20/09/2018 by João Mendes

Fotografia via Vice
Na Bulgária, estado-membro da União Europeia, existe um grupo paramilitar, que opera a partir de uma sucata em Yambol e que dispõe de um pequeno exército, sete tanques e um helicóptero para patrulhar a fronteira com a Turquia, com o objectivo de “caçar” migrantes. Em resposta à pergunta “O que é que fazem exactamente”, o líder do Movimento Nacionalista Búlgaro (MNB), Dinko Valev, responde sem rodeios: “Caçamos refugiados, na Bulgária é um desporto”.
Seria de esperar, independentemente de quem estes cavalheiros “caçam”, que este tipo de prática não seria permitida numa União Europeia democrática, fundada no estado de direito. Porém, não só são publicamente homenageados e apresentados como heróis nacionais na imprensa nacional, detida por accionistas norte-americanos, como o próprio primeiro-ministro búlgaro, o conservador Boyko Borisov, já agradeceu publicamente o “contributo” do MNB, que não se inibe em afirmar que espanca alguns dos migrantes que caça, antes de os entregar à polícia, optando pelo silêncio quando a pergunta é “Já mataram alguém?”
Felizmente para ele, Boyko Borisov não é de esquerda. Lidera um partido conservador e nacionalista, que, dita o politicamente correcto, é de centro-direita. Como tal, foi acolhido pelo Partido Popular Europeu, onde cabe tudo e mais alguma coisa, dos falsos sociais-democratas do PSD à extrema-direita do Fidesz de Viktor Orbán. Claro que, qualquer pessoa de bem sabe isso, fascistas violentos conservadores fofinhos, como Orbán, Borisov ou Duda são uma bênção dos deuses, que desceram à Terra para nos salvar das agruras de uma sociedade livre e democrática e para combater as verdadeiras ameaças à segurança e à estabilidade do Velho Continente: o Tsipras da Grécia e os Estalines da Geringonça. E daí se um bando de grunhos com armamento militar se diverte a fazer caça ao homem, quando a esquerdalhada totalitária quer aumentar o salário mínimo e a tributação sobre as grandes fortunas?
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