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sábado, 11 de agosto de 2018

Entre as brumas da memória


Os Pobrezinhos

Posted: 10 Aug 2018 01:22 PM PDT

Era assim...
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Dica (795)

Posted: 10 Aug 2018 11:33 AM PDT

Is capitalism rigged in favour of elites?
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E a China lá tão longe

Posted: 10 Aug 2018 06:00 AM PDT

Distância Pequim Hong Kong = 1958 km, tempo de viagem 9 horas.

Os passageiros poderão viajar de trem-bala de Beijing até Hong Kong em nove horas a um preço de cerca de 1.000 yuan ($ 146), graças à linha de alta velocidade Guangzhou-Shenzhen-Hong Kong, cuja secção de Hong Kong será inaugurada no próximo mês.

(Via Diário do Povo Online no Facebook)

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Incêndios: o nosso Frankenstein

Posted: 10 Aug 2018 03:54 AM PDT

«Em 10 de Abril de 1815, na paradisíaca ilha de Sumbawa na Indonésia, o vulcão Tambora rebenta. A explosão é tão devastadora que a montanha onde está o vulcão perde 1.500 metros de altura, passando de 4.300 metros para 2.800. O estrondo escuta-se a centenas de quilómetros de distância. Milhares de pessoas morreram, entretanto, devido aos gases tóxicos ou queimadas pelas cinzas. Para a atmosfera são largados enxofre e cinzas numa escala nunca conhecida. Uma nuvem negra transforma o dia em noite. E esta nuvem, caminhando lentamente, acaba por chegar à Europa em meados de 1816, e deixou o Velho Continente sem Verão. Foi nesse mundo de frios aguaceiros que Mary Shelley criou a imortal personagem Frankenstein. Em Junho de 1816, em Villa Diodati, Lorde Byron desafiou os presentes ali a escrever um conto de terror. O ambiente externo é convidativo: chove durante três dias seguidos e o céu está sempre escuro. Frankenstein torna-se um símbolo dos nossos medos. Shelley sonhou com um cientista que criava a vida e ficou horrorizado com o resultado do que fez.

Os incêndios tornaram-se o nosso Frankenstein. O verde transforma-se em cinzento, o azul dos céus em cinzento. E o medo vai corroendo todas as certezas. O incêndio que começou em Monchique vai alimentar muitas teorias, certezas e incómodos. Durante muito tempo. Mas, independentemente de tudo, ele mostra a incapacidade estrutural de Portugal conviver com os seus problemas. Numa época em que o eucalipto se tornou o Diabo à solta e o culpado de todos os males, convém discorrer sobre um tema mais vasto: a sustentabilidade do nosso interior. Na zona de Monchique, o eucalipto domina, mas o sobreiro e o medronheiro também existem em grandes quantidades. E é ele o pulmão económico da região, mesmo com a chegada do turismo. E é aí que voltamos à questão crítica: como é possível ordenar o território, que a cada ciclo de 12 anos se tem de defrontar com incêndios destes (fala-se já que o próximo de grandes dimensões será na serra de São Mamede), se a pequena propriedade privada domina e o Estado tem uma pequena parte do território, ao contrário do que sucede na Europa? Mais, como Estado parece ser incapaz de gerir o que tem (veja-se o incêndio do ano passado no pinhal de Leiria), que lições pode dar para que os pequenos proprietários se juntem? Sem esta questão prévia parece impossível combater-se o que será um hábito, até por causa das alterações climáticas.

A economia é fulcral. A ela alia-se o repovoamento. Sem oferta, não se atraem jovens para reocupar estas terras isoladas e desertas de gente. A política de abandono por parte do Estado do interior levou também a estas catástrofes. Ou seja, sem uma reforma estrutural da acção do Estado, sem uma gestão profissional da "floresta" e sem a associação de pequenos proprietários (uns idosos, outros ausentes), nada mudará. Há depois a capacidade operacional dos bombeiros (e a sua coordenação). Parece que as opções com base política ainda se sobrepõem muitas vezes à qualidade e conhecimento. Será fácil agora criarmos uma caça às bruxas para descobrir culpados. Mas este Frankenstein veraneante que nos incomoda tem que ver sobretudo com a incapacidade de Portugal tomar decisões estruturais. Neste sector, como em muitos outros.»

Fernando Sobral

Sobre a normalização da brutalidade nos EUA

Novo artigo em Aventar


por João Mendes

Nos EUA, uma criança de 11 anos foi apanhada a roubar comida num supermercado. Perante tão hediondo crime, qual foi a solução encontrada pelo segurança do estabelecimento, que por acaso também é polícia? Parar a perigosa delinquente com o seu taser. Sim, é mesmo verdade: um agente da autoridade norte-americano achou que a solução para aquele grande assalto era uma violenta descarga eléctrica numa criança de 11 anos, uma descarga eléctrica que poderia ter sido fatal.

Podia voltar a lógica de uma publicação que fiz ontem, e perguntar como reagiria o mundo dito civilizado se um incidente destes tivesse acontecido, por exemplo, na Rússia. Estaríamos, muito provavelmente, a generalizar e a discutir práticas totalitárias dos perigosos comunistas que há décadas deixaram de o ser. Mas estou mais preocupado com o que se está a passar nos EUA, onde a brutalidade se está a normalizar a um ritmo alucinante. Onde, entre outras maravilhas da era Trump, é hoje legalmente possível fazer armas de fogo com uma impressora 3D, fora do controle das autoridades. E verdadeiramente assustado com a possibilidade de ver estas monstruosidades serem exportadas para a Europa, para gáudio dos Orbáns e Salvinis desta vida.

O ministro clandestino que quer um não-acordo não-escrito

  por estatuadesal

(Francisco Louçã, in Expresso, 11/08/2018)

LOUCA3

Um não-acordo é navegar à vista e chamar-lhe acordo é enganar. Um acordo sem acordo é a forma de o ministro clandestino se manifestar contra a ‘geringonça’


Já foram duas as vezes e prometem-se mais episódios da telenovela. Um tal ministro, não um qualquer, ele é do núcleo restrito da coordenação do Governo, penso que são só cinco nessa faina, tem vindo sorrateiramente a público comentar o presente e explicar o futuro. Encontrou um canal privilegiado, como se diz na gíria, e usa-o para chistes, apreciações e até anunciações do que o primeiro-ministro pensaria fazer. Foi dele a esplêndida conclusão de que António Costa, se vencedor das próximas eleições, fará um acordo com as esquerdas, mas nunca com papel assinado. O assunto merece atenção, teve mesmo direito a manchete do jornal do tal canal. Assim, um ministro anónimo anuncia ao país como vai o seu partido resolver as dificuldades, com bordoada neste e afagos naquele.

A VANTAGEM DO BIOMBO

Pode interrogar-se alguém que leia essas florentinas intrigas sobre a razão do anonimato. O ministro, o canal diz-nos solenemente que é um ministro, está clandestino por alma de quem? Recorre ao anonimato porque tem medo do primeiro, mas antecipa oficiosamente as suas palavras? Será tudo mentira? Existirá o ministro ou será simplesmente uma forma de o próprio canal se citar a si próprio e assim explicar urbi et orbi o que entende ser mais conveniente para o país? Disso não pode haver certeza. O recurso ao anonimato, que neste caso contraria as regras da deontologia jornalística por não ter qualquer justificação, é simplesmente uma forma de fazer política malandreca, atirando a pedra e escondendo a mão. Quem colabora nesta farsa de um debate político escondido atrás de um biombo sabe que está a envenenar a democracia e a estimular uma agressividade gratuita.

E é que o ministro clandestino usa e abusa dessa perfídia. Fá-lo tratando o PCP com uma condescendência viperina, como se fosse um partido facilmente manipulável, indicando mesmo um dos seus deputados como um parceiro de Governo que seria absorvível sem dificuldade. Para quem conhece o PCP, nada de pior lhe pode ser atirado do que estas palavras melosas sobre a adaptabilidade e cedência do partido. Ao Bloco, o ministro clandestino reserva fel e suponho que vai servir novas doses em breve. Mas nos dois casos a sua estratégia resume-se a isto: destruir a confiança, minar as conversações, impedir as comunicações, exibir estados de alma, garantir falsa fé. O ministro clandestino é um bombista.

Depois da falsa partida de Santos Silva, que veio exigir aos partidos de esquerda que se convertessem ao santossilvismo, o nosso ministro clandestino pode pensar como Santos Silva e até falar como Santos Silva, mas anónimo será sempre.

O NÃO-ACORDO NÃO ESCRITO

Resta ainda a fantasia do acordo-sem-acordo-escrito. Nisso aproveitando as palavras de Jerónimo de Sousa, repetidas com ingenuidade ou engenho por João Oliveira, o ministro clandestino atreve-se mesmo a afirmar — como o anonimato facilita a fanfarra! — que o primeiro-ministro-ele-próprio estaria disposto a essa modalidade curiosa. Só que as palavras nem sequer enganam e cada um fala de coisa diversa: o PCP refere-se a não haver acordo escrito, ou seja, a não haver acordo e ficar tudo em aberto; e o tal ministro a haver acordo não escrito, ou seja, a haver um acordo secreto. Porque, entendamo-nos: se não fica escrito ou não é acordo ou é um acordo secreto. E isso não convém nada à esquerda. Se secreto, é pífio; se nada, nada é e então fingir é o pior remédio.

Imagine por um instante quem lê estas linhas que não tinha havido acordo escrito em 2015. Acha mesmo que o Governo tinha concretizado 600 euros de salário mínimo, ou que tinha recuado no bónus patronal no caso da TSU? O acordo escrito foi o que garantiu os mínimos que foram cumpridos. Conversa fiada em vez do acordo seria desacordo sempre que fosse tempo de decisão.

Como toda a gente percebeu, este cenário só é falado porque um acordo em 2019 é muito mais difícil do que em 2015. Primeiro, a razão de afastar a direita já não vale, está afastada. Segundo e mais importante, o acordo depende de políticas estruturais nas contas públicas e por exemplo no SNS, mas o PS está a dar sinais de nem querer ouvir falar disso. Por isso, só haverá acordo se for escrito. Um não-acordo é navegar à vista e chamar-lhe acordo seria enganar toda a gente. Por isso, a proposta de um acordo sem acordo é a forma do ministro clandestino operacionalizar a sua oposição à ‘geringonça’, que vem de 2015 e sobretudo se preocupa com 2019.


N.B. São José Almeida despejou-me nutridos insultos no “Público” do sábado passado, no tom chocarreiro que faz o seu estilo. Confesso que já estava preocupado, havia meses que não me atacava (da última vez foi por causa do “compadrio mal disfarçado” com a corrupção, pela minha oposição ao golpe de Temer e Bolsonaro contra a presidente eleita do Brasil). Temia que me esquecesse ou, pior, que me ignorasse. Felizmente, não é o caso. Desejo-lhe por isso as melhores felicidades, visto que perseguir ódios de estimação é carreira em algum jornalismo.

Moralices

Um coro de personalidades de todos os quadrantes sentenciou: o defeito da esquerda é o “discurso moralista”. Sentença unânime e sem apelo nem agravo. Do jornal de referência ao pasquim, toda a gente à uma, a culpa é do moralismo. Até ficava mal a alguém opinar sobre o assunto sem lavrar a sua concordância solene com tal finalmente.

Pois peço autorização para me juntar, se não ao relambório, pelo menos à premissa da conclusão. De facto, tenho por certo e até por definitivo que nenhuma política se pode justificar por uma moral. A razão é suficientemente evidente para dispensar muita argumentação: se a política se fundamenta numa moral, então não permite aprendizagem pois é sempre definitiva, não tolera negociação pois é sempre conclusiva, nem aceita diferenças pois é por definição ultimatista. Um moral só se reconhece a si própria. Uma política que se pretende expressão da moral é por isso totalitária por construção. É a mais detestável das políticas. A política como moral é a Inquisição, é Khomeini, é Netanyahu, é Kim Jong-un, é Trump. Outra tentativa de estatuir a origem sagrada de uma política, como a “superioridade moral dos comunistas”, naufragou na abjeção estalinista e dela só restam as seitas.

Não, uma política democrática num mundo de diversidade e conflitos não pode ter por fundamento uma moral. Alexandra Lucas Coelho tem toda a razão a esse respeito num texto que escreveu recentemente. Esse é o argumento que defendo desde há mais de 30 anos, escrevi-o pela primeira vez n’“O Jornal”, suponho que em 1985, e repeti-o amiúde. Outra coisa é que cada pessoa, em particular quem exerce cargos públicos, se obrigue à sua própria ética e, se os seus atos só são julgados pela lei, a coerência dessa ética não deixa de ser parte do escrutínio social. No entanto, se essa ética te obriga, não te justifica; se também sugere o que deves fazer, não é por isso que exclui os outros. Aceitarão então os leitores que nisto encontre razões para recusar moralices de políticas e para só pedir clareza ética na política.

O meu problema é que aqui chegado tenho dificuldade em entender o tal consenso dos opinadores sobre o “discurso moralista”. É que não estão a discutir a pretensão moral de uma política, eles que tantas vezes são os mais moralistas dos fiéis, estão a condenar o “discurso”. E então qual discurso? Quais são as palavras proibidas? Atrevo-me a adivinhar que nem um destes sentenciadores sairá à liça para fazer listagem desses pecados discursivos. Seria difícil e provavelmente revelador: tal diria que o “discurso moralista” foi condenar os estratagemas do BES Caimão para esconder o dinheiro de Pinochet, outro diria que “discurso moralista” foi criticar o governante do CDS em cujo turno desapareceram dez mil milhões de euros da lista de transferências para offshores, outro ainda que esse “discurso moralista” é condenar a publicação seletiva de escutas telefónicas em processos judiciais. Não, estes não são bons exemplos? Então digam-me por favor quais são os que contam e qual é esse “discurso” que é preciso erradicar. Tenho alguma curiosidade sobre o assunto e a vaga suspeita de que nenhum dos moralizadores contra o “discurso moralista” se chegará à frente para dizer do que está a falar porque, na verdade, uma boa publicidade não chega a ser uma razoável razão.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Retardantes do Fogo são Tóxicos

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 10/08/2018)

retardantes

(Com tanto "especialista" em fogos a criticar a forma como se atacou o fogo de Monchique, nomeadamente por não terem sido utilizados retardantes, brada aos céus a ignorância (ou má fé) dos ditos não levando em conta os efeitos tóxicos e nefastos dos ditos produtos. Uma cambada ao serviço da direita que usa o fogo e a desgraça alheia para atacar o governo e a sua acção.

Comentário da Estátua, 10/08/2018)


Muita gente critica as autoridades dos diversos governos de há décadas de não utilizarem como os americanos de caldas retardantes do fogo.

Sucede que a maior parte dos retardantes são altamente tóxicos e cancerígenos desde o mais vulgar e barato, o ácido bórico H3BS3 aos ABS - Acrilonitrilo Butadieno Estireno e Trióxido de Antimónio Sb3O3.

Contudo há moléculas químicas inorgânicas que tem alguma ação retardante quando combinadas com os verdadeiros retardantes, contribuindo assim para a redução da toxicidade do soluto retardante. Posso citar a vulgar argila ou montmorillonite abundante em Portugal que micronizada pode ser misturada com os retardantes e ajuda a criar uma espécie de placa antifogo na superfície onde cai ou onde é colocada nos fatos de bombeiros, superfícies de móveis, automóveis, etc. .

Também o dióxido de titânio TiO2 pode minorar a toxicidade quando misturado em forma micronizada ou em partículas ainda menores denominadas nanopartículas.

Não há, contudo, retardantes totalmente inócuos e, por isso, foram proibidos em estados americanos como o Maryland e Vermont, mas não na Califórnia em que se considera que os males dos incêndios gigantescos superam os da toxicidade dos retardantes e os bombeiros utilizam máscaras protetoras que impedem a inalação desses produtos, ou deveriam impedir.

Havendo tantos cientistas conhecedores do fogo em Portugal nas diversas universidades seria aconselhável que estudassem um soluto retardante com baixa toxicidade que aumentasse o efeito antifogo. Nem é preciso fabricar muito porque as diversas empresas químicas fornecem todos os compostos, sendo uma das mais importantes neste campo. a empresa estatal alemã Evonik.

Relatório revela que dirigentes do norte do país recebem triplo de remuneração em relação a trabalhadores não qualificados

10 ago 2018 07:25

MadreMedia / Lusa

Economia

4 comentários

Os trabalhadores com funções de dirigentes auferem, na região Norte, um rendimento médio mensal líquido de 1.585 euros, valor que representa o triplo daquele recebido por trabalhadores não qualificados, revelam dados do relatório Norte Estrutura hoje divulgado.

Relatório revela que dirigentes do norte do país recebem triplo de remuneração em relação a trabalhadores não qualificados

“Uma análise por grupos de profissões mostra que a disparidade entre os trabalhadores por conta de outrem com maior e menor salário médio se manteve aproximadamente constante na Região do Norte desde 2014, com os chamados dirigentes a auferirem entre o triplo e 3,2 vezes o rendimento médio dos trabalhadores não qualificados (depois de em 2012 terem auferido o quádruplo)”, conclui o documento elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Na região, e entre os trabalhadores por contra de outrem, o grupo profissional dos dirigentes (onde se incluem representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes, diretores e gestores executivos) é também um dos de menor dimensão (apenas cerca de 39 mil empregados em 2017).

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A nível salarial, seguem-se os especialistas das atividades intelectuais e científicas (1.244 euros em 2017), o grupo dos técnicos e profissões de nível intermédio (919 euros), pessoal administrativo (716 euros mensais), trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices (667 euros), operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem (648 euros) e trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores (630 euros).

Com os níveis salariais mais baixos do Norte estão os grupos de trabalhadores qualificados da agricultura, pesca e floresta (507 euros) e trabalhadores não qualificados (502 euros).

De uma forma geral, o salário médio da região registou, nos últimos dois anos, um crescimento real superior ao observado ao nível nacional, atingindo os 796 euros, mas ainda assim manteve-se inferior ao salário médio nacional em cerca de 7%, tal como há cinco anos.

Em 2017, o mercado de trabalho no Norte caracterizou-se pelo aumento da oferta de mão-de-obra, crescimento do emprego, descida do desemprego e aumento do salário real.

Nos últimos anos, o aumento da oferta de recursos humanos no Norte “deveu-se unicamente” à mão-de-obra feminina, que cresceu 2,7% em 2017, o que representa mais 25 mil mulheres ativas do que em 2016. Em sentido inverso, a população ativa masculina residente na região diminuiu ligeiramente em 2017.

O documento destaca ainda a “progressiva escolarização” da mão-de-obra no Norte. Se em 1998, apenas um em cada 15 ativos do Norte tinha concluído um curso do ensino superior, 19 anos depois, em 2017, cerca de 22,2% da população possuía habilitação ao nível do ensino superior.

Nos últimos dois anos, as atividades que mais contribuíram para o crescimento da população empregada residente foram o ramo do alojamento, restauração e similares (com cerca de mais 15 mil empregados) e as indústrias transformadoras (mais 14 mil), seguidas da educação (mais 10 mil) e transportes e armazenagem (mais nove mil).

Paralelamente, a taxa de desemprego continua a ser mais elevada no Norte do que a nível nacional, situação que se mantém desde 2003, tendo-se fixado nos 9,8% em 2017. Numa análise por sub-regiões, o valor mais baixo encontrava-se, no ano passado, no Alto Minho, com 6,7% de desemprego, enquanto no outro extremo, e com 14,6%, a sub-região do Douro tinha a taxa de desemprego mais elevada.

Com taxas de desemprego superiores à média no Norte encontravam-se, no mesmo período, as sub-regiões do Alto Tâmega (12,9%), de Terras de Trás-os-Montes (10,9%), do Tâmega e Sousa (10,5%), e a Área Metropolitana do Porto (10,3%).

O relatório Norte Estrutura avalia ainda o crescimento das empresas da região nos últimos anos, concluído que entre 2008 e 2016 foi determinado pela internacionalização e aumento de produtividade, com o volume de negócios para o mercado externo a atingir um valor recorde em 2016 e as indústrias transformadoras a darem um forte contributo para o crescimento da produtividade do trabalho, dos lucros e do investimento, principalmente em equipamento básico.