Translate

terça-feira, 19 de junho de 2018

A distracção da “guerra comercial”

Novo artigo em Aventar


por Ana Moreno

A "guerra comercial" vem ultimamente ocupando as primeiras páginas das notícias. Não se distraia com ela, recomenda a Greenpeace.

Não que não tenha consequências, claro que tem; porém, afasta a atenção daquilo que deveria ser, de facto, o foco essencial: as mudanças climáticas e a paz (a todos os níveis) e a sua conexão com as presentes políticas de comércio global, promovidas a todo o vapor pela Comissão Europeia e pelos estados-membros.

A “guerra” de tarifas sobre aço e a réplica na manteiga de amendoim são apenas detalhes de uma política de globalização cega, centrada no crescimento, no barato e no descartável, à custa da saúde e do planeta e ao serviço dos monstros transnacionais.

Está prontinho a sair do forno o JEFTA, o acordo comercial UE/Japão, todo confeccionado longe dos parlamentos nacionais, os quais nem sequer são devidamente informados pelos seus governos sobre um acordo de mais de 1.000 páginas, que vai limitar severamente o espaço político da UE, dos seus estados membros e até mesmo dos governos regionais e locais.

Ler mais deste artigo

Ó Evaristo, tens cá Visto?

Opinião

Mariana Mortágua

Hoje às 00:00

O ministro Siza Vieira saiu em defesa dos vistos gold, usando o mesmo argumento que Paulo Portas repetia à exaustão, a "atração de investimento estrangeiro". Mas se já em 2013 a resposta era poucochinha e falaciosa, hoje é quase uma provocação.

Houvesse uma pinga de sentido crítico e o Governo teria de responder por este investimento, pelas suas origens e pelos seus fins. E o ministro Siza Vieira teria de explicar exatamente porque é que este regime obsceno é "positivo" para o país.

Tempos houve em que era possível mentir e dizer que os vistos gold iriam criar emprego. Hoje sabemos que, dos 5876 vistos atribuídos, só nove foram pela criação de postos de trabalho e que 95% se deveram à compra de imóveis. Mais, sabemos que, como o limite mínimo para atribuição do visto dourado é meio milhão de euros, muitas agências inflacionaram os preços das casas de luxo, compradas à distância por magnatas chineses, brasileiros, russos ou angolanos. Sabemos que este movimento é parte da espiral especulativa em curso nos mercados imobiliários de Lisboa e Porto. Em suma, sabemos que os vistos gold não atraíram investimento produtivo, não criaram emprego, não acrescentaram nada ao país a não ser um mercado de luxo que está a contribuir para deixar milhares de pessoas sem casa que possam pagar.

Mas o problema não está apenas naquilo para que os vistos gold não servem. O problema está no verdadeiro propósito deste regime, que é vender a cidadania europeia a milionários.

Um regime que trafica cidadanias é uma porta aberta para corruptos e criminosos à procura de forma de branquear o seu dinheiro. Procurados pela Interpol, magnatas envolvidos na Lava Jato e oligarquia angolana, os vistos gold servem a todos e não são seletivos. Além disso, tal como alerta o Consórcio Global Anticorrupção, o julgamento de 11 dirigentes da administração pública (incluindo o ex-ministro do PSD Miguel Macedo) por tráfico de influências associado à atribuição de vistos gold, mostra como estes regimes podem corromper governos.

O que sobra sempre da discussão sobre os vistos gold é a certeza da inversão de valores que faz com que se aceite acriticamente que a cidadania é uma coisa que se vende e não um direito. E que nem importa se são especuladores ou corruptos, se o investimento serve o país ou não, desde que o dinheiro continue a entrar.

Ao contrário do que afirma Siza Vieira, não há nada de positivo a apontar ao regime dos vistos gold. Quanto mais não seja, é estranho que ao ministro não pareça perversa a ideia de um país que vende vistos dourados numa Europa que deixa milhões a morrer às suas portas.

DEPUTADA DO BE

Ladrões de Bicicletas


Está tudo bem

Posted: 18 Jun 2018 01:40 PM PDT

Desde 2015, as três mil maiores empresas do mundo, listadas em bolsa, viram os seus lucros, medidos em dólares, crescer 44%. Daqui.

Frugalidade individual, abundância colectiva

Posted: 18 Jun 2018 08:45 AM PDT

Num vídeo que circulou há alguns dias por alguns sites noticiosos e redes sociais, vê-se um orangotango do Bornéu a tentar, de forma heróica mas inglória, lutar contra a retroescavadora que acaba de demolir a árvore onde se encontra o seu ninho. Devido à substituição de floresta por plantações de óleo de palma, os orangotangos estão hoje confinados a algumas áreas limitadas do Bornéu e Sumatra e calcula-se que poderão vir a extinguir-se no estado selvagem dentro de dez anos.
Este vídeo deprimente é uma boa ilustração de dois dos problemas ambientais mais críticos do mundo contemporâneo: a desflorestação e a perda de biodiversidade. É destruída uma área de floresta equivalente à Inglaterra a cada ano, estimando-se que metade da área de floresta tropical de todo o mundo tenha já sido eliminada. O ritmo actual de extinção de espécies é entre 100 e 1000 vezes superior à chamada taxa média normal de extinção (antes da intervenção humana), justificando que este seja considerado o sexto evento de extinção em massa na história geológica do planeta – o quinto, há 65 milhões de anos, foi o que envolveu a extinção dos dinossauros.
Estes são apenas dois de um conjunto mais vasto de problemas. No livro Colapso – Como as Sociedades Escolhem o Sucesso ou o Fracasso, o biólogo e geógrafo Jared Diamond aponta alguns outros: o esgotamento dos stocks de animais selvagens, especialmente de pescado; a degradação dos solos utilizáveis na agricultura; a destruição de outros habitats (recifes de coral, áreas lacustres,...); a delapidação das reservas de combustíveis fósseis; o esgotamento dos aquíferos e outras reservas de água doce; a poluição do solo, ar, oceanos, rios e lagos; o esgotamento da capacidade foto-sintética do planeta; a introdução de espécies invasoras; e, talvez o mais crítico e frequentemente referido de todos, o aquecimento global.

Para além da questão intrínseca do impacto sobre outras espécies e ecossistemas, quase todos estes problemas têm o potencial de pôr em causa a viabilidade futura das sociedades humanas. É por isso evidente que constituem limites reais, e bastante imediatos, às nossas escolhas colectivas, que não podem ser ignorados nas discussões sobre desenvolvimento. O desafio que se coloca à humanidade passa por garantir a todos, em todo o planeta, o acesso à água, alimentação, energia, saúde, educação, etc., sem exceder os limites de utilização de recursos que comprometem a viabilidade futura das próprias sociedades humanas.
Que isso não será possível sem uma alteração do padrão de utilização de recursos, especialmente nas sociedades mais ricas em que estes são mais intensamente utilizados, é já reconhecido de forma generalizada. O erro em que continuamos a incorrer, em contrapartida, passa por remeter esta questão unicamente para o plano das escolhas individuais. Não há nada de errado, antes pelo contrário, na opção individual de racionalizar o consumo de energia, usar menos sacos de plástico ou evitar produtos com óleo de palma. Mas isso transforma em mais uma decisão de consumo – atomizada, descoordenada e dependente do poder de compra de cada um – aquilo que é uma questão política que tem a ver com a nossa sobrevivência colectiva.
É no plano colectivo que o essencial destas decisões pode e deve ser tomado. Isso implica transportes públicos gratuitos e de qualidade a par de automóveis e combustíveis mais caros. Implica a fiscalização e penalização sérias – pelo Estado, não pelas decisões dos consumidores – das empresas que poluem os nossos rios e mares ou que destroem ecossistemas globalmente necessários. Implica revogar, dado os riscos que envolvem, as concessões de exploração de petróleo ao largo da costa portuguesa que têm vindo a ser feitas por montantes irrisórios.
Acima de tudo, implica a opção por um modelo de desenvolvimento assente na abundância colectiva a par da frugalidade individual. Mais do que uma escolha individual e de consumo, essa é uma escolha política e colectiva.

A UE prepara censura automática na Internet e taxa sobre os links – contacte António Marinho e Pinho para impedir este absurdo!

Novo artigo em Aventar


  por j. manuel cordeiro

Enquanto a mais recente proposta de direitos de autor na UE chega a uma votação críticano dia 20 de Junho - próxima quarta-feira, mais de 70 dinossauros da Internet e da computação manifestaram-se contra uma cláusula perigosa, o Artigo 13, que exigirá que as plataformas da Internet filtrem automaticamente o conteúdo carregado. O grupo, que inclui o pioneiro da Internet Vint Cerf, o inventor da World Wide Web Tim Berners-Lee, co-fundador da Wikipedia Jimmy Wales, co-fundador do Projecto Mozilla Mitchell Baker, fundador do Internet Archive Brewster Kahle, especialista em criptografia Bruce Schneier, e especialista em neutralidade de rede Tim Wu, escreveram em uma carta conjunta que foi divulgada há dias:

Ao exigir que as plataformas da Internet executem a filtragem automática de todo o conteúdo que seus utilizadores carreguem, o Artigo 13 dá um passo sem precedentes para a transformação da Internet, de uma plataforma aberta para partilha e inovação, numa ferramenta para a vigilância e controlo automatizados de seus sites.

(Texto supra adaptado daqui)
Ler mais deste artigo

InterCidades Lisboa-Évora, a tragédia de uma empresa

Novo artigo em Aventar


por Autor Convidado

ic-lisboa-evora[Rui Elias Garcia]

Desde há uma semana a ser feito com recurso às Automotoras 2240, não as adaptadas para o serviço da Covilhã, mas usando as vulgares automotoras para IR ou Regionais, leia-se suburbanos, que foi para isso que foram construídas em 1977, talvez comprometendo a capacidade do serviço regional de Tomar.
Existem hoje muitas causas possíveis para esta situação, como a falta de locomotivas, falta de carruagens, indisponibilidade da EMEF para libertar o material em intervenção mais cedo, também por falta de recursos humanos nesta empresa.
Um destes factores, ou a acumulação de todos , e o desastre acontece. Mais um desastre decorrente dos poucos recursos materiais de uma empresa que o Estado está a condenar a uma lenta e dolorosa morte, e que não permite à CP ganhar com uma publicidade agressiva e eficaz aos seus serviços e com bons resultados.
A tragédia de uma empresa pública de transporte ferroviário de passageiros que quer vender os seus serviços, angariar clientes através das suas políticas de marketing eficaz e, que no fim, não tem meios para responder à crescente procura.
Uma tragédia portuguesa.
Fotografia de Andrew Donnely, Oriente, 15 de Junho de 2018.