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domingo, 20 de maio de 2018

Entre as brumas da memória


Catarina Eufémia (13.02.1928 – 19.05.1964)

Posted: 19 May 2018 11:27 AM PDT

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Crítica Económica e Social

Posted: 19 May 2018 05:59 AM PDT

Grátis. Ler ou fazer download AQUI.
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Futebol: o reservatório da violência alimentado pelo dinheiro, pelos media e pela complacência de todos

Posted: 19 May 2018 03:00 AM PDT

José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Como é que se põe uma bola para baixo quando ela está quase sempre em baixo? Na verdade, como é uma bola, está sempre ao mesmo tempo para cima, para baixo, para o lado. Mas, pensando bem, por que razão deveria estar para baixo, quando esta espuma dos dias violenta é um tão bom negócio para tanta gente? Minha cara gráfica do PÚBLICO, coloque a bola na sua posição normal, e a mais oficial das bolas, porque isto do futebol é uma coisa séria, com o beneplácito das mais altas instâncias da nação. Deixe vir o esquecimento rápido do ritmo dos media e tudo vai continuar na mesma.

Por muito que se bata no peito e se façam os protestos habituais e se digam todas as coisas convenientes, não é preciso ser um telepata nem um adivinho para perceber que são coisas de muita circunstância e pouca substância e que na verdade ninguém está muito indignado com o que se passou. Digo isto, porque coisas semelhantes ocorrem ciclicamente, segue-se uma onda de indignação e depois volta a velha complacência de sempre: “são coisas do futebol”...

Têm razão, são de facto coisas do futebol. Ou, dito doutra maneira, são coisas onde circulam legal e ilegalmente muitos milhões, muito mais milhões do que em 90% das empresas portuguesas. São um maná para uma comunicação social que não sabe viver sem futebol, ou melhor sem “este” futebol, o dos Brunos, dos Pintos, dos Vieiras, dos No Name Boys, dos Super Dragões, da Juve Leo e quejandos, que parece que tem um espasmo para não lhe chamar outra coisa, sempre que há um “derby”. São um maná para o poder político que precisa de circo quando não há pão e onde Centeno e os seus antecessores abrem os cordões à bolsa para que haja sempre surtos patrióticos a propósito da bola, cheios de bandeiras e bandeirinhas, cachecóis e varandas engalanadas, cheios de Portugal gritado a plenos pulmões, quando ninguém mexe uma palha num país que perde soberania todos os dias.

O que se passa diante dos nossos olhos, trazido pelas prestimosas televisões e por uma multiplicidade de directos na rádio e capas de jornais, não engana ninguém. Só não vemos porque não queremos ver. As claques de futebol dos grandes clubes são as únicas associações de criminosos que funcionam à luz do dia. Esta gente viola todas as leis, matam pessoas, praticam extorsões várias, organizam gangues, com negócios obscuros, droga, protecção e segurança nocturnos e diurnos, executores de vinganças e ajustes de contas, e exércitos que desfilam nas nossas ruas protegidos pela polícia como animais perigosos que de facto são. Ah! bela juventude com as nossas cores, azuis, vermelhas e verdes, a que só falta cantar a Giovinezza ou o Cara al Sol! E é mais por ignorância do que por falta de vontade.

Ai não sabem? Se não sabem, é porque não querem saber. Há futebol puro e limpo para além disto? Não, não há, isto conspurca tudo e todos são cúmplices. Eu espero sempre que nem um cêntimo dos meus impostos vá para estas mafias, nem para dar “ utilidade pública” a estes empórios do crime e da corrupção, nem para pagar as medidas excepcionais de segurança dos jogos tidos como “perigosos”, nem para os bancos que perdoam empréstimos aos clubes mas recebem de todos nós milhões, e por aí adiante, mas espero sentado.

E agora prometem-nos mais uma despesa com uma Autoridade Nacional contra a Violência do Desporto para esconder a enorme responsabilidade do Estado, da justiça, dos governos, dos partidos neste estado de coisas. Quase que posso jurar que se já existisse, com os seus locais, gabinetes, pessoal pagos pelo Orçamento do Estado, nada poderia contra os espécimes que os adeptos, os sócios, as claques, as ilustres figuras públicas, escolhem para dirigir os clubes e contra os bandos de matraca e faca que eles acolhem no seu seio. O que é que impede o Governo e a justiça de agir com os mecanismos que já têm? Nada, a não ser esta miserável complacência e cumplicidade que já Fradique Mendes, numa das suas cartas onde melhor retrata Portugal, atribuía ao nosso povo:

Senti logo não sei que torpe enternecimento que me amolecia o coração. Era a bonacheirice, a relassa fraqueza que nos enlaça a todos nós portugueses, nos enche de culpada indulgencia uns para os outros, e irremediavelmente estraga entre nós toda a Disciplina e toda a Ordem

sábado, 19 de maio de 2018

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Novo artigo em Aventar


por António de Almeida


Não costumo escrever aqui no Aventar sobre o meu Sporting. Começo por referir que sou sócio do clube com mais de 40 anos de filiação e quotas em dia. Nunca votei em Bruno de Carvalho, apesar de considerar em 2013 que era o melhor candidato à partida, no entanto algumas reservas à sua postura e estilo, fizeram com que me abstivesse. Em 2017 não votei porque a sua reeleição era um dado adquirido à partida e nunca levei a sério o opositor. Mesmo no actual contexto ninguém aponta uma solução protagonizada pelos rostos da oposição eleitoral ao ainda presidente do clube. Verdade que sempre apontei críticas a Bruno de Carvalho, mas fui apoiando o seu trabalho, não me revendo apenas no estilo de presidência. Até que chegou o fatídico mês de janeiro deste ano, quando o menino mimado passou de birrento a déspota, provocando uma crise desnecessária e imprevista, quando a equipa de futebol liderava o campeonato de futebol.

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Manuel Alegre. “Uma pessoa como o Sócrates, magoada e ressentida, em princípio não se fica…”

A uma semana do congresso do PS, socialista diz que só vai se for convidado. Sobre Sócrates, diz que é provável que "não se fique". E que "houve captura do Estado por outros interesses" quando foi PM.

PEDRO NUNES/LUSA

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O histórico socialista Manuel Alegre só vai ao congresso do PS, que se realiza no próximo fim de semana, se for convidado — mas acha “estapafúrdio” não ser. “Será um caso estapafúrdio não ser convidado, mas em política tudo é possível. Já resolvi muitos congressos, também já virei congressos do avesso. Não sei o que as pessoas querem deste congresso”, diz em entrevista ao Diário de Notícias, onde também fala da desfiliação de José Sócrates do PS e da “captura do Estado por outros interesses quando Sócrates foi primeiro-ministro”. Segundo Manuel Alegre, agora que está livre do PS é possível que o ex-primeiro-ministro “não se fique”.

Questionado sobre se José Sócrates pode agora sentir-se tentado a provocar danos no PS, Alegre responde afirmativamente. “Pode, pode”, responde. “Gostaria que ele não fizesse isso, mas pode. Embora ache que ele tinha ligações profundas ao PS. Teve uma maioria absoluta, foi glorificado como poucos em congressos e agora é natural que esteja magoado. E uma pessoa como o Sócrates, magoada e ressentida, em princípio não se fica…”, diz.

Ainda sobre José Sócrates, o histórico socialista não tem dúvidas de que o PS, no tempo da liderança de Sócrates, ficou capturado por interesses económicos. Mas que isso começou antes, com António Guterres. “Começou com uma pessoa que está acima de toda a suspeita, o António Guterres. Que é um socialista cristão que foi o pai político. Foi ele que abriu as portas a muitas coisas. Sinto que a partir de certa altura, e sobretudo quando Sócrates foi primeiro-ministro, houve uma captura do Estado por outros interesses. Um grande encosto à banca, por orientação política. Mas foi uma orientação que nós combatemos. E distingo a questão pessoal, política e a outra”, diz, referindo-se à questão judicial.

Para Manuel Alegre, a questão da justiça também importa muito e não se deve arrastar no tempo. “Há acusações que foram feitas que têm de ser provadas e demonstradas”, diz na mesma entrevista, onde critica a lentidão da justiça. “Arriscamo-nos, como disse o Presidente da República e muito bem, a morrer antes de certos julgamentos serem feitos. Isso não é bom para a ustiça nem é bom para a saúde da democracia”, acrescenta.

Sobre o futuro do PS, e as moções que vão ser debatidas no congresso, Manuel Alegre destaca a moção de Pedro Nuno Santos e Duarte Cordeiro sobre o papel “estratega” do Estado, mas curiosamente também se apressa a aplaudir Fernando Medina, outro rosto apontado como possível candidato ao pós-Costa. “Devo dizer que também tenho apreciado muito o Fernando Medina”, disse.

Ladrões de Bicicletas


Leituras: Revista Crítica - Económica e Social (n.º 15)

Posted: 18 May 2018 07:44 PM PDT

A segunda edição de 2018 da revista Crítica é temática. Inicia com um ensaio de Boaventura de Sousa Santos sobre os debates entre as esquerdas em cinco países (Brasil, Colômbia, México, Portugal e Espanha), a que se junta um contributo de Joana Mortágua sobre questões e escolhas políticas na experiência portuguesa. Gonçalo Brás discute o impacto das diferenças na derrama municipal quanto à concorrência fiscal no país e João Ramos de Almeida analisa o espírito corporativo que preside à concertação social. Por último, Eugénio Rosa procede a um balanço detalhado sobre a situação no Montepio Geral. O número 15 da revista Crítica está disponível aqui, para download gratuito. Boas leituras.

Economia política no seu melhor

Posted: 18 May 2018 05:56 AM PDT

Ruínas

Posted: 18 May 2018 02:13 PM PDT

Aprende-se realmente muito entre ruínas estrangeiras, incluindo sobre nós próprios, sobre os nossos erros e acertos políticos. As ruínas da esquerda italiana e grega são particularmente instrutivas, até porque estão ligadas. O europeísmo foi um dos mecanismos da (auto)destruição. Só variou o horizonte temporal.
No caso italiano, no meio das ruínas surgiu o movimento cinco estrelas e, aproveitando-se da ruína, uma liga, agora nacional. As classes subalternas reconstroem sempre um espaço nacional, graças à esquerda ou apesar dela ou mesmo contra ela. A lição é brutalmente clara: a esquerda paga um preço elevado quando são outros a tentar construir o espaço da imaginação nacional-popular numa economia estagnada, graças sobretudo ao Euro, numa sociedade causticada, graças à neoliberalização indissociável desta moeda.
Talvez valha a repescar o insuspeito Wolfgang Munchau no Financial Times (oportunamente traduzido pelo DN): “Seria ingénuo pensar na eleição de dois partidos antissistema na terceira maior economia da zona euro como irrelevante. A Itália afinal não é a Grécia. E a Liga e o Cinco Estrelas constituem um desafio muito maior para o consenso da UE do que o Syriza.”
O Syriza faz hoje penosamente parte do consenso da UE assente na mentira. Por falar de pós-verdade com origem europeia, vejam o que escreve o insuportavelmente europeísta The Guardian, uma ruína jornalistica: “O maior medo da Europa, em especial da Zona Euro, é que a Itália mergulhe no tipo de colapso económico que, em 2015, esteve perto de catapultar a Grécia – na altura, liderada por um governo radical apostado em superar as regras da Zona Euro – para fora da moeda única.” É isto que passa por imprensa de referência e até progressista.
Na verdade, a depressão grega foi induzida pelo Euro e pelas regras austeritárias que são indissociáveis do seu funcionamento; regras aceites pela esquerda grega, que finge agora gerir uma semi-colónia. Enquanto o governo grego resistiu, o BCE, por exemplo, contribuiu deliberadamente para o sabotar, por via de um sistema bancária em crise induzida, algo jamais visto.
Não sei o que é que o eventual governo liderado pelas direitas italianas fará, nem dele espero nada de bom, mas sei que se desafiar o consenso de Bruxelas-Frankfurt, o mais provável é que as forças de mercado e da integração que as suporta mergulhem ainda mais a Itália no caos. A Zona Euro mantém-se também pelo medo.
Medo e mentira. Até quando?

Desequilíbrios regionais e ensino superior

Posted: 18 May 2018 03:17 AM PDT

Uma andorinha não traz, evidentemente, a primavera. Mas a decisão do MCTES, relativa ao corte de 1.100 vagas em Lisboa e Porto, no próximo concurso nacional de acesso ao ensino superior, é um bom exemplo da natureza e significado que as medidas de redução dos desequilíbrios regionais e de combate à desertificação do interior do país devem assumir.
Para que se tenha uma noção do desequilíbrio que atualmente se verifica na oferta de ensino superior, em termos de alunos matriculados, veja-se o gráfico seguinte: em 2017, no ensino superior público, 44% dos alunos estão concentrados nas cidades de Lisboa e Porto; 53% nas áreas metropolitanas e 90% no litoral do país. Ou seja, o interior conta apenas com 10% dos alunos.

Quando fazemos o mesmo exercício para a distribuição dos alunos do ensino superior privado, o desequilíbrio é ainda maior: cerca de 2/3 dos alunos (68%) deste subsistema estão concentrados nas cidades de Lisboa e Porto; 90% nas áreas metropolitanas e 99% no litoral. Ou seja, apenas 1% dos alunos matriculados no ensino superior privado se encontram a estudar no interior do país.
A evolução recente da distribuição de alunos traduz de resto uma aproximação gradual à configuração existente em 1990. Isto é, antes de a rede de institutos politécnicos ter permitido uma melhoria dos equilíbrio territoriais, para a qual o surgimento de instituições privadas também contribuiu, ainda que em menor escala. Com efeito, inicia-se a partir de 2001 uma inversão desse equilíbrio relativo, particularmente expressiva no desequilíbrio entre litoral e interior, tanto no ensino superior público (com apenas 3 pontos percentuais de diferença, em 2017, face à distribuição de 1990) como no ensino superior privado (em que a percentagem de alunos matriculados em instituições de ensino superior do litoral, em 2017, supera já a registada em 1990).
Por último, as diferenças entre a rede pública de ensino superior - apesar de tudo menos «litoralizada» que a privada - evidenciam o papel que o Estado pode e deve ter no seu ordenamento, já que os privados - naturalmente - tendem a acompanhar a concentração da procura, acentuando os desequilíbrios regionais existentes.

O Bas Dost é que não os queria ouvir

Novo artigo em Aventar


por João Mendes

Segundo o advogado de alguns dos delinquentes que invadiram e vandalizaram a Academia de Alcochete, processo durante o qual tiveram ainda a oportunidade de agredir uns quantos jogadores e elementos da equipa técnica, o grupo de caras tapadas "só queria conversar". Portanto, daqui para a frente, quando quiserem fazer uma espera e partir uma cabeças, lembrem-se do argumento. Vocês só queriam conversar. Se depois alguém sacar o cinto das calças para fazer mais pontos na cabeça do Dost do que o Benfica na última edição da Champions, é porque a conversa tomou um rumo que não devia. Mas eles só queriam conversar. Daí entrarem na academia sem serem convidados, de cara tapada como qualquer pessoa bem intencionada que aparece em casa do amigo sem avisar. E se a coisa correu mal, a culpa foi do Bas Dost, que não soube dialogar. Ou não quis ouvir. Ninguém lhe mandou ser arruaceiro.