Translate

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

CIENTISTAS DESCOBREM QUE COUVES E BRÓCOLOS AJUDAM A IMPEDIR O CANCRO E EXPLICAM PORQUÊ

17 ago 2018 08:01

Nuno de Noronha

Atualidade

3 comentários

Que os chamados vegetais crucíferos são bons para o intestino, nunca houve dúvidas, mas a explicação para esse fenómeno foi sempre evasiva. Cientistas britânicos chegaram finalmente a uma explicação plausível num estudo publicado esta semana.

Cientistas descobrem que couves e brócolos ajudam a impedir o cancro e explicam porquê

Uma equipa de investigação do Francis Crick Institute, um centro de pesquisa biomédica localizado em Londres, descobriu que são produzidas substâncias químicas anticancerígenas quando legumes e verduras são digeridos no intestino do ser humano.

Estes são os sintomas de cancro mais ignorados pelos portugueses

Estes são os sintomas de cancro mais ignorados pelos portugueses

Ver artigo

A investigação centrou-se em como essas verduras alteram o revestimento intestinal, a partir da análise de ratinhos e intestinos em miniatura criados em laboratório. Assim como a pele, a superfície do intestino humano é constantemente regenerada, num processo que dura até cinco dias para estar concluído e entrar num novo ciclo.

O estudo publicado na revista científica "Immunity" mostra que substâncias químicas presentes nos vegetais crucíferos são vitais nesse processo de renovação do intestino.

CANCRO DO INTESTINO: QUAIS OS SINTOMAS?

Os sintomas do cancro do intestino incluem sinais persistentes de sangue nas fezes, alterações nos hábitos intestinais, como ir à casa de banho com mais frequência.

Dor na barriga, inchaço ou desconforto são outros dos sintomas a ter em conta.

Cansaço e emagrecimento sem razão aparente também integram a lista de sinais a estar atento.

A substância essencial

Durante a investigação, os cientistas debruçaram-se sobre uma substância chamada Indol-3-Carbinol (I3C), produzida a partir da mastigação e que já se tinha revelado importante em estudos anteriores. Essa substância é modificada pelo ácido gástrico à medida que continua a sua jornada no sistema digestivo.

Na parte inferior do intestino, essa substância tem a capacidade de alterar o comportamento das células do intestino, que regeneram o revestimento intestinal, e das células do sistema imune que controlam as inflamações.

Segundo a radiotelevisão britânica BBC, o estudo mostrou que dietas ricas em Indol-3-Carbinol protegiam os ratos de cancro, mesmo os mais predispostos geneticamente para a doença.


Conhece alguém com cancro? Faça-lhe um grande um favor e não diga isto

Conhece alguém com cancro? Faça-lhe um grande um favor e não diga isto

Ver artigo

"Mesmo quando os ratinhos começaram a desenvolver tumores, quando lhes trocámos a dieta, para uma apropriada, isso impediu a progressão do tumor", comenta Gitta Stockinger, investigadora do Francis Crick Institute.

"Este estudo em ratinhos sugere que não é apenas a fibra presente em legumes e verduras, como os brócolos e o repolho, que ajudam a reduzir o risco de cancro do intestino, mas também as moléculas encontradas nesses vegetais", acrescenta o investigador Tim Key, do Cancer Research UK.

"Estudos mais aprofundados ajudarão a descobrir se as moléculas desses alimentos têm o mesmo efeito nas pessoas. Mas, enquanto isso, já existem muitos bons motivos para se comer mais verduras e legumes", conclui.

Entre as brumas da memória


Aretha Franklin calou-se hoje

Posted: 16 Aug 2018 07:09 AM PDT

Aretha (Louise) Franklin nasceu em Memphis, em 25 de Março de 1942. Já houve quem a considerasse a maior cantora de todos os tempos, é certamente uma das muito grandes.

O seu último álbum (o trigésimo) – Aretha Franklin Sings the Great Diva Classics –foi publicado em Outubro de 2014.

A recordar:
Em 2014, na Casa Branca:
.

Os nossos queridos comentadores

Posted: 16 Aug 2018 06:02 AM PDT

No Público de hoje, João Miguel Tavares compara Marine Le Pen com Boaventura Sousa Santos: «Dentro daquilo que são os meus valores fundamentais, Boaventura Sousa Santos e Marine Le Pen são apenas irmãos desavindos».

Diz muito mais, mas nem vou continuar a citá-lo. Preocupante é ver os que desceram logo à arena das redes sociais para o defender, em nome da sacrossanta liberdade de expressão. Alguns diriam com certeza o mesmo se JMT tivesse escrito que os ativistas do ISIS e o papa Francisco são apenas irmãos desavindos.

Assim vamos.
.

A delícia turca de Trump

Posted: 16 Aug 2018 03:35 AM PDT

«Em 1889, o Expresso do Oriente partiu da Gare de l'Est em Paris e chegou, finalmente, a Istambul. Os europeus puderam, finalmente, ir de comboio até aos limites do continente e vislumbrar o Oriente. Istambul, já desde os tempos da Rota da Seda, era uma ponte geográfica entre o Ocidente e o Oriente. Foi a jóia de impérios e centro de poder político e espiritual. Do Império Romano do Oriente, Bizâncio, e do Império Otomano, até 1923. Ataturk modernizou-a. E a Turquia, na sua grandeza, tornou-se a porta por onde dois mundos se espreitavam e conheciam. Erdogan, rechaçado pela União Europeia, procurou um novo rumo, mais musculado, para a Turquia, tentando torná-la um exemplo para o Médio Oriente e para a Ásia Central. E foi aí que este importante país da NATO (com o seu segundo maior exército) entrou em choque com os Estados Unidos. Ancara está contra o apoio dos EUA aos curdos, está ao lado do Irão e do Qatar contra a Arábia Saudita e é a voz mais sólida para confrontar Israel na região. Nada disso agrada a Donald Trump. O caso do pastor americano preso na Turquia é um disfarce para as suas reais intenções: domar Erdogan.

A táctica é a mesma: a asfixia económica, transformada na arma política por excelência da era Trump. Cuidem-se pois todos os países que desafiem os "tweets" do CEO da Casa Branca. Só que esta pressão sobre Erdogan e sobre a economia da Turquia é inaceitável. Mesmo que a Europa não goste de Erdogan e das suas políticas, uma crise profunda da sociedade turca é tudo o que menos interessa à Europa. Porque seria uma vitória de um Trump que quer destruir a União Europeia. Mas também porque a Europa não pode esperar que um país com uma economia arruinada seja uma barreira contra terroristas ao mesmo tempo que acolhe milhões de refugiados de África. Isto para já não falar da necessidade que a Europa terá do segundo maior exército da NATO. Desestabilizar a Turquia é correr um risco equivalente a brincar com a chegada de um tsunami imprevisível. A Europa não pode esquecer isto.»

Fernando Sobral
.

8 Dias, 8 Viagens (3)

Posted: 15 Aug 2018 02:26 PM PDT

Bariloche, Argentina, 2010.

Tema da semana*

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

  • Eduardo Louro
  • 17.08.18

Imagem relacionadaImagem relacionada

Em tempos de silly season, mais que os 60 anos da Madona – mas não parece; de todo, está muito bem conservada – notícia foi o convite a Marine Le Pen para a próxima edição da Web Summit.

Não se percebe qual seria o inovador contributo do discurso da senhora para esta feira de vaidades – perdão: de tecnologias e empreendedorismo – mas algum apport traria certamente. Desconfio bem que acabou por trazer, à mesma…

O anúncio da presença de Marine Le Pen na lista de oradores do evento, como não podia deixar de ser, provocou de imediato as mais diversas reacções. Nem sei mesmo se, no Panteão, não houve, desta vez, gente às voltas no túmulo.

O Sr Paddy Cosgrave, fundador e presidente executivo da Web Summit, não explicou a razão do interesse nos contributos da senhora da extrema-direita francesa mas, afável e muito respeitador dos sentimentos portugueses, como sempre, apressou-se de imediato a mostrar a sua disponibilidade para apagar o nome da senhora. Bastaria que o governo português lho solicitasse.

Não foi preciso. O governo português não escorregou na casca da banana – recusou de imediato, precisando que não intervém na selecção dos oradores – e o Sr Cosgrave, que desde a polémica do jantar no Panteão sabemos que não quer polémicas, tomou ele próprio a iniciativa de cancelar o convite.

E tudo acabou em bem, como sempre nestas histórias. O governo não fez figura de urso, e Cosgrave continua um gentleman. Não quer que nada nos falte. Nem a ele!

E durante uns dias não se falou de outra coisa. Afinal, o que mais importava…

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Sobram Mujica e Che

  por estatuadesal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 16/08/2018)

daniel2

O “Observador” titulava, na semana passada, que Evo Morales tinha triplicado a sua conta bancária em 12 anos de poder. A triplicação era de 18 para 51 mil euros, facilmente explicável para quem ocupa um cargo que garante as despesas de representação e um exemplo de frugalidade se comparado com a generalidade dos chefes de Estado. Já o vice-presidente duplicou: de dois mil para 3500 euros.

Para além da busca fácil de visualizações na internet, o bombástico anúncio da “triplicação” de rendimentos denuncia uma ideia: a de que um político de esquerda deve empobrecer. Pelo contrário, à direita tudo se permite porque não sendo supostamente moralista o político de direita está livre do julgamento moral e nada tendo contra o capitalismo o seu enriquecimento legal é sempre legítimo.

É por isto que, apesar de Robles não me interessar grandemente, o caso que o envolveu me interessou bastante. Porque a sua demissão, depois de uma pressão púbica e mediática que não deixou outra alternativa a um partido que sempre cavalgou algum moralismo político, institucionaliza esta duplicidade de critérios. Políticos de esquerda buscam uma coerente santidade, os de direita tratam da sua vida.

A crença na superioridade moral da esquerda, alimentada por ela e caricaturada pelos seus adversários, acaba sempre na esperança redentora do advento de um “homem novo”, puro de vícios e de cupidez. Eu, talvez mais modesto e menos religioso, só quero políticas mais justas aplicadas pelos homens que existem e que funcionem com o homem que temos.

Até porque estou convencido de que a ambição individual não tem de nos conduzir ao capitalismo selvagem, como mostram as sociedades que construíram o Estado Social e mais direitos garantiram aos trabalhadores. Aquilo que defendo é para funcionar na sociedade que conheço.

Claro que para termos uma sociedade mais justa são precisos indivíduos melhores. Mas isso não passa pela transformação da esquerda numa seita de inadaptados exemplares. Até porque, como sabem os religiosos, a única coerência verdadeiramente redentora é a da pobreza ou a do martírio. Ou o inspirador casebre do ex-Presidente uruguaio Jose Mujica ou o calvário boliviano de Che Guevara. Tudo bastante cristão, aliás.

Numa economia onde cada vez mais gente deixa de estar protegida pelo Estado Social, a esquerda pode ir buscar quadros ao Estado, onde essa proteção do passado ainda resistirá por uns anos; à burocracia partidária, onde os revolucionários profissionais confiam ao partido os negócios que os salvem a eles da contradição (o PCP faz excelentes negócios imobiliários sem que isso belisque os seus dirigentes); ou entre os que são obrigados a garantir a sua própria segurança futura. Podemos acreditar que as forças políticas de esquerda serão construídas apenas por pobres e remediados, afastados à força da tentação do pecado. Nunca aconteceu, nem sequer em movimentos revolucionários. Se a esquerda quer ser determinante terá de contar com as pessoas que existem, de várias classes sociais. Entre elas há quem tenha alguns recursos financeiros e os vá aplicando.

Quem defende mudanças sociais não pode estar obrigado a viver numa sociedade diferente daquela que existe, condenado a ser julgado por parâmetros morais e éticos diferentes daqueles que são exigidos a todos os cidadãos.

E, acima de tudo, não pode estar livre da critica quem governa em proveito próprio, porque se bate apenas pelo seu interesse e não pode ser acusado de hipocrisia, enquanto censuramos quem defende políticas justas que podem limitar os seus próprios negócios, porque não faz no privado o que defende para o público.

Querida Aretha Franklin: está no céu a voz que passava a vida no céu e levava-nos até lá

  por estatuadesal

(Miguel Esteves Cardoso, in Público, 16/08/2018)

areta

Aretha Franklin não era capaz de só cantar. Musicava a voz. A voz dela aventura-se, sai sem pensar por um caminho desconhecido que logo se verá aonde vai dar. Na esperança certa de surpreender-se, de chegar onde nunca dantes chegou, inventando uma nova música, uma nova maneira de fazer dançar a voz, uma outra canção escondida na cantiga que só ela é que ouvia e reproduzia, soltando-se para a canção se ir soltando também.

Há um ensaio de estúdio de You're  All  I  Need To Get  By (Take 1) que dura 42 segundos. "Are you taping this, Jerry?", pergunta Aretha a Jerry Wexler. Nesses 42 segundos, gravados em 1971, ouve-se o cérebro dela a correr à frente da voz. Isto é o que Aretha Franklin faz a uma canção enquanto espera.

Na take 2 ela vai mais longe, explorando a canção com aquela voz divina, tão irrequieta, desinibida, directa, majestaticamente terrestre e humana.

Aretha Franklin não tinha medo de nenhuma música, de nenhum músico.

Ouviu o tremendo Respect cantado taxativamente por Otis Redding e disse que queria gravar a versão dela. Que conseguiu ser ainda mais soberba, ao ponto daquela gravação masculina, feita por um homem genial sobre o respeito que os homens procuram, ter sido transformada numa gravação feminina, feita por uma mulher genial, sobre o respeito de que as mulheres precisam.

E até ter transcendido tudo, até ser sobre o respeito humano que toda a humanidade precisa - "até as crianças e os bebés", disse Aretha numa entrevista recente à Vogue.

Também You're  All  I  Need To Get  By tinha sido gravado em 1968 por Marvin Gaye e Tammi Terrell. Onde artistas menores viam versões definitivas Aretha Franklin via pontos de partida. Onde outros viam gravações, ela via veículos para transportá-la para o paraíso da música.

O génio de Aretha era tal que ela cantava para saber o que ela ainda não sabia. Não era capaz de ensaiar sem mudar tudo, de todas as maneiras, da maneira menos consciente: vamos ouvir o que sai daqui.

Não vai sair coisa conhecida. Vai sair coisa bonita, nunca dantes ouvida. E eu quero ouvir porque não há mais ninguém capaz de cantar assim, como o traço do lápis de Paul Klee.

A música da voz dela é verdadeiramente universal. Começa-se a gostar em criança porque parece desobediência, parece liberdade, soa a alguém que se está a divertir mais do que qualquer outra pessoa, mais do que deveria, mais do que gostariam os adultos.

Na expansão da voz dela ouve-se e sente-se, participa-se na alegria de conseguir cantar assim, como se só a voz dela pudesse explicar o que está ali escondido e tornar tudo irresistivelmente nosso, de todo o mundo, preso à voz dela, eufórico com a sorte que tem de poder ouvi-la.

Aretha Frankin era uma inventora musical tão profunda, expressiva e talentosa que arriscava sempre tudo, oferecendo-nos o prazer de correr todos os riscos com ela.

Pode-se contar com ela. Sempre que a música parece parada a música dela está cá para mostrar como a música se mexe. A música de Aretha Franklin é um tesouro vivo, uma música que voa inesperadamente cada vez que passamos por ela.

É difícil imaginar que a autora desta música eternamente nova seja capaz de morrer. Morrer parece uma coisa tão banal para um ser tão mágico - no verdadeiro sentido da magia, de ser uma maravilha inexplicável.

A maravilha de Aretha Franklin era inexplicável mas cada um, seja criança ou crescida, sente-a completamente. A música dela era música de amor, de todos os amores que há em nós. E é real quando está na voz dela. É isso que é magia. É isso que temos de agradecer. É isso que temos de guardar. A realidade da música dela, chegada ao céu.