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domingo, 12 de agosto de 2018

Vou fazer como Marcelo e Marques Mendes…

  por estatuadesal

(Pacheco Pereira, in Sábado, 12/08(2018)

JPP

Pacheco Pereira

Uma coisa é a livre expressão de críticas e outra a organização de grupos e fracções como Passos fez contra Manuela Ferreira Leite, e Montenegro, Duarte e muitos membros do Grupo Parlamentar e algumas distritais fazem a Rio, e Lopes vai fazer, pelo menos com maior transparência, porque sob outro chapéu.

…e dizer: como eu vos disse, como eu tinha previsto a semana passada, etc.
Sim, como eu tinha previsto há mais tempo que a semana passada, Lopes admite que o seu "novo" partido tem como objectivo arranjar uns lugares nas próximas eleições, o dele em particular, e ninguém do PSD saiu atrás de Lopes sem se consumar a derradeira e desesperada tentativa de derrubar Rui Rio, antes que este possa condicionar as listas para deputados.
É o objectivo de Pedro Duarte e Montenegro. As suas estratégias têm nuances: Duarte quer condicionar as escolhas das próximas eleições, Montenegro é mais prudente e como sabe que elas serão muito difíceis de ganhar, prefere esperar para não ter o ónus da derrota.

Hipocrisias

Claro que ambos juram hipocritamente que não querem "desestabilizar" a direcção, mas isso é o lugar -comum do "politiquês" muito pobre, feito de frases feitas e rodriguinhos, que todos usam. Críticas a Rio, duras que sejam, serei o último a pôr esse direito em causa, até porque o exerço em abundância. E vejo com ironia como muitos dos que me criticaram fazem hoje o mesmo.
Só que, uma coisa é a livre expressão de críticas e outra a organização de grupos e fracções como Passos fez contra Manuela Ferreira Leite, e Montenegro, Duarte e muitos membros do Grupo Parlamentar e algumas distritais fazem a Rio, e Lopes vai fazer, pelo menos com maior transparência, porque sob outro chapéu.

Ilustração Susana Villar

Ilustração Susana Villar

Os passos

O primeiro passo foi a contestação imediata e às claras com centro no Grupo Parlamentar (e tal não é por acaso…), o segundo é a contestação organizada com exigência de um novo Congresso que agora Duarte vai tentar liderar.
O terceiro passo deste movimento, caso falhe a tentativa de derrubar Rio, então será a transumância para o partido de Lopes, ou para o CDS de Cristas. Mas só depois de se esgotarem as tentativas internas.

Vai ser interessante ver quem vai financiar quem

Quem vai financiar o PS a gente já sabe: toda a gente que tem capacidade para financiar a vida política. O PS está no poder e não lhe vão faltar apoios nos meios económicos e empresariais. Para os grandes partidos, incluindo o PSD, é esta proximidade que explica muita da corrupção e do tráfico de influências que inquinam a vida política nacional. O PSD terá um quinhão mais pequeno dos mesmos que vão financiar o PS.

É uma velha prática apoiar sempre em partes desiguais conforme quem tenha o poder, o PS e o PSD. Deixo de lado o BE e o PCP, cujos mecanismos de financiamento são de outra natureza, mas com zonas pouco transparentes como é o caso das autarquias para o PCP.
O financiamento do CDS pode até crescer, porque é como o financiamento de uma startup, e a ecologia do CDS sozinho e alguma renovação interna vão torná-lo apetecível para os deserdados ideológicos e políticos do PSD de Passos, ou seja a alt-right portuguesa, os think tanks conservadores, os trumpistas envergonhados, o Observador, e outros blogues muito activos na direita radical.
Agora verdadeiramente interessante será o financiamento do partido de Lopes, embora suspeite que vai ter as mesmas origens do financiamento do CDS de Cristas. Vamos ver.

É um pouco aborrecido...

…ter quase a certeza de que daqui a uns dias vou poder começar de novo a dizer, como Marcelo e Marques Mendes, como eu tinha previsto… Mas prometo moderar-me.

Os proletários do desporto: a Volta a Portugal acima de 40º

Querem um exemplo de gritante irresponsabilidade? Permitir que várias etapas da Volta a Portugal em bicicleta se realizassem no pico da onda de calor em pleno Alentejo, com temperaturas à volta dos 45o. Alguém o permitiu e esse alguém é um criminoso que podia ter matado ou atingido gravemente um ou vários ciclistas, já para não falar dos que vão para as estradas ver a volta passar. Pelos vistos, considera-se normal manter o espetáculo por causa dos múltiplos interesses em jogo, dos da publicidade até aos dos órgãos de comunicação que precisam de alimento.
Felizmente parece que não aconteceu nada, mas isso é irrelevante. Ah! e para além dos promotores da Volta, o Governo é igualmente responsável e muito.

Banhista "ressuscitado" pelos bombeiros e nadador salvador na praia de Carcavelos

Praia de Carcavelos

Foto: DR

Os Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana e um nadador salvador trouxeram de volta à vida, este domingo, de manhã, um banhista de 55 anos, que sofreu de doença súbita e entrou em paragem cardiorrespiratória na praia de Carcavelos.

O homem caiu subitamente na linha de água e foi arrastado pelas águas, tendo sido resgatado, inanimado e em paragem cardiorrespiratória, pela embarcação Tornado I dos Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, em prevenção na praia, e por um nadador salvador, segundo avança o jornal "Cascais24".

Já no areal, o banhista foi alvo de duas tentativas de reanimação, sem sucesso, e só ao terceiro choque do desfibrilhador "ressuscitou", contou ao jornal Ricardo Pastor, Adjunto de Comando dos Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, que, por acaso, estava na praia em lazer e acabou por dirigir a operação de salvamento.

O banhista, depois de ressuscitado, acabou por ser transportado na ambulância do INEM da corporação para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Também a mulher do banhista, vítima de ataque de ansiedade, teve que ser assistida pelos Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, sem que, contudo, tivesse necessidade de ser transportada a unidade hospitalar.

No socorro estiveram mobilizados os Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, nadadores salvadores e a VMER do Hospital de São Francisco Xavier.

Há prostitutas?

Opinião

Por Afonso Camões

Hoje às 00:12

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

É lendária, entre jornalistas, a rábula que conta o episódio da chegada do arcebispo da Cantuária a Nova Iorque, em visita oficial. Ainda mal pisara terra e já um repórter lhe pedia um comentário sobre a presença marcante de tantas prostitutas naquela cidade norte-americana. Surpreendido com a pergunta e a ganhar tempo para engatilhar uma resposta, o líder espiritual da Igreja Anglicana soltou um "Ah! Mas há prostitutas em Nova Iorque?" No dia seguinte, um jornal noticiava a vermelho e em manchete: "Acabado de desembarcar, Primaz de Inglaterra pergunta se há prostitutas na cidade".

A anedota, que nem é certo ser verdadeira, ilustra o que pode acontecer quando as declarações de alguém surgem amputadas ou fora do contexto em que foram proferidas. Trata-se de uma técnica legítima, quando aplicada com talento e correção ética, mas em muitas ocasiões favorece a manipulação - inconsciente ou dolosa.

Esta semana, a frase do primeiro-ministro, dizendo que o fogo de Monchique foi a "a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação, ao longo destes dias", fez títulos e ecrãs de crítica, por mostrar "insensibilidade". Ora, se há coisas que António Costa sabe bem é que uma má comunicação pode comprometer o sucesso; mesmo quando o que se quer dizer, com verdade, é que, apesar de termos o maior dispositivo de sempre, em meios técnicos e humanos, afetos ao combate a incêndios, o pior ainda pode estar para vir; e que todos temos um contributo a dar.

Sem um pacto e políticas de médio e longo prazos para a floresta e para o nosso mundo rural, o país vai continuar a arder, todos os anos e com maior gravidade, independentemente de quem governa. A um ano de eleições, já sentimos no ar o bafo da pré-campanha. É bom, porém, que os políticos de turno, no poder ou na oposição, evitem a tentação populista, deem prioridade à prevenção, e deixem o fogo aos profissionais.

Catarina de Albuquerque: “Os governos não são perfeitos, mas temos de apoiá-los”

Ana Pina

15:00

Catarina de Albuquerque é a nova presidente executiva da SWA, uma parceria da ONU. Embora critique a falta de articulação dos governos na área do desenvolvimento, vê nas dificuldades desafios a superar para prosseguir a luta que sempre a moveu: defender os direitos humanos e diminuir as desigualdades.

O ritmo a que fala não denota apenas um traço de personalidade, mas também a energia que a caracteriza, a somar ao entusiasmo com que discorre sobre aquilo que mais gosta de fazer: defender os direitos humanos e diminuir as desigualdades.

A partir de 3 de setembro, Catarina de Albuquerque, 48 anos, será a primeira presidente executiva da Sanitation and Water for All [Saneamento e Água para Todos], o cargo mais elevado ocupado por um português na UNICEF.

Após um extenso processo de seleção, no qual participaram 199 candidatos, a escolha recaiu sobre aquela que foi a primeira relatora Especial da ONU para a defesa do direito à água potável e ao saneamento, e diretora executiva da Sanitation and Water for All (SWA) nos últimos três anos, decisão a que não serão alheios o sucesso e reconhecimento que obteve no desempenho dessas funções. Mas, afinal, quem é Catarina de Albuquerque?

Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Mestre em Direito Internacional pelo Institut Universitaire de Hautes Études Internationales, na Suíça, e Doutora Honoris Causa pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, Catarina de Albuquerque é um nome que a maioria dos portugueses desconhece, embora seja uma figura reconhecida no mundo diplomático na área da defesa dos Direitos Humanos – cadeira que leciona na Católica Global School of Law. Em 2009, foi homenageada pela Assembleia da República com o Prémio Direitos Humanos pelo trabalho desenvolvido nesta área, embora nos últimos anos se tenha dedicado mais ao setor dos recursos hídricos.

Quisemos recuar no tempo para perceber se se recordava do momento em que percebeu que era este o caminho que queria seguir. “Acho que sempre tive uma veia reivindicativa e de luta por direitos, ainda que na altura não soubesse o que são direitos. Insurgia-me contra aquilo que achava injusto ou que estava errado. Sempre tive isso. Mas lembro-me de, aí com 19 anos, ter começado a fazer voluntariado num bairro de lata que havia ao pé do estádio universitário em Lisboa, a Quinta da Calçada. Eu andava na Clássica, mas como tinha amigos do Grupo de Ação Social da Universidade Católica, juntei-me a eles. Ajudava os miúdos a fazer os trabalhos de casa e, no verão, participei no campo de férias. Havia miúdos que nunca tinham ido à praia! No regresso a casa, dei por mim com lágrimas nos olhos a pensar: ‘é isto que me faz feliz’. Lembro-me perfeitamente.”

As boas intenções não bastam

Aqui chegados, importa perceber o que é e o que faz a SWA. “É uma parceria. Depois da aprovação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, em 2000, foram criadas diversas parcerias sob a égide das Nações Unidas na área do desenvolvimento. Porquê? Porque se chegou à conclusão – e já se devia ter chegado a essa conclusão antes – que os Governos, hoje em dia, não são o que eram em 1945, quando foram criadas as Nações Unidas (ONU). Aquela estrutura da ONU que vê os governos como o ator principal, secundário e por aí fora, não funciona para o mundo em que vivemos, em que temos a sociedade civil a assumir um papel cada vez mais relevante na área do desenvolvimento, tal como o setor privado, as instituições de investigação, a academia, os doadores bilaterais e multilaterais, os bancos de desenvolvimento, as fundações privadas… E então chegou-se à conclusão de que, ou se reformavam as Nações Unidas, o que é bastante complicado, ou, para tentar agilizar as coisas, criava-se este tipo de parcerias que dão direitos iguais a todos estes atores. E foi isso que começou a acontecer. Foram criadas parcerias deste género na área da educação, na área da nutrição e outras mais específicas, como a violência contra crianças, a saúde materno-infantil, o combate à tuberculose e também a nossa, a SWA.”

Hoje em dia, há 100 países envolvidos na SWA, Portugal incluído. Prioridade? Pô-los a funcionar em conjunto. A par dos Estados, também é necessário trazer para a mesa as empresas privadas, os bancos de desenvolvimento, as fundações e a sociedade civil, bem como instituições académicas de referência e parceiros estratégicos como o Banco Mundial. E, acima de tudo, articular as iniciativas que se pretende levar a cabo na área do desenvolvimento para evitar que os meios financeiros existentes, muitas vezes insuficientes, sejam mal aplicados.

“O que nós víamos, e que infelizmente ainda se vê hoje em dia, é que há uma desarticulação completa a nível nacional dos esforços levados a cabo numa determinada área do desenvolvimento. Não só tem havido falta de dinheiro, como tem sido muito mal gasto. Dou-lhe um exemplo. No arquipélago de Quiribati, no Pacífico, que também é membro da ONU, numa das ilhas, vi um edifício com uma arquitetura peculiar e perguntei o que era. Uma central de dessalinização, disseram, construída com donativos. Mas como não têm dinheiro para pagar a eletricidade, a central não funciona. Ou seja, doações ad-hoc é algo que não funciona! Outro exemplo. Estamos a passar férias numa aldeia que não tem sequer uma escola. Arranjamos dinheiro e até construímos a escola, mobilamos, pomos tudo a funcionar. Depois a escola não é reconhecida pelo Ministério da Educação do país em causa, não há professores, não há manuais… Em vez de estarmos a gastar dinheiro na construção da escola, não faria mais sentido informarmo-nos junto do Governo e perguntarmos se há uma escola num raio de dez quilómetros? Ficamos a saber que há e que até cobre as crianças dessa aldeia. Então, mais valia comprar um autocarro para transportar as crianças, pagar a um motorista para fazer esse serviço e pagar a gasolina, por exemplo, tal como apoiar a aquisição de manuais escolares… Enfim, o que quero dizer é que, embora os governos não sejam perfeitos, nós temos que apoiar os governos, os países, que já têm planos ou estratégias nas mais diferentes áreas, e perceber como a nossa ajuda pode reforçar essas estratégias. Se não existirem, então vamos começar pelo princípio, pelos alicerces, e não pelo telhado. Ou seja, vamos apoiar a elaboração de uma estratégia para a área da água [abastecimento], da educação, o que for, perceber quais são as prioridades, onde se vai intervir e quais são os problemas, para depois toda a gente alinhar os esforços. Mas isto é muito difícil!”

Vontade política precisa-se

A questão da vontade política surge, inevitavelmente, durante a entrevista, a propósito de uma declaração de Catarina de Albuquerque – com mais financiamento e melhor uso do dinheiro, poderemos chegar a 2030 e garantir que não há ninguém à face da Terra sem acesso a água e saneamento de qualidade. Quisemos saber se é exequível. “Em teoria é, na prática, não sei. É humanamente possível? É tecnicamente possível? Sim, é possível. Se isso não acontecer, há uma razão: falta de vontade política. Se não houver vontade política, nada se faz. O que se está a fazer na Índia é exemplo disso. O primeiro-ministro Modi, com todos os defeitos que possa ter, elegeu o saneamento como prioridade – o programa Clean India Mission. E tem conseguido progressos extraordinários por uma única razão, porque há um drive político para alcançar essa meta. Porque é que em Portugal não há mais bebedouros para os sem-abrigo? Porque é que não há mais casas de banho públicas? Não é por falta de dinheiro, é por falta de vontade política!”

Ir ao terreno sempre fez parte do seu dia a dia. Por várias razões, entre elas o facto de poder recolher material para contar histórias concretas em vez de debitar exemplos abstratos. Faz toda a diferença quando a batalha tem um rosto e não se fica por estatísticas em papel ou Power Point. Uma prática que pretende manter agora que vai assumir o comando da SWA. “Resolvi introduzir uma nova prática na SWA que antes não existia: as visitas aos países, ao terreno. Isto porque o objetivo da SWA era criar vontade política ao mais alto nível, e então organizávamos reuniões que envolviam os ministros do setor e os ministros das Finanças. Os ministros do setor já estavam convencidos, mas era preciso que os ministros das Finanças autorizassem as dotações orçamentais e percebessem a importância das ações a realizar. Ora, na preparação [das estratégias] aumentava a vontade política e a visibilidade a nível nacional, mas depois das reuniões isso esmorecia. O que agora estamos a fazer é trabalhar com os governos e outros atores a nível nacional, e parte deste trabalho passa por visitas aos países.”

E como funcionam essas visitas? Envolvem um grupo alargado de pessoas ou implica uma abordagem ‘mais intimista’? “Sou só eu. Quer dizer, há um grupo de pessoas que vai comigo e me apoia, mas sou eu que visito as pessoas nas zonas com problemas. Mas sempre fiz as coisas assim”. E é bem recebida? “Depende dos países, mas quanto mais pobres as pessoas, mais as portas estão abertas. Aconteceu-me isso em países árabes, na América Latina… batia à porta para falar com as pessoas, o intérprete explicava quem eu era e o que fazia ali, e era imediatamente convidada para tomar chá ou almoçar. Em todos os bairros de lata onde fui no Egito, na Jordânia, no Uruguai, no Brasil, as pessoas eram extraordinárias! As pessoas são amiúde de uma grande doçura, abertura e generosidade.”

Uma estrutura complexa, mas com boas intenções

Vem à memória um comentário do historiador britânico Mark Mazower, que considera que o simples facto de ter sido possível criar a ONU é quase um milagre, e que as suas fragilidades são o preço a pagar. O imobilismo que tantas vezes lhe é apontado será uma delas. E a SWA, enquanto parceria, padece seguramente de problemas semelhantes, ou será que a nova presidente executiva tem margem para mudar o funcionamento e a equipa com quem vai trabalhar? “A ONU é uma máquina muito complicada, mas com boas intenções. Estando eu inserida nessa estrutura administrativa, decidi, antes de começar a exercer funções oficialmente, preparar algumas alterações ao nível administrativo e de pessoal. Vou ser honesta: isso tem de ser feito logo no início para conseguir trabalhar, caso contrário não é possível trabalhar como eu quero.”

A ideia que se tem é que o universo onde se move continua a ser maioritariamente masculino. É mesmo assim? “Depende do universo a que se refere. Se está a falar no universo dos ministros das Finanças, sim. Se está a falar no universo dos engenheiros sanitários, sim. Se olharmos para o meu conselho de administração, também. Mas se falarmos no universo da sociedade civil, da academia, aí as coisas mudaram”. E podemos falar em discriminação em relação às mulheres? “Sim, há discriminação contra as mulheres e não tem só a ver com aspetos salariais, tem a ver com a maneira como somos ouvidas e como as nossas opiniões são tidas em consideração. Quem diga que isso não é verdade está a mentir. Estou sempre a lutar pela inclusão de mulheres em painéis e reuniões ministeriais e, por vezes, tenho mulheres que me vêm dizer que a prioridade deve ser a qualidade e não há mulheres, e aí fico furiosa! Com certeza que a qualidade é prioridade, mas temos de fazer um esforço para trazer as mulheres, porque também há muitos homens incompetentes que são convidados para isto e para aquilo. Temos de fazer um esforço deliberado para falar com as mulheres, identificar as mulheres, porque muitas vezes as mulheres tendem a adotar um low profile, a apagar-se”.

Catarina de Albuquerque não seguiu esse caminho, antes batalhou para fazer a diferença e superar obstáculos. Recorda, a propósito, que aos 33 anos, perante uma assembleia de embaixadores mais velhos, algumas pessoas não a levavam a sério. Desde então já muito aconteceu, desde a elaboração de recomendações que levaram a alterações legislativas em vários países do mundo à redação daquele que é considerado como um dos mais importantes documentos recentes da área dos Direitos Humanos: o “Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos Sociais e Culturais”.

O seu empenho e dedicação foram de tal ordem, que, entre outras conquistas, conseguiu que a ONU declarasse o acesso à água potável e ao saneamento básico como um direito universal, em 2016. Um feito assinalável, sem dúvida, mas que chama a atenção para o lado mais negro do chamado “progresso” em pleno século XXI. As estatísticas mais recentes dão que pensar: 2,4 mil milhões de pessoas vivem ainda sem condições sanitárias adequadas, ou seja, cerca de um terço da população mundial. e mais de 660 milhões de pessoas não têm acesso a uma fonte de água potável.

Perante a crueza dos números, a reposta que deu ao jornal britânico “Financial Times”, quando questionada sobre a sua maior extravagância, não poderia ser mais elucidativa: “abrir a torneira e ter água a qualquer hora”.

A Realidade dos Meios Aéreos

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 11/08/2018)

canadairFoto: Um C-130 a lançar água com retardante a título experimental.

Muito se falou nos anos 70 a respeito da utilização dos meios aéreos da Força Aérea no combate a incêndios.

Chegou-se a comprar kits especiais (Modular Airborne System for Fighting Fires) para reconverter os C-130 nessa função em que utilizariam também retardadores e chegou a ser utilizado um helicóptero Aluette III com 2 sapadores florestais equipados com um extintor de 6kg de pó cada um.
Durante anos discutiu-se o assunto até que a FAP chegou à conclusão que os C-130 eram demasiado valiosos para serem utilizados no combate aos incêndios e não poderiam reabastecer-se em qualquer albufeira ou no mar como fazem os T-Roc, Canadair e Kamov, além da dificuldade em ter dois ou mais C-130 a trabalharem ao mesmo tempo que teriam sempre de aterrar na sua base para se reabastecer, o que significava uma enorme perda de tempo.

Portugal é um país com mais de 50 barragens de norte a sul, pelo que há sempre uma albufeira ou um rio a poucos quilómetros de algum incêndio e os dois modelos de aviões anfíbios enchem os depósitos sem pararem, limitando-se a amarar e quando em contacto com água enchem os depósitos. Até podem reabastecer-se no mar como fizeram recentemente no combate ao incêndio de Monchique. Os Kamov podem encher um balde de 500 litros até numa piscina, tendo duas hélices de sustentação que dá um impulso suficiente mesmo numa atmosfera muito quente e pouco densa.

O avião ideal para combater o fogo continua a ser o Canadair que é, de resto, o único avião do mundo construído para essa missão.

Posteriormente, quando foram adquiridos os 12 helicópteros E-101 alvitrou-se a hipótese de serem utilizados no combate a incêndios. Sucede que estes helicópteros vieram no âmbito dos planos estratégicos da Nato e um desses helicópteros custou tanto como 6 Kamovs além de que a formação dos pilotos da FAP é caríssima em comparação com os civis.

Os Kamov russos foram fornecidos a um preço especial, parece que em segunda mão, mas a sua manutenção é bastante cara. Mesmo assim, inferior à dos helicópteros E-101 que fazem revisões globais no fabricante.

A FAP é extremamente cara. Os seus pilotos voam em média pouco mais de 6 anos e levam 2 a 4 a serem instruídos, passando depois a oficiais do Estado Maior, algo que não sucede com os civis das empresas a quem se alugam os meios aéreos ou se contratam os trabalhos de manutenção e pilotagem com um custo elevado por hora que não dura todo o ano.

Segundo um estudo publicado na revista alemã “Der Spiegel” acerca dos incêndios em todo o Mundo, Portugal passou de um mês de grande seca e calor a sul e 2 meses no centro e norte entre 1971 e 2000 a 3 a 4 meses nos anos mais recentes. Isto em consequência de um aumento médio da temperatura global na Europa da ordem dos 2ºC.

Muitas foram as comissões que estudaram o problema dos meios aéreos, tendo a FAP descartado a possibilidade de participar no combate aos incêndios. A compra de 4 Canadair com apoio da União Europeia foi posta de lado devido aos custos de manutenção e instalação de infraestruturas adequadas. Acabou-se por recorrer ao aluguer periódico que feitas as contas por todos os governos ainda é a solução mais económica apesar dos seus elevados custos.

No âmbito destas questões dos fogos apanhámos a RDP2 a mentir quando colocou uma tímida engenheira do ambiente a dizer que Portugal é o país da Europa que possui a maior percentagem de floresta. A senhora esqueceu-se da Suécia, Finlândia e Noruega, países quase sem uma agricultura normal e cobertos a mais de 80% por florestas. A Rússia também tem uma gigantesca Sibéria toda florestada e sem grande agricultura por causa do frio.

A senhora confirmou indiretamente que Portugal é vítima dos incendiários quando disse que os vários estudos da sua universidade mostram que os incêndios variam de ano para ano entre o sul, centro e norte. Ora, na generalidade, acontece como este ano, o calor e a seca abrangem todo o país e não há uma explicação para a concentração dos incêndios em zonas diferenciadas por anos. Simplesmente, os interesses dos incendiários não abrangiam sempre a totalidade do Nação.