Translate

sexta-feira, 23 de março de 2018

Banhadas de ética

por estatuadesal

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 23/03/2018)

quadros

João Quadros

O meu único receio é o facto de José Silvano ter sido condecorado por Cavaco Silva, e nós sabemos como acabaram a maioria das pessoas que foram condecoradas pelo velho Aníbal.


José Silvano é o novo secretário-geral do PSD. Silvano sucede a Feliciano Barreiras Duarte, que se demitiu do cargo depois de se ver envolvido em polémicas com o currículo e um subsídio de deslocação como deputado, ou seja, aldrabices que fez desde o tempo em que era secretário de Estado e chefe de gabinete de Passos, mas só, agora, deram por isso. Coitado do Rui Rio, para isto correr pior só lhe falta apanhar sarampo. Esta demissão foi um banho gelado de ética.

Feliciano demitiu-se, fez acusações às víboras do partido, e disse que se calhar até perdeu dinheiro com as trafulhices nas moradas. Só lhe faltou afirmar - "este ano até aldrabei as contas do IRS para conseguir subir de escalão e enterrei as facturas para não ter descontos."

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que não comenta a demissão no PSD, mas recordou que "não vale tudo na política" e foi jantar uma vichyssoise.

Resumindo, depois da investigação na Torre do Tombo feita pelo jornal online Observador, Feliciano foi corrido e José Silvano é o novo secretário-geral do PSD. Pergunta o mais chato dos meus leitores: "Quem é José Silvano? - como tenho uma paciência de santo, vou responder.

José Silvano é ex-presidente da Câmara de Mirandela. Teve os seus segundos de fama quando, em 2006, um ano depois de vencer as eleições autárquicas, decidiu colocar, como no filme, três cartazes de protesto contra a desertificação do interior junto à estrada IP4. As mensagens eram: "Aqui Termina o Portugal da Igualdade de Oportunidades - Bem-vindos a uma zona em desertificação. Próxima saída a 70 quilómetros, Espanha". Tem tudo para correr bem excepto se o jornal online Observador, entretanto, não descobrir que não foi ele que fez os cartazes ou que houve dezenas de acidentes no IP4 porque as pessoas se distraíam a ler os "outdoors" do Silvano, ou que , afinal, ele aldrabou e são apenas 68 quilómetros até Espanha.

O Observador andou anos a atacar a geringonça e nem um risco na máquina conseguiu fazer, mas desde que a redacção do jornal de (extrema) direita começou a atacar o PSD de Rui Rio, não há dia que não faça mossa no partido. O Observador, finalmente, descobriu a sua verdadeira vocação. Qual será a nódoa que o jornal tem guardada para cair no nobre pano transmontano de José Silvano?

Convém recordar que Miguel Sousa Tavares no jornal da noite da SIC disse , sobre o novo secretário-geral do PSD: "Transmontanos, normalmente, são boa gente e não fazem malabarismos" - hum... assim, de repente , lembro-me de um transmontano que era um razoável malabarista com robalos: Armando Vara. Talvez, desta vez, Rui Rio tenha conseguido escolher alguém com todos os cantinhos bem lavados em termos de ética. O meu único receio é o facto de José Silvano ter sido condecorado por Cavaco Silva, e nós sabemos como acabaram a maioria das pessoas que foram condecoradas pelo velho Aníbal.


TOP-5

Silvano

1. Toupeira do Benfica recebeu dez mil euros suspeitos - Fico muito triste, pensei que era só paixão ao clube - camisolas e convites para jogos -, uma espécie de corrupção platónica mas afinal são todos iguais. Dez mil euros. Já não há amor à camisola.
2. Santana critica forma como direcção de Rio convidou Feliciano a demitir-se e lança o desafio a Rui Rio: "inaugurar a liderança" - Está forte! Imaginem se Santana tem perdido as eleições do PSD.
3. José Sócrates volta à Universidade (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) para falar sobre a crise pré-troika - Era mais interessante se fosse sobre o durante e a vida em Paris.
4. Ministério Público pede 5 anos de pena suspensa para Miguel Macedo - Se fosse pelo pescoço estava capaz de achar a pena justa.
5. Marcelo apela a que futebol português manifeste a mesma grandeza "lá fora" e "cá dentro" - E pediu dois bilhetes VIP para o Braga-Sporting.

Futebol contribui para a economia nacional com mais de 456 milhões de euros

No conjunto das actividades do futebol profissional, este sector contribuiu com mais de 456 milhões de euros para o produto interno bruto (PIB) português na época desportiva de 2016-2017. O primeiro Anuário do Futebol Profissional Português estima um volume de negócios do sector em mais de 680 milhões na época passada.

Futebol contribui para a economia nacional com mais de 456 milhões de euros

Miguel Araújo

Negócios

jng@negocios.pt

23 de março de 2018 às 18:00

A Liga Portugal (engloba a Liga Nos, a Liga Pro e a Liga Portugal) e a consultora EY lançaram o primeiro Anuário do Futebol Profissional Português que concluiu que na época desportiva de 2016-2017 o conjunto das actividades do futebol profissional nacional contribuiu com mais de 456 milhões de euros para o produto interno bruto (PIB) português.

Apesar de o PIB ser contabilizado numa base anual (ano civil) e a época desportiva decorrer em dois anos civis distintos, este anuário estima que no total o futebol profissional represente pelo menos 0,25% do PIB. Além de estimar que na época passada o futebol profissional gerou um volume de negócios superior a 680 milhões de euros

A análise feita em parceira pela consultora e pela Liga Portugal refere que o contributo do futebol profissional para o PIB foi "impulsionado pela subida das receitas das sociedades desportivas da Liga Nos que ascenderam aos 659 milhões de euros, um aumento de 31% face à temporada anterior".

Esta subida deveu-se em especial aos "ganhos relacionados com direitos de atletas e valores previstos em contratos de transmissão televisiva de jogos", pode ler-se no comunicado conjunto.

A despesa das sociedades desportivas na época passada foi de 585 milhões de euros, o que representa uma subida de 6% comparativamente com a época 2015-2016, o que ficou essencialmente a dever-se aos "salários mais elevados de atletas, treinadores e funcionários".

No total, a despesa com pessoal das sociedades que participaram na Liga Nos na época passada ascendeu a 268 milhões de euros, um aumento dos salários de 12% face à época anterior.

O salário médio dos futebolistas que actuaram na Liga Nos foi de 198 mil euros por ano, enquanto o futebol profissional foi responsável por mais de 2 mil postos de trabalho.

Três grandes representam 96% do montante pago em juros

A maior capacidade orçamental dos três principais clubes portugueses (FC Porto, SL Benfica e Sporting CP) em comparação com as restantes sociedades desportivas fica também patente no valor pago em juros pelo conjunto das equipas de futebol profissional.

Em 2016-2017 foram pagos 43 milhões de euros em juros pelas sociedades desportivas profissionais, sendo que os três grandes pagaram 96% desse valor. Por outro lado, a análise feita pela EY e pela Liga Portugal concluiu que "o total do activo e do passivo das sociedades desportivas tem vindo a aumentar".

O relatório produzido pelas duas entidades concluiu que o total de receitas da Liga Portugal aumentou ao longo das últimas três épocas desportivas, ascendendo a 14,8 milhões de euros em 2016-2017, valor que configura um aumento de 1% face a 2015-2016 e de 24% em relação a 2014-2015.

Analytica

23/03/2018 by

Bruno Santos

Fonte: internet

O Estado – o Soberano – sabe mais sobre cada um dos seus súbditos do que cada um desses súbditos sobre si próprio. É esse, aliás, um dos fundamentos do poder do Soberano.

Estando o Estado – o Soberano – capturado e detido por Ordens multinacionais cuja característica principal é o ilimitado poder económico e financeiro, são essas Ordens que, de facto, constituem o verdadeiro Soberano e é a ele que os cidadãos estão subjugados, por interposto ritual cívico-político, mero ecrã institucional que não é mais que uma terceira ordem de poder, destinada a revelar (cobrir de novo) a sua real origem.

A ilusão de uma sociedade regulada por princípios de respeito pela individualidade, pelo direito à reserva da vida privada, dos dados e informações relativos à esfera íntima do indivíduo, não passa exactamente disso, de uma ilusão, cujo encanto deveria ser quebrado no momento do próprio nascimento, quando um solicito agente do Soberano recolhe do ponto que fez tombar Aquiles uma amostra do nosso sangue, para “despiste” de certas doenças.

Nessa humilde gota está o que cada um de nós é, foi e será. No gesto aparentemente inocente de a recolher está a primeira manifestação de soberania externa, a primeira e definitiva invasão do território íntimo que cada um de nós trouxe ao mundo. É a partir desse momento que somos prisioneiros de um Poder que, na maior parte dos casos, não chegaremos sequer a conhecer.

Governo reduz duração dos contratos a prazo e das renovações

O Governo apresentou à concertação social mais de vinte propostas concretas. Quer reduzir a duração dos contratos a prazo a dois anos e as renovações.

Governo reduz duração dos contratos a prazo e das renovações

Bruno Simão/Negócios

Catarina  Almeida Pereira

Catarina Almeida Pereira

catarinapereira@negocios.pt

23 de março de 2018 às 16:06

O Governo quer reduzir a duração dos contratos a prazo por várias vias. Além de limitar a duração máxima total a dois anos, introduz novas regras que na prática também limitam o tempo das renovações.
As propostas apresentadas à concertação social, que ainda podem sofrer alterações, prevêem que a duração máxima dos contratos a termo certo passe para dois anos, em vez de três.
Mas por outro lado impedem que as renovações seguintes, somadas, não possam ultrapassar a duração inicial.
É esta última regra que faz com que deixe de ser possível fazer um contrato de seis meses e renová-lo três vezes por seis meses. Se celebram um primeiro contrato por seis meses, as empresas só poderão renová-lo por outros seis.
Nesta fase inicial do processo, o Governo propõe ainda a redução da duração máxima dos contratos a termo incerto de seis para quatro anos. E garante que vai estabelecer um limite para as renovações no trabalho temporário, embora ainda não saiba precisar qual.
Deixa de ser possível contratar a termo, sem mais justificações, os jovens à procura de primeiro emprego, os desempregados que não estejam nessa situação há mais de dois anos, ou qualquer trabalhador no caso de abertura de um novo estabelecimento por parte de uma empresa que tenha mais de 250 trabalhadores (em vez de 750).
Apesar da pressão dos patrões, o objectivo é acabar com a negociação individual do banco de horas, que continua a ser possível por contratação colectiva. Vieira da Silva quer manter a caducidade dos contratos, mas admite que os tribunais arbitrais possam na prática atrasar o processo por seis meses, se entenderem que há razões para isso.
Estas são apenas algumas das 27 medidas que o Governo apresenta no início deste processo negocial. O Executivo conta ter o processo fechado na concertação social até ao final de Junho. E precisará depois de uma maioria no Parlamento que as aprove. A ideia é que isso aconteça até ao final do ano.
Notícia em actualização

Brasil. Supremo suspende prisão imediata de Lula da Silva

JORNAL I

23/03/2018 08:30

2700 FACEBOOK TWITTER

O antigo Presidente do Brasil não será preso até 4 de abril.

O Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu adiar a decisão do recurso do “habeas corpus” preventivo de Lula da Silva, o que significa que o Presidente brasileiro não será preso até, pelo menos, dia 4 de abril, dia em que será julgado o recurso novamente.

Lula da Silva foi condenado a 12 anos de prisão pelo Tribunal Regional Federal, por crimes de corrupção e branqueamento de capitais por, alegadamente, ter recebido 2,25 milhões de reais (cerca de 570 mil euros), de alegados subornos da construtora OAS.

Assim, para evitar a prisão do ex-presidente, a defesa apresentou um recurso ‘habeas corpus’ preventivo, no Tribunal Superior de Justiça, que foi rejeitado, e ainda um outro no Supremo Tribunal Federal do Brasil.

Recorde-se que, Lula da Silva, de 72 anos, afirma estar a ser vítima de uma “perseguição” judicial, para impedir o seu regresso ao poder.

O Brasil está a sete meses das eleições presidenciais, sendo que Lula da Silva é o favorito em praticamente todas as sondagens. No entanto, poderá ficar inabilitado politicamente, uma vez que de acordo com a legislação brasileira, os condenados em segunda instância não podem concorrer a cargos superiores, neste caso eleitorais.