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sexta-feira, 15 de junho de 2018

A diferença entre Fernando Santos e os outros

Novo artigo em Aventar


por Rui Curado Silva

Foto FPF

Com Scolari estaríamos neste momento a discutir porque é que André Silva, substituído por Luís Boa Morte com 40 anos, ou Ricardo Patrício, substituído por José Sá, não tinham sido convocados. Com Oliveira estaríamos agora a debater a última noitada nas escaldantes casas de passe de Sochi.

Ao contrário dos outros, Fernando Santos não precisa de perseguir jogadores para demonstrar que é ele que manda no balneário. Também sabe que não é levando os jogadores às meninas que conquista o seu respeito. Santos sabe que não é assim que se gere um grupo. Com Santos, os jogadores distinguem bem os momentos de descontração dos momentos em que se exige um máximo de profissionalismo. Sabe que a melhor gestão de um grupo é complexa, nem Pinochet como Scolari, nem Zezé Camarinha como Oliveira.

Fernando Santos não se atrapalha quando tem vários jogadores para a mesma posição. Roda os jogadores com destreza. Sabe que num torneio não se pode jogar sempre com a mesma formação, sabe que é preciso mudar estratégia e tática, caso contrário corre o risco ser secado nos quartos ou nas meias finais por treinadores que estudam rigorosamente a nossa seleção (Humberto Coelho 2000, Queiroz 2010, Scolari sempre) . Com Scolari, os adversários conheciam em permanência a formação e tática portuguesa, era imutável. Foi graças a esta prática que conseguiu a sua maior proeza na seleção: perder a final do Euro em casa com a geração de ouro. E não perdeu por falta de sorte, perdeu na sequência de um empate com a Grécia 1-1 em casa, em novembro de 2003 e de uma derrota de 2-1 no jogo de abertura.

Obviamente que nestes torneios, o factor sorte conta. Mas, ao contrário dos outros, Fernando Santos faz por reduzir a probabilidade de ocorrerem azares.

De novo, no Mediterrâneo…*

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

  • Eduardo Louro
  • 15.06.18

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A Europa voltou a olhar-se no espelho de água do Mediterrâneo, no drama de 629 refugiados africanos - homens, mulheres, algumas delas grávidas, adolescentes e crianças, resgatados ao mar na madrugada de sábado e manhã de domingo.

E não pôde se não envergonhar-se do que viu nas primeiras vítimas da xenofobia do novo governo italiano, que não serão seguramente as últimas das contradições e dos bloqueamentos de uma Europa amarrada, incapaz de responder à dimensão dos desafios que tem pela frente, entre os quais a resposta a estas vagas migratórias.

Valeu a arrojada e corajosa decisão solidária do novo primeiro-ministro espanhol, que se apressou a chegar-se à frente para evitar uma enorme e injustificável catástrofe humanitária de que a Europa nunca se redimiria. Desta vez…

Porque nada mudou, mesmo que evitar uma catástrofe nunca seja pouco. Ninguém acredita que esta atitude de Pedro Sanchez cure a cegueira da União Europeia, ou que a liberte dos seus fantasmas. A pressão migratória vai aumentar. De imediato, porque vem aí o Verão. A prazo, porque o ritmo de crescimento da população no continente africano é maior que em qualquer das outras partes do mundo. E porque as máfias que a alimentam, para dela se alimentarem, fazem o resto.

Não deixa de ser notável que, num mundo em que tudo circula livremente, em que em especial o capital não encontra barreiras, só a livre circulação de pessoas seja impedida. Que se levantem muros para barrar a passagem das pessoas quando se abrem auto-estradas para que o dinheiro circule mais depressa, e se possível sem deixar rasto.

* A minha crónica de hoje na Cister FM

    E se Trump tiver razão?

    Ladrões de Bicicletas


    Posted: 14 Jun 2018 06:08 PM PDT

    É preciso alguma coragem intelectual e política para dizer isto em certos meios: “Trump tem razão e o resto do G7 não”. Porquê? Porque, segundo George Monbiot, Trump defende a existência de uma cláusula de caducidade, que permita renegociar, ao fim de um certo prazo, tratados como a NAFTA, ou abandoná-los. As perversas regras do comércio e investimento internacionais não podem estar inscritas na pedra. Caso contrário, para que servem as democracias?
    Anda para aí uma certa “esquerda” a querer convergir com outros neoliberais, em nome de uma fantasiosa frente comum dos “abertos” contra “fechados”, esquecendo que foram as crises e polarizações da forma dominante de economia política, assente na ideia abertura irrestrita, que contribuíram e contribuem para gerar os Trump desta vida. Na UE, esta forma de economia política, ainda mais constrangedora, tem na moeda única e no mercado único os seus pilares.
    A conclusão de Monbiot deve levar a pensar: quando é possível a um escroque como Trump “apresentar-se como campeão dos interesses populares, então a democracia está mesmo em risco”.
    Na realidade, o chamado neoliberalismo progressista, o dos que combinam um entendimento liberal das chamadas causas fracturantes com o neoliberalismo que causa fracturas, mata uma certa esquerda dos dois lados do Atlântico. Essa esquerda, é verdade, não faz falta nenhuma, dado que impede o aproveitamento da desglobalização que tem de se avizinhar.
    Felizmente, há quem perceba duas coisas: que NAFTA, CETA, TTIP ou UE comungam de uma mesma lógica perversa e que um populismo de esquerda é o melhor antídoto simultâneo contra Trump, mas também contra o perigoso plástico político que ainda flutua dos naufrágios da terceira via.

    O proxeneta conservador

    Novo artigo em Aventar


    por João Mendes

    Na América alucinada de Donald Trump, as anedotas sucedem-se. E como já vale quase tudo, o proxeneta Dennis Hof garantiu ontem a nomeação republicana para as eleições intercalares no estado do Nevada. Proprietário de vários bordeis - legais no Nevada - Dennis Hof integra ainda o elenco do reality show Cathouse, que retrata o dia a dia num bordel no Nevada, e é o autor do livro "The art of Pimp", que traduzido para português dá qualquer coisa como "A arte do Chulo". Não admira que tenha ascendido politicamente na era da trampa. 

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    quinta-feira, 14 de junho de 2018

    Entre as brumas da memória


    Trump desvaloriza ataques aos direitos humanos na Coreia do Norte: “Kim é um tipo duro”

    Posted: 14 Jun 2018 01:51 PM PDT

    «“Quando tomas conta de um país duro, com uma população difícil, e herdas isso do pai, não quero saber quem és, que privilégios tiveste - há uma em cada dez mil pessoas que conseguiriam atingir o mesmo aos 27 de idade." É esta a caracterização que Donald Trump, Presidente dos Estados, faz de Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte com quem se encontrou na terça-feira, em Singapura, para discutir o fim do arsenal nuclear do regime. E foi assim que tentou desviar a pressão de Bret Baier, jornalista da FOX News, que lhe perguntou insistentemente porque é que tinha escolhido não abordar os abusos cometidos pelo regime norte-coreano contra os direitos humanos quando se encontrou com Kim. A esta análise acrescentou que Kim é "um tipo muito inteligente", "um grande negociador" e que os dois se irão "entender muito bem".

    Vários ativistas e também numerosas vozes dissidentes norte-coreanas a residir em outras partes do mundo, mostraram a sua indignação face à ausência de qualquer referência aos abusos cometidos por Kim e pelos seus subordinados no exército e nos serviços de informações contra milhões de norte-coreanos.

    Num vídeo gravado para o diário norte-americano "The New York Times", Yeonmi Park, que fugiu da Coreia do Norte aos 13 anos, fala das torturas cometidas pelo regime e pergunta a Donald Trump: "Senhor Presidente, encontrar-se-ia com o Hitler?".

    Os números da ONU sobre a situação humanitária no país não oferecem muito espaço de manobra a Kim mas Trump deu-lhe um pouco mais, dizem os responsáveis da Human Rights Watch na Ásia. Segundo a ONU, duas em cada cinco pessoas estão malnutridas na Coreia do Norte, e cerca de 120 mil estão presas por motivos políticos em instituições onde os abusos aos seus direitos são constantes e muito violentos: abusos sexuais, execuções públicas, tortura física, trabalho forçado e refeições insuficientes são alguns dos exemplos explícitos no último grande relatório da ONU, com data de 2015.

    Donald Trump foi e veio a Singapura, apertou a mão a Kim Jong-un, convidou-o para visitar a Casa Branca, apesar de o líder norte-coreano se encontrar numa lista negra de pessoas que não estão autorizadas a entrar nos Estados Unidos, e várias vozes, incluindo aquelas do seu campo político se têm mostrado bastante críticas com a complacência de Trump. Um exemplo das fissuras a nascer no próprio partido foi a cobertura feita pelo George W. Bush Presidential Centre, um instituto de análise política, museu e instituição de solidariedade social estabelecido pelo ex-Presidente republicano, que durante toda a conferência focou a sua atenção na questão dos direitos humanos. Como seria de esperar, os Democratas foram menos contidos e acorreram ao Twitter em avalanche para criticar Trump. Chris Murphy, senador democrata do Connecticut escreveu: "Os gulags do Kim, as execuções públicas, a fome premeditada legitimadas no palco do mundo. Que raio é isto?"

    Pressionado ainda mais uma vez pelo entrevistador da FOX sobre as "coisas muito más que o regime [norte-coreano] faz", Trump respondeu que, sim, que isso é verdade mas que "muitas outras pessoas fizeram coisas" e que "é possível fazer uma lista de várias nações que fizeram coisas más". Num comentário pouco depois de terminada a conferência, Christopher Green, analista especialista em assuntos das duas Coreias do Crisis Group falou com o Expresso e, não dando razão a Trump, disse não estar surpreendido com esta omissão porque se Trump falasse da questão da abertura do regime poderia perder para sempre a linha de contacto com o regime e anular qualquer possibilidade futura de diálogo para esse fim.»

    Mafalda Ganhão, no Expresso diário, 14.06.2018

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    José Mário Branco: como o compreendo…

    Posted: 14 Jun 2018 11:11 AM PDT

    Daqui.
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    Vistos Gold? Não, obrigada

    Posted: 14 Jun 2018 08:04 AM PDT

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    Trump: da idiotice pura e dura

    Posted: 14 Jun 2018 06:59 AM PDT

    Make North Korea Great Again?
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    O Mundial do Goldman Sachs

    Posted: 14 Jun 2018 03:08 AM PDT

    «Como todos os mais famosos treinadores de bancada, o Goldman Sachs também achou importante dar o seu prognóstico sobre o Mundial de futebol. Fez uma milhão de simulações para todas as equipas presentes no torneio e chegou a algumas conclusões extraordinárias. Foi um esforço inglório. O polvo Paul, que adivinhava os resultados do Mundial de 2010, só precisava de duas caixas. O banco fica claramente a perder. Mas, mesmo assim, partilha connosco a ideia de que o Brasil vencerá a Alemanha na final e será campeão. Portugal chegará às meias-finais, vencendo nos quartos-de-final a Argentina. Ficamos aliviados. Vivemos, nas vésperas do início do Mundial, um período de euforia. É um sinal dos tempos: Portugal está imerso no seu esplendoroso passado (ser campeão europeu) sem reconhecer a realidade de hoje. E nada condiciona mais uma selecção do que isso. Há dois anos, Portugal, seguindo a engenharia conservadora de Fernando Santos, vivia de uma defesa muito sólida e da vontade genial de Cristiano Ronaldo. Ele resolvia. Foi assim, entre este esquema rígido e a sorte, que Portugal venceu.

    Dois anos depois, Portugal está diferente. Ronaldo já não é super-homem e não resolve tudo. E a defesa já não tem a frescura de então. A chegada de médios criativos de grande qualidade (Bernardo Silva, Gelson, Bruno Fernandes, Gonçalo Guedes) implica que a curto prazo, com o eclipse de Ronaldo, o estilo da selecção terá de se adaptar. Ou seja, estamos perante um outro conceito estético. Neste Mundial, Portugal ainda jogará dividido entre estas duas culturas tácticas. Mas há uma satisfação: se o futebol permite o orgulho, a satisfação com as coisas bem-feitas e a comunhão de valores, hoje a selecção já não vive só de vitórias morais. Geralmente os portugueses choravam a derrota como se ela tivesse sido uma vitória. Havia sempre desculpas. Havia sempre o fado. Havia sempre a sorte arredia. Hoje há uma outra cultura, mesmo com um Fernando Santos avesso ao risco. Este é o fim de um ciclo. E o início de outro.»

    Fernando Sobral