Eu quero pagar o IRS por inteiro
Posted: 28 Aug 2018 01:50 PM PDT
«Eu quero pagar o IRS por inteiro, desde já porque não sou nem mais nem menos do que os outros, os meus iguais, conterrâneos, portugueses tão portugueses como eu e sem culpa nenhuma das políticas responsáveis pelo êxodo de centenas de milhares de pessoas ao longo dos últimos dez anos.
Por uma questão de justiça, e justiça social, ou não fosse o objectivo primordial dos impostos o melhorar de um país no seu todo, e perdoem-me a ingenuidade.
E quantas vezes será preciso repetir que o cerne foi sempre a falta de trabalho, de condições de trabalho, segurança no trabalho, a ausência de uma carreira e de um futuro digno desse nome?
Nunca, senhor primeiro-ministro, foi minha preocupação pagar menos IRS. Quem me dera à data, desempregado, desesperado, esfomeado, poder pagar IRS! Era sinal de que tinha trabalho, um meio de subsistência, não mais sendo necessário sair do país e de tudo o que amo, a praia, o mar, a família, os amigos, uma vida em troca de vida nenhuma.
Senhor primeiro-ministro, graças a um erro da senhora da secretaria na contagem do tempo de serviço, um colega meu não vai ascender ao segundo escalão e outro vai passar um ano sem concorrer para uma escola, tendo o segundo já entrado em contacto comigo para saber como se vai lá para fora. Em ambos os casos o sindicato já se meteu ao barulho, mas não se pode provar nada e o mal já está feito.
Poderá o senhor primeiro-ministro garantir igualmente a competência de quem connosco trabalhará uma vez de volta? Não me parece, e entre a certeza do desemprego e as dores de cabeça à nossa espera, o generoso desconto no IRS não é senão areia para os olhos, como se Portugal fosse um paraíso à beira-mar plantado, e é, mas só para alguns. E enquanto assim for, senhor primeiro-ministro, muito obrigado mas não, prefiro continuar a pagar os meus impostos lá fora, incluindo o IRS. E por inteiro.»
.
Grécia – Crianças refugiadas tentam suicidar-se
Posted: 28 Aug 2018 10:54 AM PDT
"Temos crianças de 10 anos que se tentam suicidar".
Na Grécia, esse país que alguém felicitou recentemente por ter tido uma «saída limpa» da crise e que fica sozinha com refugiados nos braços.
«As Nações Unidas e o ministério da Saúde da Grécia já foram informados. Mas o representante do governo grego em Moria, George Matthaiou, atira responsabilidades para a União Europeia. "Nós não conseguimos lidar com isto. A situação na Grécia é conhecida. Quero ajudar, mas não posso fazer nada porque a União Europeia fechou as fronteiras".»
.
«Good Bye, Lenin!», de novo, na ex-RDA
Posted: 28 Aug 2018 07:31 AM PDT
‘Good Bye, Lenin!’ en el geriátrico.
Muito interessante:
«La recreación de escenarios típicos de la RDA se emplea en Dresde para ayudar a residentes con demência. (…)
El muro cayó de un día para otro, y con él, un mundo de certezas incuestionables saltaron por los aires. Millones de ciudadanos tuvieron que adaptarse a marchas forzadas a un nuevo sistema de valores. La virtud, la disciplina, la lealtad… fue como si todo lo aprendido adquiriese de repente otro significado. La autoestima colectiva se resintió y en el plano individual, cada uno hizo su transición como pudo, con los mimbres psicológicos disponibles. Por eso, no es difícil comprender que los mayores experimenten una cierta sensación de confort cuando se reconocen en su antigua cotidianidad.»
.
Posted: 28 Aug 2018 03:28 AM PDT
«Num dos seus mais consistentes discos, "Psicopátria", os GNR tinham um tema visionário, "Pós-modernos". Definiam os tempos vindouros, aqueles onde hoje vivemos. São tempos pouco sólidos, de valores que foram centrifugados. Cantava Rui Reininho: "Os pós modernos agarram na angústia/E fazem dela uma outra indústria". António Costa, antes de fazer a rentrée do PS em Caminha, foi dançar a Vilar de Mouros ao som desses mesmos GNR. Vivemos no mundo da política pós-moderna e por isso a imagem substitui, na generalidade das vezes, o conteúdo. Não há comboios para a maioria da população que tem de os utilizar no seu dia-a-dia? Azar. Eles existem, quando são necessários. António Costa não está só na sua dança: vivemos de monólogos de políticos, sem ideias e sem soluções, reféns de críticas ocas. Assunção Cristas critica o Governo porque "há pouco investimento público" nos comboios? Devemos rir ou apenas buscar o passado? A pós-modernidade é a mascote perfeita da política indígena. É por isso que António Costa pode surfar todas as ondas negativas e seguir, certeiro, rumo a uma nova vitória eleitoral. Rui Rio esqueceu-se da prancha em casa e Assunção Cristas tem uma prancha demasiado vistosa para conquistar o eleitorado centrista. Por isso Costa vai aprovar o OE de 2019, nesta ópera bufa, em que o BE foi encostado à parede com o "caso Robles" e agora tem de ir para Paris para criticar Mário Centeno por este ter comprado um fato no pronto-a-vestir de Bruxelas e achar que agora fica um verdadeiro homem do mundo. E o PCP refugia-se na sua guerrilha habitual, para ganhar algo e para não perder tudo.
António Costa gere com habilidade a nossa psicopátria. Consegue iludir-nos, dizendo que a austeridade já acabou. Quando todos sabemos que a pobreza continua: olhe-se para a CP, para o SNS, para o nível salarial da maioria dos portugueses. Portugal é o exemplo mais perfeito desta política pós-moderna dos nossos dias: onde todos rejeitam responsabilizar-se pelas suas próprias decisões. Por isso, António Costa pode dançar.»



Sem comentários:
Enviar um comentário