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terça-feira, 28 de agosto de 2018

A cartada alemã

João Pedro Dias, Investigador em Assuntos Europeus

00:07

Jogando-se o futuro da União em sede de Comissão Europeia, é aí que Merkel quer estar presente para exercer um poder político diretamente proporcional ao seu poder económico.

À medida que se vão aproximando as próximas eleições para o Parlamento Europeu, é normal que os diferentes Estados-membros da União Europeia comecem a afinar as suas estratégias e a posicionar-se para os jogos de repartição de poder no universo da União que, inevitavelmente, se lhes seguirão.

As eleições para a Assembleia de Es­trasburgo são, atualmente, o barómetro e o mais importante elemento de referência para essa mesma repartição de poder. Desde logo por permitirem definir a composição política, partidária e nacional dos diferentes grupos políticos que se vão formar no Par­lamento Europeu; depois, por ser a partir dessa composição que irá emergir o próximo Presidente da Comissão Europeia e a formação do próximo colégio de comissá­rios.

Por notícias conhecidas nos tempos mais recentes, a Sra. Merkel já começou a posicio­nar-se e a demarcar o seu terreno nesta matéria. Sem perder tempo e para não (voltar a) ser ultrapassada. Soube-se, assim, que para a próxima legislatura europeia é priori­dade de Berlim escolher o próximo Presidente da Comissão Europeia – facto raro, que não acontece há mais de 50 anos, desde os primórdios do projeto europeu. A benefício desse objetivo, o governo federal estará, mesmo, na disposição de abdicar do Presidente do Banco Central Europeu.

De facto, há cerca de 15 anos – desde que Durão Barroso assumiu a presidência da Co­missão Europeia – que nenhum dos Estados grandes da União lidera o executivo comu­nitário. Por outro lado, encontrando-se praticamente afastada a hipótese de recondu­ção de Jean-Claude Juncker para um segundo mandato (a célebre “ciática” não per­doa…), a vacatura na liderança da Comissão irá obrigar a reorganizar a hierarquia dos poderes no universo comunitário. E com ela a profunda transformação na própria hie­rarquia dos Estados-membros no quadro comunitário.

Este súbito interesse de Merkel e do governo alemão pela presidência da Comissão Eu­ropeia não deixa de ser relevante e de ter inevitáveis leituras políticas. Por razões de equilíbrio entre os diferentes Estados-membros, a presidência da Comissão Europeia tem sido entregue nos últimos tempos a nacionais de Estados pequenos e médios.

Os habituais grandes (Alemanha, França, Reino Unido, Itália e, mais recentemente, Polónia e Espanha) têm prescindido dessa liderança, optando por centrar os seus interesses na tutela das principais pastas ou sectores da Comissão – com especial ênfase para a crucial pasta da concorrência. Desta feita, a Alemanha dá mostras de inverter essa estratégia e jogar as suas cartas na presidência da própria Comissão Europeia.

A questão que, le­gitimamente, se poderá colocar é a de saber o que terá mudado para, agora, Berlim se empenhar em conseguir o que até aqui não tem querido. Cremos que, antes de tudo e em primeiro lugar, a resposta a essa dúvida primeira se encontrará em Paris, no Palácio do Eliseu, e tem um nome: Emmanuel Macron.

É conhecida a tendência do presidente francês para se envolver nas questões europeias e o seu empenho em dar às mesmas um impulso significativo – relançando sobre novas bases o projeto comunitário, com particular atenção para as questões atinentes à con­clusão da união económica e monetária, nas vertentes em que esta ainda tem de ser concluída (sobretudo no domínio da união bancária).

É conhecido que nestes domínios Macron tem avançado com propostas e sugestões ousadas, nomeadamente a da criação de um ministro das Finanças europeu e a do significativo reforço do orçamento comum europeu. Merkel tem, sistematicamente, anuído às grandes declarações gerais proferi­das por Macron. Todavia, não raro, quando desce ao pormenor e ao detalhe, tem-se pautado por desconstruir as principais propostas apresentadas pelo Presidente francês.

Ora, nos tempos que se avizinham, com as dificuldades que se antecipam e um Brexit para concluir, é de supor que Berlim já terá concluído onde se irá jogar o verdadeiro futuro do projeto europeu e da própria União Europeia – inequivocamente, na Comissão Europeia. Mais do que no Parlamento Europeu. Mais do que no Conselho Europeu. Mais do que no Banco Central Europeu.

Jogando-se o futuro da União em sede de Comissão Europeia, é aí que Merkel quer estar presente para exercer um poder político direta­mente proporcional ao seu poder económico. O que significa que, a curto prazo, pode­remos estar a encaminhar-nos para a célebre “Europa alemã”, mais do que para o re­forço do europeísmo germânico. O estado de fragmentação em que a Europa da União se encontra, que parece não parar de se desenvolver, pode ajudar a que esta germani­zação europeia se venha a intensificar.

Não são, propriamente, notícias ou perspetivas animadoras. Porque se hoje, com Angela Merkel, a prática política é uma e conhecida nos seus contornos gerais, não podemos ignorar que o tempo político da chanceler tam­bém se aproxima aceleradamente do seu fim. E o futuro, em termos de liderança política alemã, é uma incógnita que permanece em aberto.

A forma como a mesma evoluir irá determinar não só o rumo político da Alemanha mas, também, talvez mais do que nunca, o rumo político da própria União Europeia.

Rússia organiza em setembro as maiores manobras militares desde a Guerra Fria

Jornal Económico com Lusa

11:46

A Rússia organiza em setembro as maiores manobras militares desde os anos 1980, que vão mobilizar quase 300.000 militares e unidades da China e da Mongólia, anunciou hoje o ministro da Defesa russo.

“Vai parecer Zapad-81, mas mais imponente de uma certa maneira”, disse o ministro, Serguei Shoigu, referindo-se às manobras militares de 1981 na Polónia, as maiores alguma vez realizadas pela então União Soviética.

Os exercícios militares Vostok (leste) 2018 realizam-se entre 11 e 15 de setembro na Sibéria Oriental e no Extremo Oriente e vão contar com a participação de unidades das forças armadas chinesa e mongol, precisou o ministro, citado pelas agências russas.

“Mais de 1.000 aviões e cerca de 300.000 militares, ou seja, praticamente todas as forças dos distritos militares Centro e Oste” vão participar nas manobras.

“Imaginem 36.000 engenhos militares a deslocarem-se em simultâneo: tanques, blindados de transporte de tropas, veículos de combate de infantaria. E tudo isso, claro, numa situação tão próxima de uma situação de combate quanto possível”, disse Shoigu.

Em 2017, os exercícios Zapad (oeste) mobilizaram 12.700 militares na Rússia e na Bielorrússia, segundo Moscovo.

Segundo a NATO, esses exercícios foram minimizados por Moscovo, tendo envolvido mais de 100.000 homens.

Um país ao contrário

Opinião

Vítor Santos

Hoje às 00:04

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

Portugal é, em questões importantes, uma espécie de mundo ao contrário, onde se torna complicado perceber as coisas mais simples. Criámos a Lei da Paridade, somos confrontados com intenções políticas como a do Partido Socialista, que aproveitou os megafones de verão para anunciar listas às eleições europeias com número igual de mulheres e homens, para depois falharmos em toda a linha naquilo que, no limite, cria um obstáculo no campo da igualdade às famílias e quase sempre às mães, em particular.

Seja por vocação ou por imposição cultural, não vale a pena escondê-lo, sabemos que a fatia de tempo - e aqui desconto o período, no máximo até cinco meses, em que a mãe pode estar em casa com o recém-nascido sem perda de retribuição no trabalho - dispensado pelas mulheres na educação e acompanhamento das crianças é, normalmente, bem superior à dos homens. Por isso, não há imposição legal que contrarie a realidade enquanto não forem encontradas condições de verdadeira igualdade. O que não acontece agora, por exemplo, em relação às creches - a situação está bem explicada na edição de ontem do "Jornal de Notícias", em que se dá conta que metade das crianças não tem vaga.

A ideia de um país ao contrário afigura-se, aqui, cada vez mais clara. Então, temos graves problemas de natalidade, abundam medidas de incentivo, com origem no Poder Central e nas autarquias, para depois enclausuramos as famílias no drama de não terem onde deixar os filhos. Com incentivos destes, podemos esperar o quê, a médio prazo? A solução pode passar mesmo por ficar em casa a cuidar dos rebentos, realidade que, como expliquei, recai, sobretudo, nas mulheres. E assim voltam a cruzar-se dois desígnios sobre os quais os políticos gostam muito de falar, a paridade e a natalidade, mas que não se resolvem com discursos acalorados de verão.

* EDITOR-EXECUTIVO-ADJUNTO

A Cristas diz que António Costa julga que está num país das maravilhas

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 27/08/2018)


CARTOON IN BLOG 77 COLINASToys

(A Sãozinha e o Melo tiraram o verão para satisfazer uma paixão de infância que já tinham esquecido: brincar aos comboios. A Cristas tem-se divertido imenso e em cada estação onde pára, sai uma crítica ao Governo e às "esquerdas encostadas", como ela adora dizer.

O mais ridículo é ela falar de "encostos" à esquerda, quando o CDS nunca contou para nada na política em Portugal, a não ser quando se "encostou" ao PSD.

Comentário da Estátua, 27/08/2018)


Ela mostra o seu profundo desconhecimento da economia e situação mundial comparada com a zona euro e com Portugal.

Portugal tem uma taxa de desemprego da ordem dos 6,9% e a Zona Euro está nos 9,2%. O PIB português cresce um pouco mais que a zona euro, sendo, contudo, bastante mais baixo que o dos países mais ricos, mas não com uma diferença gigantesca.

Portugal tem uma dívida externa real muito mais baixa do que dizem as estatísticas devido à entrega de dívida pelo BCE ao BP e às reservas para amortizações, sendo da ordem dos 92% reais. Mário Centeno conseguiu gerir as finanças europeias no contexto europeu a ponto de ser eleito para a presidência do Eurogrupo, o que é algo que nem a Cristas nem a Catarina Martins entendem.

A Zona Euro é, sem dúvida, o país das maravilhas do Mundo inteiro, pois com 4,5% da população mundial detém 15,6% do Pib também mundial.

O Pib português é de aproximadamente 75% da Zona Euro, o que supera em muito o PIB per capita da maioria das nações do Mundo.

Portugal não é o primeiro país do Mundo e seria estúpido pretender que fosse quando não possui recursos naturais como carvão e ferro que deram origem à revolução industrial e tem um clima instável que não permite rendimentos regulares aos agricultores.

Mesmo com essas dificuldades, o que mais se discute é o pequeno atraso de comboios que não são todos novos quando há 6 milhões de automóveis e outros tantos contadores domésticos, segundo as estatísticas da EDP e que significam habitações independentes em prédios ou moradias. Além disso, todos os verões discute-se a falta de algum pessoal aqui ou acolá porque todos os trabalhadores têm o seu direito a um mês de férias acrescido de um segundo ordenado.

Estes número dizem pouco para quem desconhece os dramas que acontecem no Mundo. O nosso vizinho continente africano tem 54 nações e cerca de 15% da população mundial e apenas 1% do PIB de todo o Mundo.

Mais de metade da população africana desejaria emigrar para a Zona Euro e a maior parte dos seus países estão na miséria total como estão muitos da América Latina, a começar pela Venezuela, e da Ásia.

A zona euro é muito mais rica que outros países da União como a Polónia, Roménia, Bulgária, etc.

O desastre humanitário em vastas zonas do Mundo não tem comparação com nada no passado e já desembarcam africanos em Cádiz e qualquer dia chegam às costas algarvias.

O Mundo está a caminho de um imenso desastre humano devido ao excesso de população e falta de recursos. Portugal não tem esse excesso e a sua natalidade é baixa com uma elevada esperança de vida.

Portugal tem uma elevada percentagem de população envelhecida que não ficará por cá até aos 150 anos de idade. De acordo com as fórmulas matemáticas das "filas de espera", a população infantil de hoje terá de sustentar uma população reformada equilibrada, ou seja, muito inferior à população ativa, mesmo que se viva para além dos 90 anos de idade.

Enfim dizer mal sem literacia matemática ou estatística é fácil e demasiado estúpido. Inteligente é conhecer os dados e isso está arredado dos neurónios da Cristas.

O Papa, a homossexualidade e a psiquiatria

  por estatuadesal

(In Blog Um Jeito Manso, 28/08/2018)

Estou eu aqui sossegada, a banhos, e a ser maçada com um surururu que atravessa dunas e marés para aqui chegar até mim. Desde jornalistas a bloggers meio mundo desatinou com um desabafo do ex-Jorge Bergoglio: disse ele que, quando um filho manifesta inclinações homossexuais, os pais deveriam tentar fazer qualquer coisa por ele, nomeadamente levá-lo ao psiquiatra.

Fonte: Um jeito manso: O Papa, a homossexualidade e a psiquiatria