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quinta-feira, 28 de março de 2019

Há bancos e bancos

Ladrões de Bicicletas


Posted: 27 Mar 2019 01:41 AM PDT

João Salgueiro foi durante décadas um dos rostos da banca nacional, quer como banqueiro público, do já extinto Banco de Fomento Nacional à Caixa Geral de Depósitos (CGD), quer como ministro das Finanças na década de oitenta, quer sobretudo como presidente, entre 1994 e 2009, da todo-poderosa Associação Portuguesa de Bancos, um sector fundamentalmente controlado por privados desde a liberalização e privatização dos anos oitenta e noventa e onde pontificava o Banco Espírito Santo – um sector por isso cada vez menos nacional a prazo, ou seja, destinado a ser cada vez mais controlado pelo capital estrangeiro. Em entrevista recente, este apoiante de sempre da europeização liberal da economia política nacional, incluindo o euro, denuncia agora o corolário deste processo: a opacidade do comando central europeu, que culminou na entrega, forçosamente apressada e prejudicial, do Novo Banco à norte-americana Lone Star, com garantias públicas do Estado português ainda por quantificar. Conclui João Salgueiro: «A União Europeia gostava de acabar com todos os bancos portugueses, penso eu, quanto muito ficava a Caixa. E tudo o que é aparente mostra isso. Já no Banif foi assim». De facto, no Banif tinha ficado visível a lógica da União Europeia, que, como Salgueiro reconhece, «dificulta a vida» à banca nacional que resta, a CGD, enquanto facilita a vida ao capital estrangeiro, do Santander à Lone Star.
Salgueiro tem experiência suficiente para saber que o Estado pode e deve ser o «senhor do tempo», para usar a expressão de um livro sobre alguns dos seus papéis económicos incontornáveis. Na realidade, é na banca que este papel assume uma importância particularmente crucial. Só o Estado, através da liquidez do seu Banco Central, o prestamista de último recurso, e das suas finanças públicas, injectando capital, está em condições de dispor de um horizonte temporal mais amplo para garantir a recuperação necessária dos bancos, que é ajudada pela, e ajuda na, recuperação da economia. Salgueiro faz uma comparação, na mesma entrevista, entre o Novo Banco, em Portugal, e o Lloyds Bank, no Reino Unido: «É possível viabilizar um banco em semanas? O doutor Horta Osório viabilizou o Lloyds em oito anos». Onde está «doutor Horta Osório» leia-se o Estado britânico, que assumiu o controlo do banco nos seus tempos e nos seus termos.
O plano de recuperação do Lloyds Bank só foi possível através de uma estratégia articulada entre o Tesouro britânico e o seu Banco Central, disponível para injectar a liquidez necessária para manter este banco operacional até recuperar a sua solvabilidade. Esta defesa da estabilidade de um sistema bancário nacional, cujo modelo de intervenção tem, ainda assim, muito de criticável, só foi possível com um Banco Central nacional.
Excertos de um artigo, em co-autoria com Nuno Teles, com quase dois anos, publicado no Le Monde diplomatique - edição portuguesa e agora disponibilizado na íntegra no sítio do jornal. No fundo, a falta que nos faz um Novo Banco, mas de Portugal...

O “Senhor dos Rangeis”… Ou Família é sempre Família!

por estatuadesal

(Joaquim Vassalo Abreu, 27/03/2019)

E por isso se diz, aqui já não de uma Família porque Família é sempre Família, que naquela Clube, naquela agremiação ou naquele Grupo, eles são “ uma Família ” ou mais prosaicamente são “como uma Família”!

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E, recordo bem, sempre ouvi falar dos Socialistas como a “Família Socialista”, porque bem quista! Como a minha a “Familia Vassalo Abreu” o é, porque acima dos Abreus só Deus, e como qualquer Família que se preza, pois se essa Família é uma verdadeira Família, é porque se une em torno de causas comuns, rema toda para o mesmo lado e tem objectivos claros e concretos que são de todos e a todos afectam…E ainda se gostam!

E se o Povo determinou ser essa Família, esse ser indissolúvel, firme e duradouro, e tem-no sido durante estes quatro anos, a que tem dirigido e  vai continuar a dirigir os destinos do País, para interesse de todos enquanto comunidade, é justo e lógico que sejam os seus membros a ocuparem os lugares de gestão, de direcção e de apoio.

Não vejo, portanto, quaisquer problemas nisso, pois se confio confio mesmo, e só me pergunto o que desejariam esses enfastiados dirigentes do PSD? Que ao invés, para que o “poder” fosse infestado de seres para quem “Família” quer dizer “interesse”, fossem chamados mulheres de dirigentes desse Partido, seus filhos, concubinas ou amantes?

Para já ao Rangel nem mulher se lhe conhece. Mora lá para a Terra Média…Ao Rio nem sequer afluentes se lhe indicam…queriam que fossem à lista telefónica? Que fizessem um concurso geral e universal, onde aos candidatos fosse exigido saberem a história do Socialismo, o que é a luta de classes e o que é a repartição das mais valias?

Lhes fosse exigido saberem o que é a solidariedade e a redistribuição? O bem comum e os direitos? Mais o seu programa e compromissos com os Aliados?…Estavam bem servidos!

Agora o que era bom e eles não o dizem de tão escandalizados que estão, é o que acontece quando estes nomeiam para cargos de confiança pessoas em quem realmente confiam, e vice-versa, e eles nomeavam preferencialmente quem melhor os servia: nos seus múltiplos, insuspeitos e insondáveis interesses, para preparação do futuro…

Essa tal “rede” de que falou Pacheco Pereira, uma “rede” que nesses infaustos tempos tomou o Estado! Nos Fornecimentos e Serviços Externos , na aquisição de bens diversos etc… que formavam as tais gorduras que o Portas jurou erradicar e que, mercê da sua previdente actuação enquanto Ministro de Estado no seu Governo…aumentaram!

Escreveu o ex Ministro da Economia do Governo Passos-Portista que Portas não assinava fosse o que fosse de estrutural e sério sem contrapartidas. De quê? De lugares! De lugarzitos! Onde? Na rede, na estrutura…

Família é sempre Família sim, mas um espaço onde ninguém funciona estanque e onde não é admissível qualquer particular favorecimento. E não me venham estas virgens ofendidas, tipo Paulo Rangel, dizer que é “nepotismo” ( dá-me uma vontade de rir…) quando ele, sendo supostamente Deputado ao Parlamento Europeu, que funciona em Estrasburgo e em Bruxelas, acumula diferentes fontes de rendimento! Como o Melo e muitos mais…

Ele e todos esses quantos para quem o tempo é elástico e dá para tudo: para manter o emprego, manter as avenças, manter as prestações televisivas, a cadeira na Faculdade a hibernar, os casos em mãos sempre a andar e o dinheiro, qual maná, a entrar…Claro que pode este “Senhor dos Rangeis” reclamar desta importância para  a qual outros não demonstram a sua competência…

O que eu poderei dizer, em jeito manso e até um pouco desleixado, é que estes familiares de membros do Governo que foram requisitados certamente que ao Instituto de Emprego, apesar de apresentarem curriculum apreciáveis, não passam de uns tristes que precisam de um emprego lá num gabinete qualquer a atender jornalistas e pedintes…como tarefeiros que o são!

Não têm a estirpe de todos aqueles que o Passos e o Portas contrataram, assim às dúzias porque às dúzias era mais barato, apesar de termos visto que os salários eram bem maiores do qualquer um de nós com postos de chefia ganhava, mas enfim, todos esses que foram para motoristas, Jardineiros e Especialistas! Não têm essa estirpe, não…Esses sim foram contratados pela lista interna…

Nem os Ministros, seja ele quem for, tem a categoria de um Pires de Lima que aceitou perder ( deixar de ganhar, pronto…) aí uns setecentos mil por ano para ser Ministro da Pátria! Quem ousa dizer que tem categoria assim? Nem o Portas que teve que ir para caixeiro viajante e dar lições de estratégia na TV! Centeno? Nem uma centena de Centenos… Ele, Pires de Lima, que foi dos sumos para as cervejas, e mais o tal Monteiro, formaram uma sociedade que trata de altos assuntos… estão a ver?

De que é que tratam essas tarefeiras, mulheres ou namoradas de Ministros e Secretários de Estado, que além disso são primas de um cunhado de um ex Ministro e que até já fora casado com a tia da sobrinha da cunhada…estão a ver… quem são elas à beira do “ Senhor dos Rangeis”?

Eles eram os maiores e não são mais; eram os da “TINA” ( os do “ no alternative”) e, já não bastam os do Banco Mundial, gente, pois agora até o Shauble…; eram os insubstituíveis até ao momento em que deixaram de o ser…e têm o “Senhor dos Rangeis” como o único com verdadeira categoria para ser deputado europeu! Ele devia ocupar os lugares todos que o seu Partido possa eleger…

Assim é que era, para mostrar àquele incompetente do Marques, que de competente só tem o Pedro, quem sabe, quem age e quem é determinante! E que foi interveniente essencial na aprovação de importantes resoluções do PE, como por exemplo…esgotou-se-lhe a pilha…ele depois volta!

Ah, mas a resolução por ele proposta de sanções a Portugal por ultrapassagem do seu (dele) déficit não foi aprovada! E agora quanto é o déficit, ó meu cata macacos?

César e Catarina, e se não fizessem um favor à direita?

por estatuadesal

(Por Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 27/03/2019)

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Quando, numa eleição, se sabe à partida quem será o vencedor e o perdedor os combates eleitorais tendem a não se fazer entre os principais partidos mas nas suas franjas. À direita, já se percebeu que guerrilha interna do PSD continuará e os seus promotores terão como principal objetivo desviar votos para o CDS e novos movimentos. À esquerda, a guerra será entre o PS e o Bloco de Esquerda. Não por qualquer razão ideológica ou por o PS ter mais dificuldades em trabalhar com o BE do que com o PCP, mas porque aquela é a sua fronteira eleitoral mais porosa. O PS e o Bloco partilham muito eleitorado e os socialistas sabem que é ali que podem perder ou ganhar mais votos. Com o Bloco acontece o mesmo.

Tudo isto me parece saudável. Este é o momento para sublinhar as diferenças entre os partidos da “geringonça”. E é neste pressuposto que ouvi Carlos César dizer que foi “penoso” negociar com os partidos à sua esquerda. O subtexto é evidente: estivesse o PS sozinho e tudo o que foi conseguido teria sido mais simples e rápido. Não é fácil vender este peixe quando se conseguem aprovar quatro orçamentos com um superavit primário histórico e quando assistimos ao descontentamento dos funcionários do Estado. Mas BE e PCP tentarão dizer o oposto: sem eles este governo teria sido igual a todos os que o PS teve antes. Até aqui, parece-me uma guerra normal. Preferia que se concentrassem um pouco mais nas suas verdadeiras divergências políticas, mas na hora de conquistar votos não podemos esperar grande sofisticação.

O erro que nenhum dos três partidos deve cometer é assumir a retórica da direita. Isso seria mortal para todos eles. Nem aquela que diz que o PS, no fundo, é igual ao PSD, tendo sido este entendimento contranatura, nem a que aponta o BE e o PCP como irresponsáveis em que nenhum partido sério pode confiar. Isso é matar os últimos quatro anos de maioria de esquerda, que são o melhor património que os três têm. Ou preferem que as pessoas se lembrem de Sócrates ou do chumbo do PEC?

Mas pior do que assumir esta retórica é fugir para o beco em que a direita quer acantonar as duas próximas campanhas: afastar a política dos holofotes e resumir tudo a um combate ético. É natural que o PSD e o CDS tentem ir por aí. A economia está por agora melhor, as contas públicas também, as pessoas estão satisfeitas e as medidas sociais deste governo têm largo apoio. Resta cavalgar uma espécie de excecionalidade imoral dos socialistas, que tem e continuará a ter Sócrates como pano de fundo. Agora são as famílias dos ministros, depois será outra coisa qualquer. É absurdo que a esquerda siga este guião nos seus confrontos. É sair do terreno onde toda ela ganha para ir lutar noutro, onde tudo o que se conseguiu nestes anos será esquecido.

Ao descentrar a campanha das grandes escolhas políticas, levando-a para a conversa sobre os familiares do PS, Catarina Martins faz um grande favor à direita. Não por fragilizar o PS, a quem tenta disputar votos, mas porque desconcentra dos resultados sociais e económicos destes quatro anos. São esses ganhos que ela deve disputar ao PS. Os que se conseguiram e os que não se conseguiram e se podiam ter conseguido. Dos passes sociais e salário mínimo aos défices mais baixos do que alguma vez foi exigido por Bruxelas. Duas coisas que deixam a direita sem nada para dizer, na realidade.

Como seria de esperar, a resposta veio rápida e em versão piorada, com Carlos César a dizer que o seu parceiro, por ter irmãs no mesmo grupo parlamentar, não pode dar lições a ninguém. A direita, que tem uma longa história de linhagens familiares nos seus partidos, ri-se por ficar de fora do alvo e conseguir que não se fale do que realmente vale votos para o PS, BE e PCP. E ainda se ri mais por o PS ter escolhido Carlos César para falar de nepotismo.

Olhem para a relação entre o PSD e o CDS ao longo destes anos. Não ficam a dizer o mesmo mas evitam os ataques mais rasteiros. Seria bom aprenderem com eles. Confrontem-se na política. As divergências são mais do que suficientes para fazerem duas campanhas e ainda ficar muito por dizer. É um confronto que vale votos e ajuda a clarificar muitas coisas para o futuro. Deixem o resto para a direita, que quer falar de tudo menos do que melhorou na vida das pessoas.

A Dr.ª Assunção Cristas e a política

por estatuadesal

(Por Carlos Esperança, 25/03/2019)

D. Cristas, a quem Paulo Portas confiou a proteção das empresas de celulose, apoiando a cultura do eucalipto, depois de ter entrado no ministério da Agricultura, como Pilatos no Credo Romano, sem mérito nem justificação, julgou-se uma fulgurante política.

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A precursora de Trump nas preocupações ambientais decidiu acusar agora o Governo de não ter soluções para resolver a falta de água, quando ela e o cardeal Clemente foram os únicos portugueses a pedirem orações para a chuva, à semelhança do que os índios faziam com fogueiras.

A novena foi, durante séculos, a arma mais usada contra as secas, às vezes com trovoadas, efeitos paradoxais que destruíam o renovo que sobrava, talvez por excesso de fé ou de orações, e sem ensaios científicos (duplo-cegos) comparativos com as fogueiras índias.

Quem afirmou em Oliveira do Bairro, na campanha das últimas eleições autárquicas, ter “o vento de Lisboa colado à pele e a água do Tejo colada à alma”, é da água da baía de Luanda e do litoral do “nosso Ultramar, infelizmente perdido”, que sente saudade.

O seu provável sucessor, Nuno Melo, na entrevista ao último Expresso, afirmou-se mais à direita, o que não admira em quem ignora os assassínios do padre Max e de Maria de Lurdes e considera o ELP e o MDLP formações patrióticas. O trauliteiro Nuno foi autor do voto de pesar na AR, na morte do acirrado salazarista, cónego Melo, onde revelou o seu ídolo e a sua índole.

A Dr.ª Cristas é um Marta Soares com mais habilitações e sem erros de gramática, mas falta-lhe um corpo de bombeiros para chantagear o Governo. À falta de argumentos ela é a rã que inchou nas autárquicas de Lisboa e chegou a vereadora, tendo como principal adversário o partido que a mostrou às televisões – o PSD –, a quem agora morde a mão.

A autoproclamada líder da Oposição e candidata a PM, no permanente combate ao PSD, não analisa a pequenez do CDS e dos seus quadros, recorrendo ao ruído para disfarçar a incapacidade de se afirmar como líder credível dentro e fora do seu partido.

Agora, à falta de moção de censura, exige ao Governo que mande chover. A Dr.ª Cristas não é uma mulher, é uma máquina de guerra que, quando encrava, dispensa um médico, recorre ao mecânico de armamento.

Está a precisar de recolher à oficina para uma revisão à cabeça.

Entre as brumas da memória


A internet nunca mais será a mesma

Posted: 26 Mar 2019 12:59 PM PDT

Artigo 13. Parlamento Europeu aprova nova lei polémica de direitos de autor.

Os eurodeputados portugueses têm caras e têm nomes. Os que estão enquadrados a vermelho na imagem foram os que votaram hoje contra. A considerar na escolha do voto nas próximas Eleições Europeias.

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PS: deixem o sr. César à solta e verão o trambolhão que apanham

Posted: 26 Mar 2019 08:56 AM PDT

Há relações familiares “abundantes” na bancada do Bloco?
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Europeias: é só para avisar

Posted: 26 Mar 2019 06:39 AM PDT

PSD dispara nas intenções de voto e aproxima-se do PS.

«A correspondência destes números em assentos parlamentares sugere que o PS pode ficar-se pelos oito assentos garantidos em 2018 ou, no melhor cenário, eleger nove deputados. O PSD, que agora detém seis deputados, pode ganhar mais um ou dois mandatos em Estrasburgo.


A CDU não repete o brilharete das últimas europeias, perdendo um dos três eurodeputados. O Bloco garante mais um mandato para eleger os mesmos dois eurodeputados que a CDU e o CDS pode ganhar um deputado ou não ir além do cabeça de lista eleito há cinco anos.»

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Quando o mundo acabar, eu vou estar em Portugal

Posted: 26 Mar 2019 03:52 AM PDT

«Mais uma semana decisiva, mais uma rejeição no Parlamento, ou nem isso em caso de derrota certa, e o adiamento do fim do mundo, desta é que é, para 12 de Abril, e o mundo já não acaba a 29 de Março apesar das mil promessas a pés juntos de Theresa May, primeira-ministra por enquanto e enquanto deixarem.

Não fosse o diabo tecê-las, e porque dia 29 vamos ao teatro, os bilhetes foram comprados com seguro em caso de cancelamento. Sim, eu sei, se o mundo chegar ao fim, as seguradoras acabam também, eu incluído e no além o dinheiro não vale nada. Mas é sempre bom sentirmos um conforto, um pouco de segurança, no coração, e por isso lá comprei os bilhetes com seguro.

Entretanto, já enviámos dinheiro para Portugal, os bilhetes de avião para as férias da Páscoa estão comprados (com seguro) e dia 12, quando o mundo acabar, estaremos em Portugal, no conforto do lar e das nossas famílias, à beira-mar a assistir ao último pôr do Sol, não para nós, mas para os britânicos, entregues a si mesmo numa jangada de pedra, não à deriva, mas a caminho de uma qualquer planície abissal no fundo dos oceanos.

De facto, e no meio desta confusão toda, a única boa notícia é podermos sair desta terra de doidos enquanto 12 de Abril não chega.

Porque de pouco importa se o Reino Unido sai a 29 de Março ou a 12 de Abril quando a saída sem acordo continua a ser a única possível. E sim, se a União Europeia não receasse o não acordo, não teria havido lugar a qualquer prolongamento do prazo de saída. As duas partes precisam tanto uma da outra! E no entanto...

E no entanto ninguém se resolve, a Europa exige eleições, a Europa exige um novo referendo, a Europa manda e a Europa decide, mas os britânicos não querem e os britânicos não podem com outras vontades que não as suas e por isso dizem não, não e não e mil vezes não sem nunca se decidirem sobre aquilo que querem. Estão no seu direito, é o seu país.

Mas neste jogo da corda em que ninguém perde e ninguém cede a saída continua a ser a mesma de sempre, sem acordo, sem regresso, boa sorte e até qualquer dia.

12 de Abril calha a uma sexta-feira. Às 23h, o Reino Unido sairá oficialmente da União Europeia. Está bem pensado, para evitar uma desvalorização acentuada da libra e os mercados só abrem na segunda-feira. No entanto, o exército já há muito que se prepara para sair à rua. Sem acordo, é provável a queda do governo. Ainda ninguém sabe o que vai ser dos aeroportos e das fronteiras e se a coisa correr mal talvez esteja tudo fechado enquanto os britânicos atiram as mãos ao ar e fazem contas à vida. Mas o mundo não acaba e o país, afinal, não irá ao fundo apesar de há muito meter água.

Uma semana depois, e depois das férias, estaremos de volta e a casa, os empregos e a vida que Portugal não nos pôde dar estarão no mesmo lugar à nossa espera. Sim, a vida vai ficar mais cara e vai haver menos trabalho, mas isso é para os mesmos de sempre, os que votaram para sair, os que não vivem em Londres.

A esses, peço por favor que apertem os cintos de segurança e se agarrem ao lugar, vem aí uma tempestade. Ou se calhar ainda é a mesma tempestade de sempre e de há muito, a das suas vidas, agora mais violenta.»

João André Costa