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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Entre as brumas da memória


Posted: 28 Dec 2017 11:14 AM PST

Bolos, salgados e refrigerantes proibidos em hospitais e centros de saúde.

Vale a pena percorrer a notícia e ver a longa lista de alimentos e bebidas referidos para contatar como entrámos, decididamente, num admirável mundo novo onde cada vez mais realidades são obrigatórias ou proibidas.

É isto que queremos? Uma vida mandatoriamente liofilizada? Triste mundo hipercivilizado…

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Feliz 2018 (se existir)

Posted: 28 Dec 2017 08:10 AM PST

Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:

Na íntegra AQUI.
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«Ó tempo volta para trás» – Marcelo escreve a Marcello

Posted: 28 Dec 2017 05:59 AM PST

A propósito do Congresso da Oposição em 1973

Excelentíssimo Senhor Presidente (do Conselho),

Excelência,

Pedindo desculpa do tempo que tomo a Vossa Excelência, vinha solicitar alguns minutos de audiência (...). Seria possível, Senhor Presidente, conceder-me os escassos minutos que solicito? (...) Acompanhei de perto (como Vossa Excelência calcula), as vicissitudes relacionadas com o Congresso de Aveiro, e pude, de facto, tomar conhecimento de características de estrutura, funcionamento e ligações, que marcam nitidamente um controle (inesperado antes da efectuação) pelo PCP. Aliás, ao que parece, a actividade iniciada em Aveiro tem-se prolongado com deslocações no país e para fora dele, e com reuniões com meios mais jovens.

Como Vossa Excelência apontou, Aveiro representou, um pouco mais do que seria legítimo esperar, uma expressão política da posição do PC e o esbatimento das veleidades «soaristas». O discurso de Vossa Excelência antecipou-se ao rescaldo de Aveiro e às futuras manobras pré-eleitorais, e penso que caiu muito bem em vários sectores da opinião pública. Com os mais respeitosos e gratos cumprimentos,

Marcelo Rebelo de Sousa

* in «Cartas Particulares a Marcello Caetano», organização e selecção de José Freire Antunes, vol. 2, Lisboa, 1985, p. 353).

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Passos decididos na direcção do caos

Posted: 28 Dec 2017 09:52 AM PST

«Os sinais de que os passos rumo ao caos climático estão a ser dados foram sentidos de forma inequívoca em Portugal: os incêndios florestais de Junho e de Outubro, fruto de aberrações de temperatura e humidade, mostram-nos como o território nacional é vulnerável às alterações climáticas, em particular quando estas aberrações se sobrepuseram a uma longa seca que inviabilizou até o abastecimento de água às populações e à agricultura. Só a redução da massa de árvores é que limita a probabilidade de nos próximos dois a três anos termos incêndios desta mesma magnitude. Mas depois disso façam as vossas apostas, porque estruturalmente nada mudou no grande pinhal-eucaliptal que é a nossa área florestal. No balanço do ano de 2017, a dimensão dos incêndios florestais em Portugal é um gigante que só tem paralelo em outra monstruosidade: um novo aumento das emissões de gases com efeito de estufa à escala global.

Em 2017 bateu-se o recorde de furacões formados num ano sob o Oceano Atlântico: Franklin, Gert, Harvey, Irma, Jose, Katia, Lee, Maria, Nate e Ophelia. Entre estes dez furacões, o Harvey no Texas, o Irma em Cuba, Florida e Barbuda e o Maria em Porto Rico foram autênticas armas de destruição massiva. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o Irma foi o furacão mais forte de sempre no Atlântico. Por outro lado, devido às temperaturas quentes aberrantes no Atlântico, o furacão Ophelia seguiu na direção da Europa, causando três mortos na Irlanda e na Grã-Bretanha, com os seus ventos quentes a contribuírem para o catastrófico dia de incêndios — 15 de Outubro — em Portugal e Espanha, que causou mais de 50 mortos. Entretanto, no Pacífico, o tufão Lan foi o segundo maior alguma vez registado e causou mortes e estragos no Japão. Cheias e aluimentos de terras na Colômbia, na Mauritânia, no Vietname e nas Filipinas provocaram centenas de mortes. Nos Estados Unidos, a época de incêndios, em particular na Califórnia, foi a pior de que há registos, devastando zonas urbanas e deixando centenas de milhares de pessoas sem casas.

Com o degelo recorde na Gronelândia e na Antártida Ocidental, a subida do nível médio do mar em 2017 foi de 3,4 milímetros.

Politicamente, a saída anunciada do Acordo de Paris por parte dos Estados Unidos de Trump confirmou a entrada num novo capítulo da retórica americana acerca das alterações climáticas (embora não na prática, já que vem das administrações anteriores a colocação dos EUA no topo das emissões e da produção de combustíveis fósseis). Entretanto, o Presidente francês Emmanuel Macron descobriu nas alterações climáticas um filão de oportunidade política e organizou uma cimeira em Paris para discutir em abstrato o que fazer. O Banco Mundial anunciou mais dois anos de financiamento à indústria fóssil e o governo francês aprovou no Parlamento a proibição da exploração de combustíveis fósseis... em 2040. A União Europeia, por outro lado, propôs ao Banco Europeu de Investimento que subsidie a construção de um sistema de infraestruturas de transporte e armazenamento de gás natural, mais de 90 projetos para resgatar a indústria petrolífera durante mais quatro ou cinco décadas e evitar a transição para as energias renováveis.

A ministra portuguesa do Mar assinou um acordo com um subsecretário de Estado dos EUA com a intenção de tornar o Porto de Sines uma porta de entrada para o gás de fracking americano. Na cimeira de Macron, António Costa aproveitou para repetir um anúncio que já tinha feito na Cimeira (oficial) do Clima em Bona: as duas maiores centrais a carvão do país fecharão até 2030. O cenário de referência para o Programa Nacional para as Alterações Climáticas, aprovado pelo governo Passos Coelho, colocava a central térmica de Sines da EDP fora de funcionamento já em 2020. A ambição do Governo do PS é dar-lhe mais dez anos. Ao mesmo tempo, o Governo recusou-se pôr um ponto final nas concessões petrolíferas ao largo do Alentejo e em terra (Batalha e Pombal), apesar de várias propostas parlamentares nesse sentido. Se decidir prolongar pela terceira vez a autorização da ENI/Galp para furar em Aljezur, o Governo comprará uma grande batalha para 2018.

Tal como se fazem diariamente as contas dos orçamentos de municípios, regiões, países, espaços comunitários, também se fazem contas para o "orçamento de carbono", com a atualização constante das emissões de gases com efeito de estufa que podem ser feitas até se atingirem aumentos de 1,5ºC, 2ºC, 3ºC e por aí fora. Segundo o Carbon Brief, site de académicos e jornalistas dedicado às alterações climáticas, estamos a menos de cinco anos de atingir um aumento de temperatura de 1,5ºC, e a menos de 20 anos de atingirmos um aumento de temperatura de 2ºC. Este aumento de temperatura é aquilo que o Acordo de Paris teoricamente queria evitar até 2100, mas que, mantendo este rumo, ocorrerá em 2036. Em 2017, depois de três anos de estagnação das emissões de gases com efeito de estufa, as emissões voltaram à trajetória ascendente, devendo aumentar 2% em relação ao ano anterior, naquele que é o sinal mais inequívoco de que entre o oportunismo político e a força da indústria petrolífera, estão longe de ser atingidas as acções necessárias devido à fraqueza e à cobardia das instituições nacionais e internacionais, que marcham alegremente na direção do caos.»

João Camargo

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Dica (687)

Posted: 27 Dec 2017 02:50 PM PST

Marcelo não é a personalidade do ano (Pedro Tadeu)

«Sim, é verdade que muitas vezes governo, Parlamento e tribunais se colocam a jeito e dão enormes tiros no pé mas, com Marcelo desabrido, como aconteceu ao longo deste ano, na opinião pública prevalece a ideia de que nem o governo governa, nem o Parlamento é útil, nem os tribunais fazem justiça e, por isso, parece que todos os órgãos de soberania, tirando a Presidência da República, são inúteis. Isto, para mim, é suficiente, apesar de gostar da persona Marcelo Rebelo de Sousa, para achar que ele não é o político do ano e, até, que pode vir a ser pernicioso para o país... Esperemos que não.»

Natal dos partidos – alterações pontuais e necessárias?!

Natal dos partidos – alterações pontuais e necessárias?!

por j. manuel cordeiro

Extracto do DRE - clicar para ampliar

Sérgio de Almeida Correia, no Delito de Opinião, publicou um minucioso sumário das mudanças na lei do financiamento dos partidos, colocando uma questão central sobre se estas se tratam de "alterações pontuais" e "necessárias", tal como indica a exposição de motivos presente no projecto de lei.

Além dos pontos mais focados na comunicação social (remoção do tecto para a receitas de angariação de fundos, isenção de IVA e uso  gratuito de espaços e imóveis detidos pelo Estado ou por IPSS), o autor disseca o vasto elenco de alterações, deixando a nu o regime de ainda maior excepção ao nível da transparência e benesses que os partidos arranjaram para si mesmos.

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Ação de sensibilização apela a consumo moderado e responsável de bebidas alcoólicas

28 DEZEMBRO, 2017 ATUALIDADE, PELO PAÍS 0 COMENTÁRIOS

Ação de sensibilização apela a consumo moderado e responsável de bebidas alcoólicas

Realizada pela Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, a Brisa e a Galp em associação com a Prevenção Rodoviária Portuguesa e sob o mote ‘Aprecie a Condução sem álcool’, a campanha decorrerá até 2 de janeiro com forte incidência no período do Natal e Fim-de-Ano.

A ação está a ser implementada nas Áreas de Serviço da Galp de Aveiras e Pombal, na A1, e de Alcácer, na A2, em ambos os sentidos. Nas Lojas Galp, das mesmas Áreas de Serviço, será possível ter contato com a campanha e degustar a cerveja Sagres Sem Álcool.

Numa época de maior fluxo de tráfego rodoviário, esta iniciativa reforça o compromisso das quatro entidades organizadoras da campanha para promover a adoção de comportamentos prudentes ao volante, sensibilizando os condutores para uma condução segura sem álcool.

Procurando elevar a experiência e a demonstração dos efeitos e as consequências de um consumo abusivo de bebidas alcoólicas, a campanha ‘Aprecie a condução sem álcool’, inclui um percurso traçado no piso das áreas restauração das Áreas de Serviço, que deve ser percorrido usando uns óculos que simulam a visão de uma pessoa com cerca de 0,8g/l de álcool no sangue, permitindo assim, perceber por experiência direta os efeitos de uma condução com aquela taxa de alcoolémia.

“A dimensão da sinistralidade rodoviária derivada da influência do álcool é brutal. Nos últimos anos, cerca de 1 em cada 3 condutores e 1 em cada 5 peões mortos em acidentes rodoviários tinham taxas de alcoolemia iguais ou superiores a 0,5 g/l, ou seja, tinham o seu comportamento influenciado pelo álcool. Como consequência destes comportamentos de risco há ainda que pensar nas vítimas que indiretamente se viram envolvidas nestas situações. Torna-se assim absolutamente essencial não só educar, como também legislar, fiscalizar, punir e tratar as dependências como medidas para salvar, anualmente, centenas de vidas e evitar milhares de feridos.”, analisou José Miguel Trigoso, Presidente do Conselho de Direção da Prevenção Rodoviária Portuguesa.

“A promoção de um consumo responsável está no ADN das nossas marcas, e a Cerveja Sagres sem álcool assume, de forma clara, esse papel. A parceria, hoje aqui divulgada, com a Brisa, a Galp e a PRP proporciona a amplificação de uma mensagem de sensibilização para um consumo moderado e responsável de bebidas alcoólicas e para uma condução segura. A solução, quanto a nós passa essencialmente pela educação e sensibilização para a adoção de comportamentos responsáveis”, afirmou Nuno Pinto de Magalhães, Diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas.

“A Segurança Rodoviária é um dos valores centrais da Brisa, presente todos os dias, em todas as nossas atividades, e visível no investimento que fazemos na melhoria contínua e na inovação nas nossas operações. A segurança rodoviária depende de todos, e a condução responsável é central para conseguirmos realizar este objetivo. A nossa parceria, juntamente com a Central de Cervejas, a Galp e a Prevenção Rodoviária Portuguesa, focada na promoção da condução sem álcool, é uma boa iniciativa de promoção de boas práticas junto dos condutores.”, explicou Franco Caruso, diretor de Comunicação e Sustentabilidade da Brisa.

“Esta quadra de Natal é, por tradição, uma altura do ano de grande tráfego e também de grandes emoções. Talvez por isso seja tão propícia ao aumento de acidentes. Somos parte intrínseca da mobilidade das pessoas – somos a energia que as move – por isso esta campanha de prevenção e de segurança rodoviária teve imediatamente o nosso apoio. Acreditamos que a experiencia tecnológica que proporcionamos nos nossos postos será demovedora de muitos comportamentos potencialmente nocivos,” defende Joana Garoupa, Diretora de Comunicação da Galp.

O apelo do ministro da Administração Interna

Já o ministro da Administração Interna apelou a uma condução segura no período festivo do Natal e Ano Novo e lembrou que só este ano morreram nas estradas portuguesas mais de 460 pessoas.
Comparando com há 10 ou 20 anos, o número de vítimas nas estradas é mais baixo, “mas enquanto continuarmos a ter números como os que registámos até agora, mais de 460 vítimas mortais nas estradas desde janeiro até agora, não podemos deixar de querer fazer melhor”. disse Eduardo Cabrita.
Referindo que “há uma grande mobilização de meios”, acrescentou que a redução nas estatísticas de acidentes e mortes nas épocas festivas passa pelo grande esforço das forças de segurança, “mas também por um pequeno esforço de cada um de nós, de uma condução segura e em segurança”.
Aos portugueses, o ministro apelou a uma condução segura, respeitando as regras de descanso, o planeamento atempado da viagem, o respeito pelas indicações das autoridades e a informação sobre eventuais problemas na estrada e rotas alternativas.

O tempo, esse facilitador de mudança

por estatuadesal

(José António Ferreira, in Blog Insónias, 17/01/2017)

sns

Acreditem, receei que durante a vigência do anterior governo o retrocesso do Sistema Nacional de Saúde (SNS) ao tempo da beneficência/caridade pudesse voltar.


Declaração de interesses: sou contra as instituições de solidariedade e voluntariado pelo facto de a grande maioria ser geradora de corrupção, não cumprirem com o conceito inicialmente vertido na palavra “beneficência” o de filantropia e sobretudo porque não proporcionam emprego real, também por servirem de bandeira a certo poder político para se desresponsabilizarem e desvirtuar da função do Estado Social uma das conquistas de abril.

Voltando ao tema a que me propus refletir:

Sou do tempo em que a Saúde era pobre, o que para a época era normal, enquanto criança também o SNS passou por este estádio de pobreza. Houve tempos, na sua fase de jovem, onde enriqueceu. Contrariando a normal evolução, na idade adulta, nomeadamente durante a vigência do último governo e devido às políticas liberais instituídas, não adquiriu a sua maior pujança. Atrevo-me a dizer que, caso se tivesse mantido o programado pelo mais liberal dos governos que o SNS conheceu, este nem chegaria à idade de velhice.

Quem mais utilizou o SNS foram os pobres que erradamente julgavam não pagar. O poder instituído fê-los acreditar que o Estado Social funcionava. Errado! Caso fosse verdade, há época, o franchising das instituições, intituladas de solidariedade, não crescia que nem cogumelos. Sendo estes os principais consumidores dos hospitais do serviço público e devido a estarem abrangidos por isenções, o financiamento fugia para o lado privado por via de…

…quem menos utilizava o SNS, os ricos, utilizando os subsistemas ou seguros de saúde, recorriam a instituições convencionadas. Este dinheiro ia financiar os grandes grupos que controlavam a Saúde. Grupos esses que se vangloriam de cobrar mais barato os seus serviços: à custa da precariedade profissional e dos carentes cuidados em saúde prestados.

Ironicamente a saúde também não era para pobres, não no sentido da oferta/procura, mas de cuidados de excelência porque este bem não lhes era oferecido na sua plenitude, nem em recursos materiais, nem, sobretudo, em recursos humanos.

O facto de se trabalhar em condições miseráveis, felizmente agora menos, incomoda. Não é por causa da miséria que a natureza perspetiva, mas porque os donos das instituições que regulam os povos utilizam como slogan “um modo de viver não nos permitindo decidir se o queremos ou não viver”. Assim se ganham fortunas e se controla o valor dos seus bens, neste caso, o bem Saúde.

A palavra miserável caso não sobressai-a leva-nos a (não) pensar em pessoas frágeis, dependentes, não reativas, que após permanente contacto com esta realidade deixam-se ficar numa letargia tal que o modo sobreviver prevalece ao modo viver.

Nestes cerca de 40 anos do SNS, esta miséria tornou-se mais observável devido ao tempo facilitador de políticas em que os números prevaleciam em relação às pessoas, consequência das políticas de direita ter por prática não só do ponto de vista semântico, a palavra miséria engrandeceu ainda mais na sua “miséria”. Passou a ser um produto intencionalmente manipulado por essa sociedade liberal em que vivíamos, que utilizava esta artimanha para se impor perante os seus cidadãos.

Não sendo dogmático militante, antes pragmático praticante dentro do dogmatismo próprio das instituições, considero que ainda não estamos bem. Sabendo que a existência de ciclos é fundamental, por serem impulsores de términus e inícios de tempos de facilitador de mudança.

Atento e observador de factos provados, atrevo-me a dizer que atores políticos, em alguns países chamados de Sociais-Democratas em outros de Socialistas, têm mais em conta o Colectivo em prol do Individual contrariando assim os encenadores das grandes e complexas peças, os Liberais.

Dito isto, várias vezes me questiono, onde estão os valores dos “maios de 68” ou os mais globais e abrangentes do não menos importante “abril de 1974”? Onde está a reatividade que nos é inata? O nosso património genético está a ser amarrotado, amordaçado pelos valores adversos deste meio ambiente inóspito criado para que continuemos somente a estar em vez de ser. Permito-me responder, os valores estão nos poucos “Eu’s” que por aqui vadiam e vagabundeiam mas de forma já muito ténue.

Espero que o tempo da saúde para os pobres, com a indecência de que a sociedade nem sequer é pobre, comece a desmoronar-se, fruto do já notório bem-estar bio-psico-social e económico proporcionado pela atual maioria governativa.

É necessário tratar de desmistificar o Papão criado pelo anterior governo sob a égide de que estávamos num processo de resgate e que fez com que o SNS corresse um enorme risco de morrer, pois a falácia que esse Governo nos andava a vender, e que muitos de nós compramos, era perversa. O dinheiro que nos é muito caro estava a passar para as mãos dos privados. Nada contra se realmente usar o privado significar pagar com dinheiro individual.

Como nem questionamos a qualidade em cuidados de saúde, não é que erradamente acreditamos no que nos dizem?

Gostaria de vincular ao meu texto o que ouvi e posteriormente li do atual ministro Dr. Adalberto Campos Fernandes em setembro de 2015, “Nos países desenvolvidos, de uma forma geral, os Estados desenvolveram diferentes modelos com o objetivo de garantir as respostas em saúde mais adequadas aos cidadãos.

MODERNISMOS…

por estatuadesal

(In Blog O Jumento, 28/12/2017)

PÚBLICO-28-Dezº

A primeira página do Público de hoje merece ser vista e revista, lida e relida, pensada e repensada; os jornalistas do Público dizem num único título o estado a que a democracia portuguesa chegou, dizem-no de forma espontânea, como se alguém tivesse adotado um artigo 1.ºA da Constituição no rescaldo das imensas sessões de beijinhos, desde os beijinhos a crianças ao beijinho no anel do arcebispo à saída da missa. Um artigo a dizer que no país nada pode ser feito e decidido sem o conhecimento prévio de Marcelo.

“Partidos aprovaram bónus de milhões sem dizer nada a Marcelo”, ao que isto chegou! Quem poderia imaginar que um dia os partidos deste país tivessem a coragem de alguma vez fazerem a este Marcelo o que nem a ANP, nem mesmo os deputados da ala liberal, alguma vez ousaram fazer ao outro Marcelo, por coincidência o padrinho deste. Ao que isso chegou, os partidos andarem a decidir coisas no parlamento sem dizerem, isto é, sem pedirem autorização a Marcelo!

Ao que isto chegou! Será que estes borra-botas dos nossos deputados já pensam que são arcebispos e estão convencidos de que o Presidente vai começar a reproduzir as suas homilias à saída do parlamento como se fossem os seus guias espirituais? Já não há respeitinho, os deputados já se dão ao luxo de decidirem coisas no parlamento sem que Marcelo seja avisado com a devida antecedência.

Os partidos ainda parece não terem percebido que antes de decidirem qualquer coisa no parlamento devem pedir uma audiência em Belém e meterem-se na bicha como fazem todos os bons portugueses, as senhoras das Raríssimas - antes de caírem em desgraça -, o sindicato que nos tempos em que Marcelo ia ao Ténis com o Ricardo era patrocinado pelo BES, os provedores das santas casas, os mais variados representantes do clero, a seleção de futebol e todas as outras forças vivas da sociedade.

Um dia destes compramos o Público e vemos lá escarrapachado que a Junta Freguesia da Messejana decidiu mudar a torneira do fontanário sem primeiro fazer o devido aviso a Marcelo, para que o Presidente não fosse apanhado de surpresa por uma torneira nova. Ao que a pouca vergonha do nosso parlamento chegou, decidir coisas sem avisar primeiro Marcelo! Enfim, é como o compadre que apanhou a mulher com o amigo e exclamou com grande indignação “com estes modernismos ainda vais fumar para a cama!”.

Haja respeitinho, Marcelo quer saber de tudo e nada se deve fazer sem que Marcelo seja devidamente informado; a Marcelo cabe decidir semanalmente quais as prioridades do governo para os próximos anos, acompanhar as obras de Pedrógão, certificar-se de que os anéis dos bispos estão bem lavados, enfim, tudo o que de importante suceder no país tem de ter o seu visto prévio.