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sexta-feira, 29 de março de 2019

Rapar o fundo do tacho da política

por estatuadesal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 29/03/2019)

Daniel Oliveira

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Sobre o debate político que a polémica em torno dos familiares no governo deveria abrir escreverei na edição do semanário “Expresso”, este sábado. A drástica redução do universo de recrutamento político, que transforma os partidos em grupos fechados de amigos, que naturalmente criam laços de relações, ou em rampas de lançamento para o mundo dos negócios, merece mais do que as trocas de galhardetes a que assistimos. Deixem-me, por hoje, tratar da hipocrisia que se instalou.

Ficamos pelos socialistas porque nunca se viu nada assim? Não sei se é verdade. Os critérios que estão a ser usados são demasiado difusos para o exercício comparativo que ainda ninguém se deu ao trabalho de fazer. Mas mesmo que fosse, os familiares que estão no Governo já lá estavam. A novidade é o início da campanha. A coisa ganhou tal dimensão que o Presidente teve de se pronunciar... Estou a brincar, o Presidente prenuncia-se sempre. Começou por dizer que para ele “família de Presidente não é o Presidente”. Uma lição de ética republicana que aprendeu com Craveiro Lopes, quando o pai, que era ministro, o levou a um espaço VIP. E depois chutou para Cavaco Silva.

Já se sabe que para sermos mais sérios do que Cavaco temos de nascer duas vezes e em cada uma delas comparar e vender a um ex-secretário de Estado algumas ações do BPN, banco onde uma boa parte do seu Governo assentou praça. Chocado, o ex-Presidente disse que nunca viu nada assim num país democrático. Eu não fiquei chocado por o seu genro ter comprado o Pavilhão Atlântico ao Governo liderado pelo seu partido, porque estou convencido de que a proposta foi a melhor. Pode ser que os ministros convidados por Costa também tenham sido os melhores. Nisto, decidi ter a mesma boa vontade para todos. Imaginando que Cavaco acha que governou um país democrático, não viu nada disto a mulher do igualmente indignado e então ministro Marques Mendes foi nomeada adjunta do ministro Álvaro Amaro. Nem quando Durão Barroso entrou para o Governo onde estava o seu tio Diamantino Durão. Nem quando Miguel Beleza entrou no Governo mal Leonor Beleza saiu e esta delegou competências na sua mãe. É importante falar do passado, porque só assim podemos confirmar se isto nunca se viu ou nunca ninguém o quis ver.

Ter Cavaco a falar de ética e de favorecimento de amigos e família é como ter César a combater o nepotismo. Ou ter Vital Moreira a criticar relações familiares no PS, apesar de ter sido escolhido como cabeça de lista às europeias quando a sua mulher era secretária de Estado. Não acho que tenha mal, acho que quem se junta ao coro que tudo mistura para conseguir uma boa quantidade de casos deve ser tratado da mesma forma que trata os outros. É que estou a adorar o desfile de virgens, mas talvez seja melhor moderarem a excitação, se não se quiseram afogar todos na lama. Voltem à política, até para debater este tema.

Claro que se compreende que, à direita, não queiram falar de política. Para dizer o quê? Criticar o aumento do salário mínimo ou a redução dos passes não é uma boa linha de campanha. E ter Centeno a anunciar o défice mais baixo de sempre repetindo a retórica de Passos Coelho também não ajuda. Resta rapar o fundo do tacho da política: os casos. Só que este tipo de campanha terá sempre o efeito de ricochete e dá argumentos para os eleitores votarem em populistas.

Não por revelar a verdade, mas porque alimenta uma indignação sem o contexto que nos dá a chave para a solução. Quando os políticos do sistema resolvem resumir o confronto eleitoral a uma sucessão de escândalos criam o clima para a decadência da democracia. O ganho de curto prazo que julgam ter é o que acabará por os condenar.

Entre as brumas da memória


Brasil: até custa ler este convite

Posted: 28 Mar 2019 10:52 AM PDT

Generais contrariam MPF e fazem convite para comemorações do golpe de 64.

E o que diz Bolsonaro?

Nega ditadura e diz que regime viveu probleminhas.

A realidade: 423 pessoas foram mortas ou desapareceram no período que vai de 1964 a 1985.

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Cristas confunde política com geografia

Posted: 28 Mar 2019 07:18 AM PDT

A Irlanda vai desaparecer do mapa e o Reino Unido emigra para o Pacífico.

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Invisibilidades

Posted: 28 Mar 2019 04:11 AM PDT

«Quando H. G. Wells escreveu o seu famoso livro O Homem Invisível não pensou, seguramente, em Portugal. No entanto decorridos que são mais de 100 anos da publicação desse famoso romance a invisibilidade materializou-se no nosso país fazendo desaparecer dos nossos olhos boa parte da população portuguesa.

Na verdade há vastas camadas de portugueses que se tornaram invisíveis aos olhos de certa comunicação social nomeadamente das televisões. Não falam e não são falados, os seus interesses ignorados e não estão representados proporcionalmente nos órgãos de poder local ou nacional.

Alguns grupos profissionais e étnicos sobressaem neste apagão. Por um lado os operários que deixaram de ser vistos, ouvidos, ou simplesmente mencionados. A palavra está proscrita como se fosse o ferrete de um vergonhoso crime. E no entanto boa parte da população portuguesa continua a manter esta profissão e a pertencer a esta classe que em Portugal surge como uma espécie de intocáveis da Índia. Os dois milhões de pobres, quase sempre no limiar da pobreza quase nunca na pobreza em que vivem, também não têm voz. Outros falam por eles. Sem procuração.

Por outro lado as minorias étnicas nomeadamente os negros e os ciganos parece que perderam a língua.

Trata-se de um apagão que fere a vista.

Um exemplo. No passado dia 21 de março, instituído pelas Nações Unidas como dia internacional pela eliminação da discriminação racial, várias organizações e coletivos organizaram uma concorrida concentração no Largo de São Domingos em Lisboa. No entanto nada transpirou na generalidade da comunicação social. Nada passou nas televisões. Parece ter sido uma concentração de homens e mulheres invisíveis, transparentes e etéreos impossíveis de fixar pelas lentes das câmaras de filmar e pelos óculos de muitos jornalistas. Uma concentração de fantasmas.

Os media em Portugal parecem afunilar-se e só ter olhos e ouvidos para dois grupos que se complementam e fundem. O dos académicos e o dos políticos. Ser académico-político, como Marcelo Rebelo de Sousa, Assunção Cristas, Cavaco Silva, Augusto Santos Silva, Francisco Louçã e tantos outros, é garantia firme de ter todo o tempo no mundo para apresentar as suas ideias, as opiniões dos outros são geralmente afastadas e ignoradas.

Mais de metade dos membros do atual Governo são ou foram docentes universitários ou investigadores. A tradição do professor universitário-político, inaugurada por Salazar mantém-se arreigada no nosso país.

Este afunilamento empobrece a nossa democracia, afasta as pessoas da participação cívica, promove o desânimo e a indiferença. Em última análise reduz o capital social entre os portugueses e, por essa via, diminui as possibilidades de desenvolvimento económico e social do país.

É tempo de abrir o espaço público a todos os portugueses independentemente da classe social ou da sua etnia. O país sairá, certamente, reforçado e a democracia mais sólida.»

Jorge Fonseca de Almeida

O sol não é europeísta

por estatuadesal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 28/03/2019)

Daniel Oliveira

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Portugal é um país pobre, não tem muitos recursos naturais e ainda nos falta muito para termos a mesma qualificação que a maioria dos povos europeus. Sempre que nos comparamos com o norte da Europa, acabamos com uma frase de consolo: “Sobra-nos o sol”. Não é uma vantagem pequena. Não apenas para o turismo, mas para a nossa qualidade de vida. Permite à maioria ter muito poucas horas de trabalho sem luz natural. Na maior parte do ano o dia para nós é mesmo dia, não é uma coisa cinzenta. Não tratem isto como um pormenor. Quem já viveu num país do norte da Europa sabe que é coisa importante.

Como se sabe, a Comissão Europeia tem pouco que fazer. A crise cíclica do euro, os diferendos com Itália, a falta de democracia na Hungria e o Brexit não ocupam burocratas suficientes. Descobriram que isto de andarmos a mudar de hora não é boa ideia. Que cada país devia escolher que horário queria e ficar ali o ano todo. Mas os eurocratas perderam a cabeça: muito modernos, quiseram que o debate saísse de Bruxelas. E fizeram... um inquérito online. Votaram 4,6 milhões de pessoas. Um terço deles alemães. Suspeito que as suas preocupações com horários sejam um pouco diferentes das dos portugueses. É a natureza que garante essa diferença. Os portugueses participaram muitíssimo pouco e os britânicos, claro, ainda menos. Num momento de lazer, também eu votei neste inquérito. Devo dizer que não conheço mais nenhum português que o tenha feito.

Não foi por acaso que a última vez que dispensámos a hora de verão foi em 1933. Há coisas do Estado Novo que a democracia não mudou: o sol, que continuou a brilhar às mesmas horas para todos nós. Só mesmo os burocratas de Bruxelas se dedicariam a esta normalização

Agora foi o Parlamento Europeu que votou o fim desta mudança de hora. A Comissão, sempre com pressa em integrar tudo o que haja para integrar, do tamanho da maçã à hora da alvorada, queria que isto entrasse em vigor já em 2019. A Europa não pode esperar. Já os eurodeputados, ainda moderadamente influenciados pelas viagens que fazem aos seus países de origem, pediram que fosse só em 2021. E deixando que os Estados se preparem e façam as suas próprias consultas. Tanta gratidão.

A última tentativa de mudar de hora foi no tempo de Cavaco Silva, que dando tradução ao nosso deslumbramento provinciano – de que ele sempre foi o mais perfeito intérprete –, pôs Lisboa com a mesma hora que a civilizada Frankfurt. Acabámos por voltar atrás. A malta até se habituava a ter manhãs de inverno tão deprimentes como as dos alemães, desde que conseguisse compensar isso com os seus salários. Como isso não foi possível, quis de volta a luz com que a natureza nos compensou de todas as nossas provações. Porque havemos de perder qualidades naturais só para se sentirmos mais europeus?

Se deixássemos de ter hora de verão, mantendo apenas a hora padrão, passaria a amanhecer perto das 5h, em junho. Horas com luz que a maioria das atividades desperdiçariam. E ao final da tarde deixaríamos de ter tempo livre com luz. Dormir quando se tem luz para perder tempo de lazer com sol é, convenhamos, uma decisão um pouco absurda. Claro que podíamos deixar de ter hora de verão mas passar a ter como hora padrão a da maioria dos países europeus. Conhecemos o resultado no inverno: o sol nasce depois das 8h durante cinco meses. O nosso país não precisa de acordar à noite. Como a experiência foi feita nos anos 90 não preciso de explicar as desvantagens. Não foi por acaso que a última vez que dispensámos a hora de verão foi em 1933. Há coisas do Estado Novo que a democracia não mudou: o sol, que continuou a brilhar às mesmas horas para todos nós. Só mesmo os burocratas de Bruxelas se dedicariam a esta normalização.

António Costa respondeu com a ciência: perguntou a opinião aos astrónomos, que aconselharam a manutenção da hora de verão, propondo que a mudança de horário passasse a ser em setembro. Temos, portanto, um novo cisma. E se é para complicar, aqui estou eu para ajudar. Mais do que aos astrónomos, que como o nome indica sabem muito mais de astros do que de pessoas, devia-se perguntar a sociólogos, psicólogos, médicos e economistas. Talvez sejam os mais capacitados para responder o que é melhor para nós. E o “nós”, neste tema, é mesmo Portugal. Bem sei que há por aí muitos cartazes que dizem que “nós somos Europa” e que “a Europa é aqui”. Lamentavelmente, falta ao sol o europeísmo que se exige a qualquer democrata amante da paz. Teima em tratar-nos de forma diferente à que trata um alemão. E neste caso, coisa extraordinária, com vantagem para nós.

Respeito imenso mais de um milhão de alemães que votaram no inquérito da Comissão Europeia. Mas ao menos neste tema podemos ser nós a decidir a nossa vida. Chamem-me nacionalista do horário, mas de sol sabemos nós.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Neste caso, é ressabianço

Novo artigo em Aventar


por Ana Moreno

Mesmo quando, pontualmente, toma decisões acertadas, a Alemanha tende a receber má nota.

Razões há muitas e certeiras para criticar a política alemã – o tema é, sem dúvida, fértil. Agora, esta decisão – "a Alemanha impôs, em outubro de 2018, um embargo às exportações de armas para a Arábia Saudita, incluindo vendas já aprovadas, na sequência do assassinato do jornalista saudita Khashoggi Jamal, no consulado da Arábia Saudita em Istambul" - não é um desses posicionamentos dignos de crítica, muito pelo contrário. O destaque dado nesta notícia à falta de entendimento entre os partidos, e não o resultado objectivo – por muito que irrite a França e o Reino Unido, que querem continuar o negócio e precisam de umas peças alemãs para montar nas suas armas -, é tendencioso. Por uma vez, a decisão vai contra os interesses económicos alemães com a finalidade de impedir “exportações de armas para zonas de crise e ditaduras“, ou seja, em favor dos tão badalados e tão descurados valores europeus. Há-de ser temporário, mas, ao menos, vigora desde Novembro.

Marcelo aliado da Cofina

por estatuadesal

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 28/03/2019)

Marcelo e Octávio Ribeiro

Marcelo Rebelo de Sousa enaltece festa dos bebés e recorda nascimento dos filhos durante gala ‘Viva a Vida’

"Parabéns CMTV, parabéns Correio da Manhã. Um abraço para mães e pais. Esta festa tem muito mérito porque aposta no futuro de Portugal. É preciso que haja sete vezes sete festas destas", disse Marcelo Rebelo de Sousa, lembrando "a verdadeira aventura" de quando foi pai.

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Octávio Ribeiro, diretor-geral editorial CM/CMTV, agradeceu a presença das famílias, garantindo que os portugueses que "politicamente decidem em Lisboa vão saber que se exige que olhem para o Interior com o cuidado que merece, porque sem que as pessoas estejam felizes e sem condições nas suas terras, Portugal não será Portugal".

"E nós [CM e CMTV] estamos cá para dar todas as notícias. Esse é o nosso compromisso porque o nosso verdadeiro patrão é o povo português", reforçou Octávio Ribeiro. Duas mil pessoas aplaudiram e viveram momentos de grande emoção com a festa da natalidade.

Marcelo Rebelo de Sousa aliou-se e elogiou bandeira da luta contra a baixa natalidade no Interior do País

Marcelo Rebelo de Sousa garante: Está ansioso pela estreia da novela ‘Alguém Perdeu’ – O Presidente da República já tem uma “alteração” na sua agenda esta segunda-feira, 18, porque não quer perder a primeira produção da CMTV. “Vou ver. Depois digo a minha opinão”, afirmou.

⚠

O populismo bom no antro do populismo mau? Não, porque não há populismo bom. O que vemos é o populista popular ao serviço do populista popularucho. O espectáculo mostra quem manda em quem. É uma radiografia dos poderes fácticos no regime. Um regime onde um Presidente da República pode ser obrigado a comparecer na acção de um grupo de comunicação social cujo sucesso comercial e influência social estão associados à transgressão sistemática do código deontológico dos jornalistas e à pratica de crimes de violação do segredo de justiça em conluio com agentes da Justiça criminosos. Um regime onde se põe e dispõe de um Presidente da República para vender uma telenovela.

Marcelo Rebelo de Sousa, bufão-mor da oligarquia desde os anos 70, sabe que na política vale tudo desde que não se seja apanhado. Carl Schmitt explica, o jogo do poder resume-se à escolha dos amigos e dos inimigos. No caso, estamos perante uma amizade que anula o decoro e a dignidade do representante máximo da República. Vergonha indelével.