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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Coimbra, maré baixa

Novo artigo em Aventar

por José Gabriel

Quando era professor na E.S. Jaime Cortesão, dizia que tinha o privilégio de trabalhar num monumento e ter o melhor pátio de recreio que podia desejar, a Baixa de Coimbra. Já nos meus tempos de estudante e durante muitos anos foi a minha "sala de estar", como a de muitos amigos. Os cafés e esplanadas - onde todos éramos democraticamente promovidos a doutores a partir dos dezoito anos - , onde as palavras voavam livres e aprendíamos mais que nos bancos da Universidade - e, por vezes, os mestres eram os mesmos -, mesmo em frente da porta de algumas das melhores livrarias do país, os livros lidos à sombra benévola dos velhos prédios da Ferreira Borges e da Visconde da Luz - "Faltou a luz na rua Visconde da mesma", lembram-se? -, às vezes encadernados para não despertar curiosidades duvidosas, o copo e o petisco num daqueles lugares que talvez não passasse hoje numa vistoria da ASAE, enfim, um habitat propício ao desenvolvimento mental da espécie. Tudo quanto foi importante, passou por ali: manifestações, lutas, festas, vida, enfim. Até há não muito tempo.

Baixa de Coimbra, Maio de 2018 (foto: jmc)

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

A direita no seu labirinto

  por estatuadesal

(Carlos Esperança, 07/08/2018)

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O último congresso do PSD derrotou o projeto de Passos Coelho, que Santana Lopes se preparava para radicalizar com o apoio do grupo parlamentar. Rui Rio, sem cadastro, é encarado como a ameaça que paira sobre os autarcas do Norte que, apesar da denúncia da Visão, que se saiba, a PGR nunca mandou investigar. E não são os únicos alarmados!

Quanto a Santana Lopes, que provou não saber governar na Figueira da Foz, em Lisboa, e no País, pode saber governar-se, mas sabe dissipar melhor. É, aliás, o único populista do PSD com idade e currículo para prosseguir um projeto xenófobo, antieuropeísta e reacionário para a qual minguavam qualidades ao ora Doutor Passos Coelho.

Luís Montenegro era, até há pouco, o único candidato declarado a suceder a Rio, depois da inevitável derrota do PSD sem que a Dr.ª Cristas, incapaz de aglutinar os salazaristas, saudosistas do Império, e os ultraliberais, consiga crescer a fingir de democrata-cristã.

De pouco tem valido, a crer nas sondagens, a colossal barreira de ataques concertados aos partidos de esquerda, nos diversos órgãos de comunicação social, por jornalistas da extrema-direita, comentadores avençados e políticos reacionários ansiosos do poder.

Marques Mendes, cada vez mais um moço de recados, perdeu o fôlego e a compostura e já nem como eco de Belém serve. O próprio Marcelo, cujos banhos fluviais rivalizam com os incêndios em atenção mediática, já veio queixar-se da fraqueza do seu partido, que não consegue capitalizar a sua ajuda.

Pedro Duarte, ex-presidente da JSD e ex-diretor da campanha de Marcelo a PR, pode vir a substituir Marques Mendes como intérprete do pensamento do PR, agora que desafiou Rui Rio, sendo o primeiro que agradará a Marcelo e não parece alinhar pelo extremismo de Passos e Santana Lopes.

O PR, preocupado com a sua imagem e a do PSD, apesar de detestar Santana Lopes, foi com apreensão que soube da desfiliação que o menino guerreiro lhe anunciou, e não se conformou com a decisão que divide e debilita a sua área política. Foi com acidez que, entre dois banhos na zona dos incêndios do ano passado, que se empenha a recordar, desabafou: “Para mim o partido é uma família e não se muda uma família (…)”.

Entretanto, os ataques ao BE atingem uma ferocidade inaudita, em artigos de opinião na imprensa escrita, no espaço dos leitores e nas redes sociais, na tentativa de a direita mais à direita cobrir os seus escândalos, casos de polícia e desagregação, com o caso Robles que, sem lhe retirar a gravidade política, não mostra ser um caso de polícia.

Esta direita que berra, ulula e grunhe contra a falta de ética de um militante de esquerda, cala-se nos casos de provada corrupção (Tecnoforma ou submarinos) e nos lícitos (Barroso e Maria Luís), que escapam à alçada dos Tribunais, desde que sejam os piores dos seus a prevaricar.

Conhecemos a competência desta direita, e, quanto a ética, estamos conversados.

O Sr. Curto sabia que Monchique ia arder

O Sr. Curto sabia que Monchique ia Arder

por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 07/08/2018)

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Esta manhã, a RDP noticiou que o Presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Sr. Curto, terá avisado há muitos meses atrás que iria haver fogo em Monchique. Alguns jornais dizem o mesmo. Ora façamos um raciocínio porque pensar não é ofensivo nem faz mal a alguém:

1) O Sr. Curto sabia que a Serra de Monchique iria arder este ano quando não ardeu no ano passado apesar de meio milhão de hectares terem sido pasto do fogo e em Monchique as condições para o mesmo não eram piores que no ano passado em que houve um ano de seca, o que não aconteceu este ano.

2) Se sabia, não foi por ser adivinho ou ter alguma informação técnica especial, mas porque sabe que os incêndios são ateados por INCENDIÁRIOS que os bombeiros devem conhecer por estarem em contacto com as populações e saberem o que as pessoas dizem e viram.

3) No ano passado ardeu o centro e o norte, talvez no raciocínio do Sr. Curto teria chegado este ano o momento para a zona sul, até por saber que o turismo injeta 30 milhões de euros por dia na economia da nossa PÁTRIA e em várias declarações, incluindo na AR, o Sr. Curto deu a entender que é inimigo da atual solução governamental. Para ele PÁTRIA é o País mais um governo do seu agrado. A oposição anda louca de RAIVA com os 30 milhões por dia que os turistas trazem e daí atacarem o Algarve. Sim, se o fenómeno do fogo fosse natural como disse o cientista que fez um relatório sobre Pedrógão Grande, Monchique teria ardido no ano passado.

4) De qualquer forma, o Sr. Curto deverá ser ouvido pela PJ e Procuradores da Justiça a fim de revelar o que sabe sobre os incendiários e o que havia de especial na zona de Perna Negra onde começou o grande incêndio de Monchique.

5) Consta que na Perna Negra não há padarias com fornos a lenha e parece que nem passa o cabo de alta tensão da EDP, mas é o local ideal para os INCENDIÁRIOS atearem o fogo dada a sua relativa inacessibilidade.

6) Neste preciso momento estou a ouvir o Sr. Curto na SIC a POLITIZAR o incêndio de Monchique, criticando o Governo e chegou a afirmar que precisa de ter uma entrevista com o ministro Eduardo Cabrita.

7) Um gajo qualquer está agora a dizer que o fogo não se combate com mais meios, mas com capacidade técnica e inteligência, está a completar o objectivo dos INCENDIÁRIOS que é POLITIZAR o fogo de modo a que se possa cumprir a vontade de RUI RIO quando disse que os fogos deste ano deverão levar à demissão do governo e, mais, ele deveria ir a Primeiro Ministro com o apoio do PS. Que grande patriota? Um político quer ver a PÁTRIA a arder e em compensação ser eleito Primeiro Ministro.

É sabido que Rui Rio é um economista que nunca deve ter pegado numa mangueira e sabe tanto de incêndios como qualquer drogado arrumador de carros.

8) A SIC diz que foi detido na zona do Porto um INCENDIÁRIO que tentou provocar 7 incêndios em Crestelo e Silvares. O homem não teria antecedentes criminais, o que quer dizer que a justiça nunca se preocupou com ele, mesmo que tenha incendiado muita coisa nos anos anteriores.

9) Por último não posso deixar de denunciar a SIC ao mostrar a Serra da Arrábida e filmar sítios recônditos insuscetíveis de serem atingidos por viaturas de bombeiros. Aquilo é a mais rica zona florestal da Europa em termos de espécies raras. Os filhos de Balsemão, pelos vistos, querem aquilo ardido para conseguirem que Rui Rio expulse António Costa do Governo. Não podemos baixar os braços e temos de partilhar estes e outros textos sempre a atacar os INCENDIÁRIOS e a magistratura sem PÁTRIA e dizermos: VIVA PORTUGAL.

Então, falemos de escândalos

Novo artigo em Aventar

por j. manuel cordeiro

No passado dia 3 de Agosto, o blog da direita portuguesa chamava à atenção para um escândalo envolvendo Evo Morales. Parece que o saldo bancário do presidente boliviano triplicou em 12 anos, tendo atingido uns inenarráveis 51 mil euros, correspondendo à acumulação de 354 euros (e 17 cêntimos) por mês. Notícia, portanto.

Só para colocar as coisas em perspectiva, quanto é que Cavaco Silva ao vender as suas acções da SLN?

Cavaco lucrou 147 mil euros com acções da holding do BPN
Apesar de ter negado à TVI24 ter comprado ou vendido algo do BPN, a verdade é que Cavaco Silva teve um lucro de 147.500 euros com a venda de acções da SLN, que é dona deste banco. O negócio remonta a 2003. A filha do candidato presidencial também ganhou 209.400 euros. [
esquerda.net]

Testemunha confirma que Oliveira Costa vendeu a Cavaco Silva e à filha acções da SLN com prejuízo
Uma testemunha confirmou hoje em tribunal que o ex-presidente do BPN vendeu, em 2001, a Cavaco Silva e à sua filha 250 mil acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a um euro cada, quando antes as adquiriu a 2,10 euros cada à offshore Merfield. [
Público]

Deixo para o Observador, que parece ter apetência para escândalos, investigar quanto é que enriqueceram Dias Loureiro, Paulo Portas, Miguel Relvas, Oliveira e Costa, Duarte Lima e demais figurões da direita, tal como já fizeram com Sócrates e amigos.

Declaro por minha honra que não matei Kennedy!

Mário Cordeiro07/08/2018

Mário Cordeiro


opiniao@newsplex.pt

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Todos os estudos mostram que a residência alternada é benéfica para as crianças.Mas acaba com as pensões de alimentos, que muitas mães veem como um abono de família

Não estava em Dallas em 1963 e aproveito para declarar também que nunca matei judeus, nem na Inquisição nem no Holocausto, e, portanto, o que expresso aqui é, como me ensinou o dr. Mário Soares, o “direito à indignação”.

Começo a estar saturado do movimento “misandrófilo” que lança suspeitas constantes, perenes e, sobretudo, indecentes sobre os homens. Está na moda. É in, mas é inqualificável.

Há desigualdades de direitos de género que prejudicam essencialmente as mulheres? Sim! Há casos de violência doméstica que afetam principalmente as mulheres? Sim. Os homens detêm mais lugares de poder e de administração que as mulheres? Sim… mas elas também, há mais de duas décadas, entram em maioria esmagadora (mais de 70%) na universidade, o que pressupõe que os recém-licenciados (e menos “recém”) sejam sobretudo mulheres. Fala-se do impacte disto? Poucochinho… e será que o jornalismo feito por uma mulher é diferente do jornalismo feito por um homem? Sim? E como? E a medicina? E o direito, a engenharia, a economia, a política… seja o que for? É diferente, disso tenho a certeza, mas não vou emitir um único juízo de valor sobre o assunto.

Vem isto a propósito de, ao ler a petição das não sei quantas associações, ter ficado banzo. Não sei se pelo conteúdo ou por ver certas associações associarem-se (passe o pleonasmo) a esta petição.

Não pretendo, todavia, perder demasiado tempo com isto, mesmo que fique perplexo ao pensar como é que mulheres juristas que subscrevem uma posição tão “definitiva e taxativa” poderão, a partir de agora, ser “isentas e cegas” (como deve ser a justiça) quando tiverem um caso para julgar.

Quero voltar à vaca fria (que, com esta canícula, até apetece) e escrever algo sobre a responsabilidade parental repartida e a vivência partilhada.

Há muitos anos que venho defendendo essa regra. Responsabilidade parental partilhada, vivência alternada, duas moradas fiscais e divisão de despesas, sistema este que apenas deve ser excecionado se algum dos progenitores abdicar dos seus direitos (e não, como alguns querem, se impuser a sua vontade) ou o tribunal encontrar razões para limitar o exercício da responsabilidade parental (como aconteceria com ou sem divórcio). É tão lógico e tão cientificamente provado que não entendo esta petição, até porque não têm qualquer base científica e, como referi, assusta-me ver magistradas a assinarem petições destas porque me faz desconfiar que os tribunais portugueses são ainda, infelizmente, enviesados contra os pais.

Não vejo motivos para esta gente toda estar preocupada nem compreendo as suas razões. Os casos que pretensamente põem estas pessoas em polvorosa já estão contemplados na lei e tanto dizem respeito a homens como a mulheres. Fico perplexo, porque se um tribunal confirmar que alguém é abusador ou violento, ou incapaz da parentalidade, seja homem ou mulher (porque tem de haver igualdade de direitos e deveres), então, essa pessoa ficará de fora. Mas… suspeitar, à partida, de todos os homens? De todos os pais? Termos, nós, pais, de fazer prova de que temos “o cadastro limpo”? Pôr o ónus apenas sobre os homens quando se sabe que há um enorme número de mães abusadoras, manipuladoras e narcisistas que exercem violência psicológica (e, por vezes, também física) sobre as crianças, que são frívolas e negligentes? É intolerável a todos os níveis. Como intransigente defensor da igualdade dos direitos de género e dos direitos das crianças, tudo isto me deixa a um tempo furioso, a outro triste, por ver que há quem queira voltar à “guerra dos sexos” ou que, por motivos que talvez algum psicanalista melhor explique, se quer vingar dos homens, porventura através de mecanismos projetivos, vendo em cada homem um predador ou um mau pai. Gostaria de perguntar à Rita Ferro Rodrigues, da Capazes, que usa e se orgulha (com razão) do apelido que tem, o que achava de viver com o pai Eduardo apenas de 15 em 15 dias…

Os homens são tão capazes de cuidar e educar crianças como as mulheres. Não é preciso recuar ao filme “Kramer contra Kramer”. Têm uma enorme componente maternal, assim como as mulheres têm uma componente paternal. É esse triângulo pai-mãe-filho que dá coesão e estruturação à vida da criança. Se os deixarem e se os ensinarem, os homens sabem ser mães, dar mimo, dar afeto, etc.

Todos os estudos mostram que a residência alternada é benéfica para as crianças e não causa, por si, nenhuma instabilidade. Este argumento, o da instabilidade, é uma treta, uma mentira descarada. Desde que haja condições logísticas em termos de proximidade geográfica e manutenção do resto da vida da criança (família alargada, escola, loja onde compra cromos ou local onde corta o cabelo, etc.), é a melhor solução, e há diversos esquemas para lá da semana sim, semana não, como o esquema que “inventei” e que já sugeri a centenas de pais, de 2-2-5-5, e que funciona muito bem.

Claro que a residência alternada fará com que acabem as pensões de alimentos e há muitas mães que veem nisso um excelente abono de família, para lá da posse da criança – ora, já nem os cães têm dono, quanto mais as crianças! As mães não são mais mães do que os pais são pais, a criança precisa igualmente dos dois e o direito parental é o mesmo. A bem da criança e a bem dos pais.

Outro argumento é que, em caso de conflito entre os pais, a residência alternada não seria uma boa solução. Mentira. Pode detestar-se o ex mas ser-se boa mãe e bom pai. Se as pessoas não se podem ver, então que arranjem formas de comunicação indiferente (SMS, mails, etc.) e se remetam apenas ao essencial. Qual seria a solução do ponto de vista do superior interesse da criança: ficar só com a mãe? O pai passar a um “progenitor”? Um “dador de esperma”? Um “porco cobridor”? E porquê o pai? Então o legislador e os juízes passariam a decidir que a criança ficaria sempre com o pai e “visitava” a mãe de 15 em 15 dias – o verdadeiro “poder paternal”? Ah, pois!

Homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e os mesmos deveres. É essa a base da igualdade de género e do feminismo. Tenho-me batido por isso a vida toda, pelo que me ofende que me olhem com suspeição (a mim e à esmagadora maioria dos homens) e pugnem por uma legislação que coloca a mulher como uma santa e o homem como um demónio. Desculpem, minhas senhoras e senhores da Capazes, Associação de Mulheres Juristas, APAV ou quem seja. Não me chamo Harvey Weinstein nem Marc Dutroux! Nem assassinei o presidente Kennedy!

Pediatra