itamar Franco, que assumiu em 29 de dezembro de 1992. Dinâmica semelhante, embora com outros atores e em uma sociedade bem mais polarizada, levou o atual presidente brasileiro, Michel Temer, a ocupar em 2016 a cadeira de Dilma Rousseff, de quem ele era o lugar-tenente.

Marco Maciel, político brasileiro famoso por suas tiradas e ele próprio vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso por oito anos, definiu bem em uma entrevista ao jornal "O Globo": "Quem anda na garupa não segura as rédeas. Vice anda na garupa. Tem que ser discreto, mas não pode ser omisso".

Agora, os olhos se voltam para o candidato a vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva. Oficialmente, ficou definido que será Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo. No entanto, até as pedras do edifício da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente está preso, sabem que as chances de o petista ter confirmada a sua candidatura pela Justiça são pequenas, para não dizer mínimas. Para garantir a cédula completa, o PT já se articulou com o PCdoB, deixando a atual candidata comunista à Presidência, Manuela D"Ávila, de stand-by para renunciar a sua postulação no prazo limite, de 17 de setembro, virando assim a vice de Haddad, que no impedimento de Lula assumiria a cabeça da chapa.

Assim, o Brasil inova mais uma vez. Além de vice-presidentes que assumem a Presidência, criamos a figura do candidato a vice-presidente fadado a assumir o posto de candidato a presidente, já com uma candidata a vice engatilhada. Eis a verdadeira geringonça.

*Editor-executivo do jornal Folha de São Paulo

A Direita a marchar torto

Opinião

A Direita a marchar torto

Paulo Baldaia

Hoje às 00:11



ÚLTIMAS DESTE AUTOR

A saída de Santana Lopes do PSD para criar um novo partido e a intempestiva entrevista de Pedro Duarte preocupam mais a direita que não gosta de Rui Rio do que os sociais-democratas que apoiam o ex-autarca do Porto.

Pudera! O partido "popular" de Santana rouba mais espaço ao putativo "tea party" dos colunistas do "Observador" do que ao PSD. E uma eventual liderança do ex-diretor de campanha de Marcelo implica o Palácio de Belém a um nível que basta a António Costa vencer com minoria para mandar totalmente na agenda política do país. O líder socialista agradece tanta atenção. Todos acusam Rio de estar demasiado colado a Costa, mas todos trabalham a favor das expectativas do PS.

Chega a ser ternurenta a forma como tanta gente tenta impedir Rio de chegar às Legislativas. Não há, nem houve em nenhum momento da Legislatura, uma sondagem que permita dizer com o mínimo de honestidade que é possível o PS perder o poder mas, ainda assim, exigem a Rio que ganhe as eleições. O que eles querem é voltar a fazer a lista de deputados para os quatro anos seguintes.

Os que lá estão no Parlamento, e que gostavam de repetir o lugar, não se entusiasmaram nem com o partido de Santana nem com a disponibilidade do ex-líder da Jota para avançar. Uma disponibilidade que só é efetiva se alguém limpar a mata por onde é preciso fazer o caminho. Por agora, não há quem faça o trabalho, está tudo a banhos.

A Direita, que se afirma orgulhosamente de Direita mas quer os votos da social-democracia para tomar o poder, já fez saber que está zangada com Marcelo por estar muito colado a Costa e não gosta de Rio por estar muito colado a Costa. É uma Direita que vale a pena ir lendo no "Observador". São órfãos de pai desconhecido. O que mais os chateia é o facto de não aparecer ninguém com carisma para cavalgar aquele projeto jornalístico/político.

Já não lhes chega um pequeno partido como da última vez em que tiveram um projeto jornalístico. Havia Portas e estiveram no Governo com Durão, Santana e Passos. Mas no "Observador" não há nenhum Paulo Portas. Nem sequer um Manuel Monteiro para fazer de lebre.

JORNALISTA