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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

UE não pode continuar silenciosa perante desastre anunciado em Idlib

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Hoje às 09:37

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O presidente da Comissão Europeia disse no Parlamento Europeu que a Europa não pode continuar silenciosa perante a "iminência de um desastre humanitário anunciado" em Idlib, na Síria.

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"A Síria e (a província de) Idlib deve ser para todos nós causa de preocupação profunda e imediata. Não podemos permanecer silenciosos perante a iminência de um desastre humanitário, que é um desastre anunciado", declarou o presidente do executivo comunitário, por ocasião do seu último discurso sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

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Segundo Jean-Claude Juncker, "o conflito sírio ilustra como a ordem internacional, da qual os europeus souberam beneficiar desde a II Guerra Mundial, está cada vez mais posta em causa".

"No mundo de hoje, a Europa não pode continuar a dar como adquirido que os compromissos assumidos ontem serão ainda respeitados amanhã. As alianças de hoje provavelmente já não serão as alianças de amanhã", advertiu.

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Nesse sentido, sustentou, "o mundo de hoje precisa de uma Europa forte e unida, uma Europa que trabalhe em prol da paz, de acordos comerciais e de relações monetárias estáveis, mesmo que outros estejam muito inclinados a escolher as guerras comerciais e monetárias", numa mensagem implicitamente dirigida a Washington.

"Não gosto desse unilateralismo sem respeito pelas expectativas dos outros. Permanecerei sempre um multilateralista convicto", prosseguiu.

Não iremos militarizar a UE. O que queremos é ser mais responsáveis e mais independentes

Defendendo que a Europa deve cada vez mais assumir o papel de um "ator global" na cena mundial, Jean-Claude Juncker afirmou que a UE deve dar-se conta de que é "uma potência politica, uma potência económica e por vezes uma potência militar".

"Essa é a razão pela qual lancei, desde 2014, a União Europeia da Defesa, e é por isso que, nos próximos meses, a Comissão Europeia continuará a trabalhar para que o fundo europeu de defesa e a cooperação estruturada permanente no domínio da Defesa se tornem plenamente operacionais", disse.

O presidente da Comissão fez questão de acrescentar "uma precisão importante": "não iremos militarizar a UE. O que queremos é ser mais responsáveis e mais independentes, porque só uma Europa forte e unida pode proteger os nossos cidadãos, das ameaças internas e externas".

Digamos sim ao patriotismo que não afronta os outros

O presidente da Comissão Europeia rejeitou o "nacionalismo exagerado", lembrando que a UE é o garante de paz da Europa.

"Fiquem felizes por viver num continente em paz, num continente que vive em paz graças à UE. Devemos respeitar mais a UE, devemos defender a nossa forma de ser e de viver. Digamos sim ao patriotismo que não afronta os outros, digamos não ao nacionalismo exagerado que detesta os outros, que tenta encontrar culpados em vez de encontrar soluções que nos permitam viver juntos", vincou.

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Diante da crescente ascensão dos nacionalismos e da extrema-direita no bloco comunitário, o presidente da Comissão Europeia escudou-se na história europeia, recordando os fundadores da UE, que "conheceram o horror da [II] Guerra".

"De agora às eleições europeias, temos de demonstrar que a UE pode superar as diferenças entre o Norte e o Sul, o Este e o Oeste. A Europa é demasiado pequena para se dividir. Um dia, será em dois, no futuro em quatro. Devemos demonstrar que juntos podemos construir uma Europa mais soberana", defendeu.

Feminismo à la carte

Opinião

Pedro Ivo Carvalho

Hoje às 00:02

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

É uma sucessão de eventos ofegante. Final do Open dos Estados Unidos: um treinador agita os braços na bancada, dando instruções ilegais à sua atleta; essa atleta, a tenista Serena Williams, é penalizada. Enfurecida, chama ladrão ao árbitro, parte a raquete e, após o fim do jogo, acusa o juiz, o português Carlos Ramos, de ser sexista e racista. Se tivesse sido com um homem, alegou, ele teria contemporizado. Segue-se um debate mundial sobre os direitos das mulheres e dos negros nos Estados Unidos, traduzido numa escalada de ódio contra um cartunista australiano que entretanto retratou a birra de Serena com escárnio. Resultado: Mark Knight teve de fechar as contas nas redes sociais. Não sem antes constatar o óbvio ululante: "Como é que se desenha um afro-americano sem que ele se pareça com um afro-americano?"

E eis que uma decisão bem tomada por um dos melhores árbitros de ténis e uma imprudência não assumida (vamos chamar-lhe assim) de uma das melhores jogadoras de ténis degenerou numa guerra global sobre o feminismo. Serena não assumiu o erro (a propósito, a BBC fez as contas e, durante os torneios do Grand Slam de 2018, foram aplicadas 85 sanções aos homens e 43 sanções às mulheres). Preferiu escudar-se no conforto cobarde de uma vitimização estéril, desrespeitando, em primeira análise, aquilo que de tão frutuoso ela própria tem construído em defesa dos direitos das mulheres negras.

A forma obsessiva como hoje as hordas se agigantam por causas inexistentes é assustadora. É o delírio do vazio. O "empowerment" feminino é uma conquista, a cegueira feminista é uma estratégia. Serena teve mau perder. Mais nada. Não pode ser prejudicada por ser negra nem mulher. Nem pode ser beneficiada. A verdadeira vítima desta história chama-se Naomi Osaka. Ganhou a final a Serena, foi vaiada pelo público e pediu desculpa por ter vencido. Na glória, acabou humilhada por um feminismo à la carte.

*SUBDIRETOR

Ladrões de Bicicletas


Para quê e para quem?

Posted: 11 Sep 2018 04:17 PM PDT

Até à crise de 2008, demasiados jornalistas, sobretudo no topo, funcionaram como uma claque do capital financeiro, em especial dos grandes bancos. Os economistas convencionais, armados com a extraordinária hipótese dos mercados financeiros eficientes, eram os chefes da claque, claro. Depois de um período de alguma desorientação, em 2008-2009, passaram a claque da transferência dos custos sociais da crise para os de baixo, os que teriam vivido acima das suas possibilidades, através da austeridade.
No actual contexto, funcionam de novo como a claque da financeirização, depois da restauração política dos seus actores, centrada, uma vez mais, numa bolha imobiliária, onde a componente rentista e especulativa assume grande importância, ou não estivéssemos a falar de terrenos bem localizados e de ganhos de curto-prazo que caem do céu, sem qualquer trabalho.
Entretanto, os jornais conheceram um enorme declínio, o que os tornou ainda mais vulneráveis aos grandes interesses. Para tornar esta conversa concreta, olhemos para o Público de hoje.
Perante a apresentação, pela esquerda, do BE ao PCP, de propostas para refrear, também por via fiscal, os ímpetos especulativos no imobiliário, cujos contornos concretos são desconhecidos, até porque estão a ser negociadas, o Público confirma, uma vez mais, concentrando a atenção no BE, que o suplemento promocional do imobiliário da quarta-feira colonizou o resto do jornal nesta área. Na notícia, dá-se apenas voz à associação capitalista do sector e a um economista convencional, dos que conduzem a claque. A mais básica regra - partir da proposta concreta e dar também voz aos que as podem defender, confrontando argumentos - não é respeitada. Já não há referências.
Por sua vez, o editorial, da autoria do novo director Manuel Carvalho, aceita basicamente os termos do CDS-PP, usando os termos deste partido: “taxa Robles”. Sem surpresa, com Manuel Carvalho, a observadorização do Público continua. Os cinco argumentos apresentados são fraquinhos.
Em primeiro lugar, Carvalho faz doutrina, dizendo que a especulação até pode ser “feia” em algumas das suas consequências, mas é legal. Até parece que o que é legal não deve ser taxado (ou “punido fiscalmente”, para usar os seus enviesados termos perante uma proposta que se desconhece). Os fiscalistas que se cuidem.
Em segundo lugar, afiança que há uma “distorção na relação entre oferta e procura”, mas que tal está desligado de comportamentos especulativos danosos (ou “comportamento empresarial”, para usar os termos de quem não sabe distinguir empresa produtiva do casino da especulação). Claro que está ligado. Há actores, grandes fundos imobiliários, entre outros, e comportamentos especulativos prevalecentes que contribuem, entre outros factores, para gerar custos sociais reconhecidos, neste caso a falta de casas a preços acessíveis.
Em terceiro lugar, Carvalho, insiste na ideia reaccionária de que isto é um plano inclinado para acabar com o lucro, não sendo, uma vez mais, capaz de o distinguir da renda e do ganho especulativo, que devem ser especialmente taxados.
Em quarto lugar, declara basicamente não saber o que é a especulação. O grande economista keynesiano Nicholas Kaldor, definiu, no final da década de 30, este comportamento, em linha com as tendências regulatórias e fiscais, que haveriam de estabilizar o sistema durante várias décadas, reprimindo a finança dita de mercado: “compra (ou venda) de um bem, com vista à sua revenda (ou recompra), tendo por único motivo a expectativa de mudança nos preços relevantes relativamente ao preço em vigor, excluindo qualquer uso, transformação ou transferência entre mercados do bem em causa”. Acrescentaria também a associação deste comportamento a um horizonte de curto-prazo. Obviamente, esta definição genérica só pode ganhar vida fiscal através de convenções, que implicam, como em tudo nesta área, limiares, valores, taxas, prazos, etc.
Em quinto lugar, Carvalho regressa à ficção institucionalmente ignorante e historicamente desmemoriada do mercado livre, dez anos depois do início crise, esquecendo que todo o mercado é instituído pelos poderes públicos e que a questão é sempre, nesta área de economia política, saber quem é empoderado e quem é vulnerabilizado pelas regras em vigor, quem tem liberdade e quem é que está a ela exposto. Ná área da habitação, os especuladores têm rédea solta com as regras em vigor.
Enfim, é caso para perguntar: estes jornais para quê e para quem?

Leituras de cá e de lá

Posted: 11 Sep 2018 04:18 AM PDT

«A questão da imigração é aqui muito importante porque a coerência do grupo que se forma à volta de Macron tem na questão da imigração o seu calcanhar de Aquiles, porque eles são muito críticos de Salvini, mas quando a França não é capaz de responder com coerência à imigração enfraquece o seu discurso. Este combate não se trava apenas à volta da questão da imigração. Trava-se em larga medida na capacidade que terão os partidos democráticos de conquistarem a classe média e mostrarem que têm um projecto para resolver os problemas económicos e sociais que a classe média enfrenta e a grande inquietação que a classe média tem em relação ao seu futuro. Se não se der resposta a essa inquietação, nomeadamente combatendo o desemprego, que é um problema em vários países europeus, por exemplo França, e as desigualdades (uma questão que se coloca hoje na Suécia)...»
Álvaro Vasconcelos (entrevista de Ana Gomes Ferreira, no Público)
«Em primeiro lugar, a crise económica [de 2008] fez com que as classes média e média baixa enfrentassem uma crise de emprego, de valores, de identidade, até de auto-estima. Por outro lado, essa comunidade foi-se estendendo por áreas geográficas onde não costumava estar (...) e essa expansão teve uma importância muito grande na forma como se elegem os colégios eleitorais. (...) não houve só uma evolução geográfica, houve também um alargamento dos americanos que cabem neste conceito de comunidade folk, ou comunidade popular. Antes era só a classe média baixa, os rednecks, os hillbillys, estigmatizados pelos americanos da classe média, pelos brancos, protestantes ou católicos. Agora, a comunidade popular alargou-se e há uma grande parte da classe média, que estava bem na vida e que até era preconceituosa em relação à América jacksoniana, que passou a identificar-se com os mesmos problemas.»
Tiago Moreira de Sá e Diana Soller (entrevista de Alexandre Martins, no Público)
«Estes espaços de catequização da direita radical, nacionalista e defensora da supremacia branca são eficazes a fornecer argumentos a boa parte da base que elegeu Donald J. Trump e, aos meus ouvidos, estranha e repulsivamente sedutores. (...) Para lá das teorias da conspiração, que são basicamente as mesmas ou variantes das que então ouvi, há agora uma coragem que não existia. Qualquer dos hosts, dos animadores desses talk shows, não hesita em dizer ao que vem - defender o que dizem ser a ordem natural e histórica das coisas na América, proteger a união da invasão de imigrantes, etc. É o negócio do medo, da insegurança, do ódio ao diferente. Agora, quase dois anos depois da eleição de Trump, tudo é muito mais assumido, muito mais claro. Como Obama lembrou nesta sexta-feira no discurso que marcou a entrada do ex-presidente na campanha para as eleições de novembro, na Universidade de Illinois, "a história já nos mostrou o poder do medo"»
Paulo Tavares, Tempos perigosos

A União Europeia e a Internet, novamente

Novo artigo em Aventar


por j. manuel cordeiro

Isto cansa e o exército dos eurocratas ao serviço do lobby da indústria do entretenimento, camufladalo de defesa dos autores, acabará por ganhar por exaustão.

Amanhã, irá a votos a segunda versão da estratégia de censura da Internet, agora limada mas mantendo o tom.

Já tudo foi dito. Sobra a cada um informar-se sobre os novos desenvolvimentos e agir: https://pt.saveyourinternet.eu

Entretanto, é de ler este post "Nova resposta de @marinhopintoeu a @ruitavares no jornal @Publico é surreal #SaveYourInternet #FixCopyright #SaveUsFromOurMEPs". A estupidez é ilimitada.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Joana Marques Vidal? Maria José Morgado? Vou ali e já venho

  por estatuadesal

(In Blog Um Jeito Manso, 11/09/2018)

Casos a arrastarem-se e arrastarem-se e arrastarem-se durante anos, incapacidade total para fixar e fazer cumprir prazos, sistemáticas fugas de informação e quebras do segredo de justiça, sistemas informáticos em que, pelos vistos, nem os responsáveis confiam, casos mediáticos em que o julgamento ocorre na praça pública ainda antes de haver acusação de facto -- estas, para mim, são algumas das características dominantes da era Joana Marques Vidal.

Fonte: Um jeito manso: Joana Marques Vidal? Maria José Morgado? Vou ali e já venho. Deve haver alguém competente para o lugar e parece-me óbvio que nem uma nem outra o é