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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Pânico, disse o Correio da Manhã

Novo artigo em Aventar


por João Mendes

No passado Domingo, dei comigo a espetar-me de frente com esta chocante machete do Correio da Manhã: durante 55 minutos, entre as 21:40h e as 22:35h, hora a que foi publicada a peça, uma falha na rede multibanco impossibilitou levantamentos e pagamentos com cartão. Pânico, disse o Correio da Manhã. Pânico, pois claro! Toda a gente de bem sabe que 55 minutos sem multibanco equivale a um país paralisado, mergulhado no caos absoluto. Inevitavelmente, fiquei logo cheio de medo.

Na falta de florestas a arder, que tantos euros rendem ao sensacionalismo imbecil, o Correio da Manhã precisava de uma polémica. Foi a falha no multibanco, poderia perfeitamente ter sido um surto ervas daninhas em Vila Real de Santo António. Porque o jornalismo do Correio da Manhã é isto: exagero, manipulação, mentira e instrumentalização das emoções mais primárias de quem ainda perde tempo a ler essa anedota jornalística. E Portugal adora este jornalismo de esgoto, não é mesmo?

Entre as brumas da memória


8 Dias, 8 Viagens (1)

Posted: 13 Aug 2018 02:07 PM PDT

Cataratas do Nilo Azul, Etiópia, 2013.
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Dica (796)

Posted: 13 Aug 2018 10:30 AM PDT

How Your Brain Tricks You Into Believing Fake News (Katy Steinmetz)

«That is why many advocates are suggesting that we reach for another powerful tool: shame. Wardle says we need to make sharing misinformation as shameful as drunk driving. Wineburg invokes the environmental movement, saying we need to cultivate an awareness of “digital pollution” on the Internet. “We have to get people to think that they are littering,” Wineburg says, “by forwarding stuff that isn’t true.” The idea is to make people see the aggregate effect of little actions, that one by one, ill-advised clicks contribute to the web’s being a toxic place. Having a well-informed citizenry may be, in the big picture, as important to survival as having clean air and water. “If we can’t come together as a society around this issue,” Wineburg says, “it is our doom.”»

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Salazar, ainda ele

Posted: 13 Aug 2018 06:37 AM PDT

O mesmo homem, igual a si próprio em todos os domínios, diria, num 12 de Agosto, uma frase que ficou célebre: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».

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13.08.1961 – Quando um Muro nasceu em Berlim

Posted: 13 Aug 2018 03:43 AM PDT

Começou a ser construído há 57 anos, durou 28. Os muros hoje são outros e têm nomes insuspeitos como Mediterrâneo. Um dia também cairão.

A polícia não serve para salvar vidas?

  por estatuadesal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 13/08/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

É interessante verificar que foi dos que mais violentamente costumam reagir a qualquer critica às forças policiais que vieram as reações mais indignadas com o comportamento da GNR em Monchique. Uma parte desta reação tem motivações políticas. A morte de uma única pessoa nos incêndios teria, depois de Pedrógão e de outubro, enormes efeitos políticos.

Há quem ache que terá sido o receio por esses efeitos a principal motivação para o Governo ter dado toda a prioridade à preservação de vidas humanas, mesmo que isso correspondesse a perderem-se casas e terras. Ainda que isso fosse verdade, ela não deixa de estar certa por isso. E parece haver entre alguns dos críticos uma indisfarçável amargura por essa opção lhes ter retirado um fortíssimo instrumento de oposição ao Governo. Uma amargura que é, convenhamos, um pouco sinistra.

Mas há outra razão para quem não hesita em defender a polícia sempre que há um espancamento numa esquadra ou na rua, uma carga sobre uma manifestação ou um tiro sobre uma viatura que não pára numa “operação stop” a rasgar agora as vestes pelos direitos dos cidadãos. A divisão que fazem do mundo é entre bandidos, moradores de bairros sociais, arruaceiros e todos os suspeitos do costume, por um lado, e cidadãos comuns, “como todos nós”, por outro. E é com base nesta dicotomia entre normalidade e margens que avaliam a atuação policial. Só por isso se chocaram, aliás, com o espancamento de um adepto do Benfica, em Guimarães, em 2015. E os donos das propriedades de Monchique eram “pessoas como nós”, que apenas queriam salvar o que tinham.

Nas avaliação da ação policial, estas pessoas não aplicam os critérios relevantes para um Estado de Direito ou de necessidade no uso da força, mas critérios que dividem as vítimas da violência policial entre bons e maus, culpados ou inocentes. Pois eu acho que o uso da força pela polícia se mede pela sua necessidade e proporcionalidade. Porque o uso da força não serve para punir – isso só os tribunais podem fazer –, serve para proteger um bem maior do que aquele que, com a sua utilização, é posto em causa.

O uso da força dentro de uma esquadra perante alguém que, mesmo que seja um criminoso, não representa um perigo iminente para si e para os outros é inaceitável e tem de ser tratado como um crime. O uso da força para retirar alguém de uma situação de perigo de vida é não só aceitável como um dever de qualquer força policial.

Estranho é haver quem defenda que a polícia pode pôr em perigo a vida de alguém para defender um bem material mas não deve usar a força para salvar quem, num momento de desespero, se está a entregar à morte para defender a sua casa ou a sua terra. É uma inversão total de valores.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Comissões a mais

Opinião

Inês Cardoso

Hoje às 00:07

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

Num país com uma longa tradição de incêndios destrutivos, não é de admirar que a última década e meia conte com uma infindável lista de organismos e relatórios para refletir sobre o fenómeno. No Parlamento já houve comissões eventuais e grupos de trabalho. Já se produziram estudos aprofundados de governos (como o Livro Branco, em 2003) e de universidades.

Na sequência das tragédias do último ano, e dando corpo a propostas da comissão técnica independente, foram criados novos organismos. A Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais deverá arrancar em janeiro de 2019. Para a sua instalação, nasceu a Estrutura de Missão que, entre outras iniciativas, iniciou este verão a contratação de uma bolsa de 30 peritos, com funções de apoio à decisão.

Na semana passada, o presidente da República promulgou o diploma que institui o observatório técnico independente para análise, acompanhamento e avaliação dos incêndios. Uma estrutura com dez peritos independentes, nomeados pelos partidos e pelas universidades, e que responde diretamente à Assembleia da República.

E há ainda a Unidade de Missão para a Valorização do Interior que, estando muito para além da questão concreta dos fogos, deveria ser crucial para inverter os problemas de despovoamento e desequilíbrio territorial que em muito contribuem para as suas causas.

Marcelo Rebelo de Sousa tem sido a voz mais ativa, coerente e incansável na defesa da floresta e na exigência de que o drama dos incêndios não seja minimizado. Tem estado com as populações, pedido medidas e pressionado o Governo sempre que necessário. Não precisa de comprovar esse empenho com sugestões e propostas que apenas multiplicam a dispersão do trabalho em curso. Mais organismos ou comissões? Só se for para se atropelarem uns aos outros.

SUBDIRETORA

Cristãos regressam a Nínive

Opinião

Fernando Calado Rodrigues

Hoje às 00:02

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

A cidade bíblica de Nínive, mencionada no Livro de Jonas, deu o nome à província iraquiana de Ninawa, onde se situa a terceira maior cidade do país: Mossul. Esta foi ocupada pelo autoproclamado Estado Islâmico entre junho de 2014 e dezembro de 2017, tendo esse grupo terrorista promovido uma limpeza étnica e religiosa. Todos os que não professavam a fé em Alá, segundo a tradição sunita, ou se convertiam, ou tinham de abandonar a região para salvar vida. Mesmo os sunitas mais moderados ou os xiitas não escaparam à perseguição, mas a intolerância religiosa fustigou particularmente os islamitas curdos e os cristãos da região.

As casas dos cristãos foram assinaladas com a letra "n" do alfabeto árabe, a inicial da palavra "Nazareno", o nome depreciativo dado aos cristãos em ambientes islâmicos. Os seus habitantes foram despojados de todos os bens e tiveram de optar entre o exílio ou a morte.

Na noite de 6 para 7 de agosto de 2014, abandonaram a cidade de Mossul os últimos três mil cristãos. Acabava, assim, uma presença cristã de dois mil anos que sobrevivera às controvérsias teológicas e heréticas dos primeiros séculos do cristianismo, às perseguições turcas e mongóis - e que aprendera a conviver com a cultura árabe, arabizando-se nos seus costumes mas mantendo a sua fé cristã.

Com a derrota do Estado Islâmico, mais de 8800 famílias cristãs têm regressado à planície de Nínive durante este ano. Para que os cristãos pudessem voltar a este território, foi necessário reconstruir milhares de casas e de igrejas. Pela primeira vez na história, os líderes de diferentes igrejas cristãs - da Igreja Caldeia, da Sírio-Católica e da Sírio-Ortodoxa - reuniram-se e criaram, em 2017, a Comissão de Reconstrução de Nínive.

Entretanto, já regressaram quase metade dos cristãos expulsos pelo Estado Islâmico. Graças à reunião de esforços dos líderes religiosos, foi também possível restaurar cerca de cinco mil edifícios. Só a "Ajuda à Igreja que Sofre", uma Fundação Pontifícia da Igreja Católica, conseguiu reunir fundos em todo o Mundo para reconstruir 568 casas na região. Mas ainda muito há a fazer até se conseguirem restaurar os 13 555 edifícios danificados pelos terroristas, dos quais 1234 casas foram destruídas, 3155 queimados e 9166 foram parcialmente destruídos, segundo a Comissão de Reconstrução.

Paralelamente, desenvolve-se uma colaboração entre o Governo iraquiano e a Santa Sé para promover a fixação dos cristãos na região e evitar que eles emigrem. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Iraque revelou esta coordenação de esforços numa notícia da "Agenzia Nova", sublinhando que "os cristãos são parte integrante do povo iraquiano: estamos felizes com a sua presença e pretendemos protegê-los".

Desta forma se vai restaurando aos poucos a presença cristã no Iraque. Em 2003, eram cerca de um milhão e meio, concentrando-se a maioria na província de Ninawa. Hoje, estão reduzidos a trezentos mil, dos quais dois terços continuam refugiados no Curdistão iraquiano.

PADRE