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domingo, 21 de janeiro de 2018

Angola prevê encerrar nove embaixadas e 18 consulados, incluindo Portugal e Macau

DIPLOMACIA

Governo de Luanda pretende poupar cerca de 54 milhões de euros

LUSA

20 de Janeiro de 2018, 11:23 actualizado a 20 de Janeiro de 2018, 12:07

Manuel Augusto, ministro que tutela a rede diplomática de Angola

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Manuel Augusto, ministro que tutela a rede diplomática de Angola LUSA/JOOST DE RAEYMAEKER

O Governo angolano está a estudar a possibilidade de encerrar nove embaixadas e 18 consulados-gerais, nomeadamente em Lisboa, Faro e Macau, além de dez representações comerciais, incluindo em Portugal, para poupar cerca de 54 milhões de euros (66 milhões de dólares) com esta reorganização.

A informação consta da proposta elaborada pelo secretário para os Assuntos do Diplomáticos do Presidente da República de Angola, Victor Lima (antigo embaixador em Espanha), entregue este mês ao Ministério das Relações Exteriores, Manuel Augusto, e à qual a Lusa teve acesso. Estas medidas fazem parte do plano de redimensionamento da rede diplomática angolana.

No documento da Casa Civil do Presidente da República é proposta, como primeira medida, o encerramento das embaixadas em Singapura e Indonésia, Vietname, Holanda, México, Canadá, Grécia, Hungria, Polónia e Guiné Conacri, prevendo poupar aos cofres do Estado mais de 15,1 milhões de euros.

A segunda medida envolve o encerramento de 18 missões consulares e a consequente transformação em sector consular junto da missão diplomática (embaixadas), alegando que "não se justifica" a manutenção de consulados gerais instalados em capitais dos países onde existem missões diplomáticas, "por razões várias, de entre as quais destacamos uma espécie de bicefalia, com todos os inconvenientes que daí derivam”.

Neste caso é proposto o encerramento dos consulados-gerais em Londres, Guangzhou (China), Dubai, Nova Iorque, Roterdão (Holanda), Hong Kong, Paris, Los Angeles e Houston (Estados Unidos), Lisboa e Faro (Portugal), Venezuela, São Paulo (Brasil), Macau, Frankfurt (Alemanha), Toulouse (França), Cidade do Cabo e Joanesburgo (África do Sul). Estes encerramentos representarão uma poupança de 34 milhões de euros.

"Pensamos que nesta fase é absolutamente conveniente que exista um mando único, concentração de meios e racionalização de custos para atingirmos o máximo de objectivos", sublinha o documento.

Uma terceira medida, estimando uma poupança de cinco milhões de euros, passa pelo encerramento das representações comerciais em Itália, China, Brasil, Espanha, Portugal, Estados Unidos, África do Sul, Bélgica, Macau e Suíça, com a integração nas missões diplomáticas dos actuais representes comerciais, "com a categoria de adidos comerciais ou adidos económicos"

"Não deve ser aberta nem mais uma Representação Diplomática enquanto não se consolidar as medidas do redimensionamento ora propostas e deve-se, sobretudo, ser firme nas decisões que vierem a ser tomadas de modo a evitarem-se excessivas considerações que poderão de alguma forma comprometer o objectivo fundamental deste processo de redimensionamento", alerta o documento, que estima uma poupança directa anual de 54,2 milhões de euros só no encerramento de representações.

O quarto vector deste redimensionamento defende o corte no pessoal afecto às missões diplomáticas, nomeadamente através da redução de funcionários de nomeação central com categoria diplomática em 30% a 40%, "em função da importância estratégica de que se reveste o país de acreditação".

Os diplomatas e o pessoal técnico e administrativo das missões a encerrar deverão regressar a Angola, refere o documento, que também admite a possibilidade, em algumas situações excepcionais, de recolocação noutras representações no exterior.

Prevê ainda que os diplomatas com mais de 75 anos passem à reforma.

O documento admite que o ministério “não terá capacidade para absorver todos os diplomatas que regressarem ao país ", pelo que "no caso dos ministros conselheiros ou de conselheiros, [poderia] estabelecer-se um plano visando a sua colocação junto dos governos das províncias fronteiriças", casos de Cabinda, Uíge, Zaire, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Cunene e Cuando Cubango.

Está igualmente prevista a redução de pessoal de recrutamento local ao serviço das representações diplomáticas, "por rescisão de contrato na base das leis sobre o trabalho vigentes nos países de acreditação".

Sobre o património imobiliário do Estado angolano "nos países ou cidades onde serão encerradas missões diplomáticas ou consulares", como chancelarias, residências oficiais, complexos residenciais e outros imóveis, é sugerida a sua adjudicação "à gestão de empresas privadas de direito angolano".

"Mediante concurso público, para garantir a sua rentabilização a manutenção, mediante regras que também contemplem ganhos para o Estado", aponta ainda.

Uma semana no recreio

por helenafmatos

O Governo proíbe as crianças-pais de comerem queques nos hospitais, já a PSP faz comunicados explicando às crianças-filhos que não devem engolir cápsulas de detergente. Estamos no país-recreio. E um dos dogmas desse mundo-recreio garante que se se ignorar os problemas eles deixam de existir. Por isso praticamente não tivemos notícias sobre os 1031 carros queimados em França na noite da passagem de ano, nem sobre as agressões aos polícias em Agression de Champigny, nem sobre mais uma explosão de granadas na Suécia, nem sobre o movimento de adultos nascidos através do recurso a dadores de espema e óvulos pelo direito a saber quem são os seus pais...

Pelo caminho até esquecemos que em 2012 andou meio país a tentar convencer e pahar a Wioody Allen para vir filmar em Lisboa. E claro temos esse novo grupo de práticas para agit-prop neo-realista que são os inquilinos velhos e pobres despejados em Lisboa.

Por outras palavras, é o recreio

sábado, 20 de janeiro de 2018

Entre as brumas da memória


Posted: 20 Jan 2018 10:10 AM PST

(Daqui.)
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Kennedy versus Trump

Posted: 20 Jan 2018 08:19 AM PST

Foi num 20 de janeiro, há 57 anos, que John Kennedy tomou posse como 35º presidente dos Estados Unidos. E Trump é o 45º...

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Humor mais do que negro

Posted: 20 Jan 2018 05:51 AM PST

Mas que imagem! Do ministro de Salazar ao senhor que roubou mantas num avião. Numa conferência em Cavaco afirmou: «Não há nada como uma pessoa afastar-se para passar a ser excelente.»

Daqui.
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Três mitos

Posted: 20 Jan 2018 03:08 AM PST

Daniel Oliveira no Expresso de 20.01.2018:

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PS cede e propõe que trabalhadores possam recusar mudar de empresa

ALTICE

Os socialistas chegaram a acordo com o Bloco e o PCP para incluir na revisão ao regime da transmissão de estabelecimento o direito de oposição do trabalhador. As alterações à lei surgiram com a polémica em torno dos processos de transferência na PT/Altice.

ANA BRITO e SOFIA RODRIGUES

19 de Janeiro de 2018, 13:57

Em Outubro, a PT/Altice, presidida por Alexandre Fonseca, suspendeu os processos de transmissão de estabelecimento para "reanálise"

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Em Outubro, a PT/Altice, presidida por Alexandre Fonseca, suspendeu os processos de transmissão de estabelecimento para "reanálise" NUNO FERREIRA SANTOS

O PS, o PCP e o Bloco de Esquerda aprovaram nesta sexta-feira um texto comum que vem substituir os três projectos de lei apresentados pelos partidos para alterar o regime jurídico da transmissão de estabelecimento, o mecanismo que permite a transferência de trabalhadores para outra empresa e que saltou para as luzes da ribalta depois de ter sido usado pela PT/Altice para transferir os contratos de cerca de uma centena de trabalhadores.

Neste texto comum que esteve a ser negociado nos últimos dias entre os partidos da maioria de esquerda, o destaque vai para algo que o PCP e o Bloco já defendiam – e que também era uma reivindicação dos sindicatos e da comissão de trabalhadores da PT – que era a introdução na lei do direito de oposição do trabalhador, ou seja, a possibilidade de o trabalhador recusar a sua transferência para outra empresa.

PS mexe no Código do Trabalho para travar novos casos PT/Meo

PS mexe no Código do Trabalho para travar novos casos PT/Meo

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No projecto de alteração entregue em Setembro, os socialistas introduziram a possibilidade de penalização da transferência fraudulenta de trabalhadores, mas deixaram de fora a possibilidade de recusa do trabalhador por se considerar que poderia “prejudicar mais a salvaguarda dos postos de trabalho do que favorecer”, como disse então o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro.

Dando o exemplo do sector da construção, disse que essa recusa dos trabalhadores poderá culminar com a falência das empresas. “Não nos parece útil, em função de um caso concreto [a PT] prejudicar uma lei que está a ser bem aplicada”, precisou então.

Porém, nas negociações dos últimos dias, o PS acabou por aproximar-se do Bloco e do PCP. De acordo com o aditamento à lei apresentado na proposta conjunta divulgada ao início da tarde, o trabalhador pode exercer o direito de oposição à transmissão do seu contrato de trabalho “em caso de transmissão, cessão ou reversão de estabelecimento, ou de parte de empresa ou estabelecimento que constitua uma unidade económica” nos casos em que essa transmissão “possa causar-lhe prejuízo sério, nomeadamente por manifesta falta de solvabilidade ou situação financeira difícil do adquirente”. Também pode opor-se se “a política de organização do trabalho” do novo empregador “não lhe merecer confiança”.

A oposição do trabalhador “obsta à transmissão da posição do empregador no seu contrato de trabalho (…) mantendo-se o vínculo à entidade transmitente”, refere ainda o texto comum que, no entanto, não tem efeitos retroactivos, pelo que aparentemente não terá efeito sobres os contratos que a PT já transferiu no Verão passado.

Caso PT leva PS a querer penalizar transferência fraudulenta de trabalhadores

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De acordo com a proposta, quando decidam avançar para um processo de transmissão, o transmitente e o adquirente devem informar por escrito os representantes dos trabalhadores abrangidos pela transferência ou, caso não exista representantes, comunicar aos próprios trabalhadores, a “data e motivos da transmissão, suas consequências jurídicas, económicas e sociais para os trabalhadores e medidas projectadas em relação a estes”. Também devem informar “sobre o conteúdo do contrato entre transmitente e adquirente” (que era outra queixa que os sindicatos faziam, a de não ter acesso aos contratos).

Em Outubro, pouco depois da apresentação da proposta do PS de revisão da lei de transmissão de estabelecimento, os sindicatos da PT foram informados pela gestão da empresa de que novos processos deste tipo estavam suspensos “para reanálise”.

Fim do "uso abusivo" da transmissão de estabelecimento

“É um dia histórico”, afirmou ao final desta manhã aos jornalistas, no Parlamento, a deputada socialista Idália Serrão. A deputada considerou que as alterações propostas ao Código de Trabalho trazem uma “salvaguarda de direitos” mas “sem colocar em causa a liberdade organizativa das empresas”. Em causa está sobretudo a figura da transmissão de empresas ou estabelecimento e o facto de ter sido “usada abusivamente”, disse a deputada sem nunca referir o nome da PT/Altice.

PT Portugal estreia nova estratégia para dispensar 37 trabalhadores

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Já os partidos à esquerda apontaram o dedo à PT/Altice mas reforçaram a ideia de que estas alterações servem para casos futuros. Para a deputada do PCP Rita Rato a principal alteração consagrada na proposta é o direito da oposição dos trabalhadores. “Vai passar a ser mais difícil que as empresas usem a transmissão de estabelecimento para despedir trabalhadores”, afirmou.

O deputado bloquista José Soeiro destacou a clarificação do conceito de unidade económica, que “permitiu à Altice pegar em trabalhadores de um departamento e transferi-los para outra empresa”.

José Soeiro sublinhou ainda o agravamento das contra-ordenações para as empresas infractoras na proposta agora acordada na maioria de esquerda. O deputado disse esperar que “esta seja a primeira de um conjunto de alterações à lei do trabalho”, uma meta que é perseguida pelo BE.

LER MAIS

As alterações aos diplomas vão ser discutidas na quinta-feira da próxima semana, mas a votação final global só deve acontecer na semana seguinte.

Brexit: punir o Reino Unido?

por Telmo Azevedo Fernandes

Customs-Duty

De forma mais ou menos dissimulada, continua a perpassar entre os dirigentes europeus e a opinião pública em geral a ideia de “punir” o Reino Unido pelo Brexit, desde logo colocando em causa ou condicionando o “acesso” ao mercado único da União Europeia.

A imbecilidade de tal coisa seria óbvia a todos não fosse o caso de, mesmo depois de séculos passados sobre a publicação de tratados fundamentais de Economia e da exaustiva evidência histórica, o conceito de vantagem comparativa não ser ainda compreendido (perdoa-lhes David Ricardo!) e o mercantilismo estar vivo como nunca (não faças caso, Adam Smith!).

Gostava de lembrar que Portugal não faz importações. Quem compra bens e serviços aos britânicos são os indivíduos e as empresas. Convém também não esquecer que o consumo de produtos e serviços estrangeiros é fruto das opções autónomas e voluntárias de cada um de nós.

Ninguém me obriga a comprar chá inglês ou uma camisola de lã escocesa. Compro esses produtos porque quero usufruir deles e prefiro ter esses bens a gastar o meu dinheiro noutras coisas ou de outras origens.

Assim, qual o argumento moral para que políticos se arroguem o direito de decidir por mim a origem dos produtos que posso consumir? Ou que direito terá a UE de, através de eventuais futuras tarifas às importações britânicas, me obrigar a pagar mais caro por produtos que poderia obter gastando menos dinheiro, não existisse esse imposto adicional? É o estado e os burocratas que decidem se é melhor comprar “europeu” ou britânico? A que propósito os produtores de chá e camisolas de lã “internos” seriam beneficiados à minha custa?

Além de indefensável à luz dos mais elementares princípios de economia e de ser um valente tiro no nosso pé, impedir ou tornar mais difícil o livre comércio entre o Reino Unido e a União Europeia no pós-Brexit é eticamente condenável.