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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Os 6 desafios de António Costa

POLÍTICA

31.12.2017 às 20h

MARCOS BORGA

António Costa tem pela frente vários desafios: desde a consolidação da economia à reforma da floresta. Mas tanto no Governo como no PS há a mesma preocupação: os partidos da geringonça não devem andar em disputas entre si

Helena Pereira

HELENA PEREIRA

Adriano Nobre

ADRIANO NOBRE

Foi o próprio José Miguel Júdice que contou em público a conversa. Quando comentou com António Costa que tinha conseguido fazer a ‘geringonça’ funcionar, este respondeu-lhe: “Porque não haveria de ter conseguido?”. Este é o otimismo de sobra que se reconhece a António Costa. Bastará para enfrentar os vários desafios que terá pela frente num ano que será decisivo? O primeiro-ministro traçou publicamente como objetivos o aumento do emprego e a recuperação das áreas ardidas. Mas membros do Governo e dirigentes socialistas acrescentam outros desafios, que passam também pela ‘geringonça’ e pela estabilidade política.


O QUE FAZER COM ESTA ‘GERINGONÇA’?

2018 ainda não é um ano eleitoral, mas será o ano para alinhamentos de estratégias. Vêm aí as europeias e as legislativas e os partidos que fizeram a ‘geringonça’ vão ter de fazer um balanço do que conseguiram alcançar e se isso é suficiente para quererem seguir juntos. “Os três discursos [do PS, PCP e BE] não são coincidentes. Há uma incerteza como a maioria vai ler esta legislatura e como vai começar a preparar caminho”, analisa Paulo Pedroso, ex-ministro do Trabalho e um dos redatores da moção que Costa levou ao último congresso do PS. Pedroso nota, aliás, que mesmo o PS hesita entre pedir a maioria absoluta, continuar com a ‘geringonça’ ou eleger um dos parceiros como preferencial.

O momento vai ser, por isso, de posicionamentos. Já está a ser. “O BE em vez de pedir 5, passou a pedir 15”, sublinha um conselheiro de Costa, em tom crítico. “O desafio é pensar no país e no longo prazo, num quadro em que há a tentação do curto prazo. Os olhos devem estar postos na década e não a pensar em eleições. É importante que ninguém pense à esquerda que pode desperdiçar o tempo em campanhas eleitorais ou que ganha com disputas mais ou menos claras ou subtis”, avisa Porfírio Silva, membro do Secretariado do PS.


CUMPRIR PROGRAMA 
E EVITAR ELEIÇÕES ANTECIPADAS

Na mensagem de Natal, António Costa apontou como objetivo próximo libertar “recursos para investir responsavelmente na melhoria do nosso sistema de ensino, do serviço nacional de saúde, na modernização do país”. Palavras que PCP e BE gostaram de ouvir — têm feito pressão nesse sentido — mas que têm de ter tradução prática.

“Gostava muito que os entendimentos do PS, com BE PCP e PEV fossem em torno de investimento público e de reforço dos serviços. Não que esse reforço e investimento não estejam a acontecer, mas havendo convergência desses partidos sobre a importância dada a cada uma dessas áreas, devia procurar-se entendimentos concretos nessas áreas”, sublinha também o porta-voz do PS, João Galamba. O eurodeputado Francisco Assis tem dúvidas. “Esgotado praticamente o perímetro do acordo com os partidos de extrema-esquerda, as tensões ou se vão avolumar (gerando uma crise esclarecedora) ou ficam escondidas (adiadas)”, prevê, em declarações ao Expresso.

“Tem de se cumprir o programa do Governo”, diz, por seu turno, Porfírio Silva. Ora isso significa ajudar a cimentar a ‘geringonça’ e impedir uma cisão profunda em 2018. Algo que ninguém deseja.

“O terceiro ano de mandato será uma fase decisiva com o aproximar de eleições”, reconhece o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, sugerindo que o Governo “cometa o menos possível de erros” — talvez aí seja também precisa mais coordenação política ou uma remodelação a sério. O desafio será “saber se o país conserva a estabilidade política”, reconhece Carlos César, convicto de que não haverá problema. “Não há indicadores de que alguém perderá o receio de perturbar a estabilidade”, diz, referindo-se aos parceiros de esquerda, e mesmo ao PSD: “Não o quererá fazer no primeiro ano da nova liderança, estará mais interessado em ter tempo. O PSD vai ser mais uma garantia de estabilidade política”.

GERIR RELAÇÃO 
COM MARCELO... E GERIR ALGUMA IRRITAÇÃO

Depois da fase do ‘tango a dois’, a relação Costa-Marcelo tornou-se mais tensa. E alguns socialistas não escondem a irritação, a espaços, com algumas atitudes do Presidente. Em 2018, ver-se-á como evoluirá a relação entre primeiro-ministro e Presidente (com o fator novo líder do PSD à mistura). “Do lado do PM, vejo que faz tudo o que pode para estimular a boa relação entre os dois órgãos de soberania”, diz Porfírio Silva, deputado e membro do secretariado nacional do PS, ao Expresso, dando voz a algumas críticas: “Podemos cair num processo disfuncional de a mais alta magistratura unipessoal cair na tentação de passar por cima de mecanismos de intermediação”. “Isso não pode acontecer em prejuízo de mecanismos normais”, acrescenta, referindo-se, nomeadamente, ao Executivo.


NÃO SER BOM NA EUROPA. SER EXEMPLAR

Com Mário Centeno na presidência do Eurogrupo, a exigência da Comissão Europeia a Portugal será previsivelmente maior. Francisco Assis aplaude que, no plano do “cumprimento dos compromissos europeus, o Governo tenha revelado enorme determinação” e espera, por isso, que isso se mantenha. Mas isso tem riscos internos. “Há uma certa irritação à esquerda com o facto de o Governo depositar o seu sucesso na redução do défice [1,1% em 2018] e da dívida”, reconhece um dos conselheiros de Costa.

“A capacidade que o Governo teve de conjugar as metas orçamentais com o seu programa de Governo e com os apoios à esquerda foi bem-sucedida, mas isso não significa que não seja extremamente complexa. Essa complexidade vai manter-se”, declara João Galamba, porta-voz do PS. O fim do ano mostrou como as greves da função pública e vários protestos sectoriais voltaram em força. E aumentarão de tom em 2018.


PUXAR PELA ECONOMIA 
E PELOS FUNDOS

As previsões são de desaceleração do ritmo de crescimento económico (2,2% depois de 2,6 este ano) e, por isso, o Governo (reforçado com Pedro Siza Vieira na parte económica) vai estar centrado no apoio às empresas. Isso será determinante para haver mais dinheiro para distribuir, cumprir o programa de Governo e os acordos de esquerda mas também para continuar a aumentar o emprego. “O emprego está no centro da nossa capacidade de conquistar o futuro. Não apenas mais, mas melhor emprego. Essa é a prioridade que definimos para o ano de 2018”, declarou Costa na mensagem de Natal.

“Em 2018 vamos cumprir o OE, o que inclui reformas, muitas centradas nas empresas e nas linhas de capitalização e investimento, redirecionar o investimento público, descentralização, reforma das florestas, e ainda negociar o próximo quadro de fundos europeus”, resume o líder parlamentar e presidente do PS, Carlos César.

Por outro lado, Portugal vai ter de se preparar para o risco de, no final do ano, perder o apoio da compra de dívida por parte do BCE. “O Governo está a fazer o que é possível. Vamos ver se o tamanho do nosso barco tem força suficiente para aguentar as ondas”, diz Paulo Pedroso.


FAZER A REFORMA DA FLORESTA SEM MAGIAS

Vai ser um ano decisivo para a reforma da floresta e da proteção civil. Dia 1, por exemplo, entra em vigor o regime de incentivos fiscais para empresas que giram a floresta. Em março, começam a ser feitos os novos planos regionais de ordenamento florestal. “Vamos acelerar a reforma da floresta. Mas não há soluções mágicas na mão”, explica o ministro da Agricultura. Faltam cinco meses para começarem novas vagas de calor e ainda estão bem presentes o sofrimento e prejuízos provocados pelos incêndios de junho e outubro. “Reafirmo, perante os portugueses, o compromisso de fazer tudo o que tem de ser feito para prevenir e evitar, naquilo que é humanamente possível, tragédias como a que vivemos.

Melhorando a prevenção, o alerta, o socorro, a capacidade de combater as chamas”, prometeu Costa na mensagem de Natal. Será que até maio haverá novo dispositivo de proteção civil a funcionar em pleno? A reforma da floresta, essa, vai demorar a produzir efeitos.

Já cá está!

Fonte: Quinta Emenda

  • Eduardo Louro
  • 01.01.18

Resultado de imagem para passagem de ano 2017

Que venha por bem!

domingo, 31 de dezembro de 2017

Ano novo, impostos novos

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por j. manuel cordeiro

Governo anuncia aumento do imposto sobre os combustíveis
O Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) vai ser aumentado a partir de segunda-feira [amanhã], segundo uma portaria publicada hoje [31/12/2017] pelo Governo em Diário da República. [DN, 31/12/2017]

A taxa do ISP aplicável à gasolina passa a ser, respectivamente, 0,556 euros e 0,343 euros por litro para gasolina* e gasóleo, o que se traduz num aumento de 0,9 cêntimos por litro de gasolina e de 0,6 cêntimos por litro de gasóleo.

Escolher o dia da passagem de ano para anunciar este aumento é uma sacanice em dose dupla. Primeiro, por aumentar os impostos num produto cujo preço já é maioritariamente composto por impostos e, em segundo lugar, por novamente se ir pelo caminho de anunciar medidas quando os portugueses andam entretidos com outras coisas. Pelo andar da carroça, já estou a olhar para o calendário para me preparar para futuras más notícias.

* com teor de chumbo igual ou inferior a 0,013 g por litro

Entre as brumas da memória

Entre as Brumas da Memória

Bom 2018 a quem passar por aqui

Posted: 31 Dec 2017 10:50 AM PST

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A minha fotografia de 2017

Posted: 31 Dec 2017 08:27 AM PST

E já é 2018 no Fiorde Milford Sound (Nova Zelândia).
.

31.12.1968 – Vemos, ouvimos e lemos

Posted: 31 Dec 2017 03:06 AM PST

É quase um ritual: em 31 de Dezembro regresso à passagem do ano de 1968 para 1969. Há sempre quem não saiba que a Cantata da Paz, tão divulgada por Francisco Fanhais depois do 25 de Abril, foi por ele «estreada» nessa noite, numa Vigília contra a guerra colonial, com letra propositadamente escrita para o efeito por Sophia de Mello Breyner.

Em 31 de Dezembro de 1968, cerca de cento e cinquenta católicos entraram na igreja de S. Domingos, em Lisboa, e nela permaneceram toda a noite, naquela que terá sido a primeira afirmação colectiva pública de católicos contra a guerra colonial. O papa Paulo VI decretara que o primeiro dia de cada ano civil passasse a ser comemorado pela Igreja como dia mundial pela paz e, alguns dias depois, os bispos portugueses tinham seguido o apelo do papa em nota pastoral colectiva.

Assim sendo, nada melhor do que tirar partido de uma oportunidade única: depois da missa presidida pelo cardeal Cerejeira, quatro delegados do grupo de participantes comunicaram-lhe que ficariam na igreja, explicando-lhe, resumidamente, o que pretendiam com a vigília:

«1º – Tomar consciência de que a comunidade cristã portuguesa não pode celebrar um “dia da paz” desconhecendo, camuflando ou silenciando a guerra em que estamos envolvidos nos territórios de África.

2º – Exprimir a nossa angústia e preocupação de cristãos frente a um tabu que se criou na sociedade portuguesa, que inibe as pessoas de se pronunciarem livremente sobre a guerra nos territórios de África.

3º – Assumir publicamente, como cristãos, um compromisso de procura efectiva da Paz frente à guerra de África.»

Entregaram-lhe também um longo comunicado [que está online] que tinha sido distribuído aos participantes, no qual, entre muitos outros aspectos, era sublinhado o facto de a nota pastoral dos bispos portugueses, acima referida, tomar expressamente partido pelas posições do governo que estavam na origem da própria guerra, ao falar de «povos ultramarinos que integram a Nação Portuguesa».

Apesar de algumas objecções, o cardeal não se opôs a que permanecessem na igreja, ressalvando «a necessidade de uma atitude de aceitação da pluralidade de posições».

Pluralidade não houve nenhuma e, até às 5:30, foram discutidos todos os temas previstos e conhecidos: vários testemunhos, orais ou escritos, sobre situações de guerra na Guiné, Angola e Moçambique.

Hoje, tudo isto parece trivial, mas estava então bem longe de o ser. Aliás, seguiu-se uma guerra de comunicados entre Cerejeira e os participantes na vigília. Com data de 8 de Janeiro, uma nota do Patriarcado denunciou «o carácter tendencioso da reunião», terminando com um parágrafo suficientemente esclarecedor para dispensar comentários: «Manifestações como esta, que acabam por causar grave prejuízo à causa da Igreja e da verdadeira Paz, pelo clima de confusão, indisciplina e revolta que alimentam, são condenáveis; e é de lamentar que apareçam comprometidos com elas alguns membros do clero que, por vocação e missão, deveriam ser não os contestadores da palavra dos seus Bispos, mas os seus leais transmissores».

A PIDE esteve presente (há disso notícia em processo na Torre do Tombo), mas não houve qualquer intervenção policial. Alguns jornais (Capital e Diário Popular) noticiaram o evento, mas sem se referirem ao tema da guerra colonial – terão provavelmente tentado sem que a censura deixasse passar. A imprensa estrangeira, nomeadamente algumas revistas e jornais franceses, deram grande relevo ao acontecimento. E foi forte a repercussão nos meios católicos.

P.S. – Quatro anos mais tarde realizou-se uma outra vigília pela paz, na Capela do Rato, com consequências bem mais gravosas porque envolveu uma greve de fome, prisões e despedimentos da função pública.

Bom 2018!

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por j. manuel cordeiro

Um bom 2018 para todos os fazem o Aventar, dos que lêem aos que comentam e aos que nele escrevem. Um excelente 2018 também para os companheiros dos blogs vizinhos que vão resistindo ao Facebook e também para os que voltaram à bloga depois de verem que facebooks e que tais não são plataformas de publicação. Por fim, um formidável 2018 para todos os outros não mencionados, pois a boa sorte é contagiosa.

Vídeo: Dinner for One, uma curta história que se tornou parte integrante de diversos canais de televisão nórdicos.