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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

ESCOLHA DIFÍCIL

por estatuadesal

(In Blog O Jumento, 12/01/2018)

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Não quereria estar na pele de António Costa se coubesse ao líder do PS a escolha do futuro líder do PSD: se não é nada fácil escolher, de entre os dois candidatos à liderança do PSD, qual o que daria um melhor primeiro-ministro, mais difícil ainda seria escolher qual dos dois lhe proporcionaria melhores resultados nas próximas legislativas.

O PSD não parece estar a escolher um líder; pelos debates está a escolher qual o chefe guerrilheiro que poderá ferir mais o primeiro-ministro. O debate chega a um nível intelectual deprimente, tem momentos dignos de crianças do ensino básico, com Santana Lopes a acusar Rio de ter almoçado com um perigoso criminoso chamado Pacheco Pereira e aquele a ripostar mais ou menos da mesma forma.

Não importa as qualidades do futuro líder - Santana Lopes ainda fez em meia dúzia de horas um mega programa de governo -, mas a verdade é que em vez de apresentar as suas ideias limita-se a enumerar as supostas traições do seu adversário. Rui Rio responde no mesmo tom, esquecendo que depois de décadas de conluios nos jogos partidários foi conivente, ou participou, em tantas trapalhadas quantas as de Santana.

É quase deprimente ver os militantes do PSD a discutir se Santana odeia mais ou menos António Costa do que Rui Rio, com um a recusar qualquer acordo com o PS e o outro a admitir apoiar um governo do PS. Isto é, o que distingue um do outro não é a capacidade de ganhar, mas sim a forma como vão digerir uma derrota que consideram certa. Pelo meio vem Miguel Relva dizer que ganhe um ou o outro, o futuro líder do PSD vai durar dois anos, isto é, só é eleito para tomar conta da casa.

Se o PS não ganhar com maioria absoluta, e Santana for líder, ou consegue formar nova geringonça ou o país terá de repetir as eleições. É óbvio que ninguém ao centro ou à direita perdoará a Santana essa entrega do poder ao PCP e ao BE; mas se Costa optar pela repetição das eleições, já que Marcelo nunca cairia na asneira de um governo presidencial apoiado por Santana, é bem provável que o PSD desapareça nas segundas eleições.

Se Rui Rio chegar a líder do PSD não só terá um grupo parlamentar formado por um ninho de cobras, como dificilmente conseguirá levar os eleitores a votar nele para fazer o tal 25 de abril civil,  já que não terá o apoio de uma maioria constitucional que patrocine as suas idiotices. Se o que Rui Rio tem a propor é o equilíbrio orçamental que Centeno já conseguiu ou o tal 25 de abril, dificilmente conseguirá convencer alguém a votar nele.

Votei, mas não inalei

por estatuadesal

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 12/01/2018)

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João Quadros

"É verdade que a canábis ajuda no sofrimento de cancros terminais, mas depois essas pessoas podem ficar agarradas." Provavelmente, vão para o céu fazer filtros.


Ontem debateu-se (escrevo esta crónica na quarta-feira) na Assembleia da República as propostas do BE e do PAN sobre os projectos de lei para legalizar a canábis para fins medicinais. O CDS e o PSD estão contra. É pena. Até porque a primeira autorização para plantação de canábis para fins de medicinais em Portugal, para exportação, foi dada em 2014.

Acho que o PSD e o CDS podiam ter sido convencidos se lhes disséssemos que é tradição fumar charros em Portugal. Nas Festas de Reis, na aldeia de Vale Salgueiro, em Mirandela, as crianças são encorajadas a fumar cigarros, uma tradição que teve direito esta semana a uma reportagem da Associated Press. "Pais encorajam os seus filhos, alguns com menos de cinco anos, a fumar cigarros." A reportagem salienta que a idade legal para adquirir tabaco em Portugal é 18 anos, "mas ninguém proíbe os pais de darem cigarros às crianças e as autoridades não intervêm para parar esta prática". Os entrevistados justificam a mesma com os costumes locais. Que fixe. Se calhar, os miúdos injectam-se no Carnaval e vão às meninas na Páscoa.

Nada como imaginar um roteiro tradicional, como as crianças a arder de Vila Nova de Sardão, o "striptease" forçado de septuagenárias em Poço de Sete Mães ou a largada de cabrestos e grávidas bêbedas de Fonte de Castelo Coiso.

Os deputados do PSD, pelo menos alguns dos que conheço, votam contra a canábis para uso medicinal, mas usam para fins recreativos. O PSD e o CDS são contra a utilização em Portugal de canábis para fins medicinais, mas autorizaram plantações onde produzimos canábis para venda para fins medicinais noutros países. É espectacular, somos grandes exportadores de marijuana para uso farmacêutico, mas segundo o PSD e o CDS aquilo só faz mal. Ainda recentemente, a maior plantação de canábis em Portugal foi anunciada no Web Summit. É proibir essa malta toda de cá entrar e deitar fogo a estes projectos todos. Porque não vamos deixar produzir cá uma coisa que até é proibida para efeitos medicinais.

Recordo que, em 2012, a JSD, na altura liderada por Duarte Marques, apoiou a Marcha Global da Marijuana em Lisboa. Grande maluco. A desculpa do PSD para chumbar a legalização da canábis para uso medicinal é: "Pode causar habituação." Ou seja: "Coitados, é verdade que a canábis ajuda no sofrimento de cancros terminais, mas depois essas pessoas podem ficar agarradas." Provavelmente, vão para o céu fazer filtros.

Resumindo, no país de horas e mais horas de publicidade ao cogumelo do tempo e ao Calcitrin, que é vendido directamente ao público, sem intermediação das farmácias, nem pensar em permitir a canábis para efeitos terapêuticos. Não aguento tanta hipocrisia, preciso de fumar uma.

A história desconhecida do almoço em que Santana Lopes convidou Pacheco Pereira para formar um novo partido

por CGP

Foi numa bela tarde de Janeiro de 2011 que resolvemos ir todos almoçar ao Gambrinus em Leiria. O Pacheco Pereira atrasou-se um pouco. Cansados de esperar cá fora com o calor que se fazia sentir, entramos sem ele. Passado 5 minutos ele chegou. "Já entraram? Estive a fazer jogging e entusiasmei-me, não vi passar o tempo", justificou-se. "Não faz mal, as entradas aqui são baratas e fomos aproveitando", retorquiu. Era um grupo variado. Nesse dia, a Sara Sampaio parecia muito insistente em sentar-se ao meu lado, ao ponto de empurrar a Rita Pereira quando ela estava prestes a tomar esse lugar.

Veio a sopa: uma Vichyssoise de peixe deliciosa. Enquanto a Sara Sampaio me passava a mão pela perna, vira-se o Luis Filipe Vieira e diz-me: "O Mantorras deve ir para o Barcelona no mês que vem. Ó Carlos, pá, nós estamos mesmo a precisar de um ponta de lança novo. Não queres vir aos treinos segunda-feira?". Gentilmente, recusei, afinal ainda tinha pendente o convite para ir a Wimbledon no mês seguinte. Nisto, a Rita Pereira levanta-se e do outro lado da mesa pede-me para lhe ir mostrar onde ficava a casa de banho. Gentilmente, levantei-me e encaminhei-a para a zona das casas de banho. Lá chegados, qual não foi a nossa surpresa, quando reparamos que a Sara Sampaio nos tinha seguido. "Deixemo-nos de coisas", disse a Sara Sampaio, "ele dá para as duas" e arrastaram-me para dentro. Umas boas duas horas depois, regressámos à mesa, já estavam todos a terminar as sobremesas. "Perdeste um delicioso bife", disse-me o Obama, "muito bem passado como tu gostas". Nisto, Santana Lopes, que tinha passado o jantar todo calado, pergunta-me: "A minha filha Pimpinha anda à procura de marido. Ó Carlos, tu ainda estás solteiro não estás?". Abano a cabeça. "Que desilusão", diz o Santana,"mas já que estou numa de pedidos: ó Pacheco Pereira não queres formar um partido comigo? Formaríamos uma dupla imbatível.". Já um pouco alcoolizados, o Batman e o Super-Homem disseram em uníssono: "Dupla imbatível somos nós!". Gargalhada geral.

E é este o meu teste.

A síndrome de Trump – Anda tudo doido…

por estatuadesal

(Por Carlos Esperança, in Facebook, 12/01/2018)

cavaca

- A Assembleia da República quer decidir sobre o uso da canábis para fins terapêuticos, competência do Infarmed, cabendo aos deputados decidir sobre a eventual legalização para fins recreativos.

- A Ordem dos Médicos aprova o uso da canábis em várias situações, posição que deve ser acolhida, mas só como medicamento, como se lhe coubesse a decisão. A AR decide a introdução de medicamentos (este já existe em gotas) e a OM as indicações?

- A ministra da Justiça disse que “o mandato de PGR é longo e único”, e a comunicação social, o PSD e o CDS, os comentadores e os constitucionalistas, contestaram-na. Gerou preocupação no PS e consternação em Belém. § A lei foi alterada para que o cargo que Cunha Rodrigues ocupou 16 anos não fosse vitalício. O mandato único foi o que, depois dele, Souto Moura e Pinto Monteiro cumpriram. Independentemente da interpretação dos juristas, a hipótese omissa de recondução, a existir, podia transformar em 18, 24, 30 ou 36 anos os 16 de Cunha Rodrigues.

- A PGR, Joana Marques Vidal, numa conferência em Cuba sobre ciências penais, em março de 2016, referindo-se às características do MP português afirmou que “o mandato tem 6 anos e duração única”, posição que já tinha assumido em 2012, numa entrevista publicada na revista da Ordem dos Advogados, em que, na sequência da sua exposição, declarou que “Por alguma razão, o mandato do procurador-geral da República é de seis anos, não renovável”. E as afirmações não foram contestadas ou, sequer, comentadas.
(V/ mural de Alfredo Barroso  in Facebook).

- O PR sabe que, face às afirmações da PGR, não poderia o Governo propô-la, nem ela aceitar, mas, fazendo pressão disfarçada de magistratura de influência, disse que tomará a decisão em outubro, arrogando-se um inexistente direito de pernada.

- A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (V/foto) tem sobre as suas competências uma ideia aproximada, misto de sindicalismo difuso, proselitismo partidário e obsessão mediática. É por isso que desde o conhecimento de médicos que praticam eutanásia nos hospitais públicos, afirmação que teve de engolir, do incitamento à greve, até à acusação de que nas Urgências hospitalares “sempre que os membros do Governo vão a uma Urgência escondem-se os doentes até debaixo de escadas”, entrou em incontinência verbal, exacerbada para atacar o governo.

E Portugal, Passos? Já não está à frente?

por João Mendes

Fotografia: Luís Barra@Expresso

Pedro Passos Coelho, como tantos outros políticos que caem do seu pedestal, decidiu renunciar ao seu mandato de deputado, como é seu direito. Muito poderia ser dito a este respeito, sobre uma decisão que é absolutamente legítima, mas a mim causa-me sempre alguma perplexidade, ver um tipo que andou em campanha para eleições legislativas a declarar o seu amor à pátria e à causa pública, e que agora renuncia ao mandato para o qual se propôs e foi eleito (para exercer as funções de deputado e não de primeiro-ministro, que ao contrário do que defendem hoje alguns fanáticos negacionistas da democracia representativa, não existem, neste país, eleições para eleger directamente governos ou primeiros-ministros) apenas porque deixou de ser o alfa da São Caetano.

Ser um mero deputado, um simples representante do povo, não parece ser função que agrade ao mais recente barão do PSD. Com certeza que surgirão novas oportunidades no sector privado, onde Passos tem fama de indivíduo hábil a abrir portas, pelo que passar a ser um autómato que levanta a mão quando o próximo líder assim lhe ordenar não é hipótese a considerar. Eis o líder que põe Portugal à frente, que põe o país primeiro e que alegadamente o leva a sério a virar-lhe as costas mal cai do poleiro. Não surpreende.

O Ronaldo das finanças



O Ronaldo das finanças já é presidente do Eurogrupo

Mário Centeno já tomou posse como presidente do Eurogrupo. Ironia do destino, digo eu, foi na embaixada de Portugal em Paris que recebeu o testemunho do polémico Dijsselbloem, o político holandês que chocou com as declarações sobre “copos e mulheres” dos países do Sul de Europa. E se há uns tempos, como conta aqui o Christopher Marques, Centeno era visto como um dos patinhos feios do Eurogrupo, chega agora à liderança do mesmo como o Cristiano Ronaldo das finanças.

E do Assédio aos Homens, Ninguém Fala?

por Cristina Miranda

Há por detrás desta onda de indignação de certas mulheres uma hipocrisia monumental. Se por um lado se queixam do assédio sexual por parte dos homens, do outro exibem-se praticamente nuas apelando aos  instintos  reprodutores dos machos. Não me venham dizer que o fazem de forma ingénua só por "gostarem" da indumentária ou para se "sentirem bonitas". Balelas! Mulher que é mulher com "M" grande sente-se bonita e atraente até com umas simples calças de ganga. Sou mulher e sei muito bem do que falo.

Cresci num tempo em que incomodar uma miúda na paragem de autocarro com graçolas era MÁ EDUCAÇÃO com direito a dois tabefes bem dados nas trombas desses garotos após queixa ao pai. Não era assédio sexual. Um tempo em que mandar um piropo por passar uma rapariga bonita, não era assédio, era fazer a corte. Atacar violentamente uma mulher abusando dela sexualmente era crime de violação sexual. Tudo era muito bem definido. Agora tudo é assédio. Hoje até um simples "olá estás boa!" pode ser perigoso. É a doideira total.

Como mulher também eu fui largamente "assediada" dentro deste contexto "moderno" da palavra. E isso nunca me incomodou. Porque os galanteios sabiam-me bem ao ego pois demonstravam  o meu grau de sedução sobre o sexo oposto. Mas sempre com cuidado com as indumentárias para não transmitir uma imagem errada daquilo que pretendia: atrair  pessoas, não predadores sexuais. Quantas vezes me perguntaram: "Posso me sentar? Está acompanhada?" dando uma resposta imediata conforme minha conveniência. Que mal tem atrair os homens e receber uma abordagem por isso quando até os  passarinhos (esses animais tão fofos) provocam as passarinhas com rituais para as atrair sexualmente? Porque não nos indignamos igualmente com a natureza? Bem, deixa-me estar calada, não vá alguém ter ideias...

Mas a hipocrisia cresce ainda mais quando ninguém refere os homens como vítimas desse mesmo assédio de que tanto  se queixam! Não oiço nada, mesmo nada sobre isso e é muito estranho. Ao longo da minha vida vi coisas incríveis protagonizadas por mulheres predadoras sexuais. Não estou a brincar. Autênticos filmes alguns quase de terror psicológico com elas a rodear vítimas masculinas desesperadamente. Quando dava aulas em Ponte de Lima havia um colega que era muito popular do mulherio. Sempre rodeado por elas, alunas e professoras. Tinha o dom de saber ouvi-las e elas encantavam-se com ele! E eu, achava aquilo muito engraçado, porque meu colega, fosse num café ou na escola, nunca se via com homens. Parecia ter mel que só atraia o sexo feminino. E muitas! Até que um dia nos tornamos amigos e ele começa a contar-me o seu drama. Fiquei a saber que ele era perseguido, molestado, "armadilhado" com esquemas onde apareciam  nuas na sua cama, lhe ligavam para casa a toda a hora, enfim, não o deixavam em paz. Vivia num inferno! Mas, como vivíamos num tempo diferente deste, nunca viu nisso um crime. Apenas azar de atrair tanto o sexo feminino. Como este, conheci muitos mais exactamente com o mesmo problema: assédio feminino. Alguém fala nisto? Claro que não. Não convém.

Esta raiva aos homens é patológica. Não faz sentido em mulheres saudáveis e bem resolvidas com a vida. Porque estas sabem sempre avaliar as situações separando o que é efectivamente crime do que não passa de galanteios, mais ou menos felizes (sim, porque nem todos nascem com o mesmo dom para a sedução).  Saberá estar à altura de dizer "não" e se esse "não" for desrespeitado, resolvê-lo.

Porque a hipocrisia não deixa ver que no dia em que estas senhoras todas com mais ou menos  nudez à mostra, não obtiverem qualquer reacção masculina (por receio destes) serão elas a questionar a virilidade dos homens e acaba-se o glamour dos vestidos às tiras sem cuecas.

Escrito por Redação em 12 Janeiro 2018

Destaques - Nacional

Escrito por Redação  em 12 Janeiro 2018

Gráfico do Instituto Nacional de Estatística

A inflação acumulada em Moçambique, entre Janeiro e Dezembro de 2017, cifrou-se em 5,65 por cento, muito abaixo dos 25,27 por cento de 2016 e mais próxima dos 3,55 por cento de 2015, antes do início da crise das Dívidas ilegais da Proindicus, EMATUM e MAM.

O Instituto Nacional de Estatística(INE) revelou nesta quarta-feira(10) que “analisando os dados de Janeiro a Dezembro do ano findo, o País registou um aumento de preços na ordem de 5,65%”.

“As divisões de Transportes e de Restaurantes, hotéis, cafés e similares foram principais responsáveis pela tendência geral de aumento de preços comparticipando com aproximadamente 1,41 e 1,03pp positivos respectivamente”, pode-se ler no Índice de Preços no Consumidor(IPC).

De acordo com a publicação do INE, “Desagregando a inflação anual por produto, merece destaque o aumento dos preços da Gasolina, do Pão de trigo, do Carvão vegetal, das Refeições em restaurante, da Cerveja, do Coco e do Peixe fresco refrigerado ou congelado. Estes comparticiparam com 3,88pp positivos do total da inflação anual registada”.

Segundo o INE, baseado em preços recolhidos nas Cidades de Maputo, Beira e Nampula, em Dezembro passado Moçambique “registou um agravamento mensal do nível geral de preços na ordem de 1,10%”.

“Os preços da divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas aumentaram em 2,01%. Esta divisão comparticipou para o total da inflação mensal com 0,63 pontos percentuais(pp) positivos. O aumento dos preços do Tomate (12,1%), da Cerveja (6,1%), da Cebola (20,6%), do Coco (9,9%), da Gasolina (1,4%), das Consultas em Clínicas (24,9%) e do Peixe fresco refrigerado ou congelado (2,6%) foi responsável por 0,79pp positivos do total da inflação mensal registada”, detalha o comunicado de imprensa que estamos a citar.

O IPC indica ainda que, “tomando como referência a inflação média 12 meses, o País registou um aumento de preços na ordem de 15,11%. A divisão de Vestuário destacou-se ao registar aumentos na ordem 21,52%”.

Provavelmente, o monumento mais bonito de Portugal

Novo artigo em VortexMag


por admin

Escolher o mais bonitos de todos os monumentos portugueses é sempre uma tarefa complicada, especialmente porque os gostos variam de pessoa para pessoa e também porque a variedade de monumentos é enorme. No entanto, há um monumento especial em Portugal e que não possui termo de comparação com nenhum outro: o Palácio da Pena. Aliás, este célebre palácio situado em Sintra não tem sequer comparação com outros monumentos do mesmo género em toda a Europa e apenas alguns palácios na Alemanha se assemelham a ele na sua beleza e na sua grandiosidade, facto que não é estranho se tivermos em conta que a construção desta obra prima foi inspirada pelo romanticismo alemão. O Palácio da Pena é, muito provavelmente, o monumento mais bonito de Portugal.

Palácio da Pena, Sintra (Paul Walker)

O Palácio da Pena ergue-se sobre uma rocha escarpada, que é o segundo ponto mais alto da Serra de Sintra (acima do palácio só se encontra a Cruz Alta, a 528m de altitude). O Palácio localiza-se na zona oriental do Parque da Pena, que é necessário percorrer para se chegar à íngreme rampa que o Barão de Eschwege construiu para se aceder à edificação acastelada. O Palácio propriamente dito é constituído por duas alas: o antigo convento manuelino da Ordem de São Jerónimo e a ala edificada no século XIX por D. Fernando II. Estas alas estão rodeadas por uma terceira estrutura arquitectónica, em que se fantasia um imaginário castelo de caminhos de ronda com merlões e ameias, torres de vigia, um túnel de acesso e até uma ponte levadiça.

Palácio da Pena

Palácio da Pena

Em 1838 o rei D. Fernando II adquiriu o antigo convento de monges Jerónimos de Nossa Senhora da Pena, que tinha sido erguido no topo da Serra de Sintra em 1511 pelo rei D. Manuel I e se encontrava devoluto desde 1834 com a extinção das ordens religiosas. O convento compunha-se do claustro e dependências, da capela, sacristia e torre sineira, que constituem hoje o núcleo norte do Palácio da Pena, ou Palácio Velho.

locais mais visitados e apreciados pelos turistas em Portugal

Palácio da Pena

D. Fernando começou por efectuar reparações no antigo convento, que, segundo fontes da época, se encontrava em muito mau estado. Remodelou todo o piso superior, substituindo as catorze celas por salas de maiores dimensões e cobrindo-as com as abóbadas que hoje vemos. Cerca de 1843, o rei decidiu ampliar o Palácio através de uma nova ala (Palácio Novo) com salas de ainda maior dimensão, de que é exemplo o Salão Nobre, rematando-a com um torreão circular junto às novas cozinhas. A obra foi dirigida pelo Barão de Eschwege. No restauro de 1994 repuseram-se as cores originais no exterior do Palácio: rosa-velho para o antigo mosteiro, ocre para o Palácio Novo.

Palácio da Pena

Palácio da Pena - William Shatner

Ao transformar um antigo mosteiro numa residência acastelada, D. Fernando revelou ter uma forte influência do romantismo alemão, tendo-se provavelmente inspirado nos castelos à beira do Reno de Stolzenfels e Rheinstein, assim como na residência de Babelsberg em Potsdam. A obra do Palácio da Pena terminou em meados da década de 1860, embora posteriormente se fizessem campanhas de decoração de interiores.

Chalet Condessa d'Edla

Chalet Condessa d'Edla

D. Fernando mandou igualmente plantar o Parque da Pena nas áreas envolventes do Palácio à maneira dos jardins românticos, com caminhos serpenteantes, pavilhões e bancos de pedra a pontuar os percursos, bem como árvores e outras plantas provenientes dos quatro cantos do mundo, tirando partido do clima húmido da serra de Sintra e criando de raiz um parque exótico com mais de quinhentas espécies arbóreas.

Chalet Condessa d'EdlaChalet Condessa d'Edla

A construção mais interessante do Parque da Pena é o Chalet da Condessa (ou Casa do Regalo), que se encontra no extremo ocidental do Parque da Pena. Foi mandado construir por D. Fernando II e pela sua futura segunda mulher, Elise Hensler (Condessa d’Edla), como local de veraneio reservado. É uma construção de dois pisos com forte carga cénica, de inspiração alpina, que mantinha uma expressiva relação visual com o Palácio.

locais para visitar em SintraPalácio da Pena

O Palácio da Pena foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e integra-se na Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade desde 1995.

Virar a página no debate sobre trabalho e competitividade (IV)

Ladrões de Bicicletas


Posted: 11 Jan 2018 05:38 PM PST

Na transição de ano, a questão dos feriados e das «pontes» de 2018 suscitou comentários e análises na imprensa e por parte de representantes do setor empresarial, que incluiu críticas aos seus custos para a economia e para o país. Essas críticas não são novas e, bem o sabemos, chegaram a tomar forma de lei, com a supressão de quatro feriados em 2013, repostos pela atual maioria de esquerda no início de 2016.
Os «custos dos feriados e pontes» são aliás um tópico recorrente no discurso de uma espécie de «brigada do reumático» do pensamento económico, que continua a dar sinais de vida e que, mesmo quando derrotada pela realidade, insiste na relação causal, linear e absoluta, entre o «fator trabalho» (que é reduzido, na verdade, a «tempo de trabalho»), a produtividade e a competitividade. Isto é, pessoas e entidades que provavelmente continuariam a eleger este como o livro do ano de 2017.

O argumento é simples e faz parte de uma narrativa mais ampla, que continua a vender bem na «opinião pública» que é diariamente intoxicada com balelas moralistas: os feriados e as «pontes» são um luxo e Portugal um país pobre, que não se pode dar a luxos. Aliás, somos pobres porque as pessoas, «regra geral», trabalham pouco. Lá está, o «fator trabalho» é que estraga tudo e é por isso que é preciso pô-lo no lugar, dilatando o tempo de laboração, suprimindo feriados, comprimindo salários e dissolvendo direitos e leis, essas modernices que alimentam a nossa, «regra geral», propensão para não produzir. É trabalhando mais tempo que se progride, é empobrecendo que nos tornamos competitivos.
Se o engodo intelectual persiste, é preciso continuar a responder-lhe com factos. E o que os factos dizem é que tanto na perspetiva da produtividade como da competitividade(ver gráficos), a existir alguma correlação destas variáveis com o tempo de trabalho, essa correlação é negativa. Os países que detém níveis mais elevados de produtividade e competitividade não são, ao contrário do que nos querem fazer crer, os países em que mais se trabalha. A existirem, as correlações são em sentido inverso, sugerindo que a questão do tempo de trabalho é basicamente irrelevante para tornar uma economia mais produtiva e mais competitiva.

Os fatores que contam para um verdadeiro desenvolvimento económico (e social, já agora) são outros. E nesse prisma vale a pena ler na íntegra o recente artigo de Maria de Lurdes Rodrigues, onde se assinala, de forma certeira, que a produtividade do trabalho nem sequer «se deve apenas aos níveis de qualificação e desempenho dos trabalhadores» (sendo fundamental, nesse âmbito, superar o nosso atraso estrutural em matéria de qualificações), mas também «ao investimento em tecnologia, à organização do trabalho e às competências de gestão». Isto é, a «variáveis que dependem sobretudo de decisões empresariais e do contexto da atividade económica».
Aliás, como bem lembra MLR, a história do trabalho e das empresas mostra-nos que «a possibilidade de aumentar sem custos o horário de trabalho nunca constituiu um estímulo à modernização económica». Pelo contrário, «a modernização da atividade económica foi muitas vezes a resposta aos obstáculos políticos levantados (...) à prática de longas jornadas de trabalho ou de salários muito baixos». O que significa, portanto, que «não é cortando direitos sociais e regressando a formas mais primitivas de capitalismo que Portugal ganhará tempo na recuperação do seu atraso económico».

Leituras: Revista Crítica - Económica e Social (n.º 14)

Posted: 11 Jan 2018 06:55 AM PST

A primeira edição de 2018 da revista Crítica inclui reflexões sobre a Europa e a Zona Euro (Francisco Louçã e Ricardo Cabral), o Orçamento de Estado de 2018(Mariana Mortágua e Ricardo Cabral) e o Relatório mundial das Desigualdades (Alexandre Abreu, Francisco Louçã e Ricardo Paes Mamede). Seguem-se três análises, sobre emprego público e privado, política fiscal e regionalização (Nuno Serra, Eugénio Rosa e Ernesto Figueiredo). O número 14 da revista Crítica está disponível aqui, para download gratuito. Boas leituras.

A vida às cores

Ricardo Marques

RICARDO MARQUES

JORNALISTA

12 de Janeiro de 2018


De que cor é este Expresso Curto? Negro como as letras que está a ler? Ou branco como o fundo em que elas aparecem? Talvez cinzento, como vai estar o dia?

Começa em tons de laranja, ou não terminasse a corrida à liderança no PSD. É certo que não há nenhum debate marcado - Santana dá uma entrevistaà Rádio Renascença e ao Público - mas os dois que querem o mesmo, e se tratam por tu, já mostraram que não precisam de marcação para discordar. E, bola para cá bola para lá, é quase certo que o assunto diretas esteja por todo o lado.

Ontem estiveram na rádio à conversa e não passaram ao lado das declarações de Miguel Relvas (uma pitada de verde, aqui).Encontra aqui um resumo do combate / embate / debate. Aproveite a embalagem e siga para a análise ao encontro televisivo de anteontem.

A nação laranja vota amanhã e quando chegar odomingo só um deles estará nas notícias de corpo inteiro e a cores. O outro remeter-se-á provavelmente ao mundo preto e branco a que gostamos de chamar “longe das luzes da ribalta”. É para lá que também parece caminhar Pedro Passos Coelho - o ainda líder do PSD anunciou que vai renunciar ao mandato de deputado e deixar o Parlamento em fevereiro.

Há sondagens mais favoráveis a Santana Lopes e outras bastante mais simpáticas para Rui Rio. Há 70 mil militantes em condições de votar - no início de dezembro, como notou ontem Pacheco Pereira na Quadratura do Circulo, na SIC Notícias, eram muito menos.

A revelação maior de Pacheco Pereira (que esta semana fala da sua biblioteca / arquivo / estação documental na revista E, do Expresso), porém, foi contar que em 2011 Santana o desafiou a criar um partido rival do PSD, que considerava morto. Encontraram-se num hotel na Lapa. Santana já disse que não é verdade. A discussão prossegue dentro de momentos.

Esta noite, Rui Rio fecha a campanha em Vila Nova de Gaia. Pedro Santana Lopes almoça em Lamego, vai ao fim da tarde a Viseu e acaba a jantar na Maia. Além de tudo o resto, e o que vão fazer se o PSD perder as eleições para um PS minoritário, haverá ainda no fim do caminho 20 quilómetros a separá-los… Não faltarão notícias sobre os repastos, mas aposto que ninguém lhe vai falar de Miguel Pereira.

Sabe quem é? Pois. Só que é impossível perceber Rio Santana sem perceber quem é Miguel Pereira - e é também para isso que serve o Expresso Curto. De outro modo, como poderia saber que se trata de uma cidade, com cerca de 25 mil pessoas, baptizada com o nome de um médico (Miguel Pereira, 1871-1918), neto de agricultores, que lutou pelo saneamento básico no Brasil. Mas acima de tudo, falar de Miguel Pereira é falar do Rio Santana, das suas águas transparentes e geladas.

A importância das coisas*

Eduardo Louro

  • 12.01.18

Resultado de imagem para desemprego jovem

Bem sei que a questão mais importante da semana é a de um segundo mandato da Procuradora Geral da República, que nunca houve e que poucos sabiam que pudesse haver, lá mais para o fim do ano. É realmente espantosa a capacidade que esta gente tem para reduzir a agenda mediática à simples espuma dos dias!

Por isso ninguém ligou muito às notícias que foram chegando sobre o emprego, com a divulgação dos dados do INE relativos a Novembro. Notícias que dão conta da mais baixa taxa de desemprego desde Novembro 2004, em 14 anos, portanto. No último ano a população empregada aumentou em perto de 160 mil pessoas!

São boas notícias?

Sim e não!

Sim, porque a diminuição do desemprego nunca pode deixar de ser uma boa notícia. Sim, porque resulta do crescimento económico, e a economia a crescer tem que ser sempre uma boa notícia.

E não. Porque o desemprego jovem continua a crescer, e em Portugal foi mesmo onde, na União Europeia, mais cresceu. Em Setembro era de 24,6 %, e em Outubro já ia em 25,6%: num mês, mais um em cada 100 jovens era desempregado.

E isto quer dizer muitas coisas. Quer dizer que continuamos a desperdiçar recursos, a deitar dinheiro fora, na educação por evidente desadequação entre a formação dada aos jovens e as necessidades das empresas. O drama é que isto não quer obrigatoriamente dizer que essa formação seja desadequada, quer dizer é que a retoma do emprego acontece em sectores que não valorizam as qualificações dos jovens mais preparados.

Por isso o desemprego jovem tem um comportamento simétrico ao do desemprego geral. Por isso há cada vez mais jovens sem trabalho ao mesmo tempo que, ao que dizem, faltam 70 mil trabalhadores na construção, 40 mil na restauração e outros tantos no calçado, no têxtil e na metalurgia.

Quer isto dizer – e pior notícia não pode haver - que na nossa economia nada mudou, que tudo continua na mesma. E toda a gente sabe que as mesmas coisas, nas mesmas circunstâncias, produzem sempre os mesmos resultados.

Mas parece que isto não tem importância nenhuma…