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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Neve cai no deserto do Saara Fenómeno raro acontece pela terceira vez

Deserto

Foto Direitos Reservados 20 0

O fenómeno é raro, mas voltou a acontecer no passado fim de semana: neve com cerca de 40 centímetros de altura no deserto do Saara. Esta é a terceira vez em 40 anos que neva na cidade de Ain Sefra, na Argélia. Antes, só tinha acontecido em 2016 e em 1979.

Ladrões de Bicicletas


Leituras para recuperar

Posted: 09 Jan 2018 01:54 AM PST

Sem propriedade pública de sectores estratégicos é sempre muito mais difícil subordinar o poder económico ao poder político, os interesses de alguns às necessidades de todos. Passados quatro anos, a situação dos serviços prestados pelos CTT degradou-se de tal forma que obriga a repensar, não apenas o contrato de concessão, despudoradamente incumprido pela administração da empresa, mas a própria propriedade dos Correios (...) O que pode ser feito para recuperar os CTT? É hoje evidente que reverter cortes de salários e pensões é muito mais fácil do que reverter privatizações e outras engenharias neoliberais como as parcerias público-privadas. Algo a reter quando chegar a próxima vaga privatizadora… Esta maior dificuldade acontece em parte porque, justamente, o Estado dispõe de instrumentos públicos muito mais seguros para actuar sobre os salários e as pensões. E porque, se em relação aos cortes que sobre eles incidiram existe um histórico constitucional e jurídico consolidado em períodos de correlação social de forças mais favorável aos trabalhadores e ao público, já no que diz respeito às privatizações os poderes públicos enfrentam uma máquina jurídica e um ambiente político e institucional (com escala internacional) muito mais adverso. Isto não significa, antes pelo contrário, que devam ser postas de lado as questões sobre as quais a sociedade tem de pensar colectivamente para encontrar maneiras de resolver situações lesivas e que todos reconhecem ser insustentáveis. Neste caso, e tendo em conta os meios de que as administrações de empresas estratégicas como os Correios dispõem para continuar a saqueá-las, para as destruir privando-as dos seus maiores recursos – os trabalhadores –, e para desvirtuar as suas missões estratégicas orientando-as apenas para lógicas mercantis e de distribuição dos dividendos pelos accionistas, não parece haver uma solução para recuperar os CTT que não passe pela sua renacionalização.

Sandra Monteiro, Recuperar os CTT, Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Janeiro de 2017.

Leituras. Receita para salvar o capitalismo de si próprio.

Posted: 08 Jan 2018 04:18 PM PST

Mas, quem, com o mínimo de literacia económica, pode advogar coisas destas (pág. 252)? Quem!?

Desigualdade no século XXI

por estatuadesal

(Kaushik Basu, in Jornal de Negócios, 07/01/2017)

kaushik

Depois de um ano medíocre e desonesto, reminiscente da "década medíocre e desonesta" sobre a qual W.H. Auden escreveu no seu poema "1 de Setembro de 1939", as "inteligentes esperanças" do mundo estão a dar lugar ao reconhecimento de que muitos problemas graves devem ser abordados. E, entre os mais severos, com as mais graves implicações de longo prazo e até mesmo existenciais, está a desigualdade económica.

O nível alarmante de desigualdade económica em todo o mundo foi bem documentado por economistas proeminentes, incluindo Thomas Piketty, François Bourguignon, Branko Milanovic e Joseph E. Stiglitz, e instituições bem conhecidas, incluindo a OXFAM e o Banco Mundial. E é óbvio mesmo num passeio casual nas ruas de Nova Iorque, Nova Deli, Pequim ou Berlim.

Vozes à direita afirmam muitas vezes que essa desigualdade é não apenas justificável, mas também apropriada: a riqueza é uma recompensa justa pelo trabalho árduo, enquanto a pobreza é uma punição da preguiça. Isto é um mito. A realidade é que os pobres, na maioria das vezes, têm de trabalhar muito, geralmente em condições difíceis, só para sobreviver.

Além disso, se uma pessoa rica tem uma ética de trabalho particularmente forte, provavelmente isso é atribuível não apenas à sua predisposição genética, mas também à sua educação, incluindo quaisquer privilégios, valores e oportunidades que os seus ascendentes lhe possam ter proporcionado. Portanto, não há um verdadeiro argumento moral para a riqueza extrema no meio da pobreza generalizada.

Isso não quer dizer que não haja justificação para nenhum nível de desigualdade. Afinal, a desigualdade pode reflectir diferenças nas preferências: algumas pessoas podem considerar a busca da riqueza material mais valiosa do que outras. Além disso, recompensas diferentes criam incentivos para que as pessoas aprendam, trabalhem e inovem, actividades que promovem o crescimento geral e a redução da pobreza.

Mas, a partir de um certo ponto, a desigualdade torna-se tão grave que tem o efeito oposto. E estamos muito além desse ponto.

Muitas pessoas - incluindo muitos dos mais ricos do mundo - reconhecem que a desigualdade severa é inaceitável, tanto moral como economicamente. Mas se o dizem abertamente, são muitas vezes rotulados de hipócritas. Aparentemente, o desejo de diminuir a desigualdade só pode ser considerado credível ou genuíno se as pessoas sacrificarem a própria riqueza.

A verdade, claro, é que a decisão de não renunciar, unilateralmente, da riqueza não desacredita a preferência por uma sociedade mais equitativa. Rotular uma pessoa rica, que é crítica da desigualdade extrema, como hipócrita, equivale a um ataque ad hominem e a uma falácia lógica, destinada a silenciar aqueles cujas vozes podem fazer a diferença.

Felizmente, esta táctica parece estar a perder alguma da sua força. É encorajador ver pessoas ricas que desafiam esses ataques, não só reconhecendo abertamente os danos económicos e sociais provocados pela desigualdade extrema, mas também criticando um sistema que, apesar de lhes permitir prosperar, deixou muitos sem oportunidades.

Em particular, alguns americanos ricos estão a condenar a reforma fiscal da administração Trump, que oferece cortes extraordinários aos que têm maiores rendimentos - pessoas como ele. Como Jack Bogle, fundador do Vanguard Group e beneficiário dos cortes propostos, disse, o plano - que irá certamente acentuar a desigualdade - é uma "abominação moral".

No entanto, reconhecer as falhas nas estruturas actuais é apenas o início. O grande desafio é criar um modelo viável para uma sociedade equitativa. (Foi a ausência de tal modelo que levou muitos movimentos bem intencionados na história a acabar em fracasso). Neste caso, o foco deve ser a expansão dos acordos de participação nos lucros, sem sufocar ou centralizar os incentivos de mercado que são cruciais para impulsionar o crescimento.

Um primeiro passo seria dar a todos os residentes de um país o direito a uma certa parcela dos lucros da economia. Esta ideia foi avançada em várias formas por Marty Weitzman, Hillel Steiner, Richard Freeman e Matt Bruenig. Mas é particularmente vital hoje, à medida que a proporção dos salários no rendimento nacional diminui e a proporção dos lucros e rendas aumenta - uma tendência que o progresso tecnológico está a acelerar.

Há outra dimensão da participação nos lucros que tem recebido pouca atenção, relacionada com os monopólios e concorrência. Com a tecnologia digital moderna, a economia de escala é tão grande que já não faz sentido exigir que, por exemplo, 1.000 empresas produzam versões do mesmo bem, cada uma respondendo a uma milésima parte da procura total.

Uma abordagem mais eficiente seria ter 1.000 empresas, com cada uma a criar uma parte desse bem. Quando se trata de automóveis, por exemplo, uma empresa produziria todas as manetes de mudanças, outra produziria todas as pastilhas de travões, e assim por diante.

A legislação tradicional anti-monopólio e pró-concorrência - que começou em 1890 com a Lei Sherman nos EUA - impede que um sistema tão eficiente se estabeleça. Mas o monopólio da produção não precisa de significar um monopólio dos rendimentos, desde que as participações em cada empresa sejam dispersas. É tempo de uma mudança radical, que substitua as leis tradicionais anti-monopólio por uma legislação que exija uma maior dispersão das participações em cada empresa.

Estas ideias ainda não foram testadas, pelo que seria necessário muito trabalho antes de as pôr em prática. Mas, com o mundo a passar de uma crise para outra, e com a desigualdade a crescer, não nos podemos dar ao luxo de manter o status quo. A menos que enfrentemos o desafio da desigualdade, a coesão social e a própria democracia ficarão ameaçadas.


Kaushik Basu, antigo economista-chefe do Banco Mundial, é professor de Economia na Cornell University.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Centeno na Luz

António Bagão Félix

ANTÓNIO BAGÃO FÉLIX

OPINIÃO

Centeno na Luz

Mas, afinal, onde é que está a grave infracção política ou ética? Será que, de repente, um ministro já não pode ser convidado ou solicitar um lugar de acordo com a natureza do cargo e a segurança ajustada ao mesmo?

8 de Janeiro de 2018, 14:06

Num assomo de purismo e num exercício de indisfarçável excitação, eis que surgiu uma pseudo querela à volta de Mário Centeno. Tudo por causa de dois lugares por ele solicitados para ver um jogo de futebol no Estádio da Luz.

Colocando de parte a agora moda de tudo pôr em causa quando se trata do Benfica, a notícia foi-nos oferecida com foros de grave violação do código de conduta governamental.

Estas notícias têm o risco de tudo confundir, misturar ou igualizar. É como se, em matemática, se valorassem do mesmo modo o zero e o infinito, o número real e o número imaginário, o ângulo de 0º e o ângulo raso de 180º.

Em faits-divers como este, a medida não está na essência, está, antes, na sua excitabilidade. A sua bitola não está na sua relevância, está mais na sua quase vacuidade. A sua marca não está na sua pertinência, está na sua conveniência. O seu eco não está na cabeça, antes deambula sorrateiramente entre a epiderme e o coração.

Algum “povo” até gosta destas coisas, porque assim se anima o sentimento à flor da pele de quem uniformiza a apreciação de todos os políticos como tendencialmente corruptos, desonestos e incompetentes. Eis uma forma e um pretexto para mais bater, sem pestanejar, nos outros. Sempre os outros, nunca os próprios.

Este tipo de notícias apressa e alarga o juízo fácil. Não dá trabalho, alimenta rumores, sossega consciências de quem se julga 100% imaculado e fornece energia gratuita para o recorrente, informe e insidioso “são todos iguais”.

Estas noticiazecas são sempre apetitosas. Juntar no mesmo “caldo” um membro do Governo, um responsável pelas Finanças, um clube que suscita amores e ódios e um jogo de futebol é quanto baste para preencher a primeira página de um jornal, entrar leda e prioritariamente num alinhamento de um noticiário televisivo, encher as caixas de comentários e quebrar a rotina do quotidiano.

Mas, afinal, onde é que está a grave infracção política ou ética? Será que, de repente, um ministro já não pode ser convidado ou solicitar um lugar de acordo com a natureza do cargo e a segurança ajustada ao mesmo? Será que o ministro do Ambiente não pode ir para a bancada presidencial do Dragão ver o seu FC Porto? Será que o ministro do Trabalho ou o presidente da Assembleia da República não se podem sentar no camarote principal de Alvalade para ver um jogo do seu Sporting? Será que o primeiro-ministro, o ministro das Finanças ou outro qualquer estão sujeitos a julgamentos primários instigados por notícias flamejantes se forem ver o seu clube jogar na Luz?

O exagero caminha inexoravelmente para tomar conta de tudo. Exagero que, aliás, pode ser por excesso ou por defeito. O exagero vive de sinais exteriores. Precisa de interlocutores que dele se apropriem. E que, de exagero em exagero, o propaguem. O exagero destas “investigações” é, para uns tantos, uma sentença transitada em julgado. Sem apelo nem agravo.

O Código de Conduta do Governo estipula que os seus membros não podem aceitar “convites para assistência a eventos sociais, institucionais ou culturais, ou outros benefícios similares, que possam condicionar a imparcialidade e a integridade do exercício das suas funções”.

Mas alguém, com seriedade e isenção, acredita que Mário Centeno poderá ter ficado condicionado na imparcialidade e integridade no exercício das suas funções como ministro das Finanças? Valha-nos Deus!

Entre as brumas da memória (vários Post’s)

Entre as brumas da memória


08.01.1969 – A primeira «Conversa em Família» de Marcelo Caetano

Posted: 08 Jan 2018 11:44 AM PST

Quem anda por cá há muito tempo, recorda-se das célebres «Conversas em Família» (foram 16) que Marcelo Caetano dirigiu ao país entre 8 de Janeiro de 1969 e 28 de Março de 1974.

Estão agora todas online nos arquivos da RTP e quem quiser ver e ouvir a primeira, que teve lugar há exactamente 49 anos, pode encontrá-la aqui.

Deixo como «recordação» um excerto da última, de 28 de Março de 1974, já depois do golpe falhado das Caldas. Caetano não sabia – e nós também não – que nunca mais teríamos aqueles cinzentos e sinistros serões na sua companhia. Ponto final.

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Rui Rio – Registe-se para possível memória futura

Posted: 08 Jan 2018 09:30 AM PST

Em entrevista à Rádio Renascença e ao Público:

P- Imaginemos um cenário de eleições em 2019 em que o PS ganha, mas sem maioria. Já nos disse que quer é ser primeiro-ministro, mas num cenário em que o PS se pode aliar à esquerda ou ao PSD, o que prefere?

R- Está a dizer que, de certa forma, trocamos de posição. A legitimidade que hoje o dr. António Costa não tem passaria a ter porque ganhou por poucos. Aquilo que me parece mais razoável é nós estarmos dispostos para, a nível parlamentar, suportar um Governo minoritário, seja ele qual for, neste caso o do PS. Que é aquilo que o PS deveria ter feito, suportar de forma crítica naturalmente, mas deixar passar e governar o partido mais votado.

O que aconteceu é democraticamente legítimo, constitucionalmente perfeito e legítimo, mas era mais saudável dizermos: a coligação PSD/CDSD ganhou as eleições; tal como no passado, vamos permitir que quem ganhou possa governar. Parece-me muito mais sensato do que qualquer outra situação. E o contrário também. Se, por acaso, eu ganhar as eleições, como o CDS, que é o aliado mais natural, não conseguirmos constituir uma maioria absoluta, conseguir que o Governo minoritário tenha apoio parlamentar - tal como sempre foi desde o pós-25 de Abril - para governar.

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O discurso da noite

Posted: 08 Jan 2018 06:42 AM PST

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O derradeiro segredo de Fátima?

Posted: 08 Jan 2018 03:27 AM PST

«Somos um povo vocacionado para os assuntos da Fé no Altíssimo. Basta um Papa visitar Fátima e a Nação ajoelha-se no altar dos sacrifícios fazendo promessas e colocando velas na pira das tristezas. Somos crentes e gostamos de transmitir a nossa Fé aos gentios descrentes, para que eles possam beneficiar das nossas bem-aventuranças. Em tempos idos, ao lado dos marinheiros, dos soldados e dos comerciantes das caravelas, nunca deixou de estar presente um prior para a colheita das almas! E também para o levantamento dos padrões.

PUB Porém, ocupados que andámos com a conversão das desvairadas gentes nas quatro partidas do Mundo, esquecemo-nos de tratar das nossas fraquezas de pecadores. Sem produção nacional fomos em demanda do Prestes João e do caminho das especiarias. O monopólio do comércio era a nossa visão. O negócio atraiu ingleses, franceses e holandeses que, em caso extremo, piratearam as nossas naus por esses mares nunca dantes navegados. Porém, o destino foi sempre cruel para as nossas aspirações imperiais e mercantis. Alcácer-Quibir não é apenas o nome da tragédia militar que antecipa a perda da independência. É também o fado de ser português! Não é segredo que a dinastia dos Braganças acabou numa poça de sangue no Terreiro do Paço pela mão da Carbonária.

A questão da Fé não é apenas religiosa. É também económica, social, política e agora, até futebolística. Depois da derrota na Taça das Confederações na Rússia, acreditar na selecção nacional campeã do Mundo em Moscovo é mesmo só uma questão de Fé em Fernando Santos. Eu acredito no Profeta!

Em termos económicos, a Fé parece ser um factor decisivo para a conversão das mentalidades pagãs dos nossos recursos humanos. Em Portugal somos pouco produtivos, dizem os entendidos. Por isso a nossa taxa de produtividade cá é baixa. No Luxemburgo somos altamente produtivos, dizem os entendidos. Por isso a nossa taxa de produtividade lá é alta. Lá fora somos bestiais, cá dentro somos bestas! Dizem eles, os entendidos. Mas qual é o segredo? Algum medicamento celestial? O Web Summit que entusiasmou os nossos intelectuais, tecnológicos? Algum animal voador?

Será que é este o derradeiro segredo de Fátima? Pedimos aos anjos e arcanjos que aceitem as nossas preces para que Portugal não fique envolto num nevoeiro mais denso do que aquele que engoliu o nosso saudoso rei D. Sebastião:

Rezemos a seguinte oração:

– Fazei que os nossos queridos turistas nunca nos abandonem

– Fazei com que o PIB voe nas alturas como Jardel no FCP

– Fazei com que as nossas reformas estejam garantidas para além de 2040

– Fazei com os nossos jovens licenciados não emigrem por falta de futuro

– Fazei com que os nossos emigrantes acreditem no nosso sistema financeiro

– Fazei que as nossas florestas não ardam ao ritmo da maratona de Lisboa

– Fazei com que o Estado não nos sobrecarregue de mais impostos

– Perdoai as nossas fraquezas e fazei-nos acreditar que é pelo trabalho árduo, gestão inovadora e investimento produtivo que alcançaremos a felicidade.»

Carlos Pereira da Silva

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Qual será o último a rir...

Posted: 07 Jan 2018 04:04 PM PST